Walking After You
10 Capítulo 9: Waste
Notas iniciais
Foi MUITO difícil escrever esse capítulo. Eu não sabia se deveria escrever um filler ou algo importante, e terminou saindo um meio-termo. Não ficou tão grande quanto os outros justamente porque eu tava na dúvida sobre o que fazer, então não sei se vai compensar pela demora x___x Também não sei se saiu como eu queria, mas também não acho que poderia ter feito nada muito melhor. Confuso, né UEHUHE -q Embora isso, é um capítulo importante.
Eu revisei rápido de novo, tava ansiosa pra postar porque enrolei. Espero que não tenham erros muito "feios". Ah, e escutem a música do Izaya, é uma das minhas favoritas - ou não q.
Vou ficar por aqui (leia-se: depois desabafo nas notas finais)
Boa leitura ♥
Três dias se passaram.
Não foram muito desfrutados por nenhum dos dois, porém. Estavam muito preocupados com o que aconteceria em seguida para baixarem suas guardas. Os diálogos entre eles eram mínimos, não havia comentários para o que havia se acontecido após o incidente com Shinra e Celty; e embora não fosse como eles não quisessem falar sobre aquilo, sabiam que seria melhor deixar para depois. Havia muito com o que se preocupar, tal “incidente” poderia ser deixado de lado, pelo menos por hora. Era óbvio que ambos gostariam de conversar, pois talvez aquele fôra, com certeza, um grande passo em seu relacionamento um tanto conturbado. E havia feito com que sentissem coisas que não esperavam sentir antes, muito menos um com o outro. Mas, como foi dito antes, era algo que poderia esperar.
Naquele dia, Izaya – que acordara mais cedo do que o de costume – resolvera preparar um café da manhã para Shizuo. O informante sabia que o loiro havia chegado tarde na noite anterior, provavelmente pois estava batendo em algum malandro, e decidira agradá-lo. Deveria estar exausto... Sabia que só estava trabalhando aquele tanto para tirar os pensamentos ruins da cabeça. Obviamente não sabia o que fazer para Heiwajima, desde que ele era extremamente fresco quando o assunto era comida. Orihara nunca comentava, mas achava aquilo extremamente engraçado. A infantilidade de Shizuo era surpreendente. De qualquer forma, faria o seu melhor para agradá-lo. Se existia uma coisa que o loiro gostava bastante, era leite. Izaya se recordava vagamente de tomar leite com açúcar queimado quando era pequeno, e de gostar bastante da bebida. Procurou na internet de seu celular o modo de preparo, e sorriu ao ver que era extremamente fácil de fazer. Shizuo definitivamente gostaria daquilo. Acendeu o fogão e pegou um recipiente onde pudesse colocar o açúcar para queimar. Depositou duas colheres, com cuidado para não deixar muito doce e enjoativo, lá dentro e ficou esperando. Só colocaria o leite depois. Tudo estava bastante silencioso lá fora, provavelmente a cidade inteira estava adormecida às oito e meia da manhã – ele também estaria, se não fosse pela insônia que já o atacava fazia algum tempo.
Era complicado dormir com CN à espreita. Izaya sentia a presença da mulher em todos os lugares, como se ela quisesse aquilo. E não duvidaria se essa fosse realmente a intenção dela. Tentava agir o mais sutil possível – Shizuo não parecia ter o mesmo senso de percepção que ele, e não queria deixar o loiro preocupado. Sabia que ele estava se sentindo péssimo, e extremamente culpado, por causa das coisas que haviam acontecido ultimamente. Não contara para Orihara, mas havia ido visitar Shinra e Celty no dia anterior – o informante sabia, mas preferia fingir que não, sabia que havia questões com que Shizuo tinha de lidar e que só cabiam a ele – para ver como estavam. Por sorte, estavam bem, os machucados eram mínimos e logo estariam em casa. Mas isso não mudaria nada para Shizuo, que continuaria a sentir culpa. O moreno não se sentia no direito de interferir nesse tipo de coisa, apesar da constante preocupação com o loiro, ele realmente não tinha direito algum. Não gostava de ficar pensando nesse assunto (apesar de não conseguir evitar, na maioria das vezes), então foi até o quarto – se deparando com um adorável Heiwajima adormecido e que o fez sorrir timidamente – pegar o rádio. Música era a única coisa que conseguia fazê-lo tirar CN e tudo o que ela fazia da mente. Colocou na mesma estação de sempre; sempre ficava impressionado por conhecer todas as músicas que lá tocavam. Naquele dia, não foi diferente. A música que ecoava pela cozinha era Love, da banda Foster the People ( http://www.youtube.com/watch?v=o8WfrLcFj1k ). Era uma canção muito boa para se ouvir logo de manhã, pensou. Começou a cantarolar baixinho, discretamente, mas terminou por se empolgar com o tempo e a aumentar o tom de voz.
