Wanted You More

11 Capítulo 11 - Flights


"We can leave, make it feel like home
If you ready lemme know and we'll fly to part unknown"

Capítulo 11 — Flights

Lena estava começando a ficar nervosa com todo aquele suspense. O que Edmundo precisava fazer para ajudá-la a se lembrar? O que uma fita no braço poderia fazer para ajudá-la. Lena não entendia, queria apenas se lembrar e que tudo pudesse voltar a ser como antes. Mas ela sabia que não seria bem assim. Ela sabia que não seria fácil voltar aos antigos tempos. Até porque, ela sabia que a culpada pelo sofrimento de Edmundo nos últimos fora ela. Ela conseguiria fingir que nada acontecera depois de como o vira?

– O que está tentando fazer, Eddie? — ela perguntou, sentada em sua cama e com a cabeça apoiada na parede preguiçosamente enquanto via Edmundo andando de um lado a outro.

– Me lembrar de como aconteceu. — ele disse, e logo se virou para ela com um pedido de desculpas no olhar.

Lena apenas fez um gesto de desdém com a mão, como se não se importasse. — Está conseguindo?

Edmundo primeiramente fez uma careta, e depois arregalou os olhos, como se tivesse se lembrado de algo.

– Onde você guarda os panos? — ele perguntou ao parar de andar.

– Panos? — Lena perguntou, confusa, enquanto se levantava.

– É, qualquer tipo de panos. Soltos e cortados, de preferência. — ele explicou.

Lena levou alguns segundos para conseguir se lembrar e foi até a prateleira preta e branca que havia ao lado da cama e abriu uma das gavetas, de onde quase explodiu um turbilhão de tecidos que foram cortados de seus vestidos após uma personalização.

– Esses? — ela perguntou, receosa.

– Perfeito. — Edmundo sorriu e foi até a gaveta, revirando-a até achar o que procurava. — Não é igual, mas é preto também.

– O que pretende fazer? — Lena perguntou, franzindo o cenho com zilhares de dúvidas rodeando sua cabeça.

– Isso. — ele disse, segurando delicadamente o braço da garota e virando-o, procurando visualizar o arranhão que existira ali um dia. Ele estava nervoso, pois não sabia se era uma memória tão marcante para ela como fora para ele. Edmundo esperava apenas que fosse forte o suficiente para puxar mais um flash de memória. Voltando sua atenção para o braço dela, amarrou o tecido ao redor do braço dela e depois olhou em seus olhos sem cor definida. Sorriu com a memória que lhe veio e esperava que chegasse até ela. — Lembro que pedi que tomasse mais cuidado e disse que não lhe julgaria pelos treinos escondidos.

Lena sorriu timidamente, sentindo suas bochechas queimando pela proximidade dele e sentiu seu inconsciente a levando para outra memória.

Lena encontrava-se à penteadeira preta e branca que havia ao lado da cama, tentando colocar um curativo improvisado com um pedaço de pano preto no braço machucado. Não estava tendo muito sucesso. Estava com a mesma roupa do dia anterior, pensando que isso poderia afastar o fato do machucado no braço ter aparecido tão de repente. Edmundo resolveu por limpar a garganta, avisando que estava ali e falou.

– Bom dia, Lena.

Lena deu um pulo do banquinho em que se encontrava e virou-se de lado, tentando esconder o ferimento.

– B-bom dia.

Edmundo aproximou-se dela calmamente e segurou sua mão esquerda delicadamente, como se um toque mais forte pudesse quebrar a garota que parecia ser feita de porcelana. Virou o braço dela, olhando o estado do ferimento. Não estava muito grave, mas precisava ser tampado para que o sangue não escorresse. Edmundo pegou a fita que estava na outra mão de Lena e, cuidadosamente, envolveu o arranhão com ele. Ao levantar o olhar o olhar para o rosto de Lena, mal percebeu em suas bochechas coradas e sua expressão surpresa. Estava mais concentrado em seus lindos olhos que não tinham uma cor definida.

