Warning

3 Visita insesperada


Notas iniciais
Demorei, desculpe. O próximo ja é final. Sim, é rapido mesmo, rs.
Beijos

Já fazia um bom tempo que não ia à loja de Urahara. Não havia muitas coisas interessantes ali para comprar. Não que fosse utilizar no seu dia a dia normal. Mas costumava ficar longe de algumas coisas que o fizesse recordar de seu antigo cargo.

Ichigo tentou, se esforçava de verdade para não pensar ou se preocupar com seus amigos. Mas se Renji estava ali em Karakura, era porque algo estava acontecendo. E pior que não saber o que acontecia, era descobrir e não poder fazer nada. O máximo agora era torcer para que não fosse algo grave, e se fosse, que Ishida e os outros dessem conta.

Até então, o rapaz estava aliviado por tudo ter acabado bem. Ele sentia aquela sensação de dever cumprido. E por mais que desejasse ter uma vida normal, ele tinha que admitir que era bom aquele poder todo. Sentia-se forte e invencível.

Ele fez a mesma rotina de sempre, acordou cedo, tomou café com as irmãs – essa parte foi novidade nas últimas semanas – e foi para a escola.

No final da aula, Ichigo preferiu ir sozinho para a loja de Urahara. Mas não ia ser assim tão fácil. Já na saída, Ishida estava ao lado de Orihime e Sado. Os três pareciam esperar por alguma coisa. Ou melhor, por ele.

Não houve negociação, eles iriam com Ichigo e pronto. O rapaz não se alongou na discussão, porque sabia que iria perder. Assim que chegaram à loja de Urahara, a primeira coisa que viu, foi o ruivo varrendo a entrada do lugar. Ele estava com um avental branco em volta do corpo, e os cabelos presos, um pouco bagunçados. Parecia cansado, sono, ou algo assim.

Não era bem essa a imagem de Renji que Ichigo tinha na memória. Ao contrário, recordava-se muito bem do shinigami em seu uniforme e a espada. Deixou as lembranças para depois, quando ouviu a voz de Renji lhe chamar a atenção.

O ruivo estava parado a sua frente segurando a vassoura nas mãos, esperando Ichigo falar alguma coisa, mas pelo visto...

Definitivamente, fantasiou a toa o momento em que iria reencontrá-lo. Estava se sentindo estúpido por isso. Como se Renji fosse aparecer empunhando sua espada ou coisa parecida, com suas vestes de shinigami, e os cabelos soltos, como acabam ficando depois de uma luta.

– Vai ficar parado aí olhando pra minha cara? Tava com tanta saudade assim que não consegue se mexer? – Renji abriu um sorriso, irritando o outro rapaz.

– Pfff... – Virou o rosto, enfiando as mãos no bolso da calça. – Cala a boca.

Orihime sorriu, acenando para Renji, animada como sempre. Querendo saber como estava Rukia e todos os outros. O ruivo apenas disse que estavam bem, sem prolongar muito a conversa. Convidou todos a entrarem, aproveitando que Urahara não estava ali, nem as criancinhas que atormentavam e dificultavam sempre a estadia do shinigami.

Ele havia preparado um chá, Renji era assim bem prendado.

– O que você tá fazendo aqui? – Ichigo perguntou, recusando o chá. – Eu só vim mesmo para saber. – Fez uma cara feia, mas só a cara mesmo. Ele estava ainda pensando no porquê da vinda de Renji, e pelo visto, não estava com cara de que iria ser uma visita rápida.

– Fui mandando para ver se estava tudo bem por aqui. – Renji não era muito bom em mentir.

– Claro, e espera que eu acredite nisso? – Kurosaki jogou o corpo para frente, encarando o ruivo que estava sentando do outro lado da mesa. – Aconteceu algo? Aizen escapou? Algum outro problema maior que envolve Karakura? – ele rosnou quase como um cachorro. Renji não deixou por menos e avançou na mesa, encostando o rosto ao de Ichigo, encarando-o com o olhar duro.

– Não era nem para eu contar isso a vocês, fique feliz que eu ainda sinta um pouco de amizade, Kurosaki. – O ruivo voltou ao seu lugar, cruzando os braços.

