Walking After You

13 Capítulo 12: Storm


Notas iniciais
Oi ;3; primeiramente, eu preço MIL DESCULPAS pela demora. Eu enrolei tanto que fiquei até com vergonha de aparecer, mas cá estou. Por favor, não me rejeitem 3 A boa notícia é que minhas provas acabaram hoje e eu vou postar com muito mais frequência. Então, me perdoem, é a última vez que eu furo com o prazo, mas eu tava realmente ocupada nesses tempos, e com uma falta de inspiração enorme (escola é foda x_x).
Bom, eu não quero enrolar muito, mas esse foi um dos capítulos que eu mais gostei de escrever, e eu espero que vocês gostem tanto quanto eu ♥ Ficou OOC e eu reconheço, mas, eu já vou avisando que precisava escrever uma cena do tipo. :3
E Luna-chan, se você estiver lendo isso, em relação à pergunta que você fez sobre ninguém ter ido ver o Kasuka, mil perdões se ficou confuso, mas ele vai explicar depois, ok? c: Prometo.
Ah, e eu revisei muito rápido dessa vez (tava morreeendo pra postar, porque tava com saudade), então me perdoem os erros! E me avisem, por favor.
É isso, não vou ficar escrevendo a bíblia aqui. Boa leitura!~

Shizuo ainda não conseguia digerir aquelas informações. Por que Izaya estaria com ciúmes dele com CN? Quer dizer, claro que ela surtia certo efeito por ele, mas não de um jeito romântico. Aliás, muito pelo contrário, era mais como se ele quisesse espancá-la até a morte toda vez que a via. Odiava-a. Odiava o modo como ela o fazia se sentir hipnotizado, odiava o fato de ela agir como se tivesse tudo na palma de sua mão. Odiava aquela mulherzinha prepotente e arrogante. Odiava a petulância em sua voz, e o jeito como ela zombava dele. Tudo nela era absolutamente irritante. Não havia nenhuma razão para o informante se irritar com isso. Ou pelo menos, era o que ele pensava. Mas não dava para saber direito. Quando se tratava de Orihara, a única coisa que se podia esperar era a inconstância; nunca uma certeza. Heiwajima sabia que o informante havia seu tempo para fazer as coisas, para entender, para agir. E muitas vezes, esse tempo era diferente das outras pessoas. Mas não importava. Só esperava que ele voltasse... Pois sentia, e muito, sua falta. E embora odiasse o fato do moreno ter preferido ir embora ao invés simplesmente conversar com ele sobre o problema, para que pudessem resolver ali mesmo, queria-o de volta. Como iria adivinhar que Orihara estava aborrecido? Além de ser lento para entender essas coisas, ele não havia nem sequer aparentado estar chateado. Logo, suas atitudes tornavam as coisas ainda mais confusas e complicadas para o loiro. Apesar disso, ele o entendia (de certa forma). Sempre havia preferido guardar as coisas para si mesmo, arranjar outro jeito de descarregar os problemas... E, assim, evitar falar sobre eles. E Izaya fazia isso também. Sumir era a única forma que encontrava de resolver as coisas. Shizuo não sabia o porquê, e provavelmente nunca saberia. A única coisa que ele sabia era que o informante era realmente bom em esconder o que sentia de fato. E Shizuo sabia disso melhor do que ninguém, em vista que ele havia escondido por tanto tempo o que sentia em relação a ele. Suspirou. As coisas teriam sido muito mais fáceis se ele simplesmente tivesse dito. Mas as coisas nunca eram fáceis quando se tratava do moreno. Estava cansado de saber disso, também.


– Não sabe o que dizer, meu querido Heiwajima Shizuo-san? – CN interrompeu seus pensamentos, encarando-o fixamente enquanto acariciava os cabelos de Kasuka. Havia se distraído completamente quando ela começou a falar de Izaya. Merda. Deveria ser exatamente o que ela queria. – Pare de pensar no Izaya-kun, e se foque em nós dois. Sim?

– Desembucha. – Respondeu resmungando, e um bocado mal-humorado. Ela o dava nos nervos. E ele já estava cansado.

– Muito amável, como sempre. – Ela enfiou a lâmina da espada no pescoço de Kasuka um pouco mais profundamente, e a quantidade de sangue que escorria aumentou. – Seja bonzinho, meu amado, ou o seu irmãozinho vai sofrer as consequências por causa dessa sua boquinha malcriada.


