Wanted You More

9 Capítulo 9 - All Of The Stars


"I can see the stars from America

I wonder, do you see them too?

So open your eyes and see

The way our horizons meet

And all of the lights will lead

Into the night with me"

Capítulo 9 — All Of The Stars

– O que, exatamente, você pretende, Lu? — perguntou Lena, assim que se viu de frente para uma das árvores do jardim, talvez a maior dali.

Ela ainda não sabia — ou não se lembrava — mas aquela fora a árvore onde ficara pendurada com Edmundo assim que chegaram em Nárnia. Lena sentia-se sendo observada. Não tão de perto, mas sentia. Queria desviar o olhar para o castelo de Cair Paravel, para suas janelas, e descobrir quem a observava, mas não queria perder sua concentração e muito menos descobrir que não era quem ela queria. Suspirando, ela virou-se para a mais nova e arqueou uma sobrancelha em questionamento.

Lúcia apenas deu ombros. — Bem, é difícil explicar exatamente, mas para que você recupere essa memória específica, preciso que faça o que eu digo.

– Tenho medo de fazer o que você diz. — resmungou a outra baixinho, mas Lúcia apenas ignorou.

– Não se esqueça, Lena, exatamente o que eu digo. — frisou.

Lena suspirou novamente. — Então o quê, exatamente, você quer que eu faça?

Lúcia abriu um sorriso cínico. — Suba na árvore. — disse simplesmente.

– Subir na árvore? — perguntou, apenas por confirmação.

– É, subir na árvore. Está vendo aquele galho mais alto? — perguntou Lúcia, apontando para onde lembrava que Edmundo ficara dependurado, achando que poderiam cair.

– Aquele? — Lena visualizou outro.

– Não, não. Aquele! — Lúcia virou o rosto de Lena para focalizar no galho certo.

Lena, apesar de já ter feito coisas piores, engoliu em seco ao ver que o galho certo estava a cerca de cem metros acima do nível do solo.

– É, eu estou vendo o aquele galho. — disse, suspirando derrotadamente. — O que quer que eu faça? — perguntou novamente.

– Quero que paire um pouco abaixo dele.

– O QUÊ?! — Lena gritou, arregalando os olhos.

Lúcia revirou os olhos, rindo. — É, agora usa aquela coisa sua com com o ar e vai até lá!

Lena revezou seu olhar entre Lúcia e o galho pelo menos umas três vezes antes de respirar e se concentrar. Sentiu seus olhos olhos modificando-se para um azul pálido e modelou o ar à sua volta. Sentiu quando o ar se tornou levemente mais rarefeito perto de seu rosto e as correntes de ar impulsionando-a para cima. Quando finalmente chegou aonde Lúcia pedira, virou-se e gritou.

– E agora?!

– Imagine que eu estou sentada no galho mais baixo, e que Edmundo está se segurando apenas com uma mão no galho mais alto e segurando você pela outra mão. — Lúcia gritou de volta.

– Sério isso? — perguntou Lena, duvidando.

Lúcia revirou os olhos. — É, sério isso.

Lena queria revirar os olhos também, mas apenas respirou fundo e se concentrou em sua imaginação. Por um instante, nada aconteceu, até que ela se sentiu sendo invadida por outra lembrança.

Lena e Edmundo não tiveram a mesma sorte.

Edmundo, ainda segurando a mão da garota, conseguira se segurar no galho mais alto da mesma árvore, a cem metros do chão. Ficou pendurado, segurando a menina, que estava com os pés suspensos.

– Se segura! – falou Edmundo.

– Majestade, solte! – falou Lena. Não sabia por que a formalidade, mas achou que seria o melhor de como tratá-lo. – Não tem como nos resgatarmos. Terá que soltar.

– Primeiro não me chame de majestade se também é uma rainha. – respondeu Edmundo. Sentira-se decepcionado quando a ouviu tratá-lo formalmente. – Não vou soltar, não posso garantir que consiga segurar em um galho mais baixo.

– Quem disse que é para segurar em um mais baixo?! – ironizou Lena, sorrindo.

Essa garota é doida?, perguntou-se Edmundo.

– Mas...

– Confia em mim, reizinho. – Lena continuava sorrindo.

Ele não pretendia soltar, mas quando viu o lindo sorriso da menina, sentiu a mão que se segurava no galho suar e soltar-se. Fechou os olhos e conseguiu abraçar a garota, esperando a queda. Que nunca chegou. Abriu os olhos e viu que pairavam no ar, no mesmo lugar.

Arregalou os olhos quando viu que Lena ainda sorria para ele, como se nada tivesse acontecido.

– Falei para confiar em mim. – falou Lena, rindo da expressão assustada do garoto que ainda a abraçava.

– V-você voa?!

Lena riu.

– Não, isso é loucura! Eu só controlo os quatro elementos e as sombras.

– Ah tah, bobeira a minha. – Edmundo revirou os olhos. – Esqueci que controlar os quatro elementos e as sombras são coisas muito normais até mesmo pra Nárnia. – riu, já mais relaxado. Lena olhou-o assustada. – O que foi?

– Não vai me chamar de bruxa e sair correndo?!

– Primeiro, não tem como eu sair correndo se estamos a cem metros de altura. – ele riu e Lena o acompanhou. – Segundo, eu sei que você não me faria. Sendo bruxa ou não.

Ele parara um segundo e percebera o que falara. Não sabia por que falou isso, apenas saiu pela boca, sem nada para impedir. Apertou os lábios fortemente, como se aquilo pudesse retirar suas ultimas palavras. Esperava que a garota não levasse as palavras a sério, como se fosse apenas uma brincadeira.

– Tem razão. E você também não me machucaria, reizinho.

Ela riu e ele a acompanhou, em um riso meio forçado. Forçado por quê?! Por que Lena falara a verdade. Conheciam-se há menos de uma hora, mas Edmundo sabia que jamais a machucaria.

– Segure-se, a descida é um pouco difícil. – disse Lena, aconchegando-se mais nos braços dele.

Ele sentiu as próprias bochechas corarem e olhou para baixo, tentando disfarçar. Pode ver enquanto abaixavam em direção ao chão e olhou novamente para Lena. Ela sorria para ele, vendo sua expressão enquanto movia o ar sob os pés dos dois.

Lena sentiu os pés bater no solo e demorou um segundo a mais para se afastar dos braços de Edmundo, o que não passou despercebido pelo garoto. No fundo, ele queria que tivesse mais um segundo abraçado à garota, que agora sorria envergonhada para o chão.

Lena acordou assim que sentiu braços a segurar fortemente. Porém não abriu os olhos, apenas armazenando a lembrança para nunca mais esquecê-la e aproveitando a sensação segura que aqueles braços proporcionavam a ela.

Lena, você está bem?– ela ouviu a voz de Lúcia perguntar-lhe, mas percebeu que não estava tão próxima.

Lena finalmente abriu os olhos e viu quem a mantinha segura nos braços. Sentiu seu coração quase parar ao encontrar os olhos negros de Edmundo olhando-a preocupado.