Notas iniciais
Por obsequio, não chorem.

Olhem as notinhas finais, meus queridos leitores.

Amy.

Levy:

O torneio acabou, mas enviaram a nos um convite para participar de um baile em comemoração ao brilhante torneio desse ano.

Aparentemente, todos da Fairy Tail e das demais guildas ganharam o seu. Mas um requisito deve ser obedecido: Todos devem estar de mascaras.

—Natsu, Laxus. Estou indo com a baixinha. – Gazille grita no meio do alvoroço que a guilda fazia para se preparar. Eu usava um vestido verde petróleo até os joelhos e o moreno ao meu lado insistia em usar uma blusa social e uma calça jeans.

—Logo eles viram. – Falo para acalma– lo. Este resmunga algo inaudível aos meus ouvidos e depois aproxima– se para colocar os braços por sobre a minha cintura.

—Porque estão dando um baile?

—Não sei.

—E porque tenho que ir?

—Porque eu quero ir e você resmungou que não me queria sozinha naquele lugar cheio de homens assanhados. – O meu namorado olha para os lados, percebendo que eu estava certa.

—Só porque você fica sexy nesse vestido. – Termina por fim, fazendo me rir.

Caminhamos da nossa pousada até o salão de festas real. A noite estava agradável.

—Você está mesmo recuperado?

—Melhor do que nunca, Levy. Não se preocupe. – Me conforta, mas eu sei que mente.

—Tudo bem.

As ruas estavam cheias de flores e perfumes. Cheias de pessoas comemorando a vitória dos tigres, mas em nenhum momento eu pude ver algum mago da Sabertooth na multidão.

Quando chegamos vi que podíamos estar atrasados. Muitos outras pessoas estavam dançando e eu não reconhecia nenhuma:

—Vamos entrar logo. – Gazille fala, arrumando a sua mascara.

O salão era amplo e grande. Jovial e luxuoso, com grandes lustres de cristais. Havia uma mesa com o símbolo da Fairy Tail feito de gelo. O da Sabertooth era feito de uma mistura de ferro negro e rosas de ouro.

Caminhamos juntos até a mesa, mas fui puxada antes de chegar ao lado de Gazille. O rapaz devia ter entre dezoito e vinte anos, ruivo:

—Desculpe, mas até as moças acompanhadas devem dançar. – Ele puxou– me pela cintura, erguendo minha mão direita até a altura do rosto. – Conhece?

—O que?

—Conhece essa dança? Pelo jeito, parece que não . – Este me gira, percebi que usava uma longa capa.

—Não tenho costume de dançar.

—Remediável, acredite. Um dos meus irmãos odeia dançar, mas tem mais compostura que eu mesmo.

Porque ele estava conversando comigo?

—Observe, você mudará de parceiro. Foi bom conversar com a senhorita. – Ele me girou e num piscar de olhos deu lugar a outro, um rapaz de cabelos negros que mal me olhava. Mas notei uma tatuagem em seu pescoço.

O acorde voltou a mudar e os parceiros trocaram novamente. Duas, três ou quatro vezes antes de compor o novo acorde.

Vi de relance a cabeleira ruiva da Erza e também os cabelos esbranquiçados da Mira. Fora isso, me sentia completamente longe de tudo.

Quando o novo acorde tocou meu parceiro foi um loiro que, apesar da mascara e de suas roupas alinhadas, me era estranhamente familiar.

—Você é Levy Mcgarden não é? – Sua voz era familiar, mas eu não conseguia associa– la a ninguém que eu já tinha conversado.

—Como sabe? – Vejo um sorriso galanteador em seus lábios, totalmente vitorioso.

—Minha intuição é boa. – Completa, girando– me ao ritmo da valsa. – Além disso, tenho de trazer uma mensagem a você, senhorita.

—Mensagem para mim?

—Sim, mas não é algo amigável. – Seus olhos azuis marinhos por trás da mascara desviaram– se em todas as possíveis direções. – Você deve se afastar do dragão de ferro. É para o seu bem, Levy.

—Porque? Porque tenho de me afastar do homem que amo? – Como ele tem coragem de vir a mim, sem nem me conhecer, e falar que eu preciso deixar o Gazille? É louco?