– Deve tomar mais cuidado. – viu-se falando, sem que as palavras passassem por um filtro de consciência.

– Ahn... Obrigada. – respondeu Lena.

Neste instante, a garota percebeu que o vulto que vira mais cedo durante o treinamento, era o garoto bondoso que a ajudara a cobrir o ferimento e não a julgaria pelo que viu.

Edmundo, percebendo o olhar aliviado da garota, deduziu.

– Não vou te julgar. – falou, colocando em palavras exatamente o que a menina havia pensado.

Lena sorriu. Aquele sorriso sincero não me sai da cabeça nunca, admitiu aos irmãos mais tarde, já na Inglaterra novamente.

– Obrigada. – agradeceu Lena e Edmundo sorriu, espelhando o sorriso estampado no rosto da menina.

– Melhor descermos para o café, antes que Geminik venha nos chamar. – falou o menino e riu, sendo acompanhado pela garota. Mas Lena rapidamente tomou uma expressão preocupada, que não passou despercebido por Edmundo. – O que foi?

– Não posso ir com o braço assim. Os conselheiros permitem que eu treine a noite, contanto que eu não me fira. Se eu descer com o braço assim... – hesitou, tomando fôlego. – Não poderei mais treinar. E isso é muito importante pra mim.

Edmundo parou por um instante, analisando a afirmação de Lena.

– Bom... Se formos assim – disse ele, abraçando a cintura da menina, que corou violentamente, e escondendo o braço esquerdo dela sobre sua camisa branca –, ninguém irá perceber.

– Mas... – Lena lutava para que as palavras saíssem coerentes. A aproximação do menino a fazia sentir a respiração falha, o coração disparado, a boca seca e as bochechas queimando.

Respirou fundo, tentando se acalmar, e continuou.

– E se virem, durante a refeição?

Edmundo parou por um segundo, pensando em uma boa desculpa. Não tirou o braço da cintura da menina.

– Fale que foi ideia de Lúcia. Ela trouxe isso para falar-lhe da moda da antiga Inglaterra e você concordou que não parecia-lhe um hábito antigo.

– E se ela desmentir?

Lena já não tinha mais a voz falha. Mas seu coração continuava tão disparado quanto antes, sentindo o calor emanando do corpo de Edmundo. Sentiu-se segura naquele abraço de lado, como jamais se sentira antes.

– Ela não vai. Conheço minha irmã, ela não faria isso. Posso conversar com ela depois. E não se preocupe, ela te julgará ainda menos que eu.

Lena queria poder conseguir falar alguma coisa. Agradecer, falar que não precisava, insistir que podia se virar... Queria, acima de tudo, poder enterrar o rosto no peito de Edmundo e sufocar ali um obrigado bem baixinho, enquanto o abraçava forte.

Mas o fez. Apenas sorriu. Um sorriso sincero e espontâneo.

E saiu dali, abraçada por Edmundo, que escondia o ferimento dela para que ela pudesse continuar com seus treinamentos noturnos. O menino sentiu que seria um bom começo para passar mais tempo com ela. Ficou feliz com esse pensamento.

– Quem diria que um laço no braço serviria como boa desculpa. — debochou Lena, mas mantinha o sorriso no rosto.

Edmundo abriu um sorriso de orelha a orelha. Segurou o rosto de Lena entre suas mãos, ignorando seus olhos marejados, assim como os de Lena.

– Você está lembrando? Está lembrando mesmo?! — ele perguntou, quase engasgando na emoção mal disfarçada.

Lena assentiu, concordando. — Estou. Sim, eu estou lembrando.

– Graças a Aslam. — agradeceu o moreno, aproximando seu rosto do dela e encostando suas testas.

– Obrigada, Eddie. — Lena agradeceu, e Edmundo estremeceu ao sentir as palavras sopradas contra seus lábios. — Eu não sei o que eu seria sem você.

– E nem eu. — ele disse, finalmente encontrando seus lábios com os dela, numa mistura de doce e salgado.

E nenhum dos dois ousariam negar que era o melhor gosto que ambos já experimentaram.