Wanted
13 Decisões
Notas iniciais
Capitulo 12 – Decisões
Ela sabia que estava sonhando, pois estava sob sua outra forma em uma pedra sentada admirando o horizonte, quando sabia que tinha sucumbido ao cansaço pelo uso excessivo de seus poderes. Mas pela primeira vez, se sentiu livre realmente e aquela imagem lhe deu uma paz que a muito não conhecia, não tinha mais segredos a esconder, mas sabia que tinha que conversar sobre eles com muitas pessoas.
– Olá novamente – disse a sereia que apareceu da última vez – Você usou muito poder não é mesmo?
– Sim, mas não me arrependo de ter usado, mas eu quase me tornei um mostro por conta deles – disse Kyouko enfim encarando-a. Era estranho, ela pensava, mais do que a última vez, em que sonhara com ela, não tinha reparado em como eram parecidas. Os mesmos cabelos cor de fogo, os mesmos olhos felinos e a mesma expressão de preocupação da testa – Vai me dizer quem diabos é você dessa vez?
– Acho que você já sabe quem eu sou, você pode não se lembrar, mais tenho certeza que em sua mente já está concreta a ideia de quem eu seja – disse ela lhe dando um sorriso.
– Odeio quando você fala comigo por meio de enigmas, mas sim eu sei quem é você. Você é a minha mãe. – disse ela – Você é mulher que me deu a vida.
– Isso mesmo – disse a sereia – Eu sou Saena e sou sua mãe.
– Por que você me abandonou e me entregou a uma família? – perguntou ela por fim. Sempre quis saber, depois de descobrir que fora adotada, quem eram os seu pais e por que a abandonaram? Sempre imaginava que eram pessoas muito humildes e que não podiam lhe dar uma vida descente, mas quando sua natureza se revelou, ela já sabia que pelo menos um de seus pais pertencia ao mar.
– Eu não queria ter deixado você ou seu pai, mas não tive escolha – disse Saena – Um relacionamento entre uma sereia e um mortal é estritamente proibido e se geramos filhos com o mesmo somos condenadas à morte. Você minha criança é tão especial! Eu salvei seu pai de um naufrágio, e me apaixonei perdidamente por ele. Desisti da minha missão e resolvi viver entre os humanos. Eu o encontrei. E ele sabia quem eu era e o que era, e não se importou com isso. Nos casamos e tivemos você. Eu tinha encontrado a felicidade. Mas ela foi tirada de mim no mesmo dia em que você nasceu.
– Eu entendi toda essa parte da sua história, só não consegui entender a parte em que você foi condenada a morte, por ter se envolvido com um mortal, mas como se você ainda está viva? – perguntou Kyouko.
– Uma parte de mim vive em você – disse Saena – Quando você nasceu, eu selei parte do meu poder me você, por isso sou capaz de me comunicar com você do mundo dos mortos. Sabia que chagaria o dia, em que teríamos essa conversa e você precisava ser alertada e protegida. Você tem um grande poder, que despertaria o interesse de muitos, por razões obscuras. E você foi mantida presa por essa razão. Você não só pode manipular a agua, pode manipular a mente de qualquer um com o seu canto, bastando apenas querer, pode criar memórias falsas ou até mesmo enlouquecer suas vítimas, pode criar um campo de proteção incrivelmente potente repelindo seus inimigos e o mais raro de todos você tem o dom da cura.
– Eu sabia que tinha um poder capaz de coisas monstruosas, mas não tinha ideia que podia usar a cura, agi com impulso pra salvar Ren, enquanto tentava deixar aqueles guardas nocauteados.
– Sim você agiu por impulso e acabou salvando aquele que é destinado a você – disse ela fazendo carinho em seu rosto – E salvou a si mesma de uma vida repleta de ódio.
– Mas eu não posso ficar com ele. Você mesma disse que uma sereia é condenada por se envolver com um mortal – disse Kyouko com os olhos cheios de lagrimas – Eu o amo desde que era uma criança. Amo tanto que chega a doer e a ideia de não poder estar ao lado dele dói, me mutila ao ponto de não querer continuar a viver. Mais se é para protege-lo, eu me afastarei dele.
