War Z - interativa
3 Lua Nova - Parte 2
Notas iniciais
Localização: Alguma BR ,a 45 quilômetros de Atlanta.
Horário: 17:52 P.M
O sol já descia no horizonte,anunciando o fim do dia. Não fora um dia quente,e o homem deitado sobre o banco de sua camionete Ford agradecia por isso. Era careca,e não adotara esse estilo graças ao inferno em que vivia atualmente, sempre preferira ser careca. Os olhos escuros estavam fechados, com o braço direito sobre eles,em uma posição confortável .Seu corpo possuía uma estrutura grande,não por ser gordo ou algo parecido,alem de ser alto. A pele escura brilhava pelo suor.
Minutos atrás quase virara o lanche da tarde de cerca de 7 mordedores,que agora haviam diminuído para 4 e insistiam em continuar batendo na janela de seu Ford.Os outros 3 estavam caídos no chão,todos sem as pernas,tentavam se arrastar ate o carro. O homem grunhiu exasperado com todo aquele barulho e sentou-se,bruscamente,no banco do carro. Tinha que sair dali e encontrar um local calmo para dormir.
Sentou-se diante do volante e deu mais uma olhada para o lado de fora da camionete,a fim de lançar um sorrisinho sem humor para os mordedores. Sempre fazia isso,desde que fora abandonado a mercê de uma grande horda de mordedores por seu comboio. Um comboio ao qual ele contribuirá com todo o afinco a fim de proteger.
Agora não havia nada. Estava sozinho e deveria se acostumara, ate que...se por algum milagre,outro comboio surgisse e o acolhe-se.
Girou a chave na ignição e manobrou o Ford,de modo para que saísse do acostamento e seguisse em diante.
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Localização: Floresta próxima a Atlanta.
Horário: 22:10 P.M
– Apague essa fogueira. – Uma voz feminina pedira, parecia temerosa.
Risos em volta da alta fogueira foram-se ouvido. Um homem magricela e alto a encarara, as sobrancelhas grossas como duas taturanas loucas para se unirem encarou a garotinha sentada ao seu lado.
– Porque garotinha? Tem medo de aqueles bostinhas virem para cá? –Questionou, rindo junto dos outros.
A menina não passava dos 13 anos. Os olhos escuros estreitavam-se ameaçadores sobre o mais velho, embora não houvesse coragem nenhuma de sequer responder a zombaria dele. Possuía cabelos castanho-escuros que permaneciam presos em uma trança mal feita,e uma franja comprida, por não cortar a tanto tempo, na lateral de seu rosto. Odiava tanto aquele grupo.
Não fazia idéia de porque se juntara a eles. Aliás... Sabia sim. Tinha medo de ficar sozinha. Respirou fundo e avaliou os outros membros do grupo, que agora voltavam a se ocupar em comer e comer.
Eles não tinham idéia de que uma hora ou outra toda aquela comilança faria a comida acabar rápido? Respirou fundo e jogou a lata de atum dentro de sua mochila. Não seria como eles. Comeria a bolacha de água e sal que estava no finzinho e então deixaria o resto para quando,por fim,a comida daquele mercadinho de estrada,próximo ao acampamento,acabasse.
– Mari?! – Levantou-se instantaneamente ao ouvir a voz de uma mulher. Charlotte. A esposa daquele homem mais velho e nojento que sempre zombava de si. – Vá dormir querida.Está tarde.
– Já estou indo senhora. – Anunciou e pulou sobre o tronco de arvore recentemente cortado pelos homens do grupo.
Apertando a mochila por sobre os ombros,Mari Pacheco ignorou os arrepios que subiram pela sua coluna.Ela não fazia idéia de que aquela noite seria tão...agitada.
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Localização: Floresta a 60km de Atlanta (Acampamento de Emma)
Horário: 23:18 P.M
E mais um dia se ia naquele inferno. Um homem mediano, carregando um facão, rondava toda a extensão do lado leste do acampamento. Dentro da cerca de arame farpado. Mesmo com aquilo tudo, não se sentia confiante em sequer fechar os olhos e tentar dormir.
