Wanted

3 Capítulo 3 - Entre prisões, segredos e fugas


Não consigo parar de tentar, pois isso só acontecerá quando a morte me abater”

Capitulo 2

Muitos anos haviam se passado, e Kyoko crescera e se tornava uma bela jovem. Desde aquele dia na encenada de Port Royal, não voltou a ver nem Kuon ou Lory, foi abandona a sua própria sorte, em uma ilha pirata desconhecida, sobre os cuidados de uma senhora de caráter duvidoso. Quando havia completado 15 anos, a proteção e o nome de Lory, não podiam mais protege-la. Com essa idade, descobriu um terrível segredo seu, e acabou por ser vendida como escrava a um Duque. Ela implorava pra que não fizessem isso com ela, mas não fora o suficiente, já havia sido pago um preço da qual nem sequer podia competir. Esse duque se chama Reino, e tudo o que fosse extramente raro lhe causava fascínio e deveria pertencer-lhe.

Humilhada de todas as formas possíveis durante três anos, presa em um calabouço frio, acorrentada e chicoteada quando ia contra os desejos de seu senhor e alimentando-se como um animal, não tinha quaisquer emoções a não ser raiva. Ela era uma escrava. Estava presa a aquele monstro até o fim de sua vida. Não. Ela não ficaria por lá pela eternidade. Ela fugiria daquele lugar, ou morreria tentando.

Um consolo aos seus dias de tristeza foram as amizades de Kanae e Maria, que compartilhavam do mesmo segredo. Presas e sem aceso o mundo lá fora, não tinham o que fazer no tempo em que Reino não reclamava a presença delas. Kyouko não agüentava aquelas humilhações, e ter de mostrar a sua outra face grotesca era. Kanae, tinha 17 anos e descobriu com a mesma idade de Kyouko a verdade sobre si. Já Maria tinha apenas 10 anos, e descobriu o que era recentemente. Kanae e Maria tinham estórias parecidas, ambas foram retiradas de suas casas e seus pais mortos em sua frente. Elas não tinham pra onde voltar, só tinham a opção de seguir em frente.

Quantas vezes ela pensava o motivo para seu seqüestro e do herdeiro, e quantas vezes não chegou a pensar que se houvesse permanecido na embarcação, que talvez a sua história fosse outra. Mas não fora esse o caso. Lory era um homem justo, contudo os demais marujos estavam com medo do incidente que houvera anos atrás quando, ele acabou por perder sua esposa e filho. Não sabia dos detalhes do ocorrido, porque ninguém estava disposto a recordar tal momento e por que isso não era coisa que uma criança de 10 anos e ainda mais sendo mulher poderia saber.

Nessas horas de angustia, a fazia recordar do carinho de sua mãe e das ultimas as palavras dela naquele dia, que o Gran-Duque tinha desejos obscuros com relação a ela e que faria de tudo para ter o trono que por direito é de Kuon. Só o nome dele, dava uma ardência na garganta, sentia falta do velho amigo, mas agora muito provavelmente quando se reencontrarem, sejam apenas desconhecidos. Ela ainda podia sentir a corrente elétrica passando por seu corpo, ao lembrar em como lutavam. A saudade de empunhar duas espadas! Sentir o tinir do metal a se chocar um com o outro. Como sentia saudades daqueles tempos de ignorância, em que podia ser considerada normal, apesar de deu jeito torpe, era parte dela e nada iria mudar este fato. Ele provavelmente já esquecera, como também a promessa de velejar juntos pelo mar. Pelo que soubera ele estava bem, muito bem por sinal e que quando o recordasse o faria lembrar, que nunca se deve prometer o que não pode-se cumprir, e ele pagaria caro, o não se chamava Kyouko Mogami.

