Wall To Wall
1 Beautiful Monster
Notas iniciais
Mas e a outra personagem? E ela? Bem, ela é um completo mistério.
O céu cinza tornou-se negro, deixando que a lua cheia tomasse sua devida posição. Não havia estrelas, apenas uma imensa escuridão. O garoto louro acabara de deixar uma festa, estava rumando em direção a sua casa com o carro que ganhara de presente pelos dezessete anos. Ligou o rádio em uma estação qualquer e bocejou de cansaço. Prosseguiu guiado pelos faróis potentes, que desvendavam o que a noite insistia em esconder. Suas pálpebras começaram a ficar pesadas, o sono começara a lhe dominar, mas não podia dormir. Avistou um semáforo e aproveitou o sinal vermelho para descansar a visão, porém, quando seus olhos abriram-se novamente algo estava á frente do carro. O que havia acontecido com as luzes fortes? Pareciam ter sido ofuscadas. Justin esfregou os orbes com urgência, despertando de algum tipo de alucinação, e preferindo ignorar a situação, pisando fundo no acelerador. Chegou até sua casa, estacionou o carro e enquanto descia do mesmo podia jurar que algo acabara de passar por suas costas. Acendeu as luzes, examinando todo o local... E nada. Estaria ficando louco? Será que teria tomado algo forte na festa? Só poderia ser, pensou o jovem assustado.
– Não tenha medo... – uma voz fraca e sensual lhe disse. Ele rapidamente virou-se e encarou uma bela criatura de lábios provocantemente vermelhos, grandes olhos cinza como nunca vira antes e pele aguçadamente branca. Também de cabelos negros que escorriam como cascata até sua cintura. Era o tipo de garota que Drew adoraria ter conhecido algumas horas antes.
– Quem é você? – ainda um pouco encantado com a beleza da jovem, perguntou franzindo o cenho.
Ela riu enquanto caminhava até a abertura do portão, ainda pendente.
– Me perdi enquanto voltava para casa e achei que um belo jovem como você pudesse me ajudar. – Ela acabara de deixá-lo confuso, mas do que importava? Tinha a garota perfeita bem a sua frente pedindo ajuda.
– E onde fica a sua casa, senhorita? – Justin guardou as chaves no bolso e se aproximou dela gingando. Claro que não poderia deixar de jogar seu charme.
– Não é tão longe daqui. Mas já esta de noite, — ela mirou os olhos profundos nos dele – dizem que é perigoso fazer garotinhas andarem sozinhas por ai á essa hora. – Sua voz era arrastada a lenta. Como se cada palavra dita saísse exatamente combinada.
– Bem... Se você quiser eu posso levá-la de carro. – Ele sugeriu.
– Oh não, céus... Não quero que gaste seu combustível comigo. – Balançou a cabeça negativamente devagar — Porque não vamos a pé?! – Sugeriu, deixando um pequeno sorriso rasgar-lhe os lábios.
– Você quem sabe... – fechou o portão, e deu três passos á frente da garota. – Vamos então? – sorriu-lhe graciosamente.
– Obrigada – agradeceu suave. Iniciando uma sequencia de passos que não duraria muito...
Os dois já haviam andado á duas quadras desde a casa de Drew. Estava um vento gélido e o os postes de luzes falhavam.
– Noite sinistra – Justin comentou, cruzando os braços devido ao frio.
– Eu adoro a noite. – ela contrariou – Sempre tão discreta – Contou-lhe. Só havia um poste sustentando a luz de ambos, porém o mesmo resolveu apagar. Drew já não enxergava muita coisa.
– Ei, está ai? – perguntou á garota, que maldosamente não lhe respondeu. – Tá muito escuro e não estou conseguindo ver nada. – Insistiu, abrindo bem os olhos para tentar uma mínima nitidez.
– Estou bem ao seu lado – ela ciciou e Justin sentiu um forte arrepio atravessar-lhe a espinha. – Bem aqui, Justin... – a luz voltou vagarosamente a funcionar, os traços do rosto voltavam aos poucos a aparecer. Drew sentiu um calor anormal lhe tomar, aliviou a gola da camisa. A voz da garota parecia repetir seu nome, mas os lábios dela não se moviam.
– Você está bem? – ela lhe indagou enquanto andavam devagar. Ele apertou os olhos e chacoalhou a cabeça, a voz parou.
– Estou sim, — pausa — é que eu... – ameaçou falar, mas decidiu não entrar em detalhes – deve ser efeito da bebida... Não se preocupe. – desconversou, olhando os pés – aliás, eu não me lembro de ter te falado o meu nome... – comentou, direcionando a atenção para o lado onde a garota estava. Arregalou os olhos, parando de andar. Não havia ninguém. Ele olhou pelos arredores, extremamente confuso.
