Walking On The Wild Side
1 A Festa
Seus lábios beijavam todo o meu pescoço e suas mãos frias faziam questão de passear por todo o meu corpo. Todo o meu corpo.
- Josh... — disse, tentando me livrar dele. Estava na cara que aquilo ia seguir outro rumo.
- Hum? — ele murmurou, se preocupando mais em desabotoar a minha blusa do que em ouvir o que eu dizia.
- Eu não sei se nós deveríamos realmente fazer isso... — comecei — quero dizer, eu acho que não é hora de fazermos uma coisa dessas.
Na mesma hora ele parou, olhou friamente nos meus olhos e me largou contra a parede.
- Então divirta-se sozinha, vou procurar outra. — ele disse, indo emboora.
Não acredito que aquele desgraçado acabou de me deixar nesse banheiro imundo para "procurar outra''. Queria continuar ali, abraçar os meus joelhos e chorar o quanto eu pudesse, mas o odor do banheiro e a raiva me fizeram mudar de ideia e, então, saí de lá e decidi curtir a festa.
Garotas bêbadas e semi nuas beijavam garotos mais velhos que estavam jogando truco na hora que eu entrei no banheiro com Josh. Já as que estavam sóbrias, se dividiam em dois grupos: o primeiro, um bando de garotas que competiam pra ver quem conseguia mais caras — um ato realmente ridículo; e o segundo, um grupo de cinco garotas frescas que, antes do show me olhavam com puro desdém, mas que, agora, sorriam com aprovação para mim.
Vadias. Me perguntava aonde estava Lindsay.
— Olha quem está aí! Como vai, madame Layla? — disse uma garota baixinha de cabelos pretos, aos risos.
- Nossa Lindsay, onde você se meteu? — perguntei, aliviada ao vê-la.
- Lá no bar com o pessoal da banda.
E aí? Rolou alguma coisa entre você e o Josh?
- Não.
Ela riu.
- Já imaginava, você não teria coragem de fazer nada com ele num banheiro de uma festa, ainda mais logo depois do show de vocês! — ela riu mais ainda. — aliás, você não teria coragem de fazer nada com ninguém em hora nenhuma! — ela deu mais uma gargalhada e caiu pra tráz, bêbada.
Eu até a ajudaria a se levantar, mas depois dela dizer uma coisa dessas, achei melhor deixá-la ali, no meio da festa, mesmo. Como ela foi a quinta pessoa a desmaiar no salão, provavelmente quando amanhecesse o dono da casa a acordaria junto com todo mundo e ela seria obrigada a sair de lá.
É claro que uma pessoa normal se espantaria ao ver a amiga cair de bêbada na sua frente, mas foi ela quem pediu pela "vida louca" que finalmente estava levando.
Naquele dia, Lindsay ficou me falando a toda hora que parecia que os nossos sonhos estavam se realizando. Eu acabara de fazer um show para quase duzentas pessoas com o resto da banda e Lindsay conseguiu finalmente ficar com o canalha do Eric, amigo de Josh. E ali estávamos nós, numa festa de comemoração com um bando de pessoas desconhecidas e, para mim, eu continuava na merda, para dizer a verdade.
- Oi linda... — falou Josh, me abraçando.
- O que foi agora? Nenhuma garota te quiz? — falei, asperamente, sem retribuir o abraço.
- Na verdade estavam facéis de mais, até. Mas eu gosto das difíceis, você sabe. — ele falou, mordiscando minha orelha e beijando meu rosto. Eu ainda estava de braços cruzados, aguentando aquela babaquísse.
- Não, você gosta é de mulher. Não importa o que elas queiram. — falei, dando um leve empurrão nele.
Ele riu.
- Como sabe tanto de mim, hein?
- Cale a boca, Josh! E vê se sai logo da minha frente, seu idiota! — disse, e sai a passos rápidos dali, deixando-o de mãos abanando.
