Wanted Dead Or Alive
4 Capítulo 3 - zumbi
Notas iniciais
Beijos.
Capítulo 3 – Zumbi
Uma semana se passara. Era manhã de quinta-feira, e Stefano acordou morrendo de dores no corpo. Ele, sem querer, dormira no seu escritório, na redação do Italian, sentado naquela desconfortável cadeira, debruçado em sua mesa de madeira. Olhou pro relógio e constatou que eram seis da manhã.
Ele começaria a trabalhas por volta das nove, então resolveu tomar um banho em casa e relaxar um pouco. Essa história já o estava deixando completamente louco. Uma semana, e nada de encontrar o soldado misterioso. Stefano gostava de misterios, mas esse estava sugando-o de sua própria vida. Talvez, porque ele sentisse o peso de uma grande matéria como essa na sua vida jornalística, ou talvez ainda, porque ele estava tão preso àquela realidade tão diferente da sua, que não conseguia se soltar.
Ele descobrira toda a genealogia da máfia: desde o Don, o conselheiro, e os soldados. Bom, a maioria deles. Apenas três constavam no seu relatório. Álvaro, trita e sete anos, casado e pai de três filhos. Francesco, 40 anos, casado e acima do peso. Lucca, 36 anos, solteiro, portador de uma hérnia de disco que comprometia sua coluna. Todos eles descartados. Nenhum deles poderia escalar muros, pular de janelas ou se arriscar tanto como o seu “enigma” fazia. Ele pensava que a pessoa deveria ser 1- Jovem. 2- Em forma. E nenhum dos analisados possuiam esses dois requisitos. Depois de relaxar, voltou pro escritório, disposto naquele dia mesmo, descobrir o que enigma. Custe o que custar. Mesmo que ele tenha que entrar pra máfia. Mas ele iria descobrir.
Diana andava preocupada com o amigo. Ele estava totalmente obcecado com a matéria misteriosa. Só almoçava no escritório e não saia mais à noite. Era muito vago quando ela tentava conversar com ele, e nem atendia suas ligações direito. Observou-o naquela manhã, sair com a mesma roupa do dia anterior, bocejando e com olheiras sob os olhos. Dormiu no escritório, pensou. Maldita matéria. Diana tinha que descobrir do que se tratava. Ainda hoje.
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-Ele até que está se saindo bem, de certa forma. –respondeu Alicia à seu tio na reunião semanal da Cosa Nostra. Ela estava sentada numa das poltronas de couro, jogando tétris no celular e bebericando uísque, enquanto os homens, como sempre, jogavam pôquer. Ás vezes era chato conviver só com homens. – O problema é que ele é incapaz de matar uma mosca. Não tem sangue frio.
-Ele tem que aprender. E rápido. Talvez Álvaro pudesse cuidar dele essa semana. –comentou o conselheiro Pedro.
-Ótima ideia, Él Pedrón. –disse ela, citando novamente o apelido que ele odiava. Ela se levantou em seguida, e passou o braço pelo ombro do conselheiro. Pedro era uma das poucas pessoas que Alicia amava e respeitava além do tio. Ele era como um pai pra ela. As noites que a garota passara na casa do senhor eram incontáveis. O tio não podia se expor muito, e em sua juventude, ele se envolvera em muitas atividades na máfia, sobrando então pra seu maior confidente, o já senhor, Pedro Benetti, cuidar da pequena Alícia. Era ele quem buscava-a no colégio, e juntamente com sua esposa, Anita, cantavam cantigas de ninar pra ela dormir, e cuidavam dela, sua segunda família.
- Fica me devendo essa, fio de cobre. –ele retrucou, com o apelido que ela igualmente odiava. Alicia mostrou-lhe a língua. Foi até a gaveta e tirou um charuto da caixinha. Acendeu-o e assentou-se novamente na sua poltrona de couro. Pediu pra entrar na próxima rodada do pôquer, e enquanto isso, ligou seu Ipod. Os homens reclamaram. Aquela garota era simplesmente invencível no pôquer.
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Stefano estava indo embora do seu escritório. Irritado. Irritadíssimo. Mais um dia e nada de descobrir o enigma. Já estava se tornando chato. Pensou em desistir. Aquilo estava ferindo muito seu ego. Foi juntando os papéis, alguns que ele nem tinha lido, quando passou os olhos pela manchete “Casal sofre acidente fatal em Palermo”. A foto mostrava o casal Luis e Giovanna Belucci, ou seja, da família do Don Daniel. O homem vinha da região de Milão. Era moreno e tinha olhos verdes. A mulher, irmã de Don Daniel Belucci, era ruiva, tinha algumas sardas e usava cabelos curtos. Anotou as descrições. A família Belucci era uma das mais tradicionais de Palermo, o que explica a matéria à respeito de uma morte tão comum. Stefano sentou-se e leu a matéria, que dizia que o casal deixou uma criança de sete meses. Uma garota. Que teria agora vinte e dois anos. De repente, animou-se. Esse ser muito provavelmente estaria envolvido nas atividades criminosas da Cosa Nostra. Essa pessoa muito provavelmente, como alguns envolvidos na máfia, frequentava o Cafe Palermo. Não aguentou a ansiedade daquele possível furo, e naquela mesma hora, às nove da noite de sexta, ele seguiu rumo ao café, bem a tempo de encontrar uma ruiva linda e um moreno alto vestido de terno entrarem por uma porta bem estreita e escondida no Café. Por pouco não o viram. A adrenalina pulsava desenfreadamente em seu sangue. E só de uma coisa ele tivera certeza naquela noite. Aquela garota. Ela era a ruiva do café de algum tempo atrás. A sua ruiva.
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