—Ele vai te fazer sofrer.

—Por acaso o conhece?

—Muito mais que você. – Ele completa, sendo duro até. – Eu dei a minha mensagem, mas é de sua vontade acreditar ou não no que digo. Apenas sofra as consequências de cada uma delas.

O acorde muda e ele desaparece na multidão, deixando– me quase desolada.

—Senhorita... – Um homem de cabelos negros levemente encaracolados mira– me, esperando que o acompanhe.

Seguro a sua mão e vejo o qual delicado ele poderia ser. Talvez deva ensinar delicadeza a Gazille.

—Você parece abalada. Algo aconteceu? – Sua voz é calma, porém é máscula ao mesmo tempo.

—Nada, não aconteceu nada. – Desminto, mas este sorri com a minha mentira.

—Eu conheço pessoas mentirosas, porque sou uma delas. – Não deixo de rir com isso, notando a desaceleração da musica. – Parece que não poderemos mais dançar, pois a musica extingue– se.

—É uma pena. – Respondo.

A musica para e todos voltam a sua atenção ao lugar onde os tronos estavam.

—Bem vindos, magos de toda Fiore. Hoje estamos reunidos, como motivo especial, para celebrar a vitória da guilda Sabertooth e também eleger o rei dragão dessa competição. Então, por favor, podem tirar suas mascaras. – Uma jovem pede e vejo que ela não é ninguém menos que a princesa.

Tiro a minha mascara e olho o meu antigo parceiro de dança. Ele era Hector Snow, mestre da Sabertooth:

—Essa apresentação foi simples, mas efetiva. – Fala ele, sem olhar para o lado. Estou tão petrificada que não consigo sequer me mexer. – Devo ir, senhorita. – Ele dá um sorriso para mim e eu já sei que ele sabia quem eu era desde o primeiro segundo.

E essa festa esta apenas começando.

Lucy:

—Obrigado pela dança, Gray. – Falo, tirando a mascara com cuidado. Seus olhos negros arregalam– se de imediato, mas rio disso e saio andando em direção a mesa da Sabertooth.

No caminho sinto alguém me puxar pela cintura e quando olho para trás vejo que era Sting o responsável por aquilo:

—Com quem estava dançando?

—A suportável Kagura. – Rio da maneira que ele fala suportável e vejo um sorriso abrir– se em seus lábios. – Você? Quem foi o agraciado que conseguiu tocar– te sem que eu o mate?

—Gray Fullbuster. – Ele arqueia as sobrancelhas e murmuro por fim – Não imagina o susto que ele levou quando me viu. – Juntamente conosco estavam vindo Rogue e Hector, ambos aos risos.

—O que aconteceu? – Pergunta Sting.

—Eu estava dançando com Levy McGarden. – Hector fala entre risos discretos.

—E eu estava conduzindo Mirajane Strauss. – Rogue puxa o cabelo que teimava em sair da posição. – Laxus quase mandou um raio quando viu. – Mordo os lábios para não rir com eles, mas mesmo assim sorrio ao vê– los tão descontraídos e serenos.

—Só eu cai numa furada? – Minerva estava sentada na mesa nos esperando. Seu vestido iria agradar Hector naquela noite.

—Teve quem como parceiro, Minerva? – Perguntou– lhe o futuro marido, tomado pela curiosidade.

—Guildarts. – Respondeu ela de maneira seria e controlei o riso ao ver a sua expressão furiosa com o mestre por ele estar rindo.

Rufus e os outros iam chegando aos poucos, com expressões divertidas e estranhas. Shiro estava de olhos arregalados, mas nada dizia a Kuro ao seu lado, que mirava– o confuso.

—Com quem dançou, Nanami? – Perguntou o noivo da minha melhor amiga e esta jogou– se nos seus braços.

—Gazille. – A exclamativa dela é ofensiva e o dragão negro beija– lhe os cabelos.

—Todos estão aqui? – Pergunta Hector e assentimos. – Então tenho duas recomendações a vocês, magos da Sabertooth. A primeira: Nada de bebidas contendo qualquer dosagem de álcool. – Kirino fica chateado com Mizuki. – E a segunda: O idiota que tentar arrumar algum tipo de briga hoje vai ter que lutar contra mim. Estamos entendidos? – Todos assentem, assustados. – Vamos nos sentar e começar a nos divertir.

