Wanted

5 Capítulo 5 - Entre sonhos e realidade


Notas iniciais
Olá pessoas! Estou postando um capitulo recém saído do forno! Bem devo informar que vou demorar para postar por conta das provas. Mas espero que continuem me acompanhando nesse projeto!

Capitulo 4


Era escuro e podia-se ouvir o som das gotas de caídas. Parecia uma caverna bastante estreita, e não havendo visibilidade, optou por tatear a parede viscosa. Andou por entre a escuridão, tentando encontrar uma saída, mas parecia que estava se perdendo mais ainda. Então escuta uma melodia que começou a ecoar, começou a segui-la. Talvez aquela voz o levasse para a saída ou para até mesmo a morte, apenas sabia que tinha que seguir por aquele caminho e saber quem estava cantando. Uma luz começa a se propagar e de repente não mais se encontra dentro de uma caverna, e sim em uma praia. O céu detinha tons alaranjados, logo cairia a noite e tudo seria coberto por estrelas. Ele observou então que a melodia vinha de uma mulher sentada em uma pedra no meio do oceano. Não podia ver seu rosto, já que estava de costas para ele. A única coisa que podia ver era seu longo cabelo cor de fogo que brilhava de uma forma intensa com a luminosidade. Então ela encerra seu canto e vira-se para ele. Ele não consegue ver o seu rosto. Tudo a sua volta embranquece e não mais se encontra na praia e sim em sua cabine.


Ren sentia-se frustrado. Sempre sonhara com essa garota misteriosa, mas por mais que tentasse nunca encontrou ninguém que detivesse tal voz ou tal cor de cabelo. Por algum motivo engraçado do destino, os sonhos com ela tem se tornado repetitivos, mas nesses anos todos de pirataria, jamais encontrou-a. Talvez fosse apenas um sonho, mas desde menino sonhava com essa garota. Afinal quem seria ela?


Levantou-se da cama e vestiu suas calças. Havia tido uma noite cheia ontem, conseguira velas novas para o navio, comprara mantimentos, muitos barris de Rum, passara a noite com uma bela mulher e descobrira que seu fantasma estava mais vivo e belo do que nunca. Aquela visão daquela mulher ao luar foi o suficiente para todo o prazer que tivera com uma dama da noite, não descem em praticamente nada. Sentia-se frustrado por sentir-se assim. O que raios havia com ele? Havia aproveitado a noite, que o satisfaria por algum tempo e ao deparar-se com aquela fantasma, foi como se não o tivesse feito por meses! Ela despertara nele um desejo perturbador, que o fazia se contorcer. Não tivera outra alternativa, a não ser tocar-se e imaginar que aquelas eram as mãos dela.


Não podia negar a si mesmo. Sempre a desejara e a forma como ela estava agora o deixava ainda mais desejoso. Mas sabia que antes de corteja-la, teria de descobrir o que aconteceu com ela esses anos todos e sabia que ela não iria contar se não a forçasse de uma forma. Provavelmente ela contaria a Lory parte da história. A conhecia muito bem afinal de contas, sabia que ela não revelaria tudo para ele para não preocupa-lo, pois esta era sua natureza, importava-se mais com os outros que consigo mesma. Sabia que ainda a conhecia de uma forma, pois pode perceber que seu olhar ainda continuava o mesmo. Sim aquele mesmo olhar das batalhas que travavam quando crianças e do fogo que continham neles. Sim, teria que lidar com a presença dela naquele navio recheado de homens onde ela e suas companheiras serão alvos fáceis para seus homens. Tinha que fazer algo a respeito ou aquilo sairia do seu controle.


Ao chegar ao convés, deparou-se com uma cena que não esperava por ver ao começo daquela manhã. Kyouko estava lutando com um de seus homens. Havia uma platéia que mantinha-se em choque e ao mesmo tempo não conseguiam nem respirar. Ela trajava roupas masculinas para a ocasião, mas mesmo assim não conseguiram esconder sua beleza e deixa-la mais atraente. No encalço da luta, Kyouko movia-se com graciosidade e leveza e que com movimentos rápidos que impediam o adversário de contra-atacar, e estava claro quem iria ganhar a disputa. Com um movimento surpresa, ela desvencilhou do golpe e jogou o adversário ao chão. A platéia parecia ainda chocada com o fato. Avistou Lory que sorria para com a situação. Prostou-se ao seu lado, não precisava perguntar, sabia que ele estava muito feliz ao vê-la.