–Você não precisa se preocupar minha criança – disse ela – Seu destino não será o mesmo que o meu. Isso eu posso lhe assegurar, pois já paguei o preço equivalente.
– Como assim?! Eu sou uma sereia e ele é mortal, isso nunca vai dar certo de qualquer jeito – disse Kyouko tentando se afastar da mãe.
– Da última vez que nos encontramos eu lhe disse que você é filha da terra e do mar, você pode escolher um apenas ou pode escolher os dois, a decisão é só sua e nem mesmo Poseidon é capaz de interferir nessa decisão. Mas você deve escolher sabiamente, escolha um e você poderá acabar morta, escolha duas e você poderá viver, desde que pague o preço certo.
– Não consigo entender nada o que você esta falando – disse Kyouko
– Mais vai entender, quando chegar a hora certa, Poseidon irá aparecer pra você e lhe oferecerá o mar e dirá que tudo nele o pertence, diga o que você é e ele lhe dará uma escolha – disse ela – O meu tempo está acabando, preciso voltar e Hades não gosta que os espíritos se afastem de seus domínios.
– Espere! Ainda tenho tanta coisa para perguntar! Tantas dúvidas que ainda eu tenho sobre o que eu sou! –disse Kyouko dando lhe um abraço apertado – Não me deixe sozinha mamãe!
– Você não sabe a alegria de ser chamada de mãe por você – disse ela lhe devolvendo o abraço – Mas eu receio que tenho que ir, mais voltarei mas cedo ou mais tarde.
– Espere você não disse qual era a sua missão ou aonde posso encontrar meu pai – disse Kyouko tentando segurar a imagem da mãe que começava a desaparecer.
– Eu afundava os navios minha criança usando minha voz, contudo certo dia seu avô, Poseidon, tinha outros planos, queria que eu enlouquecesse os tripulantes dos navios e sugasse suas almas para ele, eu me recusei no mesmo instante em que conheci seu pai – disse ela – quanto a ele, você deve abrir seus olhos minha criança, pois ele está mais próximo do que imagina.
Então ela desapareceu, deixando-a com uma sensação de vazio. Mas sentia que a encontraria novamente. Ela tinha uma mãe sereia e um pai mortal, sua mãe podia estar morta, mas seu amor por ela era tão forte que nem mesmo a morte a conseguiu distanciar da filha. E seu pai, ela disse que estava mais perto do que imaginava. Mas uma preocupação a assombrava, o que teria acontecido com a mulher que a criou como filha, e por que ela mandara a ir a Isla de Gaya, sendo que sua mãe verdadeira a aconselhou anteriormente a não ir para esse lugar e Maria continuar tendo visões sobre uma ilha tenebrosa? Ela tinha receios em tentar descobrir do que isso poderia significar, ou até mesmo aonde aquelas visões a podiam causar muitos infortúnios ou até mesmo a insanidade, por isso ela tão zelosa com a pequena companheira, ela era jovem demais e já sofreu demais nas mãos de pessoas egoístas. Tinha tanto receio pelo bem estar dela, quanto pela outra companheira.
Kanae era uma mulher admirável e forte, que apesar de tudo o que passara lutava com unhas e dentes para defender aquilo que acreditava e tinha um grande poder também, ela podia criar um escudo que ocultava a presença da pessoa tornando-a invisível aos olhos do inimigo. Reino sabia de todos os nossos dons, e conosco poderia dominar os sete continentes, mas ele não teria tal destino. Enquanto criava memórias falsas a todos que estavam no palácio, criou uma especial para Reino. Fez com que ele acreditasse que o mesmo era um ser lendário e que atentara contra a vida do príncipe em busca de um artefato que ele ganharia de presente. O que não podia deixar de sentir um pouco feliz, era o fato de ter pegado tanto ouro e joias, pensou duas vezes ao trazer a estátua da deusa vênus, que era na verdade uma estatueta, que não parecia com nada da visão que teve. Afinal de contas, ela não tinha um dom preciso como Maria, e essa estatua era um símbolo de paz, por que então levar consigo algo desse tipo? Simples, por que era de ouro e com o dinheiro de sua venda poderia enfim conhecer o mundo. Não que planejasse continuar no navio, mais ia chegar o momento em que ela teria de esticar suas pernas sozinha pelo mundo.
