War Z - interativa
6 Lua Minguante - Parte 3
Notas iniciais
Dia: 17 de Fevereiro de 2015
Horário: 13h50min P.M
A primeira coisa que Charlottie fez ao ver-se frente a frente com um dos vários mordedores, foi empurrá-lo com toda a força que possuía. A machadinha que recebera de Jeoffrey fora a sua próxima arma, acertando o rosto de alguns, empurrando outros para conseguir ultrapassar a horda de mordedores. Ouvia os gritos dos seus colegas enquanto faziam o mesmo, e temendo ser deixada para trás, continuou sua trajetória, utilizando todos os seus membros para fugir. Avistou Jeoffrey fazendo a mesma coisa, porque armas de fogo não teriam utilidade naquele momento. Com tantos mordedores tão próximos a ponto de sentirem o hálito tóxico de carne podre.
– Charlottie... — ele gritara, tomando o rumo em sua direção, deixando o resto do grupo para trás. A ruiva chutou um dos infectados para longe e começou a forçar-se a sair dos agarres das mãos em estado avançado de decomposição. Sons de tiros vindos do meio da horda pasmaram Charlottie, seriam eles os últimos rostos vivos que ela veria?
Respirou fundo, sentindo as narinas arderem com o ardor terrível vindo do infectado a sua frente, que mostrava-lhe sem pudor os dentes podres,como se estivesse sorrindo. Com certeza aquilo não era um sorriso. Ela grunhiu um som parecido com o do infectado e enterrou a machadinha em sua têmpora direita, impulsionando-se rapidamente para chutá-lo e ter a arma a sua disposição novamente. Sentiu os respingos vindos de sangue enegrecido vindo diretamente para o seu rosto e gritou aterrorizada, enquanto uma sensação de adrenalina percorria suas veias, quase ardendo. O coração batia muito rápido e ela sentia a respiração falhar.
– Charlottie. – Ouviu Jeoffrey gritar novamente, próximo a uma arvore, a alguns metros, enquanto usava a espingarda como um escudo sobre os infectados a sua frente.– Venha por aqui. Assim que pisou sobre o rosto do infectado que cravara o machadinho, levou o braço com a arma para trás e voltou-a para frente, com força, sobre o rosto de outro, fazendo uma careta e gritando mais uma vez. Então viu que Guilherme e Red se aproximavam, sem Arthur. Os dois, lado a lado, mantinham-se focados em sair da horda, enquanto ela parecia ser embrulhada cada vez mais. — Ela não vai conseguir. – Gritou Red, sendo empurrado por Guilherme, que mirava com a sua Mossberg a curta distancia no meio da testa dos infectados mais próximos, e apertava o gatilho sem hesitação nenhuma. – Charlottie. A Helsen sentiu sua cintura ser agarrada por braços violentamente feridos e o grunhido soou próxima a sua orelha, o ar putrificado encher-lhe as narinas mais uma vez. Lutou para sair do abraço e o que conseguiu foi um agarre mais forte vindo do infectado. Continuou a lutar e a afastar os outros infectados, assustada.
Os olhos verdes marejados e a garganta dolorida de tanto gritar. Sons de disparos vindos a sua frente foram bem vindos e em seguida ela sentia o corpo que lhe abraçava despencar sobre o chão, enquanto outros caiam a sua frente. Apressou-se, assustada, em sair daquilo, correndo ate aonde o trio deveria estar, embora só visse Guilherme e Jeoffrey. Rodou o local com os olhos, questionando a ausência dos outros dois integrantes. Mas não ousou perguntar em voz alta quando já sabia qual era a resposta. Assim que se aproximou, Jeoffrey tomou a liderança e começou a guiá-los pela estrada, com Charlottie soluçando e Guilherme os protegendo na retaguarda.
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Horário: 14:10 A.M
Nada que pudesse ajudá-los. Brian chutou a parede da despensa diversas vezes, enquanto a testa encontrava-se franzida e os olhos, cerrados. Fazia algum bom par de horas que deixara Mari no andar térreo do estabelecimento abandonado, e podia ouvir os seus passos, pelo rangido que o teto da despensa fazia.
Respirou fundo e olhou em volta, para a despensa vazia, aonde grandes ratazanas percorriam livremente, por causa da ausência de vida humana. Não comeria um daqueles animais nem que estivesse morto de fome. Eram nauseantes, perdendo apenas para os mordedores. Ouviu novamente o rangido do andar superior e então a sombra de Mari ser posta a parede em frente à porta. Ela parecia hesitar em descer as escadas, então apenas balançou uma mão.
– Brian? Ele apenas respirou fundo, percebendo que talvez o som a tivesse assustado. Revirou os olhos e sorriu sem humor, claro que a assustara. Estar vivo em um mundo aonde mortos andavam era assustador.
– Ei... — chamou-a rapidamente.,enquanto cruzava a despensa ate o primeiro degrau e a observava curioso. – O que foi?
– Tem gente se aproximando. – Anunciou ela, franzindo a testa. – Estão vindo a pé pela estrada. E o Oldeman concordou rapidamente, sem conseguir dizer qualquer coisa. Talvez fosse o que restara do seu ex-comboio, ou do acampamento da garota de 13 anos a sua frente,ou ate mesmo membros de outro acampamento com pensamentos fixos em saquear a conveniência em que ambos estavam.
