Wanderlust

1 Capítulo 1


Lexie se levantou sobressaltada quando o alarme do celular disparou pela quinta vez naquela manhã, anunciando que ela tinha apenas 20 minutos para chegar à escola, ou se atrasaria para o primeiro dia de aula.

“Ótimo começo de semestre”, ela pensou desligando o celular e se levantar com um pulo da cama de molas já bem gastas para então correr ao banheiro. O tempo que tinha só iria dar para uma ducha rápida e pegar um lanche na geladeira que pudesse comer no caminho. Rapidamente ela saiu do banheiro, vestiu uma calça jeans desbotada e a blusa do uniforme da escola que ela havia estilizado com um colete de jeans tingido por cima. Pegou um elástico para amarrar o cabelo loiro despenteado que um dia já fora sedoso, apanhou a bolsa que atravessava o seu corpo, tirou um iogurte da geladeira e saiu, com um recorde de 13 minutos.

“Nada mal” pensou enquanto procurava suas chaves de casa no fundo da bolsa.

Enquanto Lexie saía de casa correndo para alcançar a escola antes do toque da primeira aula, Charlotte estava estacionando o conversível que tinha acabado de ganhar de seu pai em seu aniversário de 17 anos durante as férias. Quando saiu do carro ela apanhou seus livros no banco traseiro, arrumou a sua saia de pregas e caminhou ao encontro de David que a esperava no alto da escadaria da escola particular caríssima que frequentavam.

Ele usava a camiseta do uniforme da escola e uma camisa desabotoada de flanela velha por cima, enquanto seu cabelo cor de bronze, minuciosamente cortado, balançava ao fraco vento que se fazia ali, deixando que uma franja despenteada caísse sobre sua testa, contrastando com os olhos castanhos que lembravam uma noite de verão. Para completar e fazer o coração de Charlotte saltar ele tinha o sorriso perfeito enquanto o olhar estava concentrado apenas nela.

– Belo motor o que você tem ali. – David disse apontando para o carro que ela tinha estacionado.

– Engraçadinho. – Respondeu dando-0 um beijo rápido. – Depois da aula levo você para dar uma volta.

– Vou poder dirigir?

– Vai depender do seu comportamento. – Ela deu um sorrisinho.

– Então irá ser um pouco difícil. – Ele respondeu puxando-a para perto para que desse um segundo beijo.

– Vamos pegar nossos horários. – Charlotte disse o afastando com as bochechas coradas em sua pele morena – Já estamos atrasados.

– Quem demorou a chegar foi você.

– E você está nos atrasando! Vamos logo... – Charlotte manhou empurrando David para dentro do corredor cheio de alunos indo de um lado para o outro, encontrando os velhos colegas, conhecendo os novatos e colocando a conversa em dia.

Chegaram à secretária ao mesmo tempo em que um casal de amigos que conheciam os quais cumprimentaram com um sorriso deixava o local.

Esses eram Emma e Jason, melhores amigos que se conheceram ainda pequenos graças à forte amizade dos pais. As duas famílias tinham o costume de se encontrar, realizar jantares e viagens para lugares exóticos como Chile, Croácia e Grécia, mas amplamente agradáveis e fontes de novas experiências e conhecimento como diziam os folhetos das agências de viagens.

– Então, você conseguiu o emprego no escritório que você comentou outro dia? – Jason perguntou para Emma.

– Ainda não me ligaram. – Ela respondeu com apreensão – Fiz a entrevista no sábado e achei a Sra. Wilson muito exigente. Talvez ela não tenha gostado de mim.

– Deixa disso, Em. É claro que ela gostou de você. Todo mundo gosta. Logo você vai receber uma resposta.

– Isso não é verdade. A Sra. Garcia me odeia.

– Mas só porque você fez ela ser chamada a coordenação quando ela lhe deu um A- no trabalho de espanhol.

– Tanto faz. Só espero que a Sra. Wilson me dê uma resposta. – Eles tinham chegado aos armários e os de ambos ficavam separados apenas pelo armário de uma garota com quem nunca tinham conversado direito. – E como está o seu emprego no restaurante da Flora?

– No emprego está tudo certo, mas estou pensando em sair de lá. Preciso ampliar meus horizontes, e não posso ficar preso no restaurante.

– O que você pretende fazer? – Emma perguntou colocando os livros que não precisaria no armário.

– Não sei ainda. Meu pai quer que eu vá trabalhar no escritório de advocacia dele, mas ainda é cedo. – Jason disse abrindo o armário para guardar os livros que não precisaria até o almoço.

– Não o deixe lhe influenciar. – Emma avisou se lembrando da personalidade controladora do Sr. Thomas.

– É, acho que vou arrumar um trabalho no jornal da cidade. Você sabe que eu sempre sonhei em ser jornalista e já tenho uma entrevista marcada para a próxima semana.