Quando saiu de sua prisão, desconhecia a dimensão de seus próprios poderes, mas que naquele momento de ira, sentiu-se poderosa e deixou que o extinto a guiasse. Manipular a mente por meio de seu canto não era novidade, mas criar um falsa memória sim. Pouco antes de escapar, havia conseguido roupas em Tortuga por meio de disso, mas não sabia o que se passava no momento em que pensara que o comerciante poderia dar-lhe as roupas de graça, afinal quem em sã consciência iria vender várias peças de roupa por 3 nicles? Relembrar tal incidente a fez perceber o que sua mãe havia lhe dito, era mais poderosa do que imaginava. Mas naquele momento não sabia o que esperar e com toda a certeza não sabia o que fazer, apenas tinha a certeza que iria começar a viver. Não seria uma vida completa, pois haveriam algumas limitações que envolvessem agua, mas pelo menos estaria conhecendo o mundo, como almejava anos antes.
Sua mãe disse que ela não teria o mesmo destino que ela, e que Poseidon, que era na verdade seu avô e isso ainda a deixava chocada, iria visita-la em breve oferecendo um escolha, mas também o que a deixava preocupada era o preço a ser pago. Não queria que a vida de alguém fosse sacrificada, e conhecendo as lendas de Poseidon, sacrifícios ao Kraken acalmavam a sua ira. Mas o que esperar, quando tinha receio do que estava por vir? Não sabia ao certo, mas quando finalmente acordou presenciou uma discussão acalorada entre sua amiga e um certo capitão na porta do quarto. Kanae parecia mais bonita, os cabelos longos e presos em um rabo de cavalo com alguns fios soltos, mostravam mais seu rosto de porcelana, vestindo um conjunto de saia longa preta e blusa de cigana, com um colete contrapondo o conjunto, estava longe daquela aparência recatada que ela demonstrava a alguns meses e deveria dizer que grande parte era pelos irmão estarem a salvo, mas também por causa de certo imediato. Ela podia tentar esconder, mas sabia que ela tinha sentimentos por ele, e que não podia entregar seu coração a um homem sendo que o mesmo estava ferido e ela despedaçada. Quanto a Ren, achou que nunca o tinha visto tão cansado. Seus olhos demonstravam olheiras fundas e seu aspecto não era dos melhores, parecendo que tinha se entupido de rum dias e dias. Isso a fez pensar, quanto tempo ficara desacordada?
–Eu já disse que só quero vê-la, apenas isso – disse ele tentando passar pela porta
– Você não vai vê-la, enquanto não se livrar dessa ressaca e o cheiro de rum impregnado nesse corpo – disse ela alterando o tom de voz — E você ainda me deve um pedido de desculpas, seu idiota.
– Por que devo pedir desculpas, por algo que fiz e acabou salvando sua amiga de uma insensatez? Acho que você é que me deve pelo menos um agradecimento, já que com isso lhe salvei a vida.
– Você podia ter batido com menos força seu brutamontes! – disse Kanae – Seu ogro! Só não dou uma lição em você por que Kyouko por uma razão maluca gosta de você!
– Kanae você está começando a me irritar – disse Ren – Eu só quero vê-la, será pode parar com esse sermão e me deixar passar?!
– E pra que você quer vê-la com ela? Se é pra brigar com ela como sempre não vou deixar – Kanae fazia um discurso de como ele não serviria para amiga, que era um homem sem escrúpulos e mulherengo, quando Kyouko a interrompeu.
– Eu gostaria de vê-lo e falar com ele a sós – disse ela sentada na cama – Por favor Kanae.
– Se ele te fizer chorar eu acabo como ele – disse ela – Volto mais tarde, pois ainda temos uma conversa pendente.
Kanae saiu dos aposentos deixando ela e Ren sozinhos. Ele se aproximava dela lentamente, como se medisse a cada passo o que iria falar, e ela apenas o olhava com carinho. O sonho com sua mãe havia a deixado mais tranquila, pois a possibilidade de poder amar alguém sem restrições, bem quase todas, tirava um grande peso de suas costas e a sensação era incrível.
