Walking After You
19 Capítulo 18: Psyche
Notas iniciais
Ainda estou no meu prazo de duas semanas, e acho que vou tentar manter esse prazo mesmo, embora as coisas tenham apertado muito pra mim, sacomé. -qq
A rotina tem me cansado muito, e me deixado com muita preguiça pra escrever (foi mal). Também estou um pouco relutante porque cada vez mais eu vejo que a fic tá perto de acabar, e eu não quero que acabe. T_T
Mas enfim, aí está o capítulo. Esse foi bem rápido pra escrever, espero que não tenha ficado muito corrido. E eu vou mudar a censura da fic pra +18, só avisando. Cês já devem imaginar o porquê, danadas. -v- UEHUEHUHE. /apanha
Espero que gostem ♥ E se tiver algum erro, por favor, me avisem.
Boa leitura!
Shizuo ficara perplexo com a história de CN. Não importava o quanto tentasse, era difícil digerir todas aquelas informações de uma vez só. Nunca poderia imaginar que o alvo da mulher não era ele, e sim Izaya. Ela havia fingido de forma tão convincente... Era, com certeza, uma mulher ainda mais surpreendente do que ele imaginara que fosse. Mas era fraca. Muito fraca. Qualquer um que se rendia daquela maneira era considerado fraco, ao ver de Heiwajima. Ele se recusava a acreditar que só houvesse mal dentro dela. O fato de ter amado Vicenzo verdadeiramente mostrava que ela não era totalmente ruim, como dizia ser. Mas sim que se recusava a enxergar sua própria bondade. Parecia preferir se vingar cegamente daqueles que a faziam sofrer. Talvez por isso fosse tão infeliz. Cora nunca se satisfaria levando aquele tipo de vida, nunca se sentiria, de fato, completa. Afinal de contas, estava buscando algo que nunca conseguiria encontrar, porque simplesmente não existia. Se o loiro havia aprendido algo naqueles tempos, era que violência nunca trazia nada de bom. Podia até ser considerado um jeito de “aliviar-se”, mas não passava de uma sensação momentânea. Não resolvia nada. Violência nunca a faria se sentir melhor. Suspirou longamente. Teria de, ao menos, tentar convencê-la a parar de pensar daquela forma. Principalmente em relação à Orihara. Pois ele não tinha culpa. E nem ela.
Notara que eles haviam chegado ao cemitério de Ikebukuro e caminhavam em direção à um túmulo específico. Shizuo logo percebeu que era lá que Vicenzo se encontrava. Cora nada disse após ter terminado de contar sua história, e também não parecia esperar que o guarda-costas dissesse algo. Mas ele iria. Até porque, depois de tudo o que passaram juntos, Shizuo não podia deixar de sentir algo. Também havia criado certo afeto pela mulher, driblando o ódio imensurável que antes sentia pela mesma. Não podia continuar odiando alguém que parecia amá-lo, por pior que fosse. Não parecia certo. E justamente por isso, queria o seu bem. Queria que ela parasse de pensar que tudo havia se perdido em sua vida, que as coisas nunca poderiam melhorar. Porque ele um dia fôra assim. Mas mesmo um monstro como ele encontrara, ao longo de sua vida, pessoas que o fizeram imensamente feliz e estariam com ele para sempre. Então, por que com ela seria diferente? Haviam finalmente chegado ao túmulo onde havia o nome de “Vicenzo Herschello” bordado em ouro, com uma foto do homem – bastante sorridente, como ela havia descrito – emoldurada ao lado. Não pôde deixar de notar que Vicenzo se parecia muito com ele, pelo menos fisicamente. Prestou as devidas condolências, e depois se virou para Cora (teria de dizer algo, cedo ou tarde).
– Eu... Sinto muito. – Não sabia exatamente o que dizer, mas deduziu que era isso que as pessoas falavam na maioria dos casos. – Por tudo o que você passou.
– Tudo bem. – Respondeu com um sorriso de canto. – Eu queria que você o conhecesse. Garanto que vocês seriam bons amigos, Heiwajima Shizuo-san. Ótimos amigos!
– É um prazer conhecê-lo. – Disse de modo sincero. Ainda encarava a foto. Vicenzo era um homem bastante transparente. Não precisava de muito para deduzir que ele era exatamente como CN o havia descrito. – Olhe, eu não acredito muito nessas coisas, mas garanto que ele está olhando por você, onde quer que esteja.