– Que maravilha! Mas é uma pena, porque Flora irá sentir sua falta e você sabe, o milk-shake que você fazia era o mais gostoso de lá.

– Ora, isso não é problema. Sempre que você quiser posso preparar um para você. – Os dois sorriram e fecharam os seus armários.

– Qual é a sua aula agora?

– Matemática Aplicada, e a sua? – Jason respondeu consultando o horário que tinha em suas mãos.

– História da Arte. – O sinal tocou e a garota que tinha o armário entre o deles chegou correndo para guardar seus livros. – É melhor a gente ir para não se atrasar.

– Nos encontramos na aula de Educação Física, certo?

– Eu desejava que não, mas estarei lá. – Emma respondeu fazendo um sinal positivo com a mão que não parecia ser tão otimista.

Os amigos se despediram e cada um foi para a sua sala de aula: Jason foi para o lado esquerdo e Emma para o lado contrário, onde ficava a sala 107. Ela entrou e a professora ainda não tinha chegado. Ocupou a primeira mesa e abriu o seu livro no primeiro capítulo que falava sobre o início da arte na Grécia Antiga e se deparou com nomes de monumentos que havia visitado nas férias, o que a deixou animada para as aulas que teria sobre aquele assunto.

A garota que tinha deixado os livros mais cedo no armário entrou na sala e se sentou ao lado de Emma, um tanto quanto abalada.

Lexie estava respirando forte. Finalmente tinha conseguido parar e chegou à sala de aula antes da professora. Aquilo merecia uma bela medalha de ouro, nisso ninguém poderia negar.

A garota sentada ao seu lado tinha o rosto coberto pelo cabelo escuro e estava concentrada na leitura do primeiro capítulo do livro.

Quando a respiração de Lexie estava se acalmando a professora baixinha e de cabelos ruivos entrou na sala.

– Bom dia, alunos! Meu nome é Melissa e, para aqueles que não sabem, eu ensino a matéria de História da Arte. – Ela se apresentou deixando os livros que tinha trazido na sua mesa. – Espero que vocês realmente gostem dessa disciplina e que se concentrem e se divirtam com a aula. – Ela levantou os olhos e deu uma olhada na classe toda. – Eu já estou muito animada.

“Hoje nós vamos nos apresentar, e quero que vocês digam por que escolheram cursar essa matéria. Sei que quase todos já se conhecem aqui, mas temos alguns novatos, pessoas de outras classes se juntaram à nós e eu realmente gostaria de conhecê-los melhor. Então, vamos fazer essa apresentação rápida e depois podemos fazer uma. – A professora apontou para Emma. – Vamos começar por você. Tudo bem?

Emma fez um gesto afirmativo com a cabeça e se virou para a turma.

– Olá pessoal! Eu sou Emma. Escolhi História da Arte porque fico comovida com a interpretação das figuras e imagens que vemos nos museus e quero aprender mais sobre isso.

– Ótimo. Muito bem, Emma. Agora é a vez da sua companheira de estudos se apresentar.

Lexie se levantou achando tudo aquilo muito estúpido, porém, não pretendia desrespeitar a professora.

– Meu nome é Lexie, e escolhi História da Arte porque gosto de fazer esculturas.

– Oh, temos uma artista aqui? – Algumas risadinhas se repercutiram no fundo da sala.

– Não diria que sou uma artista. Estou longe disso. – Lexie respondeu. – Mas acho que é a coisa que sei fazer melhor.

A professora ficou um pouco espantada e resolveu dar continuação a sua aula:

– Você aí atrás...

– Você faz mesmo esculturas? – Emma virou-se para Lexi.

– Eu tento.

– Que legal. Eu queria aprender a pintar, acho muito agradável. Não que eu ignore as esculturas... – Respondeu ao olhar de Lexie.

– Não, tudo bem. – Lexie riu. – Acho as pinturas agradáveis também.

– Sabia que as esculturas eram uma das principais expressões de arte dos gregos?

– Sim. São as minhas favoritas. O que me encanta mais são as mitologias que explicam cada uma.

Quando pararam de falar as garotas perceberam que a classe tinha ficado silenciosa e sua conversa foi interrompida. O silêncio se devia à súbita entrada de um aluno atrasado. Emma sentiu algo diferente quando viu que Michael estava em pé na entrada da porta vestindo a justa camisa do uniforme que torneava seus músculos e a jaqueta produzida especialmente para os atletas da escola e exibia o seu sorriso branco e desenhado. Era uma escultura grega quase perfeita.

Emma sentiu repulsa de si mesma. De seus instintos. De seus sentimentos. Ela não entendia o que a deixava tão agitada na presença daquele garoto, e então viu que os olhos dele brilhavam tão confiantes e se esqueceu do que tinha acabado de pensar.

Notas finais
Gostou do primeiro capítulo? Então comenta para que eu possa ficar sabendo! (:
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.