Ele sentou-se na cama aonde ela estava, e observou cada milímetro do seu rosto antes de lhe tocar a face com o verso da palma. Kyouko cobriu sua mão na dele dando um beijo casto e acariciando logo em seguida, sem desvia seu olhar do dele.
– Então você é uma sereia – disse ele – Isso explica um bocado de coisas
– Você não tem medo ou nojo de mim? – perguntou ela, pois realmente queria saber dele se ele a via como mulher ou como sereia.
– Por que eu teria nojo ou medo? Não diga sandices! Você é incapaz de proporcionar tais sentimentos – disse ele se aproximando mais dela ao ponto de suas respirações estarem próximas o suficiente – E acho que sei um jeito de te provar isso.
Num movimento brusco ele a puxou para si e tomou posse de seus lábios de uma forma maliciosa e faminta. O toque de suas línguas, o gosto de rum impregnado em sua boca ou o modo de como ele a puxou a fazendo sentar sobre seu colo acabando por levantar o tecido da camisola até a altura dos joelhos. Sua intimidade e a dele se roçaram causando uma sensação maravilhosa, que ambas não conseguiram conter e suspiraram ao mesmo tempo de contentamento que acabou por intensificar o beijo. Não queria separar seus lábios dos dele, mais o recinto ficara incrivelmente abafado e difícil de respirar.
– Acho que isso demonstrou o quanto eu provavelmente tenho nojo ou medo de você –disse ele não conseguindo esconder o sorriso – Não me importo que você tenha uma calda, e possua uma magia assombrosa, e provavelmente adquiri uma atração por ruivas, mas só se elas tiverem olhos dourados e selvagens.
– Você é maluco! Como pode dizer tudo isso depois de tudo o que presenciou? Eu posso manipular não somente a agua, mas também a mente humana, sem falar que possuo o dom da cura e propagar um escudo. Isso não assusta nem um pouco você?
–Você ficaria mais tranquila se eu disse-se que fiquei terrivelmente assustado quando você quase matou aquele maldito, claro que ele merecia e se eu não tivesse sido atacado eu teria acabado com a possibilidade daquele miserável se proliferar.
– Nem um pouco, Aliais eu não terminei de curar você – disse ela tocando lentamente em seu ombro – Deixe-me terminar de curá-lo.
– Se você queria que eu ficasse nu na sua frente, não precisava de artifícios, apenas pedir – disse ele dando-lhe um beijo casto no nariz, quando o rosto dela adquiriu vários tons de vermelho.
Ele afastou-se um pouco e tirou a blusa e o colete que usava, ficando com o peito a mostra. Ele não era o tipo de homem que tinha muitos pelos nos peito, na verdade era quase nula a proporção de pelos. Tocou levemente o ferimento, embora estivesse tencionada a cura-lo, parte dela queria explorar aquele peito, mas ela não conseguia conter tais pensamentos. Rapidamente, a ferida semi –cicatrizada já não existia mais. Quando terminou a cura, seus dedos ganhavam vida própria e começou acariciar seus ombros, depois o tórax, fazendo com que ele que tinha as mãos em sua cintura. Voltando a encara-lo ela percebeu o quanto o olhar dele estava carregado de desejo e o quanto ele a queria. E ela realmente queria ficar com ele, e sentir seus braços em volta de si, e sua pele com a dela trocando calor. Mas não enquanto ele estivesse fedendo a rum.
– Quanto tempo você esteve bebendo e não tomado banho? – disse ela fazendo uma pequena caricia com os dedos em suas olheiras.
–Desde que você desmaiou, e isso tem cinco dias – disse ele – eu estou fedendo tanto assim?
– Não muito, mas acho que depois de um banho você deveria descansar um pouco e sei que você bebeu muito e ainda temos que conversar.
–Achei que já tínhamos conversado e que eu não me importava com o fato de você ter uma calda – disse ele fazendo com que ela se deitasse e ficasse em cima dela – eu estou muito sóbrio pra dizer isso.