–Então você foi capaz de enxergar o seu erro? – disse ela a Yashiro – Você pega de forma errada a sua espada e de maneira que você força demais os movimentos e acaba por perder totalmente o equilíbrio na luta, o que torna desgastante e aberto a possibilidades de sair ferido ou até mesmo morto durante o combate.


Yashiro ficou sem graça com o comentário dela. Ele sempre se considerava um bom combatente, mas sabia que ela detinha razão, já se ferira inúmeras vezes por conta do modo em que empunhava sua espada. Mas quem sabe agora não poderia melhorar seu desempenho e lutar sem se machucar durante o duelo? Tal idéia o deixou contente.


–Obrigada, Senhorita Mogami – disse ele fazendo uma curta reverência


–Não se incomode com isso Yashiro, espero que tenha o ajudado – disse ela – Alguém mais tem interesse em me desafiar?


Kyouko olhava para todos ao seu redor, ninguém parecia querer ter sua honra manchada por perder para uma mulher. Quando se deparou com o Capitão do navio a olhando de uma forma mista de lascívia e divertimento, sentiu seu corpo inteiro tremer. Ah, aquele olhar era tão conhecido! Estava pronto pra desafia-la.


–Bem, o que acha de relembrarmos os velhos tempos? –disse Ren, pegando a espada qu estava com Yashiro.


–Não vejo por que não – disse Kyouko, já colocando em posição.


–E que tal fazermos esse jogo mais interessante? – disse ele – Se você ganhar poderá fazer o que quiser neste navio, desde escolher destinos pra saque até treinar meus homens se quiser.


–E se eu perder, coisa que não pretendo, terei que fazer qualquer coisa que você deseje certo? – disse ela, sorrindo de uma forma tentadora para ele.


–Exato – disse ele – Então estamos de acordo?


Antes que concordasse, Ren disparou contra ela, em um ataque que seria certeiro se não fosse ágil o bastante. Defendeu-se do golpe, usando as espadas como proteção. Ele era muito forte, mal lembrava o garoto magricela e desengonçado quando criança. Os braços magros tornaram-se musculosos e torneados e seu olhar tornara-se mais agressivo e transpassava uma luxuria exorbitante. Esquivou-se e contra-atacou, em movimentos rápidos utilizava ambas as espadas. Metal contra metal, embalava o som ruidoso que saia. E em suas expressões, não eram a de antes, o tom brincalhão deu lugar a frustração e raiva.


Aquele com certeza não era Kuon, ele tinha um olhar frustrado de criança mimada . Esse era Ren, o olhar ameaçador do pirata mais temido, depois que Lory perdera seu posto, sim o mesmo olhar da noite anterior que a deixara sem quaisquer pensamentos e que com um toque a deixara desarmada e desamparada. Sim, sabia que enfrentar certos fantasmas a colocaria em risco e que não poderia proteger a si mesma ou até mesmo seu coração. Se não tomasse cuidado, acabaria por se apaixonar por aquele homem.


Estava perdendo a luta e sabia que se não utilizasse aquilo iria perder. Não. Não usaria aquilo. Era desleal e com toda certeza seus cabelos mudariam de cor se o fizesse. Ele era melhor usuário da esgrima do que ela, sempre fora só não sabia disso. Desviou-se do golpe com as duas espadas, e afastou-se a uma distancia considerável. Não conseguia respirar. Seu coração batia em disparada, não conseguia respirar e seu corpo começava a entrar em choque. Não sabia o que estava fazendo, não sabia aonde estava e tudo de repente, ficara escuro e antes que se perdesse naquela imensidão, ouviu a voz dele gritar seu nome.


Estava no mar, sentia-se livre sob sua outra forma, seguiu para onde a correnteza a levava. E ao subir a superfície, deparou-se com uma mulher muito parecida com ela sentada sobre uma pedra.


– É divertido não é, sentir-se livre desse jeito – disse a mulher


–É, apesar de ao mesmo tempo não gostar muito disso – disse Kyouko sentando-se na mesma pedra.


