Notas iniciais
Espero que gostem. Ele não ficou bem formatado por que digitei no iPad e para passar para o Nyah é um saco.

Seu pai lhe chamou novamente a atenção. Percy não conseguia se concentrar na luta, não depois daquilo. Esquivar, interceptar, atacar. Esquivar, interceptar, atacar. As palavras soavam na sua mente como um texto decorado, uma instrução a ser seguida. Um milésimo de segundo e ele sentiu o impacto. O gosto de sangue veio lhe à boca, e a mão afrouxou, fazendo o adversário desferir murros seguidos, variando entre o abdômen e o maxilar. Caiu ao chão, nocauteado.

_ Seu vagabundo frouxo. — gritou Poseidon dentro do quarto da estalagem rústica, enquanto Percy segurava uma bolsa de gelo contra o rosto inchado e roxo, ainda todo suado e com sangue pingando — Quando eu falar com você, você olha para mim! Qual a parte de levanta a guarda você não entendeu? Olha para mim, seu rejeitado.

Ele finalizou a frase dando-lhe um tapa que derrubou a bolsa de gelo ao chão. Percy levantou-se em um acesso de fúria e saiu porta a fora, enquanto ouvia seu pai gritar com ele. Caminhava sem rumo, com a chuva caindo no cabelo e fazendo escorrer o sangue que já havia secado. Desde pequeno foi criado para aquilo, psicológica e fisicamente. Entre os irmãos, sempre fora o mais fraco e dislexo. Mas ele deveria ser aquilo, queira ou não queira, então treinou, esquivou, interceptou e atacou, seguiu até onde deu, seu limite, e um pouco mais.

Continuou correndo até o parque, onde ela estaria, se estivesse aqui. Lembrou-se da ultima vez que conversaram, fora depois de uma surra que levara do pai, quando falou pela primeira vez para ele que não queria ser lutador.

_ Percy... — foi o que ela disse — você precisa contar para ele. É inumano guardar tudo isso. Ele...

_ Não venha me dizer que ele vai entender.- interrompeu-a, ficando em pé — Ele é um maníaco machista do caralho. Você acha que um cara como ele vai aceitar um filho como eu? Aquele babaca, ele pensa que sou um tipo de marionete dele. Você viu o que ele fez quando falei que não queria ser isso? Ah, se ele descobrisse...

_ Se ele for um pai de verdade, ele vai aceitar, tenho certeza. — disse ela enquanto passava a mão sobre o cabelo de Percy, que estava deitado no colo dela.

_ A questão, Annabeth, — disse ele, se levantando de repente — é que ele não é!

Quando ele alcançou o parque, a chuva já havia parado, mas nenhuma criança estava no local. Ninguém ia lá, desde muito tempo, desde que ela havia morrido ali, por um forasteiro, duas noites depois da conversa, esperando por ele, sozinha.

Já faziam dois anos que ela partira. E seu segredo foi enterrado com ela, à sete palmos do chão. Ele pôs-se a esmurrar, chutar e quebrar o pequeno castelo de madeira, quando percebeu a chegada dele.

_ Está aí a quanto tempo? — perguntou Percy, parando o momento de fúria.

_ Tempo suficiente. O que houve? — ele se sentou no banco da frente.

_ Por favor, Nico, não piore as coisas. Só... — ele criou coragem para dizer as palavras — Só me deixa em paz.

_ Hey, ela também era minha amiga, não monopolize o luto, por favor! — disse ele se levantando do banco com um sorriso acalmador.

_ Você sabe exatamente do que estou falando.

_ E você sabe que não importo com a opinião do seu pai. Que se dane o mundo e sua opinião, se você quer algo, não tem barreiras que segure, você sabe o que eu sinto, mas se é recíproco ou não, é com você! — a voz dele se alterou e ele estava agora à três passos de distância, Percy fez menção de responder o óbvio, mas ele o interrompeu — Quer saber, me procure quando resolver isso. Você sabe onde me encontrar, Perseu. Mas posso não esperar para sempre.

Todo o ódio esvaiu de Percy no momento em que ele afastou, mas voltou com tudo assim que chegou no quarto da estalagem e encontrou Poseidon caído no sofá da sala. Ele se levantou assim que Percy adentrou o local na penumbra.

_ Onde diabos você estava? — perguntou ele cuspindo cada palavra. — Acha que é suficiente? Acha que essa merda de luta que você fez hoje é algo? Você não passa de um cretino mal criado. Eu deveria ter te batido mais, para virar alguém, seu...

Percy não o interrompeu. Ele não iria aguentar mais, iria explodir a qualquer momento se não parasse-o. Envolveu os ouvidos com a mão, negando com a cabeça pedindo mentalmente que parasse, que parasse tudo, a voz, a dor, a angústia, a saudade, o arrependimento. Tudo.

_ Para! — ele por fim soltou o grito — Para! Não aguento mais um segundo, PARA! — ele afrouxou a mão que envolvia assim que Poseidon parou o discurso. Ele já iria recomeçar quando Percy continuou — Você não entende. Nem Tritão nem Tyson suportaram você. Onde estão eles agora? Eu deveria ter feito o mesmo, fugido, o mais longe de você. Até minha mãe te largou, você não presta! Foi por isso não é?! É por isso que você desconta em mim, por causa da minha mãe, por ela ter me abandonado com você. Só me deixa em paz.

Poseidon levou alguns segundos para recuperar a voz, cada vez mais alta, como em uma competição de que quem falasse mais alto, ganharia.

_ O que você pensa que é para me desafiar, seu filho de uma puta! Isso mesmo, aquela vadia que nem teve competência para me dar algo que preste. E ainda abandonou o que ela pariu para eu cuidar. Você é um rejeitado, que...

_ Eu sou gay! — gritou Percy do nada, calando Poseidon por completo, deixando-o sem reação, subiu a escada pegou uma sacola com as economia e saiu deixando Poseidon no mesmo lugar, aturdido pela confissão do filho. Correu, correu como nunca havia feito antes, para o lugar que o encontraria. Chegou lá com o pulmão em chamas, mas o viu. Ele segurava um livro em uma mão e um isqueiro, e um cigarro pendia em sua boca, apagado. Percy sentou-se ao seu lado e pegou sua mão, e ficou assim, em um silêncio apaziguador.

_ Não precisa falar. Já sei! — Nico disse depois de alguns minutos — Você foi um guerreiro. Nós somos.

Notas finais
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