Aquela seria mais uma manhã normal de aula, se Lily não tivesse aparecido à porta do Salão Principal. Ela finalmente havia recebido alta da enfermaria e não pensou duas vezes em voltar a sua rotina normal. Estava cansada de saber das coisas pelo relato dos primos e irmão.

Rapidamente, ela se dirigiu para a mesa da Sonserina, onde seu irmão a esperava de braços abertos. Era bom ver Albus sorrir depois de tanto se preocupar com o estado dela.

— O que foi que aconteceu com vocês? – Lily perguntou assim que se soltou do abraço do irmão. Seus olhos passaram de Albus para Will, Scorpius e Sebastian.

— Eu vou monetizar essa pergunta e ficar rico. – Will comentou.

— Você já é rico, William – Lily observou.

— Dinheiro é sempre bom, Lilica! – Will respondeu e piscou para a menina – Em um resumo básico, nós quarto começamos a discutir sobre a nossa incrível beleza e de repente estávamos nos pegando loucamente. Então a Scarlett surgiu e em um movimento ninja, começamos a nos agredir para parecer uma briga bem máscula.

Lily franziu o cenho tentando acompanhar o raciocínio de Will, mas simplesmente deu de ombros. Mais tarde perguntaria a Rose o que realmente havia acontecido. Em seguida, ela olhou para Sebastian e disse:

— Harleen disse que foi você quem me levou até a enfermaria. Obrigada!

Sebastian ergueu a cabeça devagar e encarou Lily. Ele estava sorrindo, mas não como de costume e isso a incomodou:

— Tudo para manter as crianças de Hogwarts seguras.

— Eu não sou uma criança! – Lily rebateu – Vocês deviam parar e...

— LILY!

Hugo gritou e foi correndo em direção a prima, a abraçando antes mesmo que ela pudesse dizer algo. Harleen e Rose vinham logo atrás.

— Fomos até a enfermaria e você não estava – Hugo disse meio nervoso – Você está bem?

— Estou muito, muito bem! – Lily respondeu com um sorriso bondoso.

— Ótimo! – Hugo respirou fundo – Eu preciso perguntar uma coisa.

— Tem que ser agora? Eu ia conversar com o Al, e...

— Quer ser minha namorada?

Scorpius, Will, Scarlett e Sebastian tivessem planejado, provavelmente não conseguiriam erguer as cabeças ao mesmo tempo e encarar Hugo com uma expressão surpresa.

— Espera, o que?

— Lilian, você quer ser minha namorada?

— Ela quer sim! – Harleen respondeu – É claro que ela quer!

— Mas eu não...

— Ótimo, somos namorados – Hugo disse e estava se sentindo completamente perdido.

Lily olhava de Harleen para Hugo sem saber o que havia dado nos dois para começar a decidirem as coisas por ela. Aquilo só podia ser brincadeira.

— A vida amorosa da Lily ‘tá melhor que as nossas nessa idade – William sussurrou – Será que podemos monetizar isso também e transformar em uma saga de livros?

— Eu vou ser um péssimo irmão se eu disser que quero saber como Lily vai sair dessa? – Albus finalmente se sentou e cochichou para os amigos, esquecendo até mesmo que estava irritado com o Sebastian.

— Vocês são péssimos!

— Shh, Scarlett! Ela vai falar alguma coisa – Scorpius fez sinal para que a amiga se calasse.

Sebastian apenas observava tudo, sem saber se sentia raiva ou achava muita graça daquilo tudo.

— Hugo, eu acho que...

— Rose, não se meta! – Hugo disse – Eu não me meto no seu relacionamento com o Scorpius.

— Ok, não está mais aqui quem falou – Rose disse e foi se sentar ao lado de Albus.

— Hugo, você...

— Eu estou muito feliz por finalmente ter feito uma escolha – Hugo disse isso da forma mais mecânica possível e em seguida abraçou Lily, que parecia estar congelada naquele momento – Agora não teremos mais que viver nesse triângulo.

— Hugo, você devia ter parado no pedido de namoro. – Harleen disse para o amigo – Vocês formam o casal mais lindo do mundo. Vocês não acham? Sebastian?