A cerca acabara de ser concretizada as nove em ponto, e assim o pessoal que trabalhara o dia todo fora recebido com peixes fritos com um molho super estranho,feito por Lauryn,irmã de Emma. Os cabelos escuros estavam curtos, graças à tesoura que encontrara em um mercadinho de estrada, quando haviam ido coletar suprimentos. Os olhos da mesma coloração dos cabelos encontravam-se abertos, em sinal de alerta.
– Ei Zack! – Ouviu a voz de um garoto ao longe, virou-se para ele e sorriu abertamente. — Como vai ai?
– Vou indo bem Marco. – Confirmou, vendo o rapaz se aproximar sorridente.
Marco Palazzo era um garoto de origem Canadense, tinha olhos castanho-esverdeado e cabelos escuros, constantemente arrepiados. Era magro e baixo. E possuía algo que chamava a atenção de Zack, algo que o garoto Winter não conseguia ignorar.
– Viu algo que o perturbou? – Marco parou a sua frente, com os braços cruzados e uma das sobrancelhas arqueadas.
– Não. Só não consigo dormir.
– Nem quando temos vigias? – E o Palazzo riu ironicamente, lançando um olhar brusco para algumas arvores, da onde se podia ver um homem com uma enorme espingarda, desconhecida pela escuridão. Zack franziu a testa e deu de ombros.
– Me deixa. – Pediu o Winter, virando-se de costas e caminhando para a cerca de arame farpado. – Vá dormir cara, é melhor.
– Mas do que...? – Riu Marco mais uma vez. Avançou na direção de Zack e segurou-o pelo pulso. Os olhos do Palazzo vasculhavam o rosto de Zack, com a intenção de tentar entende-lo.- O que há? Ainda achou estranho o que aconteceu aquela vez?
– Estranho? É claro... — Admitiu Zack, balançando a cabeça freneticamente.
– Nunca tinha beijado um garoto? – Questionou surpreso.
– Não. — Foi, mais uma vez, sincero.
– E não gostou?
– Eu... — Zack vasculhou o local com os olhos, estava perdido em pensamentos e sensações. Mordeu o lábio inferior e se afastou de Marco. -... Não é certo cara, eu... Tinha uma namorada.
– Falou bem, tinha. – Marco tentava mais uma vez se aproximar. – Ela está morta.
– O que? – Zack cerrou os orbes, exasperado. – Miriam pode muito bem estar viva.
– E teria continuado com ela se isso não tivesse acontecido? – Perguntou Marco, sorrindo fracamente. – Pelo o que me contou... Já nem gostava dela na época.
– Mas mesmo assim.
–Está fugindo? De mim? – Marco bagunçou o cabelo com a mão direita, suspirando pesadamente.
– Não. – E deu de ombros. — Só quero que vá para sua barraca e durma.
Marco lançou-lhe um olhar amargo, como se dissesse “você não manda em mim.” E por fim deu as costas para Zack, seguindo rumo ao amontoado de barracas.
Zack respirou e massageou, com a mão livre, sua nuca. Tinha que se acalmar.
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Localização: Floresta próxima a Atlanta.
Horário: 04:30 A.M
Mari abriu um dos olhos ao ouvir vozes do lado de fora. Com toda certeza era de madrugada e estariam fazendo a ronda. Suspirou e virou-se lado, pronta para voltar a dormir. Novamente as vozes foram ouvidas pela Pacheco, que revoltada, cerrou os punhos. Aproximou-se do plástico da barraca, a fim de ver o que se passava do lado de fora. Não eram vozes. Pareciam resmungos.
Achando uma pequena fenda no pé da barraca, levantou o plástico e olhou para fora. Silhuetas vinham, por entre as sombras das arvores, em direção ao acampamento. Respirou fundo, esperando que fossem os vigias do grupo. Mas não havia tantas pessoas no grupo. Assim que a primeira silhueta saiu em campo aberto, próximo a barraca de Mari, ela se encolheu ao ver os orbes esbranquiçados. Fechou a fenda e colocou as mãos sobre os lábios.