– Que tal a gente ir numa sorveteria? – Orihime sugeriu. – Ou então vamos na minha casa, eu fiz uma torta de limão.

O sorriso e os olhos cintilantes dela não foram o suficiente para convencer os quatro.

– Desculpe Inoue, mas não estou com fome. Quero saber o que esta acontecendo. Só isso. Me explica que eu vou embora. – Ichigo cruzou os braços, esperando pela resposta que não veio tão fácil assim.

– Não é da sua conta, Kurosaki. – Renji se levantou, logo Urahara iria chegar e ele ainda nem havia terminado de limpar a frente da loja.

Ishida observou a cena calado. Levantou-se logo em seguida que todos já estavam de pé. Como estavam sem alternativa, foram embora. Ichigo na frente, pedindo para ficar sozinho. Uryuu até tentou acompanhá-lo, mas seu celular tocou. Era seu pai, precisava falar com ele, e não iria esperar até a noite. Ele então se despediu de Sado que concordou em levar Inoue para casa, mesmo ela dizendo que não precisava se incomodar.

Ichigo estava sentado na cama, em seu quarto, com as pernas dobradas. A cabeça apoiada entre os joelhos, com os olhos fechados. Ele soltou um suspiro pesado, levantando a cabeça em seguida. Ele estava confuso com diversas coisas. Logo agora que começava a se encaixar novamente naquela vida. A sua vida, o que realmente deveria se importar agora.

Mas tudo parecia escorrer feito água pelo ralo, e voltar a estaca zero.

O rapaz mexeu-se na cama, estava ali desde a hora que chegara da loja de Urahara. E não saíra mais, suas irmãs já haviam vindo lhe chamar para jantar, seu pai quis conversar, até mesmo seus amigos ligaram para ter notícias dele. Porém, Ichigo não queria conversar com ninguém. Preferia ficar sozinho, com seus pensamentos. Até quem sabe encontrar uma solução. E a única que existia era a de continuar. O que mais ele poderia fazer? Se jogar da ponte?

Ele sentiu um vento forte entrar pela janela, já estava na hora de fechá-la, porque apesar do calor que fazia de manhã, as vezes a noite ventava bastante e a última vez que dormiu de janela aberta, pegou um resfriado.

Quando o Kurosaki se virou para fechar a janela, ele levou um susto. Deu um sobressalto na cama, o que fez ele cair diretamente no chão.

Na janela, sentado como se fosse uma cadeira para relaxar, o shinigami gargalhava com a cena que acabara de presenciar. Ele caiu de uma vez na cama de Ichigo, logo depois ficando de pé no chão. Estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar, mas Ichigo bateu na mão auxiliadora. Levantou-se sozinho, resmungando qualquer coisa irritado com aquela brincadeira sem graça. Sem graça para ele. Porque Renji ainda estava rindo.

– Quer parar de rir feito uma gralha? Alguém pode te ouvir.

Renji balançou a cabeça, num sinal negativo, dando uns passinhos até se sentar na cama do rapaz. É verdade, alguém poderia ouvir ele, já que estava com a gigai. E ficaria difícil explicar como ele apareceu ali no quarto de Ichigo, se não passou pela porta da frente.

– Desculpe. Não vou rir mais de você. – Ele Dobrou uma das pernas sobre a outra, e jogou as costas para trás, até alcançar a parede perto da janela. Ficou lá relaxado, como se fosse bem vindo aquele quarto. Ora, ele não era não. Não mais! Segundo Ichigo.

– Tá fazendo o que aqui? Alguém te viu escalar a janela do meu quarto? – O rapaz foi até a janela e a fechou de uma vez, também as persianas.

– Relaxa, ninguém me viu. Tá preocupado a toa. – Renji olhou para Ichigo, com um sorrisinho engraçado. – Vergonha de ficar se agarrando com o Ishida você não tem né?

– Você anda me espiando? – Ichigo apontou o dedo para o ruivo, indignado.

– Quem manda você ficar se expondo no meio da rua? – Renji cruzou os braços, fazendo uma careta, olhando para o lado. – Aliás, desde quando você é assim? Comigo era diferente, enrolava pra tud-

– Isso não é da sua conta mais. – Ichigo foi até a porta e abriu uma fresta para poder ver se havia alguém ali no corredor. Ele voltou. – Aconteceu muitas coisas desde a última vez que a gente se viu.