—Isso ai! – Alois pronuncia alegremente.

A mesa da Sabertooth era a gigantesca e luxuosa. Tinha a toalha negra bordada de tigres dourados e ferozes. Hector sentou– se na maior e melhor cadeira perto da parede e da janela. Sting, eu e Alois sentamos do seu lado direito e Minerva com Hermione do lado esquerdo. Rogue e família ao nosso lado, Rufus a nossa frente e assim todos foram se acomodando.

—Convenhamos, esse ano fomos fenomenais. – Mizuki eleva a voz para que todos o escutem e Sting o apoia, levantando sua taça cheia de agua.

—Um brinde para a guilda mais forte de Fiore. – Proclama Hector e brindamos com agua mesmo, cumprimentando uns aos outros com as taças. Quantas vezes pudéssemos.

Todos riam e contavam coisas que haviam acontecido durante o torneio ou até mesmo durante missões. Sting e Minerva trocavam opiniões sobre armas e armaduras. Hermione, James e Alois discutiam sobre qual dos ataques de Sting era o mais poderosos.

—Mamãe, eu vi você lutando sabia? – Ryuu disse. Faz tempo que não temos tido tempo para conversar.

—Serio amor?

—Sim, o Fro também estava lá! Ele disse que eu estava fazendo o mesmo que o antigo gatinho do papai. – Acariciei suas orelhinhas e ajeitei melhor a sua gravatinha. Fro, que estava no colo de Rogue, veio para perto de mim:

—Você lutou bem, Lucy–chan. – Fala ele com uma expressão fofa e me contenho para não aperta– lo.

—Fico feliz de você achar isso.

—Lucy– chan... É normal ficar triste quando se lembra de um amigo? – Eu nunca havia visto Fro daquela maneira. Parecia que todo o estoque de doces do mundo havia acabado.

—Porque esta perguntando isso, Fro?

—É que... Fro tem saudade de Lecter. E Lecter nunca mais vai voltar. – Coloquei– o na mesa, para olhar bem nos seus olhinhos e dizer:

—Não importa onde ele esteja, ele sempre estará em você... Aqui, olhe. – Pousei dois de meus dedos em seu coração e este fungou para conter as lagrimas. – Eu não o conheci, mas ele devia ser um bom amigo.

—Fro achava Lecter o melhor gatinho que existiu como amigo!

—Mamãe, Fro esta estranho. – Ryuu sussurra no meu ouvido e faz um sinal discreto para que ele fique em silencio. Logo conversaremos sobre isso.

—Fro, Lecter não ficaria feliz se você ficasse chorando.

—Lucy esta certa, Fro. Lecter brigaria conosco se nos visse chorando por sua causa. – Sting intervém, com os olhos cheios de lagrimas. Ainda era difícil para ele falar do amigo.

—Vamos brindar a ele. – Digo com um sorriso.

—A Lecter! – Fala Sting chamando a atenção de todos.

—Todos saúdem Lecter! – Por fim, Rogue fala e todos seguem o embalo dele e começamos a brindar novamente.

Ambos amavam Lecter e a simples lembrança dele os fazia ter lagrimas nos olhos. Isso me tocou profundamente e eu desejei que Lecter pudesse vê– los nesse momento.

—Lucy... – Chama Sting e percebo que não só ele como vários outros da equipe me olham.

—Hã?

—Você estava quieta. – Minerva comenta e pisco, sem entender.

—Por muito tempo. Parecia estar em transe.

—Desculpe. – Peço, mesmo baixo, mas eles ainda olham– me de maneira analítica. Por fim, Sting aproxima– se e beija meus lábios com destreza e retribui-o.

—Peço que venha a frente a equipe ganhadora do torneio desse ano. – A princesa pediu e olhei o loiro ao meu lado, levemente vermelho pelo beijo dado.

Sting foi o primeiro a se levantar, com as roupas se transformando na armadura draconiana. A seda de sua capa arrastava– se e causava em mim ainda mais admiração pelo mesmo.