– Ei! – gritou – Garota! – chamou-a, porém já não havia mais companhia. Ou talvez ela nunca tenha existido. – Devo estar ficando louco mesmo! – esfregou o rosto atordoado. A luz foi apagando aos poucos, até o negro preencher todo o campo de visão.
– Justin? – ele abriu os olhos, ofegante. Estava em garagem de sua casa, as chaves do carro esparramadas ao chão – Você pegou no sono – sua mãe lhe avisou vestida com pijamas brancos. – Vem descansar querido, sua cara está péssima. — Ele assentiu, adentrando a casa junto á sua mãe.
Rumou até seu quarto e deitou-se, tentando esquecer o “sonho”. Rolou de um lado para o outro, mas nenhuma posição lhe agradava. Até ouvir um sussurro familiar, ele dizia algo bem baixinho, parecia distante. Ele levantou-se e olhou pela janela, arregalou os olhos ao perceber que era ela. A garota dos cabelos negros, encostada a um poste, mas o que fazia sozinha no meio da noite? Será que se perdeu e voltou? Perguntou a si mesmo...
Ela lhe lançou um olhar e sem pensar duas vezes, Justin foi até ela. Saiu de casa e avistou-a a poucos metros, ela percebeu a presença dele e começou a andar em direção á escuridão.
– Ei! Espera ai – ele tentou alcançá-la, mal fechando a porta de casa. Mas isso apenas fez com que a garota se apresasse mais. Aos poucos aquilo virou uma corrida, que Justin estava decidido a ganhar, a curiosidade lhe alimentava de forma sagaz. De repente, ele deixou de ouvir os passos ardentes á sua frente, nenhum barulho, nada, pois então parou e se concentrou.
– Cadê você? – perguntou, sentindo um medo estranho embrulhar seu estômago.
– Eu estou aqui – a voz veio de trás de suas costas, ele virou-se rapidamente e a encontrou, seus lábios pareciam mais vermelhos que antes e seus olhos, antes cinzas, agora se igualavam a cor da boca. Ele deu um passo pra trás, pisando em uma poça, olhou os tênis para verificar o que era aquilo e percebeu que havia pisado em sangue. – Oh, — ela se aproximou dele e tocou seu braço – eu juro que não faço o mesmo com você. – Aquele toque lhe ardeu, a sensação era cortante, como se ao invés de pele existissem lâminas afiadas.
Despertou em um pulo, sentando-se na cama. Ainda estava ofegante e suava frio, mas havia percebido que só estava tendo um sonho, agradeceu mentalmente por isso. Passou a mão pelos cabelos e tentou acalmar-se. Encarou a janela, a mesma estava aberta e fazia as cortinhas esvoaçarem com o vento gélido, também percebeu que já era dia, as luzes do sol invadiam o quarto. Olhou para o relógio sobre a escrivaninha, o mesmo marcava nove horas da manhã, bufou irritado.
– Que droga de sonho. – Levantou-se em meio a xingamentos e foi ao banheiro fazer sua higiene matinal.
Ao fitar-se no espelho com atenção notou olheiras fundas e sentiu a cabeça latejar, percebeu também que havia algo estranho em seu braço direito, tratou de olhá-lo mais de perto, notou uma marca roxa, como se tivesse batido forte em algo, resmungou ignorando-a, imaginando que fora causada pela festa. Desceu as escadas rumando até a cozinha. Sua mãe encontrava-se de roupão sentada á mesa junto a uma caneca fumegante. Ela franziu o cenho ao vê-lo acordado tão cedo.
– Bom dia, querido. – disse com um sorriso receptivo.
– Bom dia – gemeu.
– O que faz acordado á essa hora? – indagou estranhando — Não me diga que já vai sair de novo – ela ergueu as sobrancelhas.
– Não, não é isso. — respondeu abrindo a porta da geladeira e apanhando uma caixinha de leite — Tive um sonho estranho. Só isso.
– Hm. – Assentiu. – Deve ser por isso que está de mal humor.
– Não estou – contrariou – só não fui acordado da melhor forma.
– Ok. Não esta mais aqui quem disse – A mãe assentiu começando a folhear o jornal entregue há poucas horas atrás.
Não conversaram sobre mais nada durante toda a refeição. E o silêncio rudeapenas contribuiu para que Justin ficasse lembrando-se dos sonhos da noite passada. Ele se recusava a acreditar que aqueles olhos cinza não passavam de imagens criadas pela sua mente, pois pareciam tão vivos.
Notas finais
E Rose? Onde está a garota certinha nessa história?
Talvez no próximo capítulo essas perguntas sejam respondidas.
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