– You are meant for me... Oh, I can’t speak, I think I’m falling in love, loooove, loooooove…* – À essa altura, sua voz já estava muito mais alta do que previra no começo. Deu uma olhada no fogão sem parar o que estava fazendo. O açúcar já havia derretido no recipiente, então ele despejou o leite para esperar dar o ponto.
Nesse tempo, terminou por começar a dançar também. Orihara gostava de dançar quando estava sozinho, e fazia isso frequentemente em casa quando queria se animar. Não sabia exatamente como fazê-lo, terminava por movimentar-se da maneira mais aleatória que conseguia – era extremamente constrangedor –, mas Shizuo estava dormindo, então concluiu que não corria o risco de ser visto e poderia fazer o que quisesse. Izaya começou a remexer os quadris de um lado para o outro e mexer os braços de forma engraçada, ora balançando-os, ora simulando segurar um microfone para cantar junto com a música. Levava o corpo num ritmo tão suave quanto o da própria canção. Seus cabelos caíam sobre o rosto quando seus movimentos se intensificavam. Ficou daquele jeito, dançando despreocupadamente e cantando todos os trechos que sabia até que música acabasse. Que foi quando fez seu “grand finale”. Fechou os olhos e rodopiou duas vezes com toda a leveza que tinha, encerrou a cena com os braços para cima e as pernas ligeiramente separadas uma da outra.
– Love, love... And, if you have it, it’s amazing!** – Finalizou, abrindo os olhos e se deparando com Shizuo apoiado na porta, de braços cruzados, rindo discretamente.
Izaya corou num tom de vermelho carmim e abaixou a cabeça de imediato; estava extremamente constrangido. Perguntou-se se estaria fazendo muito escândalo, pois até onde sabia, Heiwajima estava dormindo profundamente no quarto. Provavelmente sim, ele se empolgava com facilidade (era inevitável). Amaldiçoou-se mentalmente, ainda sem coragem de levantar a cabeça e encarar o loiro risonho. Mas ele estava se aproximando, para a sua infelicidade. O informante tentou se virar e correr até o fogão para cuidar do leite, mas era tarde demais, Shizuo já estava à sua frente. Não queria nem pensar no que o loiro iria falar, ainda podia ouvir o som de sua risada – que embora adorável, deixava claro que ele havia assistido à boa parte da cena. Mas o loiro nada disse, apenas ergueu uma das mãos e bagunçou os cabelos de Orihara, que levantou o olhar lentamente. A expressão risonha dele era, com certeza, a mais bonita que tinha. Seus olhos estavam entreabertos por causa de suas maçãs do rosto, que haviam ficado mais altas, nos lábios, ele tinha um sorriso despretensioso. Era a primeira vez que havia visto Heiwajima sem as sobrancelhas unidas. Ele estava tão bonito que por um minuto Izaya nem pensou no que havia feito, e levantou a cabeça, só para poder observá-lo melhor.
– Ah, pulga, você é surpreendente. – Seu tom de voz também era mais calmo, estava um pouco rouco, talvez porque tivesse acabado de acordar.
– Você estava aí faz muito tempo? – Perguntou o informante, ainda envergonhado.
– Acho que sim...
– Não sei onde enfiar a cara. – Orihara riu nervosamente.
– Não precisa ficar com vergonha, pulga. – Disse Shizuo, parando de rir, apesar de continuar com a mesma feição. – Foi engraçado... E até bonitinho. Eu não me importaria de te ver dançar mais vezes.