— Tô emocionado – Sebastian respondeu – Inclusive acho que deveriam se beijar e provar o grande amor.

— O QUE? – Lily praticamente gritou ao ouvir o comentário de Sebastian, despertando finalmente daquela loucura todo – Eu não vou beijar você, Hugo!

— Se você parar de me beijar, teremos um problema nesse relacionamento, Scar – Will sussurrou sem desviar o olhar de Lily.

— Nós também, Rose – Scorpius aproveitou a deixa para entrar na brincadeira.

— Vocês nem namoram – Will rebateu – Agora silêncio, vamos voltar para a gritaria.

Lily deu alguns passos para trás, tentando estabelecer uma distância quase segura para que Hugo não a beijasse. Aquela altura, todos já estavam encarando aquela cena.

— Nós não somos namorados! – Lily disse em voz alta.

— Claro que são! Eu sou testemunha – Harleen insistiu.

— Não somos, Harleen, porque seria um erro! Assim como todo esse triângulo foi um erro. E vocês precisam parar de decidir as coisas por mim como se soubessem o que eu quero.

— Você não queria que o Hugo escolhesse?

— Sim, Harls, mas não assim! – Lily comentou – Eu achei que estava apaixonada pelo Hugo, mas os dias que passei na enfermaria foram suficientes para perceber que senti falta do meu melhor amigo Hugo, e não do garoto que eu gosto. – ela respondeu irritada – E eu ia falar isso para vocês dois, mas então fui surpreendida por essa cena ridícula.

— Lily, eu...

— Você o que, Hugo? Você não pensou o quão constrangedor seria namorar alguém que não gosta de mim, mas finge que gosta só porque acha que sou sensível demais para aguentar uma rejeição?

— Lily, eu não queria isso. Eu realmente...

— Realmente o que? Achou que eu seria cega o suficiente para achar essa péssima declaração uma prova de amor e ignorar o fato de que você e a Harleen estão apaixonados um pelo outro? – Lily esbravejou e a essa altura não se importava em gritar – Eu não sou burra, Hugo! E também não preciso de uma amiga que tente manipular minha vida dessa forma. Quer saber? Eu quero que todos vocês vão para o...

— Lily – Rose fez sinal para que a prima se calasse, mas já era tarde.

— ...INFERNO!

— Lilian Luna Potter

— QUE FOI? – ela gritou e se virou, dando de cara com a Diretora Minerva – Ai meu Merlin, me ferrei.

— Detenção. – Minerva a observou com uma expressão bem séria – Acredito que passar um tempo na biblioteca organizando os livros vão lhe fazer muito bem. Talvez a senhorita aprenda a usar palavras mais... educadas.

— Sim, senhora! – Lily respondeu em voz baixa – Me desculpe, Diretora. Posso ir agora?

— Claro, Srta Potter! – Minerva respondeu – E, quanto a vocês, voltem a tomar o seu café! Não há nada para ver aqui. Para as suas mesas, já!

~*~

Mais uma vez, Rose estava sentada com os monitores e ajudantes que organizariam o baile do Dia das Bruxas. A data estava próxima e ela não podia mais enrolar com aquilo. A melhor parte era que sua amiga, Scarlett, tinha sempre ideias que pareciam animar. A pior parte era que Suze Parkinson estava no meio da comissão e alfinetava Rose a cada 5 minutos.

— E então, o que você acha da ideia de trazer uma banda que conheça músicas de cantores trouxas? – Amelie Hale, a monitora da Lufa-Lufa, se pronunciou. – Seria uma forma de homenagear os dois mundos. A Professora Mackenzie sempre nos incentiva a estudar e compreender melhor o mundo trouxa.

— Isso porque ela é professora de Estudo dos Trouxas— Suze rebateu – E eu não vejo sentido em homenagear pessoas que não estão aqui. Essa ideia tinha que vir de uma idiota da Lufa-Lufa.

— Parkinson, meça as suas palavras! – Rose disse bem irritada – Todas as ideias são bem vindas.