Levantei com Minerva, ambas de vestidos longos. O meu parecia mais um vestido de princesa, com muitas pregas e fitas. Eram creme e dourado, combinando com o sapato de salto que teimei em usar. Minerva usava um vestido menos volumoso cor de ameixa. O vestido aderiu perfeitamente todas as suas curvas e causaram em mim, ao mesmo tempo, espanto e admiração.

Rogue veio atrás de nos e colocou– se entre ambas, tocando nossos ombros. Estava totalmente de preto, com uma capa vermelha carmesim arrastando– se pelo chão.

Nanami veio de braços dados com Rufus, elegante e delicada num vestido balone rosa florido. Rufus estava com um terno risca de giz cinza e sua divina capa turquesa, porém esbanjava elegância no andar.

Mizuki foi o ultimo, andando como se estivesse arrumando o colarinho da camisa branca. Estava com um colete negro fechado e calças de camurça negras. A sua capa era roxa.

Eu fui à primeira da fila, com Sting ao meu lado. Rogue ficou do lado de Sting e Nanami ao seu lado. Rufus do lado da irmã, completando com Mizuki e por fim Minerva.

Todas as equipes nos olhavam.

—Eu avisei o Natsu. Você prepara a minha lapide perto da do Lecter porque eu vou morrer cedo se esse idiota não parar de olhar você. – Murmura Sting no meu ouvido e começo a rir dele.

—Só você mesmo, Sting.

Olho novamente para a mesa da guilda e vejo que nem Hermione, Alois ou até mesmo Hector e James estavam mais nela.

—Onde eles estão? – Pergunto e os dragon slayers sorriem sem me responder.

Odeio quando eles fazem isso.

Quando olho novamente para a guilda vejo Alois vir na minha direção com uma caixa negra nas mãos. O que ele iria fazer?

—Mamãe... Papai. – Alois diz, embora quase gagueje. Sorrio ao seu nervosismo e Sting faz o mesmo.

—Vai fazer mesmo isso? – Pergunta Sting e não compreendo suas palavras.

—Eu consigo, observe. – A convicção nos seus olhos meio esverdeados nos dá a certeza de que ele pode e vai fazer o que deve direito.

Era uma caixa negra, com o símbolo da Sabertooth gravado em branco por sobre a tampa. Alois pousou suas mãos sobre o desenho e pude ver seu corpo ser dominado por magia branca e em seguida, o desenho da Saber começar a sair da caixa e virar verdadeiramente o tigre da guilda.

Eu mal pude compreender o que estava vendo.

O tigre fez a minha chave negra vibrar na minha coxa. Tyler queria ver a apresentação?

O tigre era branco e tinha longos dentes. Seus olhos tinham o brilho dourado dos de Hector e também, acho que foi uma incrível coincidência, tinha algo na orelha direita como Sting.

—Apollo Song. – Exclama o god slayer, fazendo o tigre ir desaparecendo e sua energia virar musica. E uma das minhas preferidas.

A caixa a minha frente expandiu– se e quando percebi tinha duas coroas nela.

—Alois... – Consigo dizer, com os olhos cheios de lagrimas. Ele era muito fofo.

—Posso ter a honra de colocar a coroa em você, mãe?

Assinto.

—Fico feliz. – Ele sorri, pegando a coroa com as mãos e o devido cuidado. Abaixo até uma altura confortável e ele coloca a coroa na minha cabeça. Esta tinha estrelas em vez de joias e era totalmente feita de ouro torcido. Era feita para mim.

Estou sem reação quando volto a minha antiga posição. Uma lagrima tímida cai dos meus olhos quando o abraço forte.

—Obrigado amor. – Digo, beijando a sua testa e vendo o se afastar para pegar a de Sting.

O loiro ao meu lado se reclina para que o god slayer consiga colocar a coroa em sua cabeça. A dele era igual a que deveria estar usando por causa da armadura. Era negra, mas quando encostou na cabeça do dragon slayer branco tornou– se tão branca quanto sua armadura.

—Ser coroado pelo próprio deus branco... – Sting comenta, ainda de cabeça baixa. – Não poderia estar mais honrado.

—Digo o mesmo, sua majestade. – Alois faz uma vênia quando o loiro o encara e depois distancia– se de nos dois.