– Até parece que vai me ver dançar de novo... – Izaya bufou, afastando-se de Shizuo, e, ainda sentindo-se um pouco encabulado, mudou de assunto: – Preparei algo para você, Shizu-chan.
Shizuo arregalou os olhos em resposta. Izaya foi até o forno e desligou-o, colocando o líquido que estava no recipiente numa caneca que havia separado. Entregou para o loiro e, por estar muito quente, advertiu que talvez ele devesse assoprar antes de provar. Shizuo o fez, tomando um pequeno gole da bebida que o informante havia preparado com todo o carinho especialmente para ele. Era realmente delicioso, Heiwajima pensou. Não sabia como ele havia feito aquilo, mas estava muito bom. Há algum tempo atrás, se Orihara lhe oferecesse alguma bebida, com certeza recusaria. Provavelmente seria só mais alguma brincadeira feita por ele, mas agora que sabia de seus sentimentos (até onde dava, pelo menos), era diferente. O loiro deu outro gole na bebida, tinha um sabor doce, e isso lhe agradava.
– O que é isso? – Perguntou.
– Leite... – Izaya sorriu. – Com açúcar queimado. – Ele estava um pouco constrangido de dizer aquilo. Aliás, sempre se sentia constrangido quando fazia algo para agradar alguém. – Eu costumava tomar quando era pequeno, e pensei que talvez você pudesse gostar, Shizu-chan.
– Obrigado, pulga. – Shizuo estava muito surpreso com o informante, mas não pôde esconder que achou sua atitude uma graça. Não era muito de agradecer, mas aquela era uma ocasião especial. – Eu gostei bastante.
– Não tem de quê, Shizu-chan. – Izaya observava o loiro degustar a bebida com rapidez, sem se importar com o fato de estar queimando de tão quente.
– Vou ter que trabalhar de novo hoje. – Deu o último longo gole, depositando a caneca na pia, logo em seguida. – Voltarei tarde.
– Você tem trabalhado bastante ultimamente... – Izaya comentou em um tom melancólico, sabia bem o motivo do loiro estar fazendo aquilo.
– Não se preocupe comigo, pulga.
– Você fala como se eu não precisasse. – O informante cruzou os braços.
Shizuo encarou o chão, sem nem fazer ideia do que deveria dizer. Tinha certeza de que Orihara sabia que só estava trabalhando aquele tanto para ver se conseguia esquecer a culpa, ou pelo menos amenizá-la. Enquanto trabalhava, se distraía o bastante para não ter pensamentos ruins, pois não tinha tempo para isso. Izaya não concordava com tal atitude, mas nada poderia fazer. Preferia pensar que o loiro tinha seu próprio jeito de resolver as coisas. Heiwajima agradeceu de novo pela bebida, e saiu da cozinha. Tomou um banho rápido e se arrumou para ir trabalhar. Queria poder dizer algo para apaziguar os pensamentos do informante, mas nem se quisesse muito poderia dizer. Nunca fôra o tipo de pessoa que sabia lidar com questões emocionais, nem as próprias, nem as dos outros. Era o seu jeito de ser. Embora isso, antes de sair, depositou um beijo na testa de Orihara, seguido por um olhar consolador. Era o máximo que poderia/conseguiria fazer. O moreno nada disse em resposta, apenas balançou a cabeça negativamente. Contentou-se em observar a silhueta de Shizuo atravessar a porta e sumir.