– Eu percebi, você está diferente. – Renji o olhou sério, e Ichigo teve certeza de que havia acontecido alguma coisa para ele estar ali.

– O que você esta me escondendo? – Ichigo se aproximou da cama, colocando um dos joelhos em cima do colchão. Ele abaixou o corpo, e olhou fixamente nos castanhos a sua frente, que tentava inutilmente desviar do contato visual.

– Não estou escondendo nada. – Renji saiu da cama, e ficou de pé ao lado de Ichigo. Ele deu uma risada, dando um nó mais forte no lenço preso na cabeça. – Eu não tenho porque te contar o que estou fazendo em Karakura, você não tem mais nada haver com meu trabalho.

Ichigo baixou os olhos, aquilo doeu. Quer dizer. Ele estava se sentindo assim, inútil.

E Renji falando daquele jeito, era como se ele não prestasse para mais nada.

– Então porque queria falar comigo? – O rapaz ergueu os olhos, fitando com curiosidade o que o ruivo teria a dizer.

Renji falseou por um momento, recuando, mas depois avançou até Ichigo, fazendo com que dessa vez ele quem recuasse diante aquela proximidade perigosa.

– Eu senti sua falta. – Disse por fim, com um sorriso nos lábios, deixando o Kurosaki nervoso. Porém ele não afastou Renji, que avançou mais um pouco até serem interrompidos por algumas batidinhas na porta.

Era Karin, dizendo que Ishida estava lá na sala esperando.

A garota não bateu mais na porta, porque ouviu o irmão dizer que já estava de saída. Ela também não gostava de se intrometer na vida de Ichigo. E daí que tinha um cara no quarto dele. Não era lá muita novidade. E não era dedo duro, não ia contar nada para seu pai, ou para o coitado do Ishida. Ela até ficou com peninha dele, achando que Ichigo não devia magoar o garoto daquele jeito.

Mas aquilo não era da sua conta.

Ichigo mandou Renji ir logo embora, porque não queria que Ishida o visse ali.

O ruivo até achou graça naquilo e se jogou na cama, esticando as pernas, colocando os braços atrás da cabeça, relaxando no colchão. Ichigo arregalou os olhos, irritado com tamanho atrevimento, mas não podia gritar o nome de Renji ali no quarto e mandar ele ir logo embora.

– Droga. Quando eu voltar não quero mais ver sua cara feia aqui! Me ouviu?

Ichigo saiu do quarto batendo a porta com força. E Renji se levantou, ele só queria mesmo era ver o morango bravinho. Fazer o que se esse era seu passatempo mais divertido quando ia à Karakura?

Saiu pela janela e em cima do telhado da casa, viu Ichigo e Ishida caminharem lado a lado na calçada, os dois eram tão … ah! Renji ficou um pouquinho enciumado, mas não tinha o que fazer. Ele estava ali era por pouco tempo mesmo. E não havia acontecido nada grave, apenas assuntos pequenos que tinha de resolver, e como já estava familiarizado com a cidade, foi mandado para lá, já que Rukia estava passando por um treinamento mais sério.

O Abarai foi pego desprevenido quando ouviu seu nome ser chamado com animação. Ele olhou para baixo, e viu a irmã mais nova de Ichigo acenar para ele, como era mesmo o nome dela? Tinha se esquecido.

– Oi! Você é amigo do Ichigo, né? – Ela balançava os braços animada, gritando. Renji levou um susto e quase caiu la de cima do telhado. – Está fazendo o que aí em cima? Meu irmão acabou de sair com o Ishida.

– Sim. Eu, eu... eu vi. – Não havia bem uma boa explicação para aquilo, mas Renji tinha que inventar qualquer coisa. – Eu vim instalar a nova antena da televisão. Eu trabalho nisso agora.

Foi a melhor desculpa que conseguiu naquele momento. Lembrou-se de que Urahara havia comentado algo sobre a televisão e uma antena onde poderiam ver mais de duzentos canais.

– Nossa! Que legal. Uma antena nova. Vou contar pro papai.

Renji até tentou chamar Yuzu, mas ele não conseguia se lembrar do nome da menina. E também já era tarde demais pra isso. Quando se levantou no telhado, acabou escorregando e se não tivesse se segurado bem, iria cair no chão.