Percebo que Hector é o responsável por isso e não deixo de sorrir.

É a vez de James coroar seus pais.

Nanami tem a sua tiara feita de varias rosas douradas. E o moreno tem a sua feita de chamas negras uniformes, destacando– se por joias rubis.

James é apertado pela loira antes de coroa Rufus. A do mago das memorias é do estilo antigo, com joias turquesas.

Hermione se aproxima de Mizuki e Minerva.

O albino tem a sua coroa feita de ouro negro e moldada para parecer ossos. Simples e assustadora.

A de Minerva, no entanto, é delicada, feita de um arranjo de folhas prateadas e flores pequenas. Por fim, Hermione é quase esmagada no abraço que recebe de ambos.

—Peço agora que os campeões posem para uma única foto oficial. – O fotografo pede para que Alois e os outros fiquem ao nosso lado e Sting faz algo lindo. Ele tira a sua coroa e a coloca em Alois, levantando o loiro e colocando– o sobre seus ombros, tirando o fato da coroa ser muito maior que a cabeça de Alois e ficar caindo toda hora, eu achei divertida a maneira que eles conversavam sobre isso. Rogue tirou sua capa e colocou– a no pequeno a sua frente, para depois tirar sua coroa, e como o meu namorado, coloca– la no rapaz. Hermione teve um gesto semelhante, mas dessa vez, Mizuki fez as honras e coroou a pequena com a tiara da mãe.

—Olhe James, eu estou no topo do mundo! – Alois exclama fazendo Sting rir.

—Tudo bem, rei do mundo, agora faça pose para a foto.

—Sim mãe! – Sua resposta faz todos ficarem surpresos e o fotografo da revista dos magos para e nos olha incrédulos.

—E-Ele é seu filho? – O homem aponta de Alois para mim de maneira chocada e Sting bufa:

—Nosso filho. – Resmunga ele, fazendo o loiro sobre seus ombros rir.

—E-E... Eles também são seus filhos? – Pergunta olhando Rogue, Nanami e Minerva com Mizuki. Todos assentem.

—Ela não é minha filha não. Estou noivo, mas ainda não tenho nenhuma criança para criar.

—Hermione é minha filha. – Responde Hector logo atrás, observando o sorriso da filha.

—S-sua filha, sr Snow?

—Minha filha. – Confirma, irritadiço. – Agora tire logo a foto, por favor.

O homem tremeu, mas tirou duas ou três fotos.

Sting desceu Alois e pegou de volta a coroa.

—Não posso ficar com ela? – Perguntou o pequeno, com os olhinhos brilhando.

—Quando você ganhar o torneio pode ficar com a sua.

—Sting. – O repreendo, mas logo depois de dois segundos os dois estavam rindo de novo.

—Agora peço aos competidores que nos agraciem com uma rápida valsa.

Quando vou pegar a mão de Sting vejo alguém na porta, esperando– me. É o Loki, que estava vestido com uma blusa social branca, uma calça negra, uma capa dourada e uma coroa digna de um rei de verdade:

—Vá, ele esta te esperando. – Fala o loiro, notando o leão andar na minha direção.

—Eu volto para dançarmos juntos. – Prometi.

—Eu sei que voltará. – Por fim, desço os degraus da escada e caminho na direção do espirito, aquele que me acompanhará em vários momentos difíceis. Aquele que me amará como uma irmã, sangue do seu sangue.

—Lucy... – Fala ele, parando quase na frente da mesa da Fairy Tail. Eu o abraço forte, com uma súbita saudade do mesmo. – Vamos, eu vou te conduzir nessa valsa, minha rainha.

Nos dirigimos para o meio do salão, esperando a musica surgir.

Fechei os olhos por um instante e me deixei conduzir por ele, deslizando pelo salão ao som da doce melodia.

—Das estrelas a mais brilhante... – Começou Loki com um sorriso encantador.

—E das constelações a mais vibrante. – Rimei, deixando– lhe meio corado.

Girou– me vagarosamente e quando olho Sting vejo outro loiro ao seu lado, usando uma coroa de flores brancas, mas elegantemente vestido com uma armadura prateada. Não consigo deixar de sorrir. Tyler estava ali. Ele estava ali para dançar comigo, apenas comigo.