Kyouko então arquitetou um plano, elas fugiriam e nem que isso custasse suas vidas! Com tempo, aprendera a usar de sua maldição ao seu próprio benefício, e não apenas como demonstração para os ilustres convidados de Reino, onde eram obrigadas a exibir sua outra figura, garantindo ouro para seu cofre e péssimas memórias para as três. Numa noite de lua cheia, sabia que seu dom incomum ficava mais forte, então cantou uma canção que sua mãe sempre cantava para ela. Não demorou muito para guardas virei a sua cela e ficarem fascinados com tal canto.

- Abra essa porta! – disse ela e voltando a cantar

Os guardas prontamente abriram a porta sem pestanejar, e se desarmaram em fronte delas, pareciam estar possuídos, não detinham vontade própria eram apenas marionetes em suas mãos.

-Pequem as armas! – disse a Kanae e Maria. Kanae aprendera a lutar um pouco graças ao treinamento de Kyouko. Maria pegou o arco e flecha e Kanae as espadas. Partiram em direção a porta enquanto Kyoko os trancava na cela.

- Conseguimos! – disse Maria – Estamos a um passo de sermos livres.

- Ainda não acabou. Precisamos passar por outros guardas, temos que ser rápidas!

Andaram com cuidado em direção ao fosso que ia desembocar no mar. No fundo Kyouko, sabia que não iria conseguir escapar tão facilmente daquele inferno e que Reino, estaria a sua espera.

-Espera – disse Maria – Vamos para outra direção, sinto que devemos ir pra aquele corredor. – Disse apontando um corredor com pouca iluminação e parecia levar a lugar nenhum.

- Você tem certeza disso Maria? – perguntou Kanae, preocupada.

-Absoluta, algo me diz que devemos ir por essa direção, não sei explicar o por que disso – disse ela tentando entender a si mesma.

- Então vamos seguir, pra onde você está apontando Maria.- disse Kyouko.

O corredor era investado de teia de aranhas e imundo. Havia o cheiro de morte espalhado entre as paredes e tudo o que podia-se ver depois de algum tempo de caminhada era um breu infinito. Andaram mais um pouco se escorando na parede para não perder a direção.

-Maria, sente mais alguma coisa? – perguntou Kyouko

-Temos que seguir em frente e depressa...eles já sabem de nossa fuga – disse ela alarmada.

-Vamos rápido! – disse Kanae

Elas seguiram por um estreito corredor, onde uma janela demonstrava uma luz forte, era a luz da lua refletida ao mar, guiando-as para uma porta de madeira completamente podre. Ao fazer força e conseguir abrir, tal porta acaba por cair entre um desfiladeiro, onde as ondas do mar batiam violentamente na encosta.

-E isso acabou, não temos como sair daqui! – disse Kanae, perdendo totalmente as esperanças, e abraçando a si mesma.

-Maria o que sua intuição está dizendo agora – disse Kyouko tentando amenizar a situação e não perder a esperança de ter sua liberdade de volta.

- Eu não entendo...parece que...temos que pular – disse Maria – Mas isso é impossível, não tem como agente sobreviver.

-Ela está certa, não á saída é o fim para todas nós — disse Kanae.

- Não, meninas não é o fim, se a morte é nossa forma de libertação que seja bem vinda, mas acredito que não morreremos aqui, eu ainda tenho assuntos inacabados e não posso morrer aqui.

-Kyouko tem razão Kanae! – disse Maria entre lagrimas- Eu não quero continuar nesse inferno! Eu quero ser livre e aprender a lutar e saber defender aqueles que são importantes para mim! Não quero que ninguém morra mais por minha causa!

-Sim, vocês tem razão, afinal a morte não é nada quando se tem três seres que deviam ser apenas lendas de pescador.- disse Kanae

-Vamos então, em rumo a nossa liberdade — disse Kyouko, sorrindo para as amigas.

A queda fora rápida. O vento cortante do desfiladeiro se transformou em uma onda gélida. Elas desapareceram sobre a água, e quando emergiram, já não estavam com a aparência de antes. Kyouko que tinha os cabelos incrivelmente negros, e que agora, estavam completamente cor de fogo, que intensificaram o tom de ouro líquido de seus olhos. Kanae agora tinha os cabelos azulados e o olhos mais azuis que duas safiras. Maria era que mais mudara, antes tinha o cabelo castanho, agora ele era completamente dourado, e seus olhos castanhos com um brilho avermelhado.