— E a única idiota aqui é você – Scarlett disse enquanto conferia as próprias unhas – Escute, eu acho essa uma ótima ideia. Há vários bruxos nascidos trouxas aqui na escola e eles iriam gostar.

— E seria uma ótima oportunidade para todos conhecerem mais do que há lá fora. – Rose sorriu – Amelie, sua ideia está aprovada.

— E por que a ideia dela foi aprovada e nenhuma das minhas foi?

— Porque você sugeriu as piores coisas – Rose respondeu – Não podemos dizer que só permitir a entrada dos alunos do sexto e do sétimo ano seja algo certo.

— Assim como obrigar todas as pessoas da festa a se fantasiar – Thomas, um aluno da Corvinal, respondeu – Suas ideias não foram nada inteligentes.

— E é claro que nem precisamos dizer que é proibida a entrada de bebidas ou outras substâncias na festa. – Scarlett disse – Ou seja, se você tentar alguma gracinha, Suzannah, nós vamos acabar com você.

— Acha mesmo que eu tenho medo de vocês? – Suze revirou os olhos.

— Deles eu não sei, mas aconselho que tenha de mim. – Scarlett sorriu – Enfim, agora que já resolvemos, vou sair daqui. Já estou ficando enjoada de olhar para a sua cara. – Scarlett se levantou e olhou para Rose – Vejo você daqui a pouco, Rose!

— Bom, a reunião está encerrada. Mais tarde vou me encontrar com a Diretora e mostrar o que decidimos. Se ela aprovar, começaremos os preparativos ainda essa semana.

E dizendo isso, Rose recolheu suas coisas e foi andando acompanhada pelos outros alunos, deixando Suze para trás.

~*~

Lily aproveitou o tempo vago e foi para a biblioteca cumprir detenção. Sabia que teria muito trabalho pela frente e era melhor começar de uma vez. Além do mais, ela não estava com vontade de ir para o Salão Comunal da Grifinória, já que provavelmente encontraria Harleen e Hugo, e eles, definitivamente, eram as últimas pessoas que ela gostaria de encontrar naquele momento.

— Estou na dúvida se você está limpando os livros ou castigando eles – Albus comentou, fazendo com que sua irmã desse um salto.

— Albus, você me assustou – Lily respondeu meio brava – E eu estou limpando. Gosto de limpar quando estou com raiva.

— Você realmente tem gostos peculiares – Albus sorriu e se encostou em uma das prateleiras, observando a irmã. – Hugo e Harleen parecem bem desapontados por magoarem você.

— Hugo e Harleen deviam estar desapontados com eles mesmos. – ela respondeu de forma rude – Eles foram tão... tão... irritantes.

Albus riu. Lily era a única pessoa do mundo que achava que “irritante” seria um grande xingamento.

— Eles fizeram pro seu bem – Albus tirou a varinha do bolso e, com um floreio, reorganizou as prateleiras. Ao ver o olhar da irmã, ele piscou e disse: — De nada!

— Isso é trapaça – Lily sussurrou.

— Seria trapaça se você tivesse pedido para que eu fizesse isso. – ele deu de ombros e se sentou no chão, fazendo sinal para que sua irmã se sentasse ao seu lado.

Meio contra a vontade, Lily concordou e se sentou ao lado de Albus.

— Hugo e Harleen discutiram enquanto você estava internada. – ele começou a dizer – Ela me pediu para enviar uma mensagem para os pais dela. Queria voltar para casa e seguir estudando em uma escola trouxa.

— Por quê? – Lily perguntou – Eu pensei que ela gostasse daqui.

— E ela gosta, Lilica. – Albus tocou a ponta do nariz da irmã com o dedo – Hugo disse que ela tinha atrapalhado a vida de vocês e ela achou que você tinha ficado doente por isso. Queria tornar a vida de vocês fácil.

— Eu não quero uma vida fácil! Quero uma vida com pessoas sinceras. Ela é minha melhor amiga! Nunca atrapalhou nada.

— Foi exatamente o que eu disse! – Albus sorriu – Também disse que o Hugo estava sendo um babaca.

