War for Earth
3 Onde pequenos homens criam grandes merdas
Notas iniciais
15 de outubro de 2625 06:39 AM
Por que será que decidi vir para cá? Poderia ter escolhido qualquer outro serviço que me disponibilizasse ficar com minha mulher e filho na base em segurança. Mas aqui estou eu, atrás de uma nave tentando proteger um moleque qualquer que se acha mais foda que qualquer um, e que pode acabar me levando para a morte em instantes.
–Fique quieto garoto, não podemos fazer qualquer tipo de barulho.
Apenas olhei para ele para ver se entendeu. Estava paralisado, duvido que falasse qualquer coisa mesmo para confirmar.
Ao me virar de volta percebi que não era ameaça alguma, apenas White empurrando Ribble em nossa direção. Aparentavam estar com pressa e assustados.
Ao ver isso, logo me anunciei para eles – Ei vocês dois, estamos aqui!
– Lewis! – Disse White — Precisa consertar essa nave rápido! Acabaram de derrubar as naves de suporte e estão avançando muito depressa. O comandante Mason acabou de dar a ordem de recuo, só que todas as naves do local já foram e precisamos dessa para conseguir escapar.
Ao escutar isso, comecei a apressar William para consertá-la mais rapidamente e logo após, comecei já a escutar barulhos de armas atirando muito mais de perto.
– Droga, precisamos andar logo com isso – Disse Ribble já sendo carregado para dentro da nave para que houvesse mais mobilidade na hora de fugir dali.
William fazia o melhor que podia, mas não rápido o suficiente, comecei a ficar cada vez mais desesperado com a possibilidade de acabar morrendo ali e não ter a chance de ver minha família novamente. Então, simplesmente arranquei a ferramenta de sua mão.
– O que está fazendo?
– Cuide dos painéis de controle que eu cuido dessa porta. – Disse eu, como se quisesse impor todas as regras do mundo. Vi então em sua expressão facial como se não aceitasse que aquele cara era, de fato, mais foda que ele, porém, não reclamou, soltou um simples “Tá” e foi logo fazer o serviço.
A porta estava num estado deplorável. Cheia de buracos de tiro, a porta estava emperrada e toda amassada. Do lado de fora havia ainda um corpo humano no qual já não havia mais quase nenhum membro, exceto um braço que se encontrava a um meio metro mais ou menos de onde o corpo estava.
Fide, após prender bem Ribble num dos assentos especiais da nave, se virou para fora e soltou um berro – EI WHITE, ESTAMOS AQUI!
E logo olhei para fora e vi aquela cena, White em meio á vários soldados sendo perseguidos por aliens correndo em nossa direção.
–Mas que porra! – Disse Monroe ao ver tudo aquilo.
Fide logo começou a berrar conosco, como se fosse o único a estar desesperado.
–Vamos logo, liga essa joça.
–Não dá, ainda estou consertando. – Disse aquele jovem mecânico já com algumas lágrimas em seus olhos, mostrando á todos que ainda não estava acostumado com a ideia de morrer.
Todos ficaram por um momento calados, quando Paul teve um ideia.
– Você verificou as baterias principais? – perguntou.
– Sim, os tubos de conexão com o motor principal foram destruídos.
– Mas e quanto ao conector de rádio? Seus cabos são do mesmo tipo, e se os utilizássemos para isso?
Todos olharam surpresos para ele, ninguém sabia de sua habilidade com a parte elétrica. Monroe foi logo se apressando para retirar os cabos, Fide, morto de curiosidade como sempre, foi logo perguntando.
– Como você sabe sobre isso?
– Minha namorada é pilota. Ela me ensinou um pouco de tudo sobre a nave.
Logo olhei para o painel que começava a acender por causa da bateria e escutei uma pequena comemoração.
– Isso, funcionou, vamos viver.
Virei para Monroe e disse – Não se esqueça de agradecer.
Todos estávamos prontos para ir. E bem na hora, pois do lado de fora da nave, as coisas estavam indo mal.
White se sentou no lugar do piloto e começou a ligar todos os painéis e controles.
– Você sabe pilotar também?
– Já disse, namorada pilota.
– Então não morra como todos os outros que sentaram nessa cadeira para agradecê-la pela aula grátis.
A nave começou a subir um pouco, mas estávamos ainda muito próximos do chão. Onde antes haviam humanos fugindo, agora só se via vindo de longe os aliens que os perseguia.
– Puta merda, rápido, eles estão começando a chegar perto.
–Calma, essa nave não aguentaria se a forçássemos muito.
Fide pegou sua arma, abriu a merda da porta que eu tinha feito tanto esforço para fechar e começou a atirar que nem um maluco.
Logo após isso, uma chuva de tiros começou a atingir o resto do casco da nave. Fide apenas foi para trás da estrutura da nave para se proteger que começou também a ser furada, estava tudo uma grande bosta.
A porta recebera tantos tiros que acabou se soltando da estrutura.
Finalmente, conseguimos sair dali. Todos estávamos muito ofegantes, Fide tinha tomado um tiro na perna e o colocamos no canto da nave. Porém, quando olhei para Ribble, estava sangrando muito, foi só depois que percebi que ele não conseguiria se abaixar já que estava preso na cadeira.
Eu olhei para ele e ele me disse – Isso é mal.
– Droga, Ribble tomou um tiro. – Eu disse.
–O que? Ah merda.
Tentei estancar o sangramento, mas ela já tinha perdido muito. Ele só olhou para mim e perguntou – por que essa cara tão triste? – Ele deitou a cabeça no meu corpo, estava todo manchado de sangue. Reclinei sua cadeira para que seu corpo pudesse ficar deitado e fui me lavar.
Ao voltar, fui falar com White.
– Vamos enterrar o corpo dele por aqui, desça a nave.
– O que? Não, vamos leva-lo até a base para ter uma cerimônia digna.
–Ele sempre disse que nunca gostou daquele lugar, o achava muito ruim para se viver com toda aquela democracia idiota.
Um tempo depois, pousamos num local totalmente deserto, não se tinha nada no campo de visão se não areia. Começamos á cavar para enterrá-lo.
–Vou andar um pouco – disse White – não gosto desse clima de tristeza.
White era um grande amigo de Ribble desde sempre, os dois iniciaram os serviços no exército juntos e viraram amigos desde então.
Após alguns minutos, White voltou.
–Pronto, vamos.
–Não quer ficar mais um pouco? – disse Fide
–Não,há coisas piores ocorrendo no momento, parece que a Lightning 1 foi destruída.
– O que? Quando foi isso? – perguntei.
– Pouco antes de Phillip dar a ordem de recuo, recebemos uma mensagem da base sobre isso ter ocorrido. Precisamos ir agora.
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