– Eu sei mas quero ter certeza – disse ela – Tome um banho e depois nos conversamos.
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Ele tinha muito o que pensar. Kyouko saíra a alguns estantes deixando-o sozinho com seus pensamentos, despedindo-se dele com um beijo casto em sua testa. Ela estava certa quanto ao banho, na verdade todos estavam sem exceção, que ele precisava parar de beber. A dor em sua cabeça era alucinante. Jurou a si mesmo que não voltaria a beber daquela forma, mas a quase duas noites atrás quando descobrira enfim o segredo que sua flor tanto escondia, algo nele se transformou. Não conseguia imaginar-se sem ela, mas tinha receios sobre algumas coisas, como a insegurança que tinha no momento sobre o sentimento que tinha sobre ela. Desde que ela era só uma criança ele se sentiu atraído por ela, mesmo quando fugia e ela consequente o achava, parecia que ela retirava toda a sua angustia. Mesmo agora, quando a alguns minutos atrás não tinha receios sobre a sua escolha, as dúvidas o assolavam colocando caraminholas em sua cabeça, como: Será que isso esse sentimento é real ou uma ilusão criada por magia? Será que conseguiria vê-la como mulher? Será que ela usura seus dons para enfeitiçar lhe ao ponto de perder a razão? Tantas e tantas perguntas e incontáveis possibilidades de resposta. Talvez fosse um tolo ou até mesmo insano, mas mesmo com tantas perguntas, ela tinha razão, precisava estar com a mente sóbria para pensar. Ele pensou e repensou muito ao tomar de sua decisão, só esperava que essa fosse a correta.
Ele então permitiu-se fechar os olhos e repousar um pouco afinal precisava estar totalmente desposto para dizer o que precisava dizer.
–0-
O primeiro imediato estava bastante distraído por uma certa morena de olhos azuis. Ele podia enfrentar piratas ou até mesmo os cães da marinha, mas não conseguia chegar perto da dama. Ele estava aterrorizado, jamais em sua miserável vida esperava que bem abaixo dos seus olhos a única mulher que o deixava a mercê de sua mão, era um ser lendário, capaz de enlouquecer e sugar sua alma. Ela formosa em muitos sentidos, mas a tenacidade e a personalidade forte é a que mais destacara. Nunca havia conhecido uma dama como aquela e nunca possuiu um desejo tão intenso como este que sentia. Pensava que era por sua natureza, a única resposta que encontrava para tanto encanto, mas os demais tripulantes embora flertassem, não demonstravam tanto interesse como ele. Era capaz de admira-la o dia inteiro, velar seu sono como havia feito a duas noites atrás, e roubar-lhe um beijo casto dos lábios. Quando ela acordara, estava totalmente confusa sobre onde estava, perguntando por Kyouko, e pelos irmãos. Ele havia dito que Kyouko entrara em um sono profundo devido à exaustão e seus irmãos estavam a poucos metros dela, ambos exaustos, dormiam completamente alheios ao mundo. Lembrou como ela levantou-se rapidamente, ficando tonta por conta da pancada e ele, tremia ao acudi-la. Provavelmente ela havia percebido tal ato, que tratou de desvencilhar-se de seus braços e abraçar os irmãos em seu sono.
Ele era um covarde sem dúvidas. Ele tinha receios sobre tudo o que ocorrera e como seu amigo e capitão dizia o sempre “você é um covarde que nunca vai aprender a lidar com o medo se não encará-lo”. O medo que tinha era devido a questões sobre seus sentimentos com relação a jovem, bem como a possibilidade dela lhe matar. Ele tinha muitos medos e anseios, e sabia que de certa forma o capitão compartilhava de alguns de seus sentimentos, por isso estava tão bêbado aquela manha, ao ponto de tentar entrar no quarto onde sua dama repousava. Ele observara de seu posto de como a jovem saíra irada do quarto, resmungando e amaldiçoando o capitão de todas as maneiras, ficando com certo medo de se aproximar dela.
Algumas horas mais tarde, ele havia se recolhido aos seus aposentos, quando deparou-se com a dama de seu capitão sentada em sua cama.