Ela riu discretamente.
– Ele está; eu sei disso. – Fechou os olhos. A brisa batia contra o seu rosto e balançava seus cabelos, deixando-a muito mais bonita do que já era. – Se não estivesse me olhando, eu provavelmente nunca teria chegado até aqui.
– E também garanto que ele quer te ver feliz.
– Sei disso também. – Assumiu um ar melancólico. – Mas é impossível.
– Não é. Nada é. – O loiro contestou. – Eu vou ser honesto com você, Cora. E não quero que ache que estou falando isso porque você quer matar o Izaya. Mas você nunca vai ser feliz se não der uma chance para que isso aconteça.
– Eu já tentei ser feliz, Heiwajima Shizuo-san. – Retrucou. – E não deu certo nenhuma vez, como você mesmo pôde ver.
– Você tem que tentar de novo. – Shizuo insistiu. – Enquanto estiver com esse desejo insaciável de vingança, não vai ganhar nada. Entenda que ninguém consegue felicidade plena com a infelicidade dos outros.
– Admiro o modo como fala, Heiwajima Shizuo-san. Mas não posso, e nem vou, abrir mão desse desejo. Desculpe.
Cora encarava o guarda-costas fixamente. Era surpreendente ver tais palavras vindas dele, mas isso apenas comprovava ainda mais o quanto era parecido com o seu tão amado Vicenzo.
– Você mesma disse que ele não ficaria feliz se soubesse que você voltou a ser como era antes, Cora. Pare de tentar achar culpados, a culpa não é sua, nem de Izaya. Afinal de contas, você nunca poderia prever o que aconteceria, e Izaya é um simples informante.
– Não tente me convencer, Heiwajima Shizuo-san. – Pediu. – Suas palavras não surtem o mínimo efeito em mim.
– E isso é uma pena, porque eu quero te ajudar.
Shizuo ergueu o braço que não havia sido baleado e colocou-o num dos ombros de CN. Realmente queria ajudá-la, mas ela era teimosa demais. A mulher observou o gesto do guarda-costas silenciosamente. Apreciava o que ele estava tentando fazer, embora nada fosse fazê-la mudar de ideia.
– Ninguém pode me ajudar. – Cora aproximou-se do loiro e o abraçou. Este não conseguiu deixar de esboçar uma expressão repleta de choque, mas logo a abraçou de volta de maneira terna, como se fosse um pai (?). – Ainda sim, eu agradeço a sua preocupação. A única coisa que não me deixa perder as esperanças por completo é saber que existem pessoas como você nesse mundo.
– Por favor, Cora, repense sobre o que você está fazendo. Você disse que queria que pudéssemos ter sido amigos... Nós ainda podemos ser amigos.
– Você é surpreendente. – Ela colocou as mãos no rosto de Shizuo, acariciando-o com ternura. Seus intensos olhos azuis e felinos o encaravam de maneira gentil e bondosa. Deve ter sido a primeira vez que Heiwajima não se sentira nem um pouco amedrontado pela presença dela. – É por isso que eu te amo tanto. Mesmo depois de saber de tudo de errado que eu fiz, você não me odeia.
– E se você não parar de se sentir culpada mesmo depois de ter matado o Izaya? – Mudara repentinamente de assunto, em parte porque não sabia o que responder, mas também porque precisava/queria saber.
– Já pensei nisso, Heiwajima Shizuo-san. Não há com o quê se preocupar.
– Quando você irá fazê-lo? – Questionou, embora não esperasse uma resposta. Nenhum vilão que se preze fala esse tipo de coisa, no fim das contas.
– Se despeça dele essa noite. – Pode ter sido apenas impressão, mas Shizuo pôde jurar que sentiu Cora aproximar-se ainda mais dele, intensificando o abraço e permanecendo daquela maneira por alguns segundos. Depositou um beijo carinhoso na bochecha do loiro, afastando-se logo em seguida. – É a sua última chance de dizer o quanto o ama. Agora venha, vou te levar até o Shinra para que ele cuide do seu braço ferido.