O loiro chegou no trabalho mais cedo do que esperava, então foi para um lugar mais afastado fumar um cigarro – precisava fazer isso para começar o dia bem. Dirigiu-se à um beco onde costumava fumar para não ser perturbado por ninguém. Fazia tempo que não ia ali, mas continuava a mesma coisa de sempre: úmido, pouco iluminado e mal-cheiroso. Exceto por haver mais uma pessoa lá. Era uma mulher. Com um corpo esguio e elegante. Tinha olhos extremamente azuis, tragava o cigarro de maneira distraída, estava olhando atentamente para alguns ratos brigando por comida, à sua frente, extremamente absorta. Sua pele era pálida, embora as bochechas e a ponta do nariz fossem levemente rosadas – como se tivessem sido pinceladas pela tinta rosa mais delicada que havia em estoque. Seus lábios eram de um rosa mais vivo, porém. E seus cabelos eram curtos e castanhos, a franja caía sobre sua testa de maneira desalinhada. Shizuo ficou encarando-a, admirando quão bonita aquela mulher era. Tinha uma maneira elegantíssima de segurar o cigarro (até meio dramático, ele diria); sua expressão demonstrava certa indiferença ao ambiente ao seu redor, a única coisa que parecia atrair sua atenção eram os ratos, mas sua feição não mudava. Trajava um vestido preto que ia até um pouco acima de seus joelhos e calçava um sapato scarpin cinza. No pescoço, tinha um colar ornamentado com esmeraldas tão bonitas quanto seus olhos. Usava uma jaqueta jeans escura por cima da roupa, quebrando o ar sério, embora deixando a graciosidade em evidência. Demorou algum tempo para que ela noticiasse a presença de Shizuo ali, e quando o fez, o encarou dos pés a cabeça, sem nada dizer. Tragou o cigarro e soltou a fumaça no ar, apenas encarando Heiwajima fixamente nos olhos – que, por sinal, davam calafrios no loiro, de tão azuis.
– Shizuo Heiwajima, hã? – Ela disse num tom de voz triste e baixo, apesar de ela não aparentar nenhuma tristeza. Um sorriso discreto, mas um tanto irônico, pintou em seus lábios.
– Como você sabe quem eu sou? – Shizuo perguntou, unindo as sobrancelhas, um pouco irritado com a atitude da mulher. Sacou o maço de cigarros do bolso e tateou o outro procurando seu isqueiro. Não estava lá.
– Como eu não saberia quem você é? – Retrucou com outra pergunta, sem alterar o modo que falava, fazendo o loiro grunhir insatisfeito. A mulher tirou um isqueiro do bolso da jaqueta e entregou a ele, que pegou com má vontade.
Shizuo ajeitou o cigarro nos lábios e o acendeu, logo em seguida. Devolveu o objeto para a moça, que o colocou de volta no lugar onde o havia guardado.
– É uma honra emprestar meu isqueiro para o homem mais forte de Ikebukuro. – Disse ela, rindo sarcasticamente. Seu jeito era quase tão irritante quanto o do antigo Izaya; e isso o enfurecia.
– Eu deveria te agradecer? – Perguntou Shizuo, tragando. – Não pedi pelo seu isqueiro.
– Tudo bem, não estou esperando gratidão de um homem como você.
– Por que não? – Perguntou o loiro, alterando o tom de voz.
– Você espera por tempestades em estações secas, Heiwajima Shizuo-san? – Ela perguntou, mordendo o lábio inferior de modo provocativo. Apagou o cigarro e jogou-o no chão, depois de fazê-lo.
– O que quer dizer com isso?
– É uma metáfora. – Disse, certa de que Shizuo não sabia muito bem o que era aquilo. Ele bufou de raiva, em resposta. Não diria mais nada, pois não estava com humor para brigar, e muito menos com uma mulher. Odiava brigar com mulheres, pois elas sempre choravam no final. – Meu nome é Cora***, como a rainha do Inferno e filha de Zeus e Deméter. É um prazer conhecê-lo pessoalmente.
– Interessante. – Mentiu. Não dava a mínima para a origem do nome dela.
– Deveria ser... – Disse, e vendo que não atraiu a atenção do loiro, continuou: – Diga-me, Shizuo Heiwajima-san, o que você acha do inferno?
– Não acho nada. – Realmente não achava nada, embora estivesse achando aquela tal de Cora uma pessoa realmente esquisita.
– Já esteve lá?
– Não. – Respondeu o que achou que fosse óbvio. Em seguida, apagou o cigarro com a ponta dos dedos e voltou a dar atenção para a mulher.
– Nem mesmo em sonhos? – Indagou, arqueando as sobrancelhas com um ar de sabichona.
Heiwajima arregalou os olhos, em resposta. Cora comemorou em seus pensamentos, finalmente estava chegando aonde queria.
– C-Como você sabe? — Perguntou, sem conseguir esconder o quanto estava surpreso.
– Eu sei de muitas coisas. — Ela riu maliciosamente. — Podemos ser mais próximos do que você imagina, querido.
