Wanted Dead Or Alive

13 Capítulo 12 - Devoção


Notas iniciais
Boa diversão

Ela vestia-se com um dos seus únicos vestidos que trouxera. Um longuete vermelho de seda, de uma famosa estilista parisiense. Era sem dúvida seu favorito. O salto leboutin preto e uma maquiagem leve, os cabelos naturalmente cacheados. Alicia resolvera trazer um pouco de seu passado para a comemoração de uma data que ela julgara essencial. Na noite chuvosa, a lareira ligada e a carne no forno, ela e Giovanni tomavam vinho tinto sentados no sofá velhinho da sala de estar. Alicia comprara um chalezinho muito aconchegante em Mondragone, uma vez que resolvera se estabelecer lá. A casa era bem pequena: Tinha um quarto, um suíte e um banheiro no andar de cima, e a sala de estar e cozinha no andar de baixo. Tinha um alpendre maravilhoso de madeira, que tinha vista pro mar. Era um chalé solitário, num lugar pouco habitado de Mondragone, muito sossegado, quase perto da zona rural.

Naquela noite, ela e Giovanni celebravam esse novo passo tão importante na nova vida dos dois. Giovanni também estava vestido à caráter.

- É tão bom esse gostinho de liberdade. Pela primeira vez na vida, eu posso chamar esse “moquifo” de lar. É um lar, Giovanni, algo que eu nunca tive.

- Eu sei, e fico tão feliz! Na verdade, eu também nunca tive um lugar pra chamar de meu. Meus pais eram uns idiotas, que só se preocupavam em fazer pose de magnata pra alta sociedade. Mas eram dois bêbados depressivos. Acho que merecemos um brinde. Pela nossa nova vida e nosso novo lar.

- Claro. Então um brinde a nós.

As taças tilintaram e eles acabaram de beber o vinho. Depois jantaram e Alicia foi acabar de forjar seu currículo para levar na manhã seguinte a uma livraria. Queria ganhar o dinheiro com as próprias mãos, ter algo com o que ocupar-se, e ela sempre amara livros, então tudo soou perfeito pra ela. Giovanni, enquanto isso lavava as louças do jantar. Depois os dois ficaram enrolados em cobertores no alpendre até o nascer do sol que acabaram não vendo, de tanto sono.

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Luiz estava em seu escritório revisando algumas matérias e montando o esquema da próxima edição da revista. Nem viu que já era quase hora do almoço. E ele tinha alguém importante pra encontrar. Saiu correndo e disse pra Diana que tinha um almoço de negócios.

Demorou pelo menos meia hora em um táxi pra chegar naquele fim de mundo no subúrbio de Palermo. Viu aquelas pessoas que ele considerava miseráveis e medíocres trabalharem da melhor maneira que eles conseguiam, e mesmo assim só sentiu desprezo. Parou no ponto habitual. Um restaurantezinho chinfrim cheio de gente pobre, mas que tinha uma comida razoável. Pelo menos ali ninguém os veria. Ninguém jamais poderia saber.

Ele já estava lá, vestido normalmente com um jeans velho e uma camisa gola polo. Só pra não levantar suspeitas. Trocaram um aperto de mão e Luiz se sentou.

- Como vai, meu jovem? – o jornalista perguntou.

- Melhor impossível, principalmente com aquela pedra fora do caminho.

- Ela já foi achada? Por isso você me chamou?

- Não. Mas aquele cara novo, o tal do Franco, ele descobriu uma pista maravilhosa na Suíça. Tudo leva a crer que ela foi ficar com uns parentes de parte de pai lá, que não sabem nada da existência de nossa fraternidade.

Suíça? É isso mesmo? Aquele país nórdico não trazia muitas boas lembranças à Luís. Engoliu seco e deu um sorriso enorme.

- Maravilhoso. Agora é só esperar que ele tenha competência para realizar o servicinho.

- Eu não confiaria muito nesses novatos. Eles costumam ser bola fora. Mas esse cara parece que ele foi atirador por muito tempo junto com o pai.

“Então o idiota do Stefano é que ia matar Alicia? Aquele lá não perdia tempo mesmo... Mas o mais provável era que ele morresse, e não ela. Um fardo a menos na minha vida” – pensou Luís.

- Deixe. Pelo menos não foi você o escolhido. Isso colocaria sua identidade muito à mostra.

- Eles jamais iriam me escolher... Apesar de que eu iria adorar quebrar aquele pescoço alvo e frágil... Foi por causa daquela vadia que meus pais morreram. Olho por olho, dente por dente.

- Tenha paciência, jovem. Seu trabalho foi bom durante todos esses anos. Agora temos que apenas aguardar... Sabe, comprei um uísque especial e charutos cubanos para comemorarmos o dia. Quero ser o primeiro a saber.

- E será.

O telefone do jovem tocou. Ele se levantou para atender, mas voltou rapidamente.

- Não posso esperar para o almoço, Luís. Houve imprevistos.

- Não há problemas. Também vou... Pra almoçar num restaurante mais decente.

Levantaram-se da mesa, deixando uma nota de cinco euros de gorjeta, mesmo sem terem consumido nada.

- É, Paolo, demorou, mas nós vencemos. – disse Luís quando estavam passando pela porta.

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Stefano aguardava no aeroporto. Iria à Zurique no voo das três da tarde, procurar Alicia. Zurique... Mal sabia o que iria fazer lá. Teve que inventar essa pista maluca antes que os mafiosos desconfiassem dele. Alicia... Ele não sabia mais se teria coragem de mata-la. Na verdade ele sabia que jamais conseguiria. E mesmo assim foi posto a cargo dessa missão impossível... Pensou em passar um dia, talvez até dois em Zurique. Nunca tinha ido à cidade, nem conhecido os Alpes, onde ele tanto queria ir desde pequeno. Depois ele pegaria um voo até Nápoles e tentaria aquela cidadezinha... Como era o nome mesmo? Mondragone. Só pra checar. Apesar de ter quase certeza que ela tinha plantado uma pista falsa. Os passageiros do voo 582 foram chamados. Ele, morto de sono, acomodou-se na poltrona da primeira classe, que Sr. Luís lhe pagou e dormiu, sem pensar em mais nada.