Ishida estava calado, mais do que o normal até. Então ele estava praticamente mudo. Não, ele estava mudo. Ichigo tagarelava sem parar, mexendo os braços. Ocupando a mente com qualquer assunto aleatório que vinha na sua cabeça.

Ao seu lado, o moreno continuava quieto, apenas mexendo a cabeça para concordar, quando o ruivo tentava inutilmente fazer ele responder alguma pergunta.

Eles chegaram próximo ao parque central, já estava ficando escuro, o céu estava naquela coloração alaranjada, sinal do por do sol. Uryuu parou, olhando para as manchas amareladas no céu, até ele escurecer aos poucos.

Sentou-se num dos bancos, o lugar começava a ficar vazio. Nesse horário as crianças já estavam indo para casa jantar.

Ichigo também sentou-se ao lado de Ishida, e ficou olhando para os brinquedos vazios. O balanço ia e vinha até perder a força e parar, só movimentar-se com o vento que passava ali.

– Ishida, você... você esta calado.

O moreno virou o rosto para Ichigo, fazendo uma expressão óbvia.

– Não há muito o que falar, não é? – Ele abaixou a cabeça, deixando uma mexa de cabelo cair sobre seu rosto. Ichigo passou sua mão ali, levando os fios escuros para detrás da orelha dele.

– Será? Poderia me dizer o que te incomoda. – Talvez Ichigo já soubesse o que era, mas precisava ouvir da boca do próprio Ishida.

– Certo. – O moreno se adiantou, jogando o corpo mais para frente, ele respirou fundo. Um pouco cansado de ter que guardar para si mesmo aquele sentimento. – Eu sei que o Renji estava na sua casa. – Ishida começou, fazendo Ichigo engolir seco. – Não pense que eu sou burro o bastante para acreditar que não estava acontecendo nada.

– Mas não aconteceu. – Kurosaki tentou explicar, mas ele se entregou muito rápido. E Ishida apenas confirmou o rastro de reiatsu. Renji poderia só ter passado por ali, mas então ele estava realmente ali. – Eu prometo.

Ishida não tinha porque duvida de Ichigo, nunca teve motivos para isso. E não ia ser agora que começaria a fazer cenas de ciúmes.

O moreno mexeu a cabeça, sem saber o que falar. Deixou então que a mão de Ichigo se encostasse com a dele, apertando em seguida. Deu um sorriso, envergonhado. Não queria brigar e muito menos afastar Ichigo, ainda mais nesse momento confuso que ele estava passando. Longe disso. Queria estar mais perto, cada vez mais perto. E ainda bem que Kurosaki Ichigo sentia a mesma coisa.

– Tem hora pra chegar em casa? – Ishida perguntou, levando a mão livre até seus óculos para ajeitá-los melhor.

– Na verdade... – Ichigo se levantou, puxando Uryuu pela mão. – Estava pensando em ir pra sua casa agora mesmo.

– E quando ia me contar isso?

– Não pensei que precisasse de autorização. – O ruivo sorriu, e avançou um passo para frente, ficando bem próximo à Ishida. – Eu preciso?

O moreno piscou os olhos, sentindo um arrepio se alastrar por toda sua espinha quando as mãos do outro rapaz o abraçou pela cintura, e beijou calmamente o canto da boca.

Ele só mexeu a cabeça de um lado para o outro, como se fosse o suficiente para dizer a Ichigo que ele não precisava de nenhuma autorização. Que era bem vindo a sua casa quando quisesse, na hora que quisesse ir.

Ichigo sorriu mais uma vez.

– Acho que tenho uma ideia melhor. – Ele soltou das mãos de Ishida e pegou o celular. Em poucos segundos avisou ao pai que iria dormir fora, deixando Uryuu surpreso.

Bem, não era a primeira vez que eles dormiriam juntos, e Isshin confiava bastante naquela amizade com os Ishida. Mas é que o rapaz estava balançado naquele dia. Ele gostou de ver Ichigo deixando tudo, para ficar com ele aquela noite.

Parecia que Ichigo estava mudando novamente, voltando a ser o que era, logo quando começaram aquela relação.