Como, infelismente estava dependendo de sua carona pra voltar pra casa, fiquei esperando-o na porta da casa onde estava acontecendo a festa. Tentei me concentrar em outras coisas enquanto o esperava, como no frio que estava fazendo naquela noite, na música In Bloom que estava tocando, ou nos idiotas que saíam cambaleando da festa e gritando: "vida longa ao rock n' roll!".
Estava cada vez mais difícil ficar alí. Como vez ou outra tive que dar um "chega pra lá" em alguns drogados que saíam da festa sem nenhuma garota, fui obrigada a ficar na beira da calçada, a uns dois metros de distância da casa.
A casa da festa era, na verdade, a casa de Eric, o mesmo cara do qual Lindsay gostava, o mesmo cara que ficou com quase todas as garotas da festa e o mesmo cara que era amigo de Josh.
Eric não respeitava ninguém. Era um garoto de cabelos cor palha que, vez ou outra se metia em confusão com a polícia. Não me espantava o fato dele ser o leal melhor amigo de Josh e de Patrick.
Os três não prestavam. A única diferença é que eu realmente gostava de Josh.
Joshuan tinha olhos azuis, cabelos negros e pele pálida. Assim como Eric, era grosso com todo mundo, mas nunca foi preso ou coisa do tipo. Patrick também nunca foi preso, mas vivia escondendo maconha num canto ultra secreto da biblioteca da escola.
Esse sim tinha cara de santo! Como a única pessoa que gerenciava nossa biblioteca era a Sra. Morgan, uma mulherzinha gorda que passava horas dormindo em sua mesa, as pessoas só viam que ele entrava na biblioteca e saía de lá horas e horas depois, então todos os funcionários e professores supunham que ele passava horas estudando ou coisa do tipo, já que ninguém entrava lá mesmo.
Sua aparência também o ajudava a enganar quem realmente era. Ele dividia seus cabelos ruivos e ensopados de gel para o lado, como se fosse uma criança dos anos 60. Suas roupas básicas e certinhas também faziam uma ótima camuflagem.
Por esse lado, o único motivo pelo qual Eric e Josh andam com ele — ao meu ver — é a maconha.
- Ei, delícia! — disse uma voz ao longe, interrompendo meus pensamentos.
Era um bandos de caras de, aproximadamente vinte anos que estavam num carro que acabara de parar na minha frente.
- Você não quer dar uma voltinha com a gente? — o motorista falou, dando uma piscadela.
Percebi que havia algumas mulheres no carro também. Dois homens mal encarados e duas mulheres de roupas extremamente vulgares dividiam o banco de tráz.
Alguns pensamentos me ocorreram naquela hora. As palavras de Lindsay — "aliás, você não teria coragem de fazer nada com ninguém em hora nenhuma!" — e as palavras de Josh — "Então divirta-se sozinha, vou procurar outra".
"Bip biiiiiiiiiiiiip!", ele abuzinara.
- Vai entrar no carro ou não? — ele disse, asperamente.
Até que aquele cara não era feio...
- Nem a pau! — disse, e sai a passos rápidos, tentando não ouvir os gritos de raiva das pessoas do carro.
Lindsay tinha razáo, eu náo teria coragem de fazer nada com ninguém em hora nenhuma, só não entendia porque eles me confundiram com uma prostituta.
Tinha tirado a maquiagem que usara no show e estava usando calças jeans largas, camisa xadrez e tênis. Talvez tinham pensado aquilo de mim porque eu ficara tempo de mais parada naquela calçada escura.
Assim que estava prestes a entrar na festa novamente — apenas pra não ter que sofrer assédios daquele tipo novamente, me deparei com Josh, que acabara de sair.
- Decidiu voltar justo na mesma hora em que eu queria sair? — ele riu.
- Aquela sua carona ainda está valendo, eu espero... — senti meu rosto enrubecer.
- Claro...- ele disse,rindo do meu rosto vermelho.
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