— Ele gosta dela, não é? – Lily deu uma risada baixa.

— Bom, eu...

— Albus, não minta pra mim! O James prometeu que só me contaria a verdade. Você também tem que fazer isso.

Albus respirou fundo. Era difícil largar a mania de proteger a irmã de tudo, mas precisava se esforçar caso quisesse que ela confiasse nele novamente.

— Sim, ele gosta dela. E ela gosta dele. E os dois amam você. – Albus explicou – E acharam que a melhor saída para manter a paz entre vocês era que você namorasse o Hugo.

— E viver uma mentira? – Lily disse inconformada – Albus, eu sei que sou boba, mas por que ninguém me dá um voto de confiança? Eu quero ver as coisas como elas de fato são. Eu quero sinceridade e vocês só me dão fantasia.

— Por que nós amamos você – Albus respirou fundo – Foi um erro nosso querer te proteger dessa forma, Lily. Mas a forma que você enxerga o mundo é tão preciosa, que você se tornou uma espécie de porto seguro. Ao menos para mim.

— Eu? Seu porto seguro?

— Lilian, você é minha irmã. Você enxerga o bem em mim e me faz ser uma pessoa melhor. Se não fosse sua forma positiva de ver as coisas, eu provavelmente seria mais escroto do que já sou.

Lily sorriu e abraçou Albus.

— Eu amo você, Al.

— E eu amo você – ele sorriu – E se quer um conselho, acho que deveria conversar com Hugo e Harleen.

— Mais tarde... Eu ainda estou um pouco chateada – ela respondeu com sinceridade – Você vai me contar por que seu rosto está assim ou vou ter que perguntar pra Rose?

Albus respirou fundo. Não queria dizer a verdade, mas havia acabado de prometer que não mentiria mais. Honestidade no relacionamento fraterno era algo difícil.

— Ouvi Sebastian contando sobre o que aconteceu em Hogsmeade e perdi a cabeça – Albus disse – E mandei ele ficar longe de você. Eu sei, foi errado o que fiz, mas estava de cabeça quente. Foi por isso que ele foi meio seco mais cedo, e...

— Al, a mamãe sempre nos ensinou que todas as pessoas têm direito de escolha. Você pode ter dito para ele ficar longe, mas ele escolheu ficar. Você não o obrigou. – Lily disse de forma sensata – De qualquer forma, não saia por aí brigando com mais ninguém e dê um jeito nesses machucados.

— Nossa, falou igual a vovó. – Albus sorriu e beijou a testa da irmã – Eu vou sair e deixar você por aqui. Fique mais alguns minutos para parecer que está trabalhando duro e depois saia,

Lily concordou e voltou a fingir que estava organizando os livros. Apesar de estar em detenção, estava feliz por ter tido uma conversa honesta com seu irmão e esperava que essa onda de sinceridade permanecesse. Não queria voltar a ser poupada de tudo.

~*~

Rose estava com Scorpius quando encontrou Albus no corredor. Ele vinha sorrindo, sentindo uma pontada de orgulho por ter finalmente conseguido fazer alguma coisa útil por sua irmã.

— E aí, casal que não namora.

— Pelo menos estamos juntos, diferente de você e da Dominique. – Scorpius abriu um sorriso ao ver Albus revirar os olhos.

— Eu ficaria muito chateado, mas acabei de ser útil para Lily e estou me sentindo um irmão e tanto.

— Uau, você finalmente serviu para algo! Vovó vai ficar orgulhosa.

— Nem começou a namorar um cara da Sonserina e já ‘tá aí me zoando. – Albus disse e, propositalmente, se colocou entre o casal, passando os braços por cima de seus ombros e caminhando sorridente pelo corredor – Como sei que vocês não estavam indo transar, acho que posso ficar aqui.

— É inconveniência que chama, não é? – Rose empurrou o primo, que gargalhou – Al, você esta com aquela cara de quem vai me pedir algo, então vamos poupar a parte em que você tenta jogar seu charme em mim e fala logo o que quer.

Albus levou uma das mãos até o peito e fez sua melhor expressão de choque.