—Vamos girar mais uma vez e depois vamos para fora. – Loki murmura em meus ouvidos, erguendo– me no ar. Sorri, tocando o chão e sendo girada antes de parar no meio da pista de dança.

Minerva e os outros ainda dançavam.

—Venha, por aqui. – O ruivo me puxa, desviando das mesas e dos olhares indiscretos. Vejo que Sting sai do outro lado do salão com Ty ao seu lado.

—Tem certeza que é seguro deixar Sting e Tyler juntos? – Eu estava praticamente tremendo por dentro apenas pela simples chance de uma briga entre eles dois.

—Tyler prometeu a Ray que não faria nada estupido.

—Ufa! – Suspiro aliviada, pois essa era a minha garantia.

Eles dois nos esperavam na frente de uma linda fonte. Sting estava sentado e Tyler continuava em pé.

—Lucy... – Tyler sorri quando me aproximo, beijando a minha bochecha delicadamente depois de me dar um abraço apertado. – Fica mais bonita a cada dia, acredite. – Ele acaricia minha bochecha, causando– me uma leve vermelhidão.

—Você também esta lindo, Ty.

—Mas nessa noite, meu reino não é nada comparada a sua beleza, minha princesa. Até mesmo o rei dos dragões fica sem palavras ante ti. – Olho Sting que esboça um sorriso discreto por sobre a carranca.

—Tyler tem razão Lucy. – O loiro sai da postura agachada e levanta, vindo na minha direção. – Você esta mais linda a cada segundo. – Por fim, passa seus braços sobre a minha cintura, ficando de frente para Loki e Tyler.

—Eu vim conversar com Sting sobre o seu relacionamento, mas sei que quando um dragão escolhe sua parceira, nem mesmo a morte o faz parar de ama– la. Desejo– lhes sorte e benção.

—Obrigado Tyler.

—E eu quero sobrinhos logo, Lucy– nee. – O leão pisca para mim e sinto meu rosto ficar vermelho.

—Iremos conversar daqui a alguns anos sobre isso. – Sting respondeu, também levemente corado.

Tyler sorri a isso e me pergunto se apenas por isso que esta aqui.

—Tenho dois presentes. Um para cada. – Eu olhei suas mãos, mas tinha apenas um pequeno pacote dourado. – Esse é seu Lucy, pelo seu desenvolvimento fabuloso nesses poucos meses. Talvez eu ainda estivesse vivendo aquele sonho senão fosse pela sua coragem. Serei eternamente grato por ser seu espirito. – Ele me entra o presente e depois me dá um abraço forte e apertado.

Com a ajuda de Sting, que se mantinha quieto me observando, abri a pequena caixa, revelando uma corrente com um pingente peculiar.

Era uma corrente com um tigre fofinho que tinha os olhinhos brilhando.

—Ela muda de forma. – Sussurro Tyler no meu ouvido.

—Muda como?

—Deseje que ela vire um leão. – Falou Loki.

—Vire um leãozinho, por favor. – E num segundo a corrente virou um leão tão, ou até mais, fofo que o tigrezinho.

—Que encantador. Vira qualquer coisa?

—Sim, meu objetivo era deixa– la como uma estrela, mas parece que ela gostou mais do tigre. – O loiro pousa a mão na minha cabeça, com um sorriso de criança feliz.

—Obrigado Tyler. – Respondo, dando– lhe um beijo na bochecha.

—É o mínimo, hime– chan. Mas bem, agora o presente do pomposo rei dragão.

—Ainda estou receoso de receber um presente seu. – Sting responde e Loki não deixa de rir:

—Eu sei que você esta receoso, mas tenho certeza que este presente vai lhe agradar muito. – Tyler fala habilmente, caminhando para longe de nos todos.

—Onde ele esta indo? – Pergunto confusa.

—Shii, ele já vem. Vocês nem vão acreditar. – O ruivo e antigo rei dos espíritos do zodíaco diz mostrando a língua, como uma criança.

—Estou com ainda mais medo. – O loiro fala e sorrio a isso.

Cada segundo que Tyler demora Sting fica mais e mais nervoso. O presente podia ser terrível ou podia ser tão incrível quanto o meu.

