Wannabe Cinderela
24 Justiça sendo feita
Notas iniciais
Camille estava decidida quando saiu de casa após ter pesquisado onde Rachel morava. Era muito estranho que ela fosse famosa e riquíssima, depois de tê-la conhecido como empregada na casa dos Benson; porém, ela sabia que tudo aquilo fazia parte de uma missão mágica.
Apareceu no prédio decidida e pediu para interfonarem para o apartamento da artista. Rachel estava tomando café ainda, e ficou muito surpresa, mas disse:
– Sim, deixe-a subir.
A chef entrou no apartamento e ficou admirada com o lugar: era enorme, talvez o mais luxuoso do prédio, e ela, cada vez mais, entendia o quanto devia ter sido dura a missão de perder tudo aquilo que coubera à Rachel. Ela apareceu na sala vestida com uma bata, leggin e sapatilhas (agora se vestia bem mais simples depois que voltara da sua experiência na casa dos Benson):
– O que você faz aqui? – Rachel cruzou os braços e indagou, seca e direta.
– Eu... eu... – a francesa gaguejou. – é sobre... sobre a Holly.
– Olha, se você...
– Rachel, eu quero denunciá-la pro Conselho das Fadas. – Camille a interrompeu. – Eu quero me unir a você e à sua fada para fazer a Holly pagar pelo o que fez comigo. Ela usou a minha fragilidade e desespero em favor próprio, causando mal aos outros e até a mim com esse plano de utilizar uma poção bruxa.
Rachel arregalou os olhos:
– Tem certeza disso? Porque se isso for mais um plano de vocês duas...
– Não é um plano. Eu estou arrasada, e a poção não fez o Finn ficar comigo. Ele realmente te ama.
–Ok. – Foi tudo o que Rachel disse.
[...]
– Finn, de onde você tirou esse sapato? – Puck perguntou.
– Era... nossa cara, isso é muito louco, mas era de uma garota com quem eu fiquei na noite passada... ela saiu fugindo e o sapato ficou para trás.
Eles estavam ensaiando novas canções para o primeiro álbum da DSB; Quinn, empresária deles, olhou curiosa para o calçado:
– Engraçado, parece o sapato que a Rachel usou na festa.
–Rachel Berry? Aquela gostosa? – Sam riu, cutucando Finn. – Se deu bem, hein?
– Você ficou com ela?! – Quinn inquiriu, com um sorriso.
– Não... quer dizer, eu não sei! – ele encolheu os ombros. – Estávamos de máscara, não dava para saber.
– Me dá aqui. – a empresária pegou o sapato nas mãos. – Não tenho dúvidas, foi esse mesmo. Eu lembro que eu estava com ela quando o compramos.
– Mas outras pessoas podem ter um par igual, amor. – ponderou Puck.
– Este modelo é exclusivo, o designer criou para ela.
Finn sentiu um estranho comichão tomar seu corpo por dentro:
– Você pode... Quinn, por favor, você pode me apresentar à Rachel?
[...]
Cassandra e Will adentraram a sala e encontraram Camille quase encolhida em um dos sofás:
– Então, a Holly te passou a perna. Típico daquela safada. – a fada vociferou.
– Como vocês sabiam que a Camille estava aqui? – Rachel se surpreendeu.
– Nós montamos umas espécies de escutas no seu apartamento, Rachel, desculpa. – disse Will, o duende bonitão que agora parecia estar andando com Cassandra para cima e para baixo. – Mas você está sendo protegida por nós.
–Tá, isso não é problema pra mim. – ela disse, apressada. – Agora, como vocês vão fazer para ajudar a Camille a denunciar a Holly?
– Vamos montar um tribunal aqui na sua casa mesmo.
– Hãn?! – a chef se espantou.
– Acredite, nada mais me surpreende nesta vida, vindo de você. – Rachel comentou sarcasticamente. – Agora, como vamos fazer isso?
– Eu vou convocar um conselho de fadas e nós assinaremos um pedido formal para montar um tribunal aqui na sua casa, já que vocês não são seres mágicos e não podem ir pro nosso plano, mas mesmo assim, são de extrema importância para o julgamento daquela estúpida.
– Você vai chamar a Sue?
– Sim, Rachel. E vamos trazer aquela Holly nem que seja amarrada! – Cassandra vibrou, os olhos brilhando com o fato de que, finalmente, iria fazer a colega pagar pelo o que havia feito.