E assim o fizeram após a mulher se despedir de Vicenzo. Voltaram ao local onde sua moto estava parada para que ela o levasse até Kishitani. O trajeto foi longo, desconfortável e silencioso, mas não era como se algum deles sentisse vontade de falar. Era mais como se não houvesse mais nada a ser dito, na verdade. Heiwajima culpava-se por não conseguir fazê-la mudar de ideia, mas, no fundo, sabia que ninguém seria capaz. Infelizmente, Cora era o que se poderia chamar de caso perdido. Por ser fraca, havia se tornado mesmo o que as pessoas esperavam que ela fosse. E a única coisa que poderia sentir por ela era pena. Era incrível como ele só descobria as coisas quando o “estrago” já havia sido feito. Fôra assim com Izaya, e estava sendo assim com CN. Pelo menos ele havia conseguido acertar as coisas com o informante, mas não seria assim com ela, até porque Cora não queria acertar as coisas. Queria que fosse de seu jeito e ponto final. Uma pena que se recusava a ver as chances que a vida lhe dava. Era alguém que merecia ser salva, e, assim como qualquer ser humano, merecia encontrar a felicidade.
Honestamente, ele não sabia o que teria de fazer para impedi-la. Só podia afirmar convictamente de que não deixaria que ela matasse o informante tão facilmente. Faria tudo o que fosse necessário para que CN abrisse mão de toda aquela maluquice. Quem sabe, com o tempo, não a faria abrir os olhos e ver que aquela tão almejada vingança não daria em lugar algum? Era impossível saber se sucederia nesse “plano”, mas teria de arriscar. Não haviam muitas cartas na manga, tinha de usufruir das poucas que possuía. Bem sabia que Cora era muito forte e habilidosa, mas... Ele também seria. Afinal de contas, era a vida de Orihara que estava em jogo. Era a vida da pessoa que mais amava no mundo. Ninguém iria tirar Izaya dele. Passaria por cima de qualquer um que tentasse. Claro que seria melhor se a mulher simplesmente desistisse, mas, se ela se recusava a fazê-lo, então não havia outra saída. Lutaria pelo seu informante com unhas e dentes.
Chegaram à casa de Shinra e Celty, onde também se encontrava Izaya, com uma expressão de notável desespero e preocupação. Aparentemente Tom também havia estado ali. Mas fôra embora, alegando que teria de trabalhar cedo no dia seguinte. Cora deixou a moto em um lugar qualquer, se transformou em gato e foi embora. Heiwajima encarou a curiosa silhueta felina da mulher. Tinha certeza de que era a mesma gatinha que estava com ele no dia do primeiro ataque de Cora. Era esquisito pensar naquilo agora... Ela sempre esteve tão perto deles, e mesmo assim, eles nunca percebiam. Talvez, se pudessem tê-la encurralado antes, as coisas tivessem tomado um rumo diferente. De qualquer forma, não era mais tempo para pensar naquelas coisas, até porque já haviam acontecido, e não valia a pena ficar relembrando. Não importava mais.
Com prontidão, Kishitani tratou do ferimento do loiro. Por sorte, não era nada muito grave ou profundo. Tanto que após ter o braço devidamente enfaixado, este se dirigiu para seu lar, juntamente com o informante, sem o menor problema. No caminho, Orihara exigiu que ele contasse tudo o que havia acontecido no cemitério. E assim o fez. Acendeu um cigarro e contou tudo o que a mulher havia lhe contado durante o tempo que passaram juntos, de forma resumida e pulando os detalhes que achara desnecessários – primeiro porque ninguém precisava saber a história inteira, segundo porque levaria muito tempo. Contou até mesmo sobre sua intenção de fazê-la mudar de ideia e confessou ter sentido certo apreço pela mulher, depois de saber dos maus bocados que a mesma passara durante toda a sua vida. No fim das contas, o moreno estava bastante surpreso com o fato de a vítima ter sido ele desde o início. Bom, pelo menos agora que ele sabia que era o alvo, seria mais cauteloso – não que não fosse antes, mas agora seria mais ainda. De fato, nem era isso que o incomodava tanto. O mais irritante era saber que Shizuo aceitara tão tranquilamente, mesmo sabendo quão perigosa CN era, seu convite para “passear”. Só de pensar nos dois juntos, seu sangue começou a ferver e ele sentiu uma raiva imensurável invadir seu íntimo. Ah, como odiava aquela mulher. E a odiava ainda mais porque havia conseguido fazer com que o guarda-costas sentisse pena dela. Cora, definitivamente, não era nem um pouco digna de pena. Ela havia feito coisas muito cruéis. E não só para eles, fizera mal para muitas outras pessoas também. Se fosse parar para pensar, perder quem amava era apenas o modo que a vida encontrara de mostrar para ela o quanto suas ações eram destrutivas. Cora sentira a mesma dor que causava ao matar os outros. Sabia que era uma linha de pensamento egoísta, mas, como dizia aquele ditado popular: “Nós colhemos o que plantamos”.