– Olá, será que podemos conversar um pouco – disse ela com seu habitual sorriso.
A dama de cabelos negros e olhos de lince era realmente uma bela mulher, não só pelo fato de ser uma sereia, mas pela fibra com que lutara e demonstrara ao se expor daquela maneira para salvar os irmãos de sua amiga.
– C-claro – disse gaguejando, apesar de saber de sua personalidade tinha certos receios sobre o que ela podia fazer. O modo como ela manipulara a água era uma algo que ainda lhe custava acreditar – o que quer falar?
– Serei bastante direta com você, primeiro imediato – disse ela – Quais são suas intensões com minha amiga?
De todas as perguntas que ela poderia fazer, ela o estava questionando justamente a que não tinha uma resposta fundada ainda. Ele era observado por aqueles olhos de lince que era um misto de sentimentos, como se estivessem ao ponto de partir para cima dele dependendo de sua resposta.
– Eu...não sei o que você está falando – disse ele com certo receio. Ela respirou profundamente e soltou o ar com força como se estivesse desconte da resposta.
– Eu sei que está mentindo – disse ela – sei como se preocupa com ela e de como a observa. Por que não vai falar com ela?
– Eu...não sei o que dizer ou até mesmo iniciar uma conversa – disse ele soltando o ar com força, sentando-se no chão em frente a dama – Tenho receio do que ela vai dizer.
– Você está indo pra traz antes mesmo de tentar ir pra frente – disse ela – Você dois são muito parecidos sabia? Ambos tem medo de dar um passo com medo de o que o outro irá ou não dizer.
– Não sabia que éramos parecidos nisso – disse ele – só pensei nas...
– Diferenças? – disse interrompendo-o – O fato de saber que ela é um monstro de causa medo, nojo, repudio, indiferença?
– Não eu não tenho quaisquer sentimentos assim com relação a ela ou a julgue um monstro – disse ele – eu apenas não consigo encara-la. Ela é tão formosa, forte, o que veria de bom em um homem como eu?
– Muitas coisas, mas a principal delas é seu coração. Você é um bom homem Yashiro, você é leal a seus amigos e letal aos seus inimigos, se tiver um pouco mais de confiança em si mesmo, chegará até ela.
– Mas ela e você passaram por tanta coisa nas mãos daquele homem, tenho receios que possa afasta-la se chegar mais perto.
–Então prove a si mesmo que é capaz de traze-la pra você – disse ela tocando-lhe os cabelos – Se for você, garanto que ela não irá afasta-lo ou tripudia-lo.
Dizendo essas palavras ela deixou o primeiro imediato sozinho com seus pensamentos. Ele ouvira o que Kyouko havia lhe dito, prestando atenção a cada detalhe e absorvendo cada palavra. Sua mente repassava a conversa e ele percebeu em como a dama era parecida com o capitão. Ele sabia o que deveria fazer a seguir, podia estar com medo do que o futuro lhe reservaria, mas estava convicto de sua decisão. Em meio aos seus pensamentos, fez uma pequena prece ao amigo, para que ele também soubesse o que iria fazer.
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Kyouko observava o encontro do sol com o mar naquela tarde. O céu brilhava em seus tons alaranjados encontrando-se com a escuridão da noite. Pensava em tudo o que se passara desde que acordara mais cedo, em como agora estava livre, sua conversa com o primeiro imediato. Sabia dos sentimentos dele por sua amiga e sabia o quanto sua amiga relutava com qualquer sentimentos envolvendo-o. Mas agora com a volta dos irmãos, ela finalmente poderia se libertar das memórias dolorosas que compartilhavam e seguiriam em frente. Pensava também em sua mãe, nos sentimentos que ela tinha para consigo, que para protege-la pagou um preço a que era desconhecido, em seu pai que segundo a mesma estava mais próximo do que nunca, e ela tinha uma certa suspeita de quem seria, mas achava que esse não seria o melhor momento de explanar sua suspeita e pensava em certo louro de olhos da cor do mar. Kuon Hizuri era seu amigo de infância carismático e turrão, que prometera velejar pelos sete mares, descobrindo o mundo e Ren Tsugara era o capitão do navio Black Bird, mulherengo, bêbado, corajoso, orgulhoso e incrivelmente egoísta. Duas faces de um mesmo homem como se fosse as faces de uma moeda. Ambos fazem parte de sua história, e ela não poderia abandonar as lembranças da infância ou até mesmo repudiar o que sentia pelo mesmo agora adulta. Sabia que o que almejava talvez fosse mais complicado do que achava, mais sua decisão já estava tomada.
