MP estava olhando para a cabeça de Sandy, sem ver todos os policias que corriam ao seu redor, ou sem perceber os gritos que a mandavam recuar. Ela estava paralisada, sem acreditar no que estava acontecendo, e só voltou à realidade quando Giovanna a puxou pelo braço. Ela foi em transe até o corredor, onde Alan estava vomitando em um canto. Giovanna a colocou sentada no chão, deixando espaço para o fluxo de policias entrando e saindo do quarto. A chefe do departamento estava tão abalada quanto a outra, e nenhuma das duas conseguia dizer uma palavra. MP ouviu um policial falando com outro dentro do quarto.

— É o quarto assassinato essa semana, o terceiro só nesse hospital. O que está acontecendo nessa cidade?

MP contou mentalmente, e percebeu que o policial estava considerando Caio como morto. Ela não sabia como reagir, então vomitou também. Giovanna sentou-se no chão a sua frente, e fechou os olhos. MP conseguiu ver uma lágrima escorrendo, e ficou muito mais triste do que já estava.

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Glayson estava sentado na cozinha de Yury. Era um apartamento amplo, na cobertura de um luxuoso prédio, e ele nunca estivera em um lugar tão chique assim. Eles estavam indo até o apartamento de Caio, para ficar com MP, mas Yury quis parar em sua casa antes de irem até lá, pois ele quis trocar de roupa. Afinal, ele não havia ido embora em um longo tempo, e isso o estava incomodando.

Glayson cansou de esperar e foi até a porta do quarto de Yury, e entrou sem bater. Não havia ninguém ali dentro, e ele estranhou isso. Do outro lado do quarto havia duas portas, uma delas entreaberta. Glay espiou lá dentro e viu que era um closet, e um dos grandes; Yury também não estava ali. Só restava uma porta.

Glay abriu-a lentamente, tentando não fazer barulho. Era um banheiro largo, e as luzes estavam acesas. Inicialmente ele não viu ninguém, mas quando ele olhou para a banheira, ele viu Yury. E ele estava nu.

— Até que enfim você apareceu.

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Geovanna saiu de cima de Bruno e deitou ao seu lado, os dois arfando desesperadamente. Ela se cobriu com os lençóis da cama dele e fechou os olhos, tentando não pensar em Caio. Em algum momento entre sua alucinação e quando ela pulou por cima do balcão ela percebeu que não era Caio que estava bem a sua frente, mas ela não se importou. Ela só queria alguma coisa pra tirar sua cabeça de tudo aquilo.

— Isso foi... – Bruno começou, mas não achou palavras para descrever a situação.

— Intenso – Ge completou. Ela olhou para ele ao mesmo tempo em que ele olhou para ela, e os dois sorriram. Ela inclinou-se sobre ele para beijá-lo, e ele a deixou.

— Você se importa se eu perguntar quem é Caio? – Bruno perguntou.

— Eu não quero falar sobre isso – ela disse, virando-se para o outro lado.

— Ah, tudo bem, eu... Me desculpe.

Geovanna sabia que tinha sido grossa com ele, mas ela realmente não queria falar sobre Caio. Ela passara grande parte dessas últimas horas de sua vida pensando nele, e sabia que não deveria continuar. Bruno se levantou e foi até o banheiro, e Geovanna pegou seu celular. Havia diversas chamadas perdidas de MP. Ela ligou de volta, mas MP não atendeu.

— Sabe – começou Bruno. – Se você quiser, nós podemos voltar para o bar. Ou ir ao cinema. Você escolhe.

— Não, eu sinto muito. Eu preciso ir atrás de uma amiga... Bem, ela não é exatamente minha amiga, mas ela me ligou várias vezes e agora ela não atende.

— Quem é ela? – Bruno perguntou, e Geovanna olhou com preocupação para ele.

— É a irmã do Caio. – Bruno pareceu extremamente abalado.

— Acho que ele é bem importante para você né? – Ele perguntou, parecendo desolado. Geovanna afirmou com a cabeça. – Tudo bem então. Eu posso te levar lá, se você quiser.

— Seria incrível – ela disse, quando ele já estava saindo novamente do quarto. – Por que eu realmente gostei de você.

Ele parou na porta e olhou para ela com um sorriso fraco.

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Glayson acabou de se vestir e olhou para Yury.

— Isso foi incrível.

— Eu sei – ele respondeu, sorrindo.

— Certo, mas e agora? Aonde nós vamos?

— Para o apê do Caio, não é?

— Ok, a MP deve estar nos esperando por lá mesmo.

Os dois desceram até a garagem e entraram no carro de Yury. Eles foram discutindo coisas aleatórias até a rua do Caio, onde estavam estacionadas três viaturas da polícia. Eles já estavam esperando certo movimento, e por isso não estranharam. Yury parou atrás de uma das viaturas e os dois desceram do carro. Quando chegaram à entrada do prédio, encontraram Geovanna descendo as escadas.

— Já vai indo embora? – Glayson perguntou, quando ela os viu.

— Não, eu estou indo ao hospital – ela disse, passando por eles com pressa.

— Meio trade pra isso, não é? – Yury perguntou. – Nós estávamos indo ver a MP. Ela está lá em cima?

— Não – Geovanna gritou, atravessando a rua. – Ela está lá, no hospital – Ela se virou e olhou para eles com uma expressão sombria. – Parece que houve outro assassinato.

— Meu Deus – disse Yury, levando as mãos à cabeça.

— Vamos, precisamos ir até lá – disse Glayson.

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— Quem está falando? – Brenda perguntou, após ligar pela quinta vez para aquele mesmo número.

— Eu já disse, você não me conhece – a mulher respondeu.

— Mas eu quero saber o seu nome – Brenda disse, irritada.

— Tudo bem então. Você pode me chamar de Karol.

— Karol, tá. E como você sabe o que aconteceu com o Caio?

— Eu estava no hospital. Uma amiga minha trabalha lá. Eu vi um homem entrando no quarto do seu amigo, logo depois que a irmã dele tinha saído com aquela policial. E eu sei quem ele é, só não sei o nome dele. Se eu não me engano, ele é perigoso. Ele tem passagens na polícia por tráfico de drogas, armas e até pessoas. Por favor, tente ficar longe dele.

— Mas como eu vou ficar longe dele, se eu nem sei quem ele é?

— Eu vou tentar descobrir pra você, eu juro. Eu vou tentar me infiltrar no escritório dele. Assim que eu tiver qualquer notícia, eu te ligo.

— Vou ficar esperando.

A moça desligou e Brenda começou a olhar as mensagens no seu celular. Ela não havia checado por algumas horas, e não estava a par do que estava acontecendo. Ela viu várias mensagens sem sentido de MP, e apenas uma de Geovanna, pedindo para que ligasse para ela, então Brenda ligou.

— O que está acontecendo? – Brenda perguntou, assim que Ge atendeu.

— Você precisa vir para o hospital – ela disse, e Brenda podia ouvir gritos e muita confusão.

— Por que, o que houve?

— Brenda, está um caos aqui. Aquela detetive, Sandy, foi assassinada dentro do hospital.

— O quê?

— Sim, e agora eles estão evacuando o local. Mas MP não quer sair, e, de qualquer modo, a polícia não quer que nenhum dos envolvidos saia. E eles querem você aqui.

— Estou indo, então.