Walking On Air

1 Its like a dagger in my heart


Notas iniciais
Boa leitura.

2. Eu havia tirado nota 2 na minha prova de português, tá pra nascer pessoa mais burra que eu. O pior de tudo seria entregar para minha mãe meu boletim com notas abaixo de 5 em todas as máterias, ela não iria me pedoar desta vez.

Já estava me preparando psicologicamente para quando chegasse em casa e lhe entregasse o boletim inteiramente vermelho.

– Minha mãe vai me estrangular. — disse num tom trágico.

– Fica de boa Ro, tenho certeza que ela vai entender. — disse Scarlett mexendo em meus cabelos como de custume.

– Não, ela não vai — me afastei com raiva. — Minha mãe não é igual a sua, tá legal? Ela não vai tolerar mais minhas notas baixas.

– O que de pior poderia acontecer? — ela disse dando de ombros.


X


Então na mesa de jantar:

– Nos entregaram os boletins hoje mãe.

"Pirralho" susurrei e ele deu uma leve risada.

– É mesmo? Posso ver os boletins de vocês dois? — ela sorriu calmamente, o que me fez sentir pior ainda, ela iria pirar, parir outro irmão e eu ficaria de castigo pra sempre, sem celular, internet e sem amigos, o que seria de mim?

– Ronnie? — ela me acordou de meus pensamentos. — O boletim por favor.

– Ah o boletim... — então me levantei da mesa e fui pega-lo em minha bolsa, então quando voltei ela me olhava impaciente. — Toma — me sentei, lhe entreguei e encolhi meus ombros pronta para ouvir seus berros. Ela não gritou, achei estranho, mas mais estranho ainda foi que ela deixou o boletim em cima da mesa e saiu da sala de jantar. Fiquei ali só pensando no porque disso, ela estaria tão brava a ponto de não gritar? Impossivel.

– Quanto você tirou? — Leo correu até meu boletim mas fui mais rapida — Me deixa ver. — disse ele franzindo a testa.

– Não garoto, some daqui. — disse com raiva. — Tenho certeza que você tirou nota baixa — ele riu — A mamãe ela vai te matar. — ele disse agora rindo maleficamente.

– Você é ridiculo, cuida da sua vida. — falei e lhe dei um tapa no braço me levantando e saindo da mesa.

– Ei, quando a mamãe te matar eu posso ficar com o seu quarto?

– Idiota...E não, não pode. — disse subindo até meu quarto, mas parei no corredor quando ouvi a voz de minha mãe que parecia estar no telefone com alguém.

– Eu não sei mais o que fazer, ela tirou nota vermelha em todas as máterias DENOVO, não é possivel que...Não, eu não acho que seja uma boa ideia, ela nunca ficou por muito tempo fora, seria ruim para ela.

Do que ela estava falando? O que não seria uma boa ideia? Então fiquei encostada na porta ali no corredor do quarto onde ela estava e fiquei ouvindo o que ela dizia, afinal com certeza era sobre mim, e quando o assunto sou acho que tenho direito de ouvir.

– Eu sei que ela já tem 16 anos e precisava estar mais concentrada nos estudos agora, mas eu não posso chegar pra ela e dizer "Ronnie, você vai pra um colégio interno por 3 anos, tá bom?".

– COLÉGIO INTERNO? Que porra é essa? — entrei no quarto batendo a porta nervosa.

– RONNIE! — ela tomou um susto colocando a mão no peito e desligando o telefone. — Você tá louca? Volta para baixo que temos muito o que conversar garota.

– Eu sei que eu devia me concentar mais nas aulas, mas me mandar pra um colégio interno? Isso é ridiculo até pra você.

– Eu ainda não tomei nenhuma decisão Ronnie, seu pai acha que é a melhor opção, você vai repetir pela 2ª vez seguida e eu to começando a pensar que não tem mais opção a não ser...

– Cala a boca, você tá ouvindo oque você tá falando? Eu não vou pra cólegio interno nenhum — soletrei "não" — eu vou repetir e continuar no Lewsli, falou?

– Eu sou sua mãe e eu decido, quando você fizer 18 anos você escolhe oque quiser da sua vida, mas até lá você segue as minhas ordens. Agora vai pro seu quarto.

– Mas-

– RONNIE!

– EU TE ODEIO, PORQUE VOCÊ NÃO ME DEIXA EM PAZ? Que saco. — sai correndo até meu quarto e me tranquei lá, então comecei a chorar sem parar e me encontrei em meus pensamentos:

Colégio interno? Como se já não bastasse 5 horas numa escola, será que Deus estava tentando me castigar? Eu sempre tentei me concentrar nas máterias, sempre tentei tirar notas boas, porque não um professor particular? Afu. Estava tão cansada que me joguei em cima da cama e não tardei a pegar num sono profundo.


X

Os dias foram se passando, tão rapido quanto o vento que soprava naquela tarde. Em pleno verão o céu estava escuro, haviam poucas pessoas na rua e eram apenas 3 da tarde, estava olhando meu próprio reflexo no vidro da janela, estava perdida em mim mesma. É tão estranho quando você olha pra si mesma e pensa "Quem é essa?", as vezes falamos tão rapido que mal reconhecemos nosso própria voz, talvez não nos conhecemos de verdade, a vida nós mostra quem somos realmente.

– Já tirei o carro, vamos? — minha mãe disse entrando no quarto.

– Porque eu tenho que ir pra essa droga?

– Já conversamos sobre isso, eu já lhe dei tantas chances Ronnie. — então voltei meu rosto para a janela. — Eu sei que você está me odiando por isso, mas...