Sorriram uma para outra. Essa era a forma em que sua natureza se apresentava e que consideravam a monstruosa. Mas essa forma as salvara, Kyouko, não sabia se devia ser grata por tal maldição, mas sabia que graças a ela pode sobreviver a uma queda que seria fatal para alguém comum. A verdade, nem sequer sabiam o por que de terem sido tão abençoadas com isso, se só trouxe sangue e desgraça as vidas delas.

Um grito de pura raiva ecoa, e elas sabem que aquele grito pertencia a Reino. Sabia que ele viria atrás delas, de qualquer jeito. E que se não fossem rápidas, eles as pegariam ali mesmo.

Kyouko submergiu, sendo seguida por Kanae e Marie. Dentro d’agua, pareciam que seus corpos haviam nascidos para aquilo, a temperatura não as incomodava e podia ir mais fundo sem ter quaisquer problemas. A beleza que aquele mar escondia era fantástica! Não havia qualquer coisa que tenha visto que se comparasse a aquilo. Corais de diferentes tons, peixes de todas as espécies curiosos a respeito da presença delas.

Submergiram mais fundo, e se depararam com a carcaça de um navio naufragado, Kyouko fez sinal que ia investigar os destroços. Kanae e Maria se entre olharam, e seguiram-na. Entraram por uma grande fenda, e começaram a explorar. Ao deparassem com a cabine principal, encontraram mais ouro que já viram em suas vidas. Elas examinavam cada peça, pareciam intactas, e surpreendente o valor que possuíam pegamos o que podiam carregar e levamos a superfície.

Já estava amanhecendo, e o azul se misturava ao laranja, a lua já sumira ao horizonte e o sol nascia. Para aquelas garotas, aquele sol significava muito mais do que a simples aurora, eram livres e tinham um novo começo pela frente. Sentadas sobre uma pedra elas olhavam para o horizonte sentindo pela primeira vez a brisa em alto mar.

-Sentem isso? – perguntou Maria não conseguindo parar de sorrir – Eu nunca me senti tão feliz assim!

-Tenho que concordar com você, acho que depois de tudo que passamos nas mãos de Reino, finalmente podemos ser livres! – disse Kanae

-Estamos Livres! – disse Kyoko, soltando um grito de alegria

-Mas e se ele nos achar? – perguntou Maria em tom preocupado

-Fugiremos dele oras, afinal ele nunca nos encontrará se estivermos de baixo d’agua – disse Kyouko.

Elas sorriram umas para outras. Reino podia fazer o que fizesse, e procuraria sem descansar para telas de volta. Mas elas sabiam, que naquela forma seria muito difícil ele as encontrar de baixo d’água, então ele procuraria por todos os lugares terrestres, para encontra-las. Ele não descansaria até conseguir recupera-las.

-Pra onde iremos agora Kyoko? – peguntou Maria

-Precisamos de roupas e tentar embarcar em um navio – disse Kyoko – nossa única opção é Tortuga.

-Mas lá é uma ilha pirata! É perigoso! E se formos como acharemos?- Perguntou Kanae

-Já estive em Tortuga e sei o caminho – disse Kyouko – E antes uma ilha de piratas do que cães da marinha, eles nos levariam de volta sem pestanejar para Reino e tenho que encontrar alguém lá.

-Quem? Algum conhecido seu? – perguntou Kanae

-Um velho amigo, que pelo que eu saiba se tornou Capitão de um navio pirata – disse Kyouko, com um leve tom de amargura. – E que está em dívida comigo.

Notas finais
Faça uma autora feliz! É rápido, fácil e de graça!
Postarei mais quando houver mais comentários!
Beijos grandes no coração!