Brian franziu a testa e começou a subir as escadas apressado. Aquilo com certeza estava fora de cogitação. Por enquanto aquele lugar era dele e cuidaria para que não o roubassem. Assim que alcançou o térreo, apressou-se em alcançar suas armas, uma machadinha e um martelo.
– Se esconda. – Pediu para a adolescente, que acentiu e correu ate o balcão, encolhendo-se. Aproximou-se das portas de vidro e olhou em volta, a procura do tal grupo que Mari havia visto. E como ela havia dito, um trio de viajantes com armas que cairiam muito bem no estoque inexistente de Brian se aproximavam do local. Um mulher e dois homens.
Ambos com fardas, um do exercito americano, outro com uma farda policial. Pareciam apreensivos demais para quererem se meter em briga pelo território já marcado por Brian. Ouviu um murmúrio vindo de Mari e então ela empurrava uma pistola em sua direção.
– Não a muita munição. – Comunicou apreensiva. Concordou e voltou-se para frente. Seria imprudência de sua parte se saísse e gritasse com eles, já que os dois homens estavam armados.
Então escondeu-se por trás de uma prateleira,com os olhos fixos nas portas.
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Localização: Acampamento a 60 km de Atlanta
Horário: 14h11min A.M
Emma caminhava ao lado da cerca de proteção quando avistou o primeiro mordedor ser barrado pelo arame farpado. Olhou em volta apenas para se certificar de que não havia mais ninguém tão próximo dele e então se aproximou. Era um homem, lavrador. Com um macacão jeans encapado de terra seca, com toda certeza a terra era fixada com sangue ou água sobre o tecido.
A mandíbula era praticamente inexistente, os olhos fundos e esbranquiçados. Não demonstrava muitos riscos graças a isso, porem não era agradável aos olhos ou ouvidos ve-lo e ouvi-lo ali. Se tivesse sua arma consigo ali... Fechou os punhos furiosa, os orbes escurecidos pela tensão.
– Emma? – E Zack se aproximava também livre de armas. – Você esta bem? – e o rapaz fixou sua atenção no mordedor à frente da loira. – Cruzes, você esta feio cara...
– Estou ótima. – Emma murmurou diretamente, tentando relaxar os ombros e aliviar os punhos. — Só cansada de ficar aqui dentro.
– Todos estão Emma. – Ele confirmou. – Ainda mais com o senhor Hunderson monopolizando tudo...
– É um perigo as crianças serem liberadas para brincarem sozinhas. – Disse a mulher apreensiva. – Ele esta louco... não é uma cerca que vai nos livrar deles. E o mordedor lançou-se contra a cerca, grunhindo ferozmente.
– Só temos que ter calma. – Pediu Zack, cruzando os braços e olhando em volta. Emma concordou, sentindo-se mal em omitir a sua grande ação, que aconteceria naquela noite.
Sim, ela finalmente teria a sua arma consigo e se sentiria mais segura. Conseguiria manter Bobby e Lauryn seguros, por enquanto, e isso bastaria para ela. Mas primeiro teria de furar a segurança do armamento guardados por Hunderson e seus seguidores do comboio.
Tão ingênuos. — É... Temos que ter calma. – Murmurou pensativa.
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Localização: desconhecida
Horário: 17:12 P.M
Era só para ser mais uma visita a tão gentil e acolhedora família Smith. Era só para ser mais uma longa viagem de Kansas City ate Atlanta, de carro, com os irmãos Adam e Steven – céus, eles tinham feito de tudo para sobreviver e no final sobrara ela, a única sem motivos para as tais lutas pela vida. Helena Lewis sentiu-se deprimida ao constatar mais uma vez naquele fim de tarde que esta sozinha.
Talvez a morte estivesse naquele corvo que sobrevoava o pequeno casebre no meio da floresta, a muitos quilômetros da grande Atlanta, que ela se instalara há poucos dias. Não saia muito daquele lugar, era um ponto seguro sem cercas ou proteção. Helena sabia que apenas um infectado batendo na porta seria capaz não só de derrubá-la, mas a casa toda. Ela estaria ferrada. Então ela preferia manter-se sozinha, num silencio absoluto, a mercê dos perigos daquela era assustadora.
Quando mais nova, a cerca de 5 anos antes disso tudo, Helena era conhecida por sua coragem em arriscar-se em tudo,sua petulância era vista como uma qualidade,não defeito. Agora não se achava tão corajosa assim. Não com infectados, cujo religiosos haviam explicado que eram demônios, a solta em todo o lugar.
Havia visto o que uma simples mordida fazia. Helena não era, com toda certeza, ingênua em saber que aquilo passaria com um simples analgésico. Steve havia sido mordido duas semanas depois do surto, enquanto Helena e Adam enfiavam-se em um beco da cidade, em busca de um esconderijo. Steve não ousara se quer segui-los, temendo ser uma ameaça. Um mês e meio depois Adam tirara a própria vida com uma faca de cerra da cozinha de um apartamento, deixando Helena sozinha.
Sentada no canto do casebre, Helena respirou fundo e constatou que uma hora ou outra teria de sair para buscar comida, ou morreria de fome. Levantou os olhos azuis prateados com hesitação, percebendo que sair agora não seria exatamente a melhor decisão de sua vida. Afinal, ela ate se acostumara a passar um pouco de fome. Aquela era a nova realidade que assolava a todos os sobreviventes.
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