– Nunca — Talvez só um pouco. — mas você sempre cuidou de mim, sempre esteve do meu lado e eu acho que esse não é um motivo pra te odiar. — falei, ainda com meu rosto virado para a janela. Então o quarto ficou silêncioso, não ouvi nenhuma voz, apenas o som de passos sendo dados atrás de mim, então me virei e não havia ninguém além de mim alí.

Passei pelo corredor, o qual estava vazio, abri a porta do quarto do meu irmão e lá estava ele, dormindo a tarde como de custume, então deixei uma carta que havia escrito na noite anterior e deixei a sobre a mesa ao lado de sua cama.

– Tchau pirralho. — falei e ri. Sai do quarto devagar para não acordar-lo e deixei a porta entre aberta, desci as escadas até a sala de estar, onde se encontravam minhas malas todas prontas.


X

"Sai do caminho branquela", "Presta atenção por onde anda vadia", entre tantas ofenças ouvi uma voz doce e calma dizer:

– Você tá bem? — procurei pela dona daquela doce voz e então dei de cara com uma garota loira de olhos azuis sorrindo em minha direção.

– Ah — respirei fundo. — Acho que sim. — ri. Então ela deu uma risada e sorriu carinhosamente. — Sou Ronnie — disse acabando com o silêncio entre nós duas. — e você?

– Sou Emily, prazer. — ela estendeu sua mão até mim.

– Prazer. — estendi minha mão até a dela e nos cumprimentamos.

– Parece que você começou bem, mas não liga, o pessoal daqui é assim mesmo, sempre tratando todos mal. — ela disse agora meio insegura.

– Desculpa a mudança de assunto, mas você sabe onde fica o quarto 28? — perguntei.

– Sei, vem comigo — ela me puxou até um longo corredor, no caminho avistei dois banheiro: um masculino e um feminino. — É aqui. — ela apontou para a porta, acima dela havia o número "28".

– Obrigada Emily — sorri. — nos vemos por ai.

– Claro, se cuida ein. — ela deu uma risada e se afastou.

Abri a porta do quarto, era tão minusculo, havia duas camas, dois armarios e uma porta fechada. Caminhei até ela e tentei abri-lá, mas parecia trancada por dentro, então não insisti, coloquei minhas malas no chão ao lado da cama que não havia nada, e literalmente me joguei nela.

– Cuidado pra não soltar pulgas pela minha cama. — disse uma garota de cabelos longos tingidos totalmente de azul só de toalha saindo do que parecia ser um banheiro.

– O que? — disse mesmo tento ouvido oque ela havia dito.

– Você é nova né? Fica ligada garota. — ela disse arrogantemente.

– EU to "ligada". O que você quer? — perguntei confusa.

Ela deu uma risada ironica e logo ficou séria. — Já entendi, olha pra como você se veste — ela apontou para minha roupa — aqui não é nenhuma colonia de férias, tá legal? Se continuar assim vai tá frita.

– Vamos fazer o seguinte, falou? — me levantei da cama. — você fica na tua que eu fico na minha vadia.

– Meu Deus, a vaca sabe falar mais de 5 palavras. — ela fingiu supresa. — Vai se danar, você não assusta ninguém.

– Eu não quero assustar ninguém, apenas fica na tua garota. — Essa garota conseguiu me irritar de verdade, quem ela pensa que é? Hahaha. Se ela pensa que eu idiota, ela tá muito encanada.

Então sai do quarto batendo forte a porta de piraça e caminhei até uma sala cheia de livros. Era a biblioteca desse inferno, tão quieta e calma, mal se ouvia vozes e as que se ouviam não pareciam ser dalí, entrei dentre os corredores, analisando os livros que lá haviam, alguns cheios de pó, concerteza aqueles animais não habitavam muito alí.

– Eai gata. — disse uma voz masculina, olhei em volta e não avistei ninguém, então fingi que não ouvira nada, continuei caminhando atrás de algum livro que me interresasse quando derepente bati de frente com a parede, digo, com um garoto.

– Me desculpe — disse e tentei passar pelo canto mas ele não deixava. — Licença? — pedi educadamente.

– Passa, não to com suas pernas. — ele disfarçou uma risada.

– Ainda bem, porque eu não ia querer sentir isso. — então lhe dei um chute com toda minha força em sua perna direita.

– SUA VADIA. — Ele gritou de dor passando suas mãos sobre sua perna.

– Não me chama de vadia. — disse pronta para lhe dar outro chute, mas ele foi mais rapido, me dando um forte soco no rosto.

– SEU DESGRAÇADO. — gritei de dor.

– Oque está acontecendo aqui? — derepente uma mulher morena aparetando ter uns 25 anos apareceu dentre o corredor.

– Ele me deu um soco! — disse com uma das mãos em meu rosto.

– Ele quem? — ela perguntou, então me virei para trás e ele havia sumido. CRETINO.

– Eu...Ele...Foi um garoto, ele tava aqui agora e me deu um soco no rosto. — disse quase gaguejando a frase inteira.

– Calada, isso é uma biblioteca, mantenha o nivel. — ela disse brava, indo embora.

Vagabundo, o que era aqui? Um hospicio? Como minha mãe quer que eu me concentre mais nas aulas aqui?

– AI — gemi de dor. Meu rosto devia estar roxo essa hora, caminhei até meu dormitorio, a garoto de cabelos azuis não estava mais lá, graças a Deus, não aguentaria mais uma. Deitei em minha cama e dormi.

Notas finais
Ficou uma merda mas tá ai.