– C...N..? – Sua voz falhou ao tentar pronunciar tal nome.
A mulher abriu um sorriso psicótico, seus olhos mudaram de um azul calmo como o céu para um tom furioso, medonho, bizarro. Suas pupilas assemelhavam-se as de um gato, pois eram muito maiores do que as de uma pessoa normal. Ela gargalhou com êxtase. Shizuo pôde jurar que viu presas em sua boca, e sentiu suas pernas vacilarem. Que diabo de mulher era aquela? Havia virado uma pessoa completamente diferente em questão de segundos.
– Que mudança repentina na sua expressão foi essa, Heiwajima Shizuo-san? – Perguntou risonha. Tinha um ar de psicopata que o assustava. Ele recuou um pouco, mas Cora o seguiu, tanto com o olhar quanto com os passos. – Está com medo de mim?
– Ora, sua... – Shizuo cerrou os punhos. Era óbvio que ele estava com medo, mas não deixaria isso tão aparente em uma situação como aquela. Não sabia o que procederia caso fraquejasse. – Por que aparecer só agora?
– Oh, querido, eu apareci antes. Eu estava em todos os lugares. Você que não me viu. – Ela sorriu zombeteira, deixando o loiro mais irritado do que já estava. Odiava que o fizessem de idiota, e era exatamente o que estava acontecendo naquele momento. – Achei que não precisasse aparecer em pessoa, pessoa mesmo, sabe? Me surpreendeu vocês terem descoberto meu enigmazinho. Vocês são muito chatos. Blééé... – Mostrou a língua para Shizuo.
Ele respirou fundo, tentando se controlar. Por um minuto, pensou em pegar a cabeça da morena e espremer como se fosse um limão.
– Eu poderia comê-lo aqui mesmo, Heiwajima Shizuo-san. – Disse num tom de voz doce. Shizuo realmente não entendeu o que ela queria dizer com isso, mas preferiu não comentar. Não soou muito bem aos seus ouvidos, afinal de contas. – Mas vim em paz. Pelo menos hoje. He-he.
– O que você veio fazer? – Rangeu os dentes.
– Vim dar um recadinho. – Respondeu. – Gosta de Macbeth, querido?
– O que tem a ver?
– Kasuka e eu interpretaremos Macbeth. – Explicou. – “Salve o rei, pois vós o sois. Contemplai onde está posta a cabeça amaldiçoada do usurpador!”
Shizuo franziu as sobrancelhas. O que aquela mulher estava falando? Nunca havia lido/assistido Macbeth, a única coisa que sabia era que era uma peça de drama. Kasuka já havia lhe falado sobre ela, aliás. Mas nunca fôra de se interessar por teatro no geral. Então, pouco lhe importava. E além do mais, a linguagem difícil que Cora estava usando dificultava um pouco seu entendimento sobre o que ela de fato queria dizer.
– Quando vai ser? – Perguntou, sem ter outra escolha.
– Depois de amanhã. – Ela voltou ao seu ar sério, apesar de ainda manter a expressão assustadoramente estranha. – Esteja lá. Você e Izaya-kun. Irei amar a presença do casal! – Exclamou, batendo palmas.
– Onde? – Ignorou o fato de ela tê-los chamado de casal. Não queria ter mais dor de cabeça do que já estava tendo.
– Naquele teatrinho abandonado, no fim da cidade. – Ela tomou um ar pensativo. – Provavelmente você não sabe onde fica, mas eu tenho certeza de que Izaya deve saber.
– Tudo bem. – Respondeu.
– Então, essa é a minha deixa, Heiwajima Shizuo-san. – Ela deu um beijo na bochecha de Shizuo e saiu andando. – Nos veremos em breve, até logo.
– Cora-san...
– Diga. – CN parou e se virou.
– Por que você está fazendo isso? – Questionou. Sabia que provavelmente não teria uma resposta imediata, mas sentiu a necessidade de perguntar.
– Querido, não se apresse. – Cora disse, em resposta. – Um dia eu vou te contar tudo o que você precisa saber. Sobre o seu sonho, sobre o que eu sou, sobre minhas intenções... Tenha paciência. Ok?