Eu pude ver a sombra de Tyler vindo na nossa direção. Ele tinha algo nos braços e essa silhueta nas sombras me pareceu levemente familiar. Sting estava de olhos arregalados e com a respiração descompassada, lagrimas quase caiam sobre a sua face.

—Surpresa. – Disse Tyler e vejo o que era a silhueta. Nada mais, nada menos que Lecter. Coloco as mãos na boca pelo choque e sinto meu ar sair aliviado, mas Sting chora como uma criança ao ver o velho amigo.

—Le...Lecter... – Gagueja, esquecendo– se de ter compostura. Tento parecer recuperada e emburro– o com a mão, assustando o mesmo:

—Vá. É o seu melhor amigo não é? Vá logo. – Sting assente e corre até o gatinho dormindo nos braços de Tyler. Delicadamente, pega o mesmo em seus próprios braços, ainda não acreditando.

—Como? Como Lecter ainda esta vivo, Tyler? – Pergunta antes de começar a soluçar.

—Não sei o que pode ter acontecido com ele, mas sei que foi tele transportado para a minha dimensão antes dela estar ativa. Quando eu pude voltar ao mundo dos espíritos eu o encontrei e com cuidado o tratei como deveria. Sendo um felino, abriguei– o sobe o meu palácio celestial e pedi que me contasse a sua historia. – Logo depois de uma pausa, Tyler continuou – Eu sei de tudo, Sting. Lecter não poupou detalhes para descrever a sua jornada. Apenas sinto– me agraciado por alguém como você ter cruzado o caminho da minha dona.

—T– Tyler... – Sting gemeu, ainda sem acreditar.

—Parabéns, Sting Eucliffe. É o meu presente para você. – Completou e sorri a isso, vendo o gatinho começar a acordar:

—S-Sting– kun... – Murmurou o pequeno gato de pelo avermelhado. Seus olhos negros transbordaram de lagrimas cristalinas quando receberá o abraço do companheiro.

—Eu juro... – Disse o loiro, abraçando tão forte e calorosamente o pequeno que pensei que este nunca mais respiraria. – Juro que nunca mais sairá de perto de mim... Eu nunca te deixarei Lecter...

“—O que houve Lucy? Porque esta chorando tanto? – Perguntou mamãe.

—Eu... Eu estou com medo. – Limpei as lagrimas de maneira grosseira, ainda que varias ainda escorressem.

—Medo de que, meu amor? Estou bem aqui ao seu lado... – Ela me carrega, puxando– me para a cama. Meu pai estava trabalhando.

—Eu tenho medo de ficar sozinha mamãe... Tenho medo de dormir sozinha.

—Tudo bem, meu amor. Nunca sairei de perto de você, entendeu? Nunca te deixarei. – Recebo um beijo calmo na testa, para depois ser ninada pela minha mãe. Mal sabia que eu ela não teria mais que alguns dias de vida e que seria o ultimo carinho que eu receberia dela.”

Um aperto doloroso se passou pelo meu peito.

A lembrança da minha mãe era, ainda, tão chocante e devastadora dentro de mim que Tyler percebeu que eu não chorava mais de emoção:

—Lucy? Tudo bem? – Ele pergunta embasbacado. Jogo-me em seus braços, sendo abraçada em seguida. Os meus gemidos são dolorosos o bastante para deixar, também, o leão preocupado.

—Lucy– nee, tudo bem? O que houve? Porque esta chorando assim? – Loki esta desesperado, mas as lagrimas e a dor não param. – Por favor, nos conte! – Exigiu, com a expressão em puro pânico.

Num impulso sinto– me sendo tirada dos braços de Tyler e de Loki e sendo agarrada por alguém. Alguém que também usava uma armadura e uma coroa naquela noite:

—Shii... – O rei dragão fala, colocando a sua testa na minha. – Esta tudo bem, estou aqui... – Miro seus olhos e meus soluços ficam mais fortes. Eu não queria estar chorando daquele jeito, mas é como se... Se esse momento tivesse me machucado mais do que o que Natsu fez comigo. – Lucy... Vamos, acalme– se. – Pede e desvio o olhar, para que ele não veja minhas novas lagrimas. Por fim, quando vê que não iria para tão repentinamente, beija– me de maneira ardente.