Ela voltou correndo para o plano mágico e começou a fazer contatos. Precisava que pelo menos quatro fadas a apoiassem, e conseguiu ajuda de Emma Pillsbury, Shelby Corcoran e de Kitty Wilde. Faltava mais uma, e ela conseguiu convencer uma fadinha novata, Brittany S. Pearce, a assinar um pedido formal para que a chefe das fadas, Sue Sylvester, se dispusesse a julgar uma fada em um apartamento de um ser não-mágico.
– Isso pode, tipo? Não sei se o Lord Tubbington está de acordo.
– Quem é esse? – Cassandra ralhou.
– Meu gato. Ele tem poderes. – contrapôs Brittany, a jovem fada.
Com a aprovação de Lord Tubbington ou não, as fadas foram atrás de Sue com o pedido.
– Vocês têm mesmo como provar as acusações, Cassandra? – Sue levantou uma sobrancelha para ela. – Eu não vou sair do meu escritório com ar-condicionado especial para um apartamento de duas missões meramente humanas à toa.
– Sue, por favor, eu não estaria vindo aqui nem angariado a ajuda das minhas já atarefadas colegas se isso não fosse pra valer!
– Esperem lá fora, então.
Cerca de meia hora depois, Becky, a ajudante da chefe do departamento das fadas, surgiu com a decisão de Sue:
– Podem montar o tribunal. Holly já está sendo intimada pelos oficiais do direito mágico a comparecer no julgamento.
Rachel estava aflita até ver toda a comitiva de fadas que entrou porta a dentro do seu apartamento, montando magicamente tudo o que seria necessário para o julgamento de Holly. Então, uma fada com uniforme esportivo vermelho e cara de poucos amigos adentrou de forma magistral e conjurou magicamente uma capa especial:
– Você é a tal da Rachel, então. Eu sou Sue Sylvester.
–Ahn... prazer.- ela murmurou.
As fadas, todas diferentes entre sim, juntaram-se em um dos maiores sofás de Rachel e Cassandra estava exultante. Finalmente chegaria o tão aguardado momento em que ela desmascaria Holly Hollyday. Camille quase deu um pulo quando viu a sua ex-fada entrar escoltada por dois oficiais de direito mágico:
– Isso é coisa sua, não é, sua humana indolente! E sua, Cassandra, sua invejosa!
– Sorry, queridinha, mas existe um ditado que diz que aqui se faz, aqui se paga, e dessa vez, você volta dez casas e recomeça o jogo, tá?
–Ordem no tribunal! – Sue conjurou um martelo e fez todos se ajeitarem. – Vamos começar pela acusação da humana Camille Solnier. O que você tem a dizer sobre sua ex-fada?
A chef pigarreou e disse:
– Ela me usou. Aproveitou meus problemas psicológicos para atingir seus objetivos. Me fez dar ao Finn uma poção bruxa com o intuito de fazê-lo se separar de Rachel, e assim, atrapalhar a missão da Cassandra; ela nunca visou meu bem-estar! Até chegou a me maltratar!
–É mentira, Sue! Essa humana é doente, ela não teve capacidade suficiente para segurar o homem que queria e pôs a culpa em mim! – Holly esperneou.
A chefe das fadas, porém, mantinha um olhar gélido em direção à fada:
– Me fale um pouco mais sobre essa poção bruxa.
– N-não sei de poção nenhuma. – Holly tremeu.
– Ah, mas é uma mentirosa mesmo! – Cassandra gritou. – Eu e Will temos quase cem por cento de certeza de que ela usou a poção da bruxa Morine, Sue, mas ela deve ter errado em algo, por isso Finn não ficou com a Camille.
–Interessante. Poção da Morine, Holly? Tão complexa assim?
–EU NÃO FIZ POÇÃO NENHUMA!
–Fez sim! – Camille levantou de um supetão. – Fez e me obrigou, praticamente, a dá-la para Finn! Você não queria me ajudar, mas sim atravessar a missão da Cassandra, destruindo o relacionamento da Rachel com ele. E eu fui muito idiota e desesperada, achando que isso o traria de volta para mim... agora eu sei que a maior magia que existe é apenas a do amor, e nem com sua estratégia absurda ele quis algo comigo de novo ou deixou de gostar da Rachel.
Sue suspirou e olhou para Will:
– O que você faz aqui, duende? Esse seu cabelo encaracolado parece que tem mais de você aí dentro cozinhando biscoitos... enfim, você tem acompanhado essa investigação da Cassandra, não é?
–Sim, Sue.