– Droga,droga...- Choramingava,ouvindo mais e mais resmungos.As sombras agora rodeavam a sua barraca. Abriu sua mochila e começou a guardar suas coisas, pondo em mãos sua pistola e suas armas brancas, que consistiam em apenas duas facas pequenas de cozinha. Aproximou-se da portinha da barraca e puxou o zíper ate o topo, para que pelo menos não fosse pega ali dentro.
Um grito alto, e então todo o acampamento despertou. O que ela faria? Respirou fundo durante alguns segundos e preparou-se para rasgar a parte traseira da barraca, porque ai sim poderia sair correndo dali.
Olhou mais uma vez pela fenda da barraca e por fim criou coragem para que pudesse cortar aquela parte e fugir. Mordeu o lábio inferior e então atacou o plástico, fazendo inúmeros rasgos para poder passar. Assim que o plástico caiu, Mari, pois-se para fora da barraca a tempo de ver a quantidade de mordedores. Como poderiam tantos virem em uma só direção? Olhou para frente e então, ignorando os gritos de socorro de todos dali, pois-se a correr por entre o hebreu da floresta,temendo esbarrar em outros como eles.
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Localização: Alguma BR ,a 60 quilômetros de Atlanta.
Horário: 05:53 A.M
A camionete Ford estava estacionada em um acostamento, e o dono do veiculo “dormia”. O sol já nascia e ele parecia ignorar. Não, ele realmente ignorava. A cabeça estava sobre o volante e suas mãos caídas sobre o banco. Encontrara aquele lugar deserto, sem uma alma viva ou algum mordedor. Mas como sempre, teria de voltar a dirigir ate o posto mais próximo e encher o tanque. A mão direita ergue-se a fim de poder ligar o radio, assim que apertara o botão, apenas um chiado viera. Um exemplo de como aquilo saira fora do controle. Abriu os olhos rapidamente, pensando ter ouvido gritos.
Não, aquilo eram realmente gritos. E vinham da floresta. Alguém pedia socorro. O homem abaixou o vidro e expôs seu rosto para fora da janela, cerrando os orbes escuros por entre a, ainda, escuridão da floresta. Não via nenhum movimento, apenas os gritos vindos daquela direção. Assim que conseguiu ver sombras vindas daquela direção, retirou a machadinha de sua mochila e segurou-a fortemente.
Se fosse alguém covarde, estaria pisando fundo no acelerador e em segundos longe dali. Mas ele não era assim. Tinha que ajudar a pessoa. Abriu a porta da camionete e saltou para fora do carro, franzindo a testa e caminhando apressado naquela direção.
– Ei. – Gritou, quando já não estava sobre o asfalto. Não sabia se aquilo era uma pessoa ou mais um mordedor recém infectado. Com lama ate no rosto era seguida por um mordedor – ele sabia muito bem que aquilo sim era um mordedor, pelas feridas abertas e escuras, pelos olhos esbranquiçados, pelos gemidos e também pelo modo como andava. Os dentes arreganhavam-se na direção da criança. – Ei.
Sim, aquilo era uma pessoa normal, porque também gritara em sua direção. Os olhos castanhos arregalados de pavor.
O negro deixou-se ser guiado pelo extinto, e assim conseguira coragem para empurrar a garota para o lado e acertar o infectado com machadas nas temporas. O mordedor cairia no primeiro golpe, se o homem desse tempo para o corpo tombar. Machadadas e mais machadas eram seqüenciadas sobre a cabeça do infectado, ate virar “geléia”.
Colocou-se ereto e rodou os olhos pela região, apenas para, em seguida, pousar sobre a garota parada ao seu lado, estarrecida com o seu comportamento. O homem respirou fundo, largou a machadinha no chão e limpou as mãos. A garota arqueou a sobrancelha direita e estendeu a mão, como se não ligasse para o que acontecera minutos atrás. Ele sorriu de leve e retornou ao comprimento, apertando a mão pequena entre as suas duas.
– Sou Mari. – Ela disse, em um tom baixo.
– Eldeman, Brian Eldeman.
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