– Você prefere a terra firme não é – perguntou ela


– É prefiro. Gosto de andar. – disse Kyouko


A mulher sorriu. Era estranho que aquele gesto desse a Kyouko, um estranho calor em seu peito.


– Você é filha da terra e do mar, minha criança, você pode escolher ambos ou escolher apenas um. Apenas faça o que seu coração mandar. E se você conhecer alguém que valha a pena não desista dele.


– Por que está me dizendo isso? E quem é você afinal? – perguntou Kyouko apreensiva.


– Não preciso dizer quem eu sou, pois você já o sabe só não consegue se lembrar. – disse ela – Tome cuidado, se for realmente a Isla de Gaya, você não vai encontrar aquilo que procura, pois este encontra-se no Egito. Se for para aquela ilha, você ira perder a si mesma.


– Por que está me dizendo tudo isso? Só pode ser um sonho! – disse Kyouko


–Só por que é sonho não significa que não seja real.


Tudo em sua volta ficou esbranquiçado, não havia mais o mar ou a estranha mulher de cabelos cor de fogo. No lugar estava em uma cabine, incrivelmente grande. Só poderia ser a do Capitão. Lembrava que só estivera lá quando criança, entes de ser deixada naquela ilha. Viu a fraca luz da janela, e percebeu que já começara o crepúsculo. Levantou-se bruscamente, e colocou a mão na cabeça. Havia sido um sonho? Então por que tinha a sensação de que conhecia aquela mulher de algum modo.


–Se sente melhor? – ouviu a voz de Ren perguntar


–O que aconteceu comigo? – perguntou ela


–Você desmaiou, enquanto lutávamos – disse ele- causou grande comoção no navio, todos os homens deste navio estão preocupados com você e suas amigas também.


–Eu sinto por tê-los preocupado e a você também – disse ela encarando-o


–Eu não estava preocupado – disse ele não tentando encara-la


–Tudo bem, você não estava, mas em todo caso eu perdi a luta. Então o que você quer?– perguntou ela, sorrindo, apesar de não gostar de perder, não gostava de prometer e não cumprir o que havia prometido.


–Você acabou de acordar de um desmaio, e quer que eu diga o que eu quero? Você é absurda garota! – disse ele – Tudo bem, você pode escolher a rota de saque do navio e até treinar meus homens, mas a partir de hoje, você vai ficar aonde meus olhos possam alcança-la. Você vai pegar as suas coisas e ficar aqui.


–Aqui? Com você, no mesmo quarto e na mesma cama? Acho que não! – disse ela


–Acho que vai sim, não me obrigue a força-la garota! – disse ele


–Eu não vou ficar aqui! Posso ter agüentado muitas coisas, mas não vou perder a minha honra com você!


–Sua honra? Não me diga que você...


–Sim e não ouse terminar o que ia dizer! Posso ter passado por humilhações no cativeiro, mais ainda isso é a única coisa que pude preservar e não vou perde-la por ficar aqui com você!


–Você esquece que está em um navio pirata, e que só o fato de adentrar nesse navio já teve a sua honra manchada. – disse ele rispidamente fazendo um movimento brusco e segurando o braço dela – Ora, não me diga que você ainda sonha em se casar?


–Eu nunca vou me casar! E isso não diz respeito a você! Acha mesmo que vou ficar sob o mesmo cômodo com um pirata arrogante e prepotente como você?!


–Não tem como querer e afinal de contas você é que começou com a história do eu perdi a luta e o que você quer.


–Mas não isso! Você não pode me obrigar!


– Ah! Eu posso garota e estou com vontade disso desde que pus os olhos em você.

Kyouko de repente viu-se sem defesas. Ren estava a segurando de forma que suas mãos estavam sob sua cabeça e ele deitado entre suas pernas. Aquela posição não era nada confortável, e lhe causavam sensações estranhas, coisas que jamais sentiu ou permitiu a sentir. Ele aproximou-se de seu rosto e num movimento, tentando desviar dele virou o rosto. E o que conseguiu foi ele ter acesso ao seu pescoço. Depositara um beijo delicado ali que a fizera tremer. Ela virou o rosto pra ele e o encarou. Aqueles olhos de predador selvagem em um misto de luxuria e outro sentimento que não pudera identificar estavam presentes e tudo o que podia perceber logo em seguida era que os lábios dele estavam capturando os seus.



Notas finais
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