Warrior
1 Prólogo
Notas iniciais
Warrior
Escrita por Dália
Prólogo
Seoul, 2 anos atrás
Corria apressadamente pela avenida principal, com duas sacolas em cada mão, pedindo desculpas a cada pessoa que esbarrava. O suor escorria pela sua testa, quem dera fosse pelo calor... Estava nervosa. Aquela noite era especial, precisava torná-la especial.
Por mais que seus dedos tremessem e seus batimentos estivessem fora de controle, não podia conter o sorriso estampado em seu rosto. O sentimento de felicidade tomava conta do seu corpo, e ela devia toda essa felicidade a ele. Ele era motivo de seu sorriso, e tinha certeza que ela era o motivo do dele.
Depois que ele entrou em sua vida, a tornou mais colorida, a tornou mais viva. Antes, ela não tinha fé em si mesma, não acreditava em seu talento e não tinha esperança no seu sonho. Mas ele fez tudo tornar realidade. Ela era Sol e ele Lua. Um não vive sem o outro.
Com dificuldade pegou as chaves em seu bolso esquerdo e abriu a pequena porta transparente. Cumprimentou o porteiro e subiu as escadas, até atingir o seu andar. Adentrou em seu apartamento lentamente, espiando pela fresta. Suspirou, ele não tinha chegado ainda. Que sorte, pensou.
Colocou as compras em cima da bancada e amarrou seus longos cabelos róseos em um coque bagunçado, colocou seu melhor avental e comemorou internamente. Estava orgulhosa de si mesma. Faria o melhor jantar de comemoração, afinal, ambos mereciam. Ambos estavam a alguns passos de seu futuro juntos. Sempre juntos.
* * *
Batalhou a vida inteira, ralou todo dia, tudo para conseguir seu sonho. E agora, parado ali, segurando seu notebook com força, olhando fixamente para o e-mail que recebeu há exatamente 6 minutos. Aquilo não poderia estar acontecendo. Não com ele. Não com ela.
Desde pequeno tinha apenas um objetivo em sua vida: mostrar sua música para o mundo. No começo era só um capricho, por mais que amasse cantar, não tinha intenção de construir uma carreira com sua voz. Mas depois que sua família perdeu tudo, ficou sem nenhum centavo no bolso, o sonho infantil se tornou uma obrigação.
Lembrava-se perfeitamente da vez que ganhou seu primeiro violão. Tinha 12 anos na época, seus pais tinham acabado de sair da vida de luxo. Seu pai, Fugaku, conseguiu um emprego de lavador de pratos e sua mãe, Mikoto, infelizmente, estava desempregada. A economia não estava boa, e achar emprego era um milagre.
“ ─ Pai, papai! ─ Exclamou o pequeno menino, puxando o homem ao seu lado pela camiseta. ─ Olha pai, um violão. ─ Apontou para o instrumento na vitrine, com os olhos escuros brilhando.
─ Vamos, Sasuke. ─ Disse o homem puxando seu filho pela mão, enquanto lia os classificados. Doía não poder dar algo tão simples para seu pequeno, mas teria que se acostumar com aquele sentimento mais cedo ou mais tarde. ─ Quem sabe um dia, meu filho.”
Sua mãe contou há ele meses depois. Seu pai havia vendido o resto dos objetos de valor que tinha e conseguiu um segundo emprego. Tudo pelo violão. O violão que carregava para todo lado até hoje. A partir daquele dia, jurou para si mesmo que seus pais nunca mais passariam necessidade, nunca mais precisariam de dois empregos. E ele faria o possível ─ e o impossível ─ para isso acontecer.
Mas um simples e-mail conseguia destruir tudo. Havia ralado muito para chegar onde chegou, conseguiu passar na primeira fase da Academia Senju ─ a melhor e mais famosa faculdade de música do mundo. Agora só o que faltava era uma apresentação ao vivo com uma composição própria. Olhou mais uma vez as letras no computador, para ter certeza que seus olhos não o enganavam:
Candidato Uchiha Sasuke, número de inscrição: 0135
Área: Canto e Composição
Prezado Sr. Uchiha, por meio deste e-mail venho comunicar que a partir deste ano a Academia Senju aceitará apenas um aluno por estado, o mesmo terá direito a bolsa de estudos completa e curso no exterior com despesas pagas.
Obrigada pela atenção.
Ass Hatake Kakashi, diretor geral.
Não! Não queria acreditar. Ele tinha o plano perfeito, entrar na Academia e ter a chance de ajudar seus pais. Mas por que se sentia tão mal? Tão sem chão? Sabia exatamente a resposta para sua pergunta: Sakura. Sua Sakura. Sua rosada. A menina com a voz mais linda que já ouviu.
Ele não fazia música como ela. Não emocionava as pessoas como ela. Não chegava no fundo dos seus corações com suas letras. Ela cantava e o público se emocionava. O público a sentia.
Ele não tinha chance de ganhar dela. Ele não queria ganhar dela. Não queria ficar sem ela.
Ele a amava. Ela foi a única garota que ele realmente amou. Mas o que era mais importante: Sakura ou seu sonho? Infelizmente, não tinha mais espaço para ela em seu sonho. Seria seu objetivo. Seria seu sonho. Sempre.
* * *
Acendeu a última vela no meio da mesa. Cheiro as poucas rosas ao seu lado. Sentou-se com um sorriso de satisfação em seu rosto. A única coisa que faltava era a melhor companhia que tinha. Seu Sasuke. Passou a mão pelos seus fios róseos, massageando-os devagar, Sasuke adorava seus cabelos. Adorava a cor, o cheiro, e o fato de serem longos.
