Notas iniciais
Para os meus amigos queridos do nosso grupinho

Brenda se olhou no espelho e admirou sua beleza questionável, enquanto alisava seu cabelo vermelho escuro ruim. Ela dava fortes puxões tentando tirar os nós derivados de tanta química, enquanto segurava a respiração tentando não fazer nenhum barulho. No quarto ao lado, Caio Faria roncava audivelmente, e ela não queria acordá-lo. Ela queria sair sem ser vista, já que ela não gostava do Caio quando eles não estavam transando, sob a explicação de que ele era muito grudento (apesar do fato de que ambos possuíam relacionamentos estáveis fora dessa relação). Ela pegou seu celular e viu as dezenas de notificações que recebera, e já foi logo ligando para a sua melhor amiga, Geovanna.

— Atende vagaba – ela disse para si mesma, enquanto saía do apartamento de Caio.

— Alô? – disse uma voz sonolenta. Brenda fechou a porta e começou a descer as escadas rapidamente.

— Vem aqui no Caio me buscar, agora!

— Jesus, logo de mau humor, assim cedo? E por que você está na casa do Caio? Achei que você iria estar na casa do Paulo. O que aconteceu?

— Dá pra parar de ser invasiva? Vem logo aqui que eu te conto tudo depois.

— Tudo bem, vai descendo a rua que eu te encontro na esquina, lá no ponto.

— Anda logo!

Geovanna desligou e Brenda saiu do prédio. Ela cobriu o rosto com a mão, pois o sol ofuscou sua vista. Ela olhou o movimento da rua por um instante e começou a andar pela calçada, em rumo ao ponto de uma amiga sua, que trabalhava ali perto.

— Glaaaaaaay sua diva! – ela gritou, quando chegou ao ponto. Glayson, sua amiga travesti, estava mais arrumada do que nunca.

— Brenda sua rodada! O que você está fazendo aqui? Tava dando né?

— Tava sim! Por que você está tão arrumada assim? Cliente rico hoje?

— Graças a Deus irmã! Meu primeiro rico da semana, finalmente. Não que eu esteja precisando de dinheiro, mas é sempre bom ter sobrando né?

— Quem é ele?

— Filho de vereador. Não me importo que ele seja relacionado com políticos, só me importo se ele é gostoso ou não.

— E ele é?

— Rapariga, pior que é viu. To toda louca pensando nele.

Brenda ouviu uma buzina e olhou para a rua. Um fusca rosa estava parando perto do meio-fio.

— Miga, boa sorte com o boy magia. Minha carona chegou.

— Vai lá, louca – elas se cumprimentaram e Brenda correu para o carro. Glay diva, ao ver quem estava no volante, começou a gritar – Aquela é a Geovanna? EI SUA PUTA, NEM PRA FALAR UM OI DESGRAÇA!

Geovanna respondeu com uma buzinada e levantou o dedo do meio para Glayson, que respondeu com uma gargalhada. Ge saiu com o fusca rosa para a rua, enquanto Brenda remexia em sua bolsa.

— Então vai, tenta me explicar por que você saiu com o Caio essa noite.

— Como se você fosse uma Santa para me julgar assim né?

— Eu não sou Santa, mas eu não fico por aí traindo meu namorado a cada três horas.

— Isso por que você não tem namorado. E eu não fico por aí traindo ele a cada três horas. É só uma vez por dia. Mas então, voltando ao Caio. Ele tava naquela festa que eu fui ontem, não resisti. Você sabe que eu só pego ele quando ele tá bêbado, por que ele é meio insuportável na realidade.

— Eu não acho, acho ele um cara super gente boa. E que cheiro de cigarro é esse?

— Cigarro né, sua anta. E claro que você o acha gente boa, você mal conversa com ele! Eu, sendo essa alma boa que sou, fui a única que falei com ele naquele evento que teve lá, que eu já esqueci o que era... você sabe, quando a gente se conheceu.

— Na missa? Onde ninguém deveria estar conversando?

— Ah é... por que eu estava na missa?

— Era o casamento, sua burra.

— Casamento? Mas de qualquer jeito, onde estamos indo?

— Nós estamos indo ao hospital, uma amiga nossa está finalmente dando a luz.

— Sério, quem?

— A Stephanie sua louca.

— A STE TÁ GRAVIDA?

— Você é tapada ou o quê? Menina, ela visitou a gente esses dias, você não notou o tamanho dela?

— Achei que ela só tava gorda. Mas como assim, grávida? Grávida de quem?

— Ah, não sei, talvez do marido dela?

— A STE CASOU?

— Ei sua estúpida, você foi no casamento! Foi lá que você conheceu o Caio, trouxa.

— Ah, eu tava bêbada, não ia lembrar mesmo...

— Nós estamos chegando no hospital.

— NÃO! – Brenda segurou o volante e o puxou com força, fazendo o fusquinha rosa quase bater num poste.

— VOCÊ FICOU LOUCA SUA FILHA DA PUTA? QUAL É O TEU PROBLEMA, VOCÊ SABE QUE ESSE CARRO É TUDO PRA MIM E...

— GURIA CALA A BOCA! Você sabe que eu tenho trauma de hospital, não posso ir lá.

— Trauma do que? Daquela vez que você deu pra três médicos ao mesmo tempo? – Geovanna disse, ainda extremamente furiosa.

— Disso eu só tenho deliciosos sonhos, e não trauma. Mas, não sei se você sabe, quando eu fui naquela orgia com os rapazes da faculdade, eu fiquei com alguma coisa presa dentro de mim. E foi doloroso, e muito vergonhoso. Não posso voltar lá, só vou ter más lembranças.

— Menina, como você conseguiu essa proeza?

— Ignora, esquece, e vamos pra outro lugar.

— Não, eu vou para o hospital. Se você quiser ir embora, eu te deixo no ponto de circular.

— Isso, me abandona mesmo, é bem sua cara fazer isso. Pode parar aqui mesmo que eu já desço, sua babaca.

— Tá bem, sua ingrata. Fora. FORA!

Brenda saiu do carro e bateu a porta, que quase caiu do fusca. Geovanna apertou o acelerador e foi embora, enquanto Brenda caminhava até o ponto de ônibus, com o celular na mão. Um segundo depois, um rapaz de capuz preto escrito “BALADINHA TOP” cobrindo seu rosto passou correndo por ela e pegou sua bolsa, fazendo com que ela derrubasse o celular com o susto.

— Ei, seu filho de um caralho, volta aqui demônio – disse, pegando o celular do chão e começando a seguir o rapaz. Ela o seguiu até uma esquina, e quando virou viu que estava em um beco escuro. Ela viu que o assaltante estava parado, se apoiando na parede. Quando ela correu até ele, apanhou sua bolsa, deu um chute na bunda dele, e só depois viu que ele estava vomitando.

— Não conseguiu correr um pouquinho que já passou mal, seu vagabundo?

O homem levantou o rosto para ela e tirou o capuz. Brenda o reconheceu na hora, e já ia começar a xingar em voz alta quando ele apontou para uma lixeira. Ela, curiosa que nem um mamute, olhou dentro da lixeira. A primeira coisa que ela viu foi o rosto de uma de suas amigas de infância, e ainda tonta por causa das bebidas, demorou para perceber o que aconteceu.

Quando ela olhou para o corpo de sua amiga, viu que ela estava coberta de sangue, e com diversos cortes por todo lado.

Notas finais
Criem uma conta para comentar HAHAHA valeu