Estava tão absorta em seus pensamentos, que só voltara a si quando braços a envolveram em um aperto de ferro. Sabia quem era pelo cheiro de sabão de almíscar e pela barba por fazer roçando em seu pescoço. Não queria virar naquele momento, apenas queria sentir os braços dele e o conforto que eles transmitiam.
– Estou limpo o suficiente para você? – sussurrou em seu ouvido, fazendo com que sua pele se arrepia-se e ela finalmente virasse para encara-lo.
–Talvez não tanto – disse ela – Você ainda não fez a barba
– Você realmente está tentando achar motivos para me afastar de você não é mesmo? – disse ele – Mais saiba que não será tão fácil assim.
–Então já que estamos sendo honestos um com o outro, você é capaz de me ver como mulher?
– Sou capaz de muitas coisas, pirralha – disse ele – posso não somente te ver como uma mulher, mas também deseja-la de uma forma insana, admirar sua coragem e destreza, querer ao mesmo tempo ama-la e enforcá-la. Como eu havia dito antes, o fato de você ter uma calda quando entra em contato com a agua não me causa repulsa, pelo contrário, me causa certa tristeza.
– Por que causa tristeza? Então tudo o que disse antes não tinha sentido – disse ela começando a ter seus olhos banhados pelas lágrimas.
–De onde você consegue imaginar tal sandice? – disse ele limpado seus olhos com o dedo – Fico triste apenas pelo fato de ser um lugar aonde eu queria amá-la com toda a intensidade e insanidade de corpo.
As palavras dele a deixaram desconcertada, por mais que já tenha vivenciado muito sobre o ato sexual, nunca chegara faze-lo propriamente. E saber que ele a desejava como mulher, com toda aquela intensidade a fazia ficar tão constrangida o quanto possível.
– Porque você tem que ser tão grosso e safado – disse ela escondendo sua face em seu peito e ele riu em reposta afagando seus cabelos que estavam presos por uma fita.
– Eu não seria eu mesmo se não fosse assim – disse ele – mas creio que deva fazer isso de forma apropriada.
– O que quer dizer com isso? – disse ela voltando a encara-la.
Ele havia tomado aquela decisão mais cedo, mas perguntava-se a todo instante se ela aceitaria, mas na verdade era outra coisa que o atormentava, se ela o aceitaria. Ele poda lhe oferecer aquela vida nômade e perigosa, mas por ela seria capaz de tudo, inclusive de morar na cidade ou até mesmo em uma ilha deserta. Acariciou sua face com o verso da palma, que se danasse tudo, faria com que ela disse-se sim.
– Case-se comigo – disse ele olhando.
– O que? – disse ela chocada demais com a pergunta. De todas as coisas que poderia imaginar, um pedido desse calibre, não passou de maneira nenhuma por sua mente.
– Case-se comigo – repetiu – Eu talvez não seja o homem perfeito, mas por você eu posso mudar. Eu já perdi você uma vez por descuido, não vou permitir que a perca novamente por um erro. Você é a única pra mim, sempre foi.
Kyouko quando deu por si já havia agido, seus lábios já estavam nos dele. Era um beijo que revelava tudo e mais um pouco. Separou-se dele, quando notou que era observada por toda a tripulação, inclusive suas amigas e os pequenos novos tripulantes gritavam pela boa nova. E pela primeira vez em muito tempo, ela pode sorrir de verdade, pois tinha agora a pessoa que sempre amou, a pessoa destinada a ela em seus braços.