– Pelo menos me responda se o que eu fiz para você foi muito ruim.
– Ah, querido, o que você fez causou danos irreparáveis.
– Físicos?
– Vai saber...
Heiwajima virou-se, e ela havia sumido. Evaporado. Não havia mais nenhum rastro de Cora, embora a sensação de que ela ainda estava por perto continuasse ali. O coração de Shizuo estava acelerado, ele sentia-se assustado e aliviado ao mesmo tempo. Não pensou que sairia vivo dessa. Pessoas não lhe davam medo, geralmente, mas ela era diferente. Ela não parecia nem mesmo humana... Ponderou por alguns minutos se ela não era um bicho, ou algo assim. Embora a forma física, havia traços felinos evidentes nela. Mas ele não podia ter certeza, pois ficou tão nervoso só por vê-la que não pode prestar atenção nesses pequenos detalhes (que considerava inúteis, aliás). Talvez fosse só coisa da sua cabeça... Embora isso, não conseguia esquecer a imagem dela. A aura assassina ainda lhe dava calafrios, ela era uma mulher muito especial. E não de um jeito bom. Era assustadora. Tudo nela o deixava com medo. O modo como virou uma pessoa completamente diferente do que aparentou ser no início foi o bastante para Shizuo ver que encará-la poderia ser mortal. Sabe-se lá quantas personalidades ela tinha... E se havia uma ainda pior do que a que havia conhecido hoje ele nem imaginava o que ia acontecer. E nem queria.
A presença se dissipou, e essa foi a hora que ele escolheu para sair do beco. Não conseguiria se concentrar o resto do dia, provavelmente. Tom estava esperando-o sentado num banco da praça, e, ao ver o quanto Shizuo parecia transtornado, sugeriu que o loiro fosse para casa e tirasse o dia de folga. Heiwajima insistiu em ficar, dizendo que estava bem, mas Tanaka não quis saber, vira como ele havia saído pálido e atônito de lá. Não sabia o que havia acontecido, mas para alguém como Shizuo ficar daquele jeito, sabia que não deveria ter sido coisa boa. Disse que lhe daria uma carona até sua casa e o guarda-costas não teve como recusar. Talvez fosse melhor esfriar um pouco a cabeça, era muito cedo para ser surpreendido assim. Nem mesmo o “homem mais forte de Ikebukuro” aguentaria tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. E mais, seu físico também parecia exausto, como se tivesse sido acertado por três elefantes e dez toneladas de concreto. Entrou no carro de Tom, e seguiram, com Shizuo ainda refletindo sobre tudo.
Ele realmente precisava de um descanso, estava mais do que evidente. Mas como descansar diante de uma situação daquelas?
Culpou-se.
Ele realmente deveria ter espremido a cabeça de Cora como um limão quando teve a oportunidade...
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*Você está destinado para mim/Oh, eu não posso falar/Eu acho que estou me apaixonando
**Amor, amor/E se você tiver isso, é incrível.
*** http://pt.wikipedia.org/wiki/Pers%C3%A9fone / http://pt.wikipedia.org/wiki/Proserpina > O nome dela é Perséfone na mitologia grega e Proserpina na mitologia romana, mas também conhecida como Cora, caso estejam achando que eu endoidei. Eu me referi à "Rainha do Inferno" por causa da mitologia romana, que, no caso dela, é mais interessante.
Notas finais
Entãão, a CN finalmente apareceu! Hehe. Ou Cora. Tô tão acostumada a chamá-la de CN que esqueço que o nome dela é Cora x___x UEHUHEU, mas ok.
Espero que tenham gostado da personalidade dela, eu particularmente gosto pra caramba ♥
E o Izaya não teve muita aparição nesse capítulo, sinto muito ;3; acho que o coitadinho tava merecendo um descanso depois de tudo o que aconteceu né. Mas pretendo compensar vocês no próximo capítulo, então não se preocupem!
Tô superrr insegura em relação à esse capítulo, não sei se ficou tão bom quanto os outros *chora* mas vai acontecer bastante coisa no próximo, vai ser melhor. Então não parem de ler *puppy eyes* ;o; Ok?~ ♥ Amo vocês, não me abandonem q ~drama
Beijo :**
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