Obviamente que Izaya também não era santo, também colhera muito do mal que semeara – ter uma adversária como CN era uma das provas disso. Mas nunca havia matado ninguém. Seu trabalho era o de um mero informante. E, por mais que tivesse sido uma pessoa ruim em boa parte de sua vida, de uns tempos para cá, havia se redimido da forma como pôde. Cora não fizera o mesmo (aliás, nem mesmo cogitava). A mesma havia dito que não se arrependia de nada. E, ainda sim, Shizuo sentia compaixão. Era impossível não notar no olhar do loiro que ele estava tocado com a história dela. O que apenas fazia que Orihara pensasse quão manipuladora aquela maldita era. Estava simplesmente aproveitando-se da bondade e da inocência de Heiwajima, para fazê-lo acreditar que, por ter sofrido tanto ao longo da vida, tinha uma justificativa para todos os seus atos. Mas não tinha. Nada daquilo justificava suas ações maldosas. Ela havia escolhido ser daquele jeito. Poderia muito bem ter superado todas as dificuldades que lhe foram impostas. Essa sim seria a sua verdadeira vingança. Mas não o fez. Preferia sabotar a si mesma, dizendo que ninguém poderia fazer nada por ela, que a sociedade que a corrompera para que virasse uma pessoa ruim. “Me poupe”, pensou o moreno, “Muita gente passa por coisas ruins todos os dias. Ser uma ‘mulher-gata’ não faz dela mais especial. Todos já foram rejeitados em algum ponto da vida”. Sinceramente, não sabia se deveria sentir raiva dela ou de Heiwajima, por ter caído numa ladainha barata daquelas. Terminou por sentir raiva dos dois, e fechar a cara durante o resto do trajeto.
O guarda-costas notou a insatisfação do moreno, e, assim que chegaram em casa, perguntou:
– Vai continuar com essa cara feia até quando, pulga?
Izaya se sentiu ainda mais ofendido e cruzou os braços.
– Humpf. – Encarava o loiro com desprezo evidente no olhar. Sabia que ele não tinha culpa; ele simplesmente era assim. Mas não conseguia evitar. Izaya era um típico taurino, e, como todos os taurinos, era extremamente possessivo com quem amava. Às vezes, atitudes impulsivas como aquela tomavam conta dele, quer ele quisesse ou não. – Se minha cara feia está te irritando, por que você não vai procurar a Cora e a convida para morar com você? – Parecia cuspir o nome da mulher. Suas bochechas formigavam de puro ódio e repulsa. – Se sente tanta compaixão por ela, vá lá fazer uma boa ação. Não fará falta.
Heiwajima rolou os olhos. Era incrível a capacidade que o informante tinha de aumentar as coisas, e de encará-las com uma perspectiva completamente diferente da sua. Não gostava de Cora daquela forma, e nunca gostaria. Quando aquela pulga irritante iria entender? Claro que não odiava mais a mulher, até porque se sentiria um tanto culpado por odiar qualquer um que gostasse dele, mas só tinha olhos para Izaya, e ele deveria saber disso melhor do que ninguém. Nunca, na vida, haveria alguém que pudesse tomar o seu lugar no coração e nos pensamentos do loiro. Seria assim para sempre.
– Você não tem jeito mesmo. Pare de falar essas baboseiras. – Mexeu a cabeça em sinal de reprovação, para em seguida se aproximar do moreno, que tentou se afastar, em vão. Shizuo envolveu-o em um abraço terno, do qual ele não conseguia se soltar. Era muito mais fraco que o maior, seria inútil tentar sair dali. – Eu te amo muito, Izaya-kun.