Antes de conhecê-lo, não era fã de cabelos compridos, não era fã de música moderna, não era fã de ter um futuro como cantora. Mas aos poucos, com os passos lentos que ele dava em sua vida, ela foi gostando dessas coisas. Ela queria agradá-lo para que ele não olhasse para outras mulheres, queria ouvir a mesma música junto dele, queria estar ao seu lado de qualquer maneira. Queria acreditar em sua voz, em seu talento.
Saiu de seus pensamentos ao ouvir o barulho da chave na maçaneta. Ele entrou e logo que a viu deu um sorriso de orelha a orelha. Sentia algo diferente, talvez coisa de sua cabeça, não estragaria aquela noite por nada.
─ Surpresa. ─ Exclamou a rosada, apontando para a mesa a sua frente. ─ Amanhã é um dia especial, então merecemos uma noite especial, meu cantor. ─ Beijou-o.
─ Já disse que não existe melhor namorada que você? ─ Perguntou, arrancando uma risada de sua rosada.
─ Já disse sim. ─ Riu ─ Mas eu não canso de me ouvir. ─ Sorriu de canto, servindo o prato do moreno. ─ Ah Sasuke-kun, não consigo parar de pensar sobre amanhã, e se não entrarmos?
─ Vamos entrar. ─ Disse, com os olhos encarando sua refeição. ─ Sua voz é o melhor som que eu já ouvi, minha flor.
─ Falando nisso ─ Suspirou ─ você ainda não me mostrou sua música, Sasuke-kun.
─ É uma surpresa. ─ Respondeu-a. ─ E a sua, guardou bem?
─ Guardei na primeira gaveta da sala para não esquecer, dentro de uma pasta branca. Sabe que fico tão nervosa que sou capaz de levar tudo, menos a música. ─ Riram juntos. Sasuke passou o braço pelo ombro da rosada, puxando-a para si. ─ Nossas vidas serão muito diferentes a partir de amanhã, certo Sasuke-kun?
─ Serão, Sakura. Mas me promete uma coisa? ─ Perguntou beijando sua testa. A garota assentiu. ─ Nunca se esqueça que eu te amo. ─ Sussurrou em seu ouvido.
─ Por que isso agora, Sasuke-kun? ─ Encarou-o.
─ Só prometa, Sakura.
─ Eu prometo, Sasuke-kun, prometo.
* * *
Observava a rosada dormir ao seu lado, com um sorrisinho de canto em seu rosto. Ah, ela era tão linda. Tão perfeita. Tão dele. Passou delicadamente os dedos sobre sua bochecha, tentando não acorda-la. Empurrou seu braço para o lado, caminhando até a sala.
Sabia que estava fazendo o certo. Talvez ela o perdoasse, talvez depois que ele explicasse ela entenderia. Ela sempre o perdoaria, afinal. Ela nunca teria a coragem de não o perdoar.
Abriu a primeira gaveta da sala de estar, retirando lentamente a pasta branca, trocando-a por papeis com a lista de comprar do supermercado. Pegou a música de Sakura e colocou-a embaixo da cama. Deitou-se a abraçou, como se nada tivesse acontecido.
Amanhã seria um grande dia. Amanhã seria seu dia.
* * *
Havia música por todo lado. Pessoas correndo de um lado para o outro, cada uma com uma placa com seu número de inscrição. Aquele lugar era o paraíso, não podia explicar em palavras como estava se sentindo feliz. Sentia que ali era sua casa. Sua casa com Sasuke.
Segurava a mão do moreno com força, tentando esconder seu nervosismo. Encostou sua cabeça em seu ombro, ainda demoraria alguns minutos para a audição dos dois. Estranhava o fato de poucos concorrentes, uns 40 no máximo, pelo o que havia lido na internet o ano passado o número era de 230 apenas de Seoul.
─ Sakura, vou no banheiro antes da minha vez. Já volto, minha flor. ─ Sentiu o moreno beijar sua testa, mas aquele beijo foi diferente, foi um beijo demorado, um beijo triste.
Despediu-se dele e encarou a televisão a sua frente, que mostrava as audições ao vivo. Aquelas pessoas tinham tanto talento, será que ela, uma menina do interior, teria chance?
─ Que estranho, pensei que mais pessoas tentariam as vagas. ─ Comentou para ela mesma.
─ Isso é porque só existe uma bolsa por estado esse ano, então muitos desistiram. ─ Disse uma ruiva ao seu lado, com o violão nas costas.
─ Só uma bolsa? Como assim?
─ Eles mandaram o e-mail ontem, deveria checar isso todo dia rosadinha. ─ Disse dando uma risada.
Aquilo não poderia ser verdade. Não podia. Precisava avisar seu Sasuke-kun. Eles não poderiam se separar. Tinha certeza que quando seu moreno soubesse iriam embora, procurar outra academia, afinal, ficariam juntos a qualquer custo.
Corria pelos corredores, procurando o banheiro masculino, empurrando qualquer um a sua frente... Quando escutou aquela voz.
Aquela voz era de Sasuke. Aquela música... Aquela música era sua música.
Olhou para a televisão ao seu lado, e não conseguiu esconder as lagrimas que já haviam enchido seu rosto. Sasuke estava cantando sua música. Abriu a pasta branca em suas mãos e deparou-se com listas de supermercado. Só podia ser um sonho. Isso. Só mais um pesadelo. Seu Sasuke não faria aquilo com ela.
Sasuke havia a usado. Sasuke havia roubado sua música.
Sasuke havia roubado seu coração.
Notas finais
Comentem!! Beijos e até o próximo capítulo.
Fale com o autor