– Os duendes são conhecidos pela verdade e por serem ótimos investigadores. O que você apurou?
– Bom, quando soubemos que Finn não parecia muito propenso a ficar com a Camille, fui ao mercado de especiarias e conversei com as bruxas, que confirmaram que a Holly foi mesmo lá atrás de alecrim encantado da Escandinávia...
– O tipo ideal para se fazer a poção da Força do Elo... – Sue sibilou.
– Sim. Mas as bruxas, como todos nós sabemos, não gostam muito das fadas, principalmente quando elas se intrometem com as suas mágicas. O resultado é que venderam alecrim falso para ela. – concluiu Will.
Holly estremeceu de ódio, ainda sendo fortemente contida pelos oficiais:
– Você é um duendezinho idiota, isso que você é! – ela vociferou. – Aposto que tá todo empenhado na investigação para ficar com a Cassandra!
Will soltou um sorrisinho irônico e puxou Cassandra com muita intimidade pela cintura:
– Ao contrário de você, nós não precisamos de nenhuma poção do amor.
– Então, você e o Will...- Rachel soltou um gritinho. – Safadinha!
As outras fadas bateram palminhas excitadas, e Cassandra sorria abraçada a Will, até Sue bater o martelo:
– Ordem no galinheiro! Holly, você tá tão ferrada... – ela estreitou os olhos. – Tão, tão ferrada!
–Mas você não pode fazer nada comigo! Nada muito grave! – Holly já tinha um tom suplicante. – Eu sou uma fada com quatro estrelas da Ordem da fada Azul, eu... eu...
– VOCÊ ATIÇOU AS BRUXAS DO MERCADO DE ESPECIARIAS! – Sue berrou. – VOCÊ OUSOU USAR A POÇÃO DA FORÇA DO ELO! VOCÊ... O PIOR DE TUDO... COLOCOU SEUS INTERESSES PESSOAIS NA FRENTE DO DE DUAS MISSÕES! DUAS!
Todos ficaram mudos de medo. Sue era conhecida por ser linha-dura, mas aquele ataque de fúria quase balançou o apartamento de Rachel. Ela nunca tinha ficado com tanta raiva antes de alguma subordinada antes.
– Eu posso... eu posso explicar... – Holly grunhiu.
– Você é invejosa, mentirosa e incompetente! Não sei como cogitei a possibilidade de te colocar no meu lugar após a aposentadoria! Você vai perder todas as suas estrelas e voltar para o centro preparatório!
As fadas murmuraram estarrecidas: voltar para o centro preparatório era a coisa mais humilhante que podia acontecer a uma fada que já tinha chegado tão longe como Holly Hollyday:
– Eu peço clemência!
–Aceita que dói menos! – Cassandra riu. – Já vai tarde!
– Quem sabe lá você reaprenda e se torne uma fada capaz de cumprir suas missões com mais responsabilidade. – disse Sue, inflexível. – Quanto a você, Camille, pedirei que a fada Emma Pillsbury a ajude. Ela é um doce, vai ser muito boa com você. E você, Rachel... céus, que energia é essa? – Sue se espantou.
– É boa, não é? – Cassandra sorriu. – Eu sei. Ele é assim... um verdadeiro príncipe. Tem sangue dos Enchanted da Irlanda, eu mesma pesquisei.
– Não é à toa que... você é uma safada, Cassie. Um príncipe. Ele é perfeito.– Sue ainda estava falando quando alguém tocou a campainha.
– Finn? – Rachel disse num suspiro.
– Isso aqui é seu? – ele balançava o delicado sapato de cristal.
Cassandra e Sue sorriram como se dividissem um segredo interno: elas sabiam como Finn era especial e perfeito para Rachel.
– A aura dele brilha tanto que eu fiquei tonta. – murmurou Becky, enlevada.
Voltando aos dois na porta:
– Podemos conversar? – ele pediu.
– Como você...
–Quinn. – ele sorriu de lado, e ela sentiu o coração afundar. – Eu sei que era você ontem. Eu simplesmente sei. E eu quero ficar com você.
Rachel olhou para trás, temendo que Finn visse toda aquela profusão de gente em sua sala, mas todos tinham sumido, até Camille, que não era um ser mágico. Confiante, Rachel puxou-o pela mão e o beijou com força e entrega, as bocas moldando-se com paixão e doçura, o sabor inigualável do amor ressurgindo entre eles:
– Eu quero ficar pra sempre com você. – ela arfou, feliz.
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