Orihara arregalou os olhos. Era a primeira vez que Shizuo pronunciava tais palavras, e, querendo ou não, fôra um choque enorme para ele. Mesmo já houvesse dito em algumas ocasiões, não fazia ideia de como reagir ao ouvir uma frase tão forte vinda de alguém que amava tanto. Era tudo o que sempre quisera ouvir. E era a verdade. Heiwajima concluíra que já estava mais do que na hora de ser dita. Até porque, mesmo que preferisse não pensar assim, poderia ser a primeira e única vez que o faria. Sentia-se mal. Não queria perder o informante por nada naquela vida. Em todo aquele tempo que passaram juntos, havia aprendido a amar cada detalhe do antigo rival. Gostava da maneira como seus cabelos escuros e levemente bagunçados caíam sobre sua pele pálida, da cor castanho-avermelhada de seus pequenos olhos, de seu corpo pequenino e frágil. Gostava do seu sorriso confortador, das prosas que lhe proporcionava, e mesmo de quando ele dava esses ataques de ciúmes. E de seus beijos. Principalmente de seus beijos. Seu jeito espontâneo era amável e encantador. Não se imaginava algum dia de sua vida sem aquela pulga ao seu lado. Não permitiria que ninguém o tirasse dele. Era a sua pulga. E não havia feito nada de errado.
Não gostava da sensação que lhe invadia... De toda aquela incerteza... Era agoniante. Sentia uma necessidade absurda de ter Izaya envolvido por seus braços. Tanto que não conseguia soltá-lo. Queria apertá-lo mais e mais, para sempre. Para ser honesto, só não fizera aquilo por medo de quebrá-lo. Sentia um nó na sua garganta. E se aquela fosse mesmo a última noite que passariam juntos? Não queria passá-la brigando com aquele que amava tanto. Pelo contrário, queria amá-lo durante o tempo restante que teriam juntos.
O moreno ainda estava estático, tentando processar o que havia acabado de acontecer, o que fez Heiwajima rir, mesmo que o clima estivesse tenso. E logo foi acompanhado pelo menor, que passou a ignorar completamente o fato de que estava se mordendo de raiva do guarda-costas há poucos minutos. Não tinha como ficar com raiva dele por muito tempo, definitivamente. Shizuo era irresistível. Sempre fôra. Desde os tempos de Raira, um olhar dele era o que bastava para que Izaya ficasse completamente desconcertado. Era a única pessoa que conseguia lhe fazer sentir-se dessa forma.
– Eu te amo muito também, Shizu-chan. – Admitiu, por mais que não fosse novidade. Nem para o loiro, nem para ninguém. – Só não gosto que você fique falando com a Cora sem me avisar. Ela poderia ter te matado, espero que saiba disso. Não se pode brincar com ela. – Ralhou.
– É claro que eu sabia. – Respondeu. – Mas era um risco que eu precisava correr, caso o contrário nós nunca saberíamos o motivo de Cora estar fazendo essas loucuras.
O moreno tinha de concordar que era verdade, mas, ainda sim, a ideia não lhe fôra nem um pouco agradável. Sentia-se ameaçado quando CN estava por perto, por mais que Shizuo lhe passasse segurança. Era nela que ele não confiava. Aquela piranha imprestável.
– Me prometa que não irá acontecer de novo. – O informante depositou a cabeça em um dos ombros de Heiwajima, que deu um beijo estalado na testa do mesmo.
– Não vai, eu prometo. – Respondeu com convicção. – Então melhore essa cara, ok?
– Estou feliz que você esteja bem, Shizu-chan. Tinha medo de que você não fosse voltar.
– Sempre vou voltar para você, pulga.