— Você me conhece tão bem. – ele sorriu – Tem alguma chance de você encobrir uma festinha na sala precisa depois da festa do dia das bruxas?

— Não! – Rose sorriu – Essa foi tão fácil.

— Essa é minha garota – Scorpius sorriu e beijou a bochecha de Rose – Albus, sem condições de armar qualquer coisa para esse dia. Todos os professores estarão bem acordados, seria como dar um tiro no próprio pé.

— Eu não disse para darmos uma festa durante a festa. – Albus deu de ombros – Eu preciso beber, essas festas politicamente corretas não servem bebida.

— Porque são festas da escola, Al. – Rose revirou os olhos mais uma vez – E Scorpius está certo! Não tem como fazer uma festa paralela a outra festa. Alguém ia acabar deixando escapar e nós seríamos expulsos.

Albus detestava admitir, mas eles estavam certos. Com a empolgação da festa do dia das bruxas, era provável que algum dos alunos deixasse escapar sobre a festinha secreta e que as coisas terminassem da pior forma.

— Ok, mas no passeio de Hogsmeade de amanhã eu vou encher a cara no Cabeça de Javali. Não quero nem saber e nem tentem me impedir.

— Ok, futuro alcoólatra – Scorpius disse – Agora tente ao menos se manter sóbrio para o nosso treino ou juro que acerto um balaço no meio das suas fuças.

Scorpius deu um rápido beijo em Rose e, em seguida, segurou Albus pela capa e saiu puxando pelo corredor.

— Ele me ama! – Albus gritou, enquanto se afasta – Não vive sem mim mesmo.

Rose deu uma risada ao ver a cena e balançou a cabeça. Seu primo e o seu quase possível futuro namorado eram, definitivamente, duas crianças.

~*~

Quando Lily voltou para o Salão Comunal da Grifinória, se deparou com Harleen e Hugo muito constrangidos sentados em poltronas afastadas. Era estranho vê-los daquela forma e ela sentiu que precisava resolver as coisas de uma vez.

Respirando fundo, ela caminhou primeiramente até Harleen, que se surpreendeu ao ver a amiga sentar ao seu lado. Provavelmente não esperava que Lily se aproximasse dela tão cedo.

— Hey, Harls! – Lily sorriu – Podemos conversar?

— Vamos brigar de novo? – Harleen perguntou – Estou meio cansada de brigar, Lils.

— Acredite, eu também. – Lily sorriu e se levantou, pegando a mão da amiga – Vamos, o Hugo também precisa participar dessa conversa.

Meio relutante, Harleen segurou a mão da amiga e foi até Hugo, que estava fingindo que não estava notando a aproximação.

— Podemos nos sentar? – Lily perguntou.

— Eu acho melhor n...

— Sim, podemos! – Lily não esperou o rapaz terminar de falar e já foi logo se sentando na poltrona ao lado.

Harleen respirou fundo e também se sentou.

— Ok, vamos resolver isso. – Lily disse, tentando parecer madura e falhando miseravelmente – Eu sei que gritei com vocês no salão principal e peço desculpas. Mas vocês não me deram outra alternativa. Foi muito, muito errado chegarem do nada e fazer aquela cena.

— Lils, eu sinto muito. – Hugo disse com sinceridade – Eu realmente não sei onde estava com a cabeça quando fiz aquela cena. Acho que a única coisa que eu queria era parar com essa confusão toda e dar um rumo certo para o nosso trio.

— E eu sinto muito não ter deixado você responder, Lily. – foi a vez de Harleen se pronunciar – Eu achei que se vocês começassem a namorar, teriam um pouco daquela conexão que tinham antes da minha chegada. Eu sei que mudei tudo quando apareci e acabei me metendo na relação dos dois.

— Harls, você não se meteu em nada. – Lily disse com seriedade – Se apaixonar pelo Hugo foi uma consequência da convivência e nada mais. E eu não a recrimino por isso. Assim como não recrimino o Hugo estar apaixonado por você.

— Espera, o que? – Hugo olhou para as duas um pouco confuso – Eu não...