–Segurem seus colhões seus cães sarnentos ela não deu a resposta ainda! – disse ele olhando para ela, que apenas sorrira para ele
– Acho que eu já respondi a você agora – disse ela
– Sou um homem do mar e gosto de demonstrar o que sinto por gestos, mas essas palavras faço questão de ouvi-las. Quero você como preciso de ar para respirar, e eu não sou bom em me expressar, você mais do que ninguém sabe como verdadeiramente sou.
– Você é um grosseirão, estupido, idiota, preconceituoso, machista, inescrupuloso, promiscuo e orgulhoso pirata que já conheci – disse ela – Mas é o meu pirata, desde o dia que nos conhecemos. E sim, eu aceito ser sua esposa, sua companheira e sua sereia.
Ele a levantou e a girou no ar gritando como ‘ela aceitou’, ‘ela é minha’ e, ‘sou o filho da puta mais feliz do mundo’, beijando-lhe logo em seguida, tirando seu folego. Estavam ambos felizes com suas escolhas, e agora sem segredos, bem quase todos, mas ambos podiam aproveitar pois a maré não iria contra esse enlace.
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Kanae observava a amiga comemorando a boa nova e não podia estar mais feliz com isso. Afinal passaram por tanto sofrimento que não podia ficar infeliz por ela. Claro que ele era um brutamonte inconsequente e o pior tipo de homem que existia em sua humilde opinião, mas se ele faz feliz então tudo estava nos conformes. Jamais esqueceria a forma de medo como ele a olhara depois de ameaçar usando a agua para drenar toda a vida de seu corpo se ele a causa-se algum mal. Dom este que não passava de uma lenda entre as sereias, dizia por si mesma, as amigas e os irmãos, não que não houvesse algum tritão com essa capacidade, mas foi divertido ver que a ameaça surtira efeito.
Ela não poderia estar mais feliz, tinha seus irmãos de volta, irmãos estes que achava estarem mortos, mas deu graças aos deuses por eles estarem vivos. Olhava naquele momento suas faces adormecidas, enquanto uma verdadeira festa se aprontava no convés. Não que não fosse comemora-la, ao contrário, queria apenas observar aqueles pequenos adormecidos mais um pouco. Fez um último afago na cabeça de ambos, antes de rumar-se para a porta, quando fora impedida pelo chamado da irmã mais nova.
–O que houve Chiori? – disse Kanae – Teve um pesadelo?
– Não, apenas que você se divirta – disse Chiori com a face sonolenta – e dê uma chance para aquele moço bonitinho de óculos.
– Você quer dizer o primeiro imediato? – disse ela ficando encabulada pelo comentário – não diga sandices! Não me envolveria com ele nem por um milhão de anos! Você é muito pequena pra pensar isso e eu não quero me envolver com ninguém.
–Não é o que eu vejo quando observo vocês dois – disse ela – Você merece a felicidade irmã, e você precisa dele assim como ele precisa de você.
– Como pode falar algo com tanta precisão? – disse Kanae questionando seu modo de falar como se sabia o que estava por vir como certa menina que conhecia – Você andou conversando com Maria não é mesmo?
–Bem não vou mentir quanto a isso e ela não está errada em ter dito isso também – disse ela dando um pequeno bocejo – mais eu acredito que ela tenha razão. Você precisa ser feliz.
Chiori com isso voltou a dormir, deixando a irmã mais velha perplexa com suas palavras. Sabia que o primeiro imediato a observava, mais não que ele era a pessoa destinada a ela. Maria sempre ria quando lia seu futuro, agora podia entender o motivo de tantas risada. Em suas visões a pequena tratante via com o tipo de homem que mais abominava na face da terra que era um pirata, que depois de Reino, passara ser o segundo pior. Mas não estava apaixonada pelo primeiro imediato, não podia estar. Afinal o capitão poderia ter aceitado a verdadeira natureza de sua amiga, mas a sorte não iria sorrir-lhe. Depois do ocorrido ele não se aproximava dela nenhuma vez como fazia anteriormente, agora parecia distante toda vez que ficava próximo dela. Não queria que ele se afastasse, e isso a causava uma sensação de abandono, tristeza que não conseguia lidar. Deu uma ultima olhada aos seus irmãos, e abriu a porta em direção ao convés, mais fora impedida por um certo marujo de óculos.
– Podemos conversar?
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