Izaya corou. Não estava acostumado com Shizuo falando coisas bonitas e românticas daquele jeito, mas, era, definitivamente, muito bom. Em resposta, ergueu o rosto e sorriu ternamente para o loiro; este, por sua vez, aproximou-se lentamente. Era a primeira vez que tomava iniciativa. Seus lábios selaram-se, envolvendo-os em um beijo doce e inocente. Orihara afagava os cabelos de Shizuo com uma de suas mãos, enquanto a outra fôra depositada delicadamente nos ombros do mesmo, que envolveu a cintura do informante, trazendo-o mais para perto de si. Foi um selinho um tanto demorado, e, quando seus lábios finalmente se separaram, por alguns segundos, para que retomassem o fôlego, o moreno abriu um pouco mais a boca, indicando que Heiwajima deveria colocar sua língua ali. Ele não contestaria o pedido de Izaya. Instintivamente, adentrou a boca do informante; de forma nada sutil e um tanto desajeitada – coisa que Orihara achou extremamente bonitinha. O loiro já havia ganhado certa experiência depois de alguns beijos e, definitivamente, tinha jeito para a coisa, mas ainda não tinha muita noção de como deveria agir em horas como aquelas. Embora isso, dessa vez, o informante se deixaria ser guiado por ele. Começara explorando cada canto da boca do moreno curiosamente, como se fosse um lugar completamente novo para ser explorado. E era, de certa forma. Continuava quente e úmido, como da primeira vez. Aliás, não era como a primeira vez, porque estava ainda melhor. Era muito bom beijar a pulga. Uma das coisas que Shizuo mais gostava de fazer, para ser honesto. Por estarem muito próximos, podia sentir o coração de Izaya acelerar mais e mais a cada minuto que passava. Suas línguas se entrelaçavam em completa sintonia, e continuavam a brigar pela dominância – coisa que nunca mudaria, afinal de contas, eram duas pessoas extremamente fortes e teimosas.
Orihara era sempre muito provocativo, mas Heiwajima não ficava para trás, e aprofundava seus movimentos cada vez mais, arrancando alguns gemidos do informante por entre o beijo. Somente isso já o atiçava, e atiçava Izaya (que era extremamente sensível ao toque) também. Shizuo apertava a cintura do moreno, e trazia-o cada vez mais para perto de si, o que passou a ocasionar certo atrito entre suas partes baixas. O informante, notando isso, resolveu jogar sujo (ainda mais), e começou a movimentar o quadril levemente, aumentando a fricção entre os corpos. Gostava de incitar os sentimentos mais "animalescos" do loiro. Era extremamente satisfatório. À essa altura, o beijo antes romântico e inocente já havia se tornado algo selvagem e descompassado. Orihara adorava o gosto de leite e cigarros da boca de Shizuo, era o melhor sabor que já havia provado em sua vida, ainda que fosse inusitado. Mas era isso o que tornava tão único, no fim das contas.
A verdade era que ambos eram extremamente sedentos um pelo outro, e talvez as coisas se intensificassem por pensarem que aquela seria sua última noite juntos. Naquele momento, estavam essencialmente mais desesperados, impulsivos e passionais do que o normal. Tinham medo de que nunca mais pudessem ter uma oportunidade daquelas, e bem sabiam onde aquilo iria terminar. Talvez não fosse a melhor hora, mas nada do tipo se passava pela mente deles. Só pensavam na necessidade que sentiam de estarem conectados de alguma forma. Perdiam-se entre beijos, ofegos e toques. Perdiam-se para o prazer momentâneo. Pretendiam se entregar a luxúria, para finalmente terem a sensação de possuírem um ao outro por completo. O fariam por sentirem medo do que aconteceria no dia seguinte. Havia um mau pressentimento que invadia o coração de ambos. Pressentimento que queriam esquecer à todo custo.
O que os aguardava era incerto, e, justamente por isso, queriam eternizar aquela noite.
– Ei... Shizu-chan... – Izaya sussurrou, respirando dificultosamente e interrompendo o beijo. – Vamos para o quarto.
Notas finais
Bom, já tá óbvio, mas né, no próximo capítulo vai ter lemon, pessoal. Eu até poderia ter colocado nesse, mas eu sou fiadap00ta e vou deixar vocês com gostinho de quero mais. ♥ /apanha
Achei que esse seria o momento perfeito pro lemon, então, é, vou fazer. Mas queria dar uma prévia, até porque aconteceram MIL TRETAS com a Cora, e eu tenho que dar um tempo pra vocês acalmarem o kokoro. qq
Enfim, acho que sairá logo, até porque eu já comecei a escrever (a pessoa empolga, cof cof). Então, aguardem.
E obrigada por estarem comigo até aqui, mais uma vez. ♥ Cês são muito importantes pra mim, e moram todas no meu coraçãozinho.
Até o próximo capítulo!
:*
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