As lagrimas salgadas misturaram– se com as nossas bocas em total sincronia. Era como se ele pudesse amenizar todas as minhas angustias com apenas aquele beijo.

—Esta calma o suficiente para me contar porque começou a chorar desse jeito e meu deixou a beira de um ataque histérico? – A maneira que ele fala me dá vontade de rir, mas estou tão ofegante que não o faço:

—Desculpe. – Sussurro num fio de voz, agora voltando ao normal.

—Desculpe? Não acha que nos deve mais que esse simples “desculpe”?

—Eu lembrei de algo que... – Temei em não continuar, talvez por medo da suas reações. – Lembrei do meu ultimo momento com a minha mãe. – Minhas bochechas ficaram vermelhas, mas Sting me abraçou ainda mais forte, enterrando seu rosto na curva do meu pescoço.

—Porque não me disse antes?

—Eu não...

—Eu te amo. – Falou claramente no meu ouvido, para depois soprar nele. – Se você chorar novamente, eu fico louco. – Eu o abraço ternamente, sendo reciprocamente acalentada por ser braços.

—Obrigado, Sting. – Murmuro.

—Bem, já que você esta bem, estamos indo. – Tyler se aproxima e beija a minha cabeça.

—Sim, cuidem– se. – Leo fala antes de desaparecer com o tigre.

—Sting– kun... Quem é ela? – Perguntou o gato ainda sentado a nos observar.

—Bem, Lecter. Nos precisamos conversar. – Puxa– me até a fonte onde o pequeno estava sentado e depois riu da minha expressão.

Passamos longos minutos conversando sobre tudo o que havia ocorrido depois do desaparecimento de Lecter, explicando a ele como o destino havia nos juntado.

—Então, você é a namorada de Sting– kun?

—Isso. – Afirmo, vendo Sting segurar o riso ao ver a expressão do gato no seu colo.

—Você é bem bonitinha, apesar de não merecer o Sting– kun, mas se ele gosta de você não tenho outra alternativa a não ser fingir que gosto de você. – Obvio que a sinceridade dele me assustou. Como devia ser insuportável andar perto deles dois.

—Lecter, seja bonzinho.

—Mas Sting– kun!

—Lucy parece um pouco chata, estranha, maluca, briguenta, bipolar, histérica, chorona...

—Está bem, você é o senhor perfeito. – Resmungo, fazendo– o rir antes de continuar.

—Mas ela estava ao meu lado quando eu mais precisei, quando você tinha sumido. Isso foi muito importante para mim. Ela parece chatinha no começo, mas é bem legal no final. – Ele pisca para o gato de colete dourado, que apenas suspira.

—Sting– kun foi fisgado. – Fala ele em tom adulto e cético.

—Ah é?! Deixa eu te pegar então! – Quando percebo ambos estão correndo pelo jardim, como duas crianças.

Mas aquele sorriso brincalhão em suas faces me deixou com o coração mais sereno.

Talvez fosse um novo começo.

—Um novo começo... Isso soa bem. – Murmuro a mim mesma, com um sorriso ingênuo.

Um novo começo com Sting Eucliffe.

The End.

Notas finais
Acredito que o final de uma historia seja o começo de muitas outras, sejam elas ficcionais ou não.

Não espero que se lembrem de mim, mas eu lembrarei de cada um de vocês: Todos os que me mandaram reviews comigo no hospital e me perguntaram se eu estava bem. Lembrarei dos que me intimaram a postar logo e dos que me elogiaram e criticaram em algum ponto.

Sinto muito pelos meus erros, embora eu odeie errar.

Apesar de tudo, não acredito que tenha tido tanto "sucesso". Chegar aos 300 e poucos reviews é demais para mim. Sem contar as minhas queridas 4 recomendações.

Por fim, expresso a minha eterna gratidão a vocês, meus moranguinhos (eu amo morangos, se é que vocês não perceberam isso ainda.) e desejo-lhes um bom descanso (mesmo que de algumas semanas) de mim.

Atenciosamente,

Amy Baskervilly (Diane Falcão)

****Beijinhos de morango para todos.