— Você sim, Hugo, e sabe disso! – Lily respondeu – E não tem problema nenhum, porque vocês ficam ótimos juntos. E, antes que pensem, não estão me magoando em nada. Eu tive tempo o suficiente na enfermaria para refletir sobre as minhas prioridades e estar apaixonada por você não apareceu na minha lista. E então eu percebi que nunca estive apaixonada. Acho que estava mais apaixonada pela ideia de estar apaixonada. E, bom, eu não sei se há sentido nessa frase, mas é isso.

“Você sempre foi e sempre será o meu melhor amigo. Assim como a Harleen sempre vai ser a minha melhor amiga. E vocês dois deviam parar de se afastar de uma vez.”

Houve um momento de silêncio, onde nenhum dos três se encarou. Lily sabia que estava fazendo a coisa certa e se sentiu feliz por finalmente ter posto os sentimentos em ordem. Hugo era seu primo, amigo e irmão. Harleen também. E ela os amava dessa forma. E sabia que o amor que envolvia os dois ia muito além da amizade.

— Harls, eu sinto muito – Hugo quebrou o silêncio – Eu fui um idiota com você na última semana e descontei toda minha frustração. Eu sei que nada do que eu diga agora vai apagar as barbaridades que falei, mas eu gostaria de saber se você...

— Você não vai me pedir em namoro agora, né? – Harleen perguntou – Porque eu ainda estou processando os últimos acontecimentos e às vezes posso ser bem devagar.

— Na verdade, eu ia perguntar se você podia me perdoar e me aceitar como seu amigo de novo. – Hugo sorriu – E, quem sabe, mais pra frente...

— Ela aceita – Lily disse bem animada – E não adianta reclamar por eu ter respondido isso em seu lugar, porque você aceitou um pedido de namoro em meu nome hoje.

Harleen deu uma risada e concordou. Era bom ter os amigos de volta.

— Bom, me parece justo que você aceite o pedido de desculpas em meu lugar. – Harleen se levantou e abriu os braços – Abraço em grupo?

Hugo e Lily abriram um sorriso e também se levantaram. Os três se abraçaram com felicidade e, pela primeira vez, sentiram que o assunto daquele triângulo amoroso estava devidamente resolvido.

~*~

Rose estava sentada próxima ao lago quando Scorpius apareceu e se sentou ao seu lado. Desde que decidiram ir com mais calma no relacionamento, as coisas entre eles estavam mais fáceis.

— Uau, você não está estudando. Que milagre é esse?

— Às vezes a mente precisa de uma folga, Malfoy.

— Mentes normais, Weasley. Você é extraordinária, não precisa de folga.

— Isso foi um elogio?

— Espero que sim, porque me esforcei bastante.

Rose deu uma risada e concordou.

— As coisas hoje foram tão calmas que nem parece que estou em Hogwarts. – ela observou – Quero dizer, o maior drama do dia foi com o trio ternurinha, o que é a mesma coisa que nada.

— E nós dois achando que éramos o centro das atenções. – Scorpius sorriu – Mas sabe o que é isso? É Merlin nos poupando emocionalmente para os dois maiores dramas da história.

— Albus e Dominique?

— E Lily e Sebastian.

— Acho que Lily e Sebastian vai render um conto de fadas – Rose franziu o cenho – Albus e Dominique que são capazes de colocar fogo no mundo só pela disputa de ego.

— E nós?

— O que tem?

— Estamos aqui dialogando sobre os problemas alheios e esquecendo os nossos. – Scorpius observou – Não que tenhamos algum problema agora, mas a gente nunca teve uma conversa honesta sobre tudo.

— Então vamos ter uma agora – Rose disse com sinceridade e respirou fundo, se virando para encarar melhor Scorpius – Eu estou apaixonada por você, Malfoy. Eu tinha medo disso antes e tenho medo disso agora, porque você me faz querer esquecer todas as merdas que aconteceram com meu ex-namorado e seguir em frente como se nada tivesse acontecido.

“E eu tenho medo porque a primeira vez que alguém disse que me amava não era verdade. E eu tenho medo porque eu amei de verdade alguém que, no final das contas, só queria me levar para a cama graças a uma aposta estúpida entre amigos.”

Rose fez uma pausa e respirou fundo mais uma vez. Lembrar o que aconteceu no último ano fez com que se sentisse frágil e desprotegida de novo. E ela detestava essa sensação.

— E eu sei que não devo me definir por ninguém e nem transformar em padrão as coisas que me aconteceram. Eu não posso viver presa àquelas lembranças, assim como não posso pensar que tudo vai se repetir. Mas eu não consigo evitar esse medo. Mesmo sabendo que você é um cara incrível e não é um canalha como o meu ex, eu não consigo evitar a ideia de que se você partir meu coração, eu não vou me recuperar dessa vez.

Rose se esforçou ao máximo, mas não conseguiu evitar que as lágrimas escorressem pelo seu rosto. Detestava se sentir vulnerável. Detestava a sensação que a vissem tão desprotegida. Sua família e seus amigos sempre a viam como uma espécie de rocha inabalável. Todos podiam contar com Rose Weasley, não importava o momento. Ela sempre tinha os melhores conselhos e sempre estava pronta para ajudar. Se permitir ser aquela garota frágil, com medo de se apaixonar, fazia com que ela se sentisse fraca e impotente.

Scorpius levou a mão até o rosto de Rose, limpando as lágrimas de suas bochechas. Ele sentiu a dor das palavras sinceras de Rose e prometeu para si mesmo que nunca iria magoá-la.

— Eu também tenho medo, Rose. – Scorpius falou em voz baixa – Medo de que se você se aproximar muito vá achar algo bem ruim em mim e que isso vá fazer você se afastar. Tenho medo de meter os pés pelas mãos e não ser aquilo que você merece. Tenho medo de que, sei lá, seu príncipe encantado apareça em um cavalo branco e você perceba que perdeu tempo ao meu lado.

“Rose, me escute, eu não posso dizer que nosso relacionamento será apenas amor e felicidade, porque somos humanos e vamos errar sempre. Mas posso prometer que vou me esforçar muito para fazer você se sentir a pessoa mais especial e amada do mundo; vou me esforçar ao máximo para fazer você nunca, nunca duvidar do quanto é maravilhosa e que não precisa de ninguém.”

“Eu sei que você sabe que não precisa de ninguém, mas quando você duvidar disso porque lembrou o que aquele filho da puta te fez, vou me esforçar para que se lembre que é Rose Weasley e que ninguém pode destruir isso. Eu vou me esforç...”

A frase de Scorpius foi interrompida, porque Rose segurou seu rosto entre as mãos e o beijou – e ele, obviamente, não se afastou.

Ela sorriu e em seguida encostou sua testa na dele, que respirou fundo e sussurrou: — Eu falei mais do que devia?

— Você falou exatamente o que devia.

— Posso falar mais uma coisa? – ele sussurrou mais uma vez e se afastou para encará-la.

— Pode sim.

— Eu amo você, Weasley.

Rose deu uma risada e o beijou mais uma vez.

— E eu amo você, Malfoy.

Scorpius deu uma risada e se permitiu cair de costas na grama, puxando Rose com ele.

— Quer saber? O drama de Albus e Dominique será fichinha perto do nosso. – ela comentou em meio as risadas.

— Oi? Eu acabei de forçar até meu último fio de cabelo platinado para fazer uma declaração decente e você me diz que teremos mais um drama?

Rose deu uma gargalhada e concordou.

— Sim!

— Ok, e quando começará esse drama?

— Quando formos contar para o meu pai.

~*~

N/A: Olá, pessoas!

Gostaram do capítulo? Eu espero que sim! Acho que esse é um dos meus favoritos até agora.

Eu prometo me esforçar para não demorar tanto nas postagens, mas as vezes a situação aperta e daí tenho que atrasar.

Agradeço, de coração, a todos que comentaram até agora ♥ Vocês são incríveis!

Até o próximo capítulo, pessoinhas!

Beijinhos,

Marls McKinnon.