Shizuo odiava o tom natural e ligeiramente infantil que ela usava... Parecia tão calma; era como se absolutamente nada de errado estivesse acontecido. E isso o deixava com os nervos ainda mais à flor da pele. Aquela voz doce realmente não combinava com a personalidade psicótica de Cora. Suas veias latejavam tanto que ele sentia que iria explodir a qualquer momento se não tomasse alguma providência. Mas qual? Nada lhe vinha à mente.


– Heiwajima Shizuo-san, você gosta dos meus olhos? – Perguntou, encarando-o, ainda com as “presas” à mostra, embora não mais de maneira tão ameaçadora. – Certa vez, você disse que gostava dos meus olhos...

– Eu nunca disse isso. – O loiro só conseguia pensar que aquela mulher era completamente maluca. Nunca havia falado com ela de maneira amigável, e tinha certeza de que nunca tinha elogiado seus olhos, também. Embora, tinha de admitir, eles fossem realmente belos. E intrigantes. Indecifráveis. Como quebra-cabeças.

– Tente se lembrar. – Ela pediu educadamente. Estava muito mais polida do que há poucos minutos atrás. Sua personalidade oscilante ficava cada vez mais em evidência.


Shizuo parou por alguns segundos, mas absolutamente nada lhe vinha à mente. Assentiu negativamente com a cabeça como resposta; CN não pareceu surpresa, porém. Limpou um pouco do sangue de Kasuka com os dedos de maneira sutil, o líquido estava um pouco ressecado e começava a exalar um cheiro horrível, mas ela parecia não se importar muito. Já Heiwajima, que tinha um olfato um tanto sensível, não suportava aquele aroma forte. Era extremamente desagradável, embora estivesse tão acostumado com o mesmo que nem se importava.


– Acho que eu não poderia esperar outra resposta. – Continuou, no mesmo tom pacífico. – Eu estava bem diferente naquela época, eu poderia até mesmo dizer que não estava sendo eu mesma...

– Não estava sendo você mesma? – Questionou, aparentando um leve interesse.

– Sim! – Respondeu sem dar mais satisfações; havia voltado a encarar Kasuka e este parecia prender toda a sua atenção. Heiwajima pensou que ela não diria mais nada. – Tem vezes que estou sendo, tem vezes que não. Eu sou muitas coisas, pessoas, sou tudo.

– Você é completamente louca, isso sim. – Resmungou Shizuo, vendo que a mulher já não estava mais falando nada com nada. Seu tom de voz era de repulsa. Exatamente o que ela o fazia sentir. Extrema repulsa.

– Oh, meu querido Heiwajima Shizuo-san, eu com certeza sou louca. – Ela deu uma risadinha discreta. – Você também é. Como dizia o gatinho de Cheshire, de Alice no País das Maravilhas, você deve ser louco, ou então não teria vindo para cá.

– Tsh... – Nada disse. Odiava quando ela começava a fazer essas citações sem motivo nenhum. – Você vai continuar ou vai ficar enrolando aí?

– Não seja apressado. – Pediu. – Se continuar assim, eu corto a cabeça dele e você fica sem saber de nada, bobo.


CN deu uma gargalhada sonora, como quem estava imaginando a cena. “Ótimo, outra mudança repentina no modo de agir”, pensou Heiwajima. Não sabia mais o que esperar. Qualquer brecha que aparecesse para resgatar o irmão, ele se encaixaria, custasse o que custasse. O problema é que ela nunca baixava a guarda, não importava quão distraída aparentasse estar. Sempre com a espada pronta para ceifar a cabeça de Kasuka sem dó nem piedade... Ele deveria agir o mais rápido que pudesse. Teria de ser enquanto ela contava como o conhecera, pois, caso passasse desse tempo, seria tarde demais...


Quando, de súbito, todas as luzes do recinto se apagaram.


Shizuo não conseguia ver nem um palmo do que estava à sua frente. Perguntou-se o que estaria acontecendo? Não parecia coisa de CN, em vista de que ela já havia conseguido Kasuka como refém. Então, de quem seria? Poderia ser... Izaya? Não sabia. Se fosse, por que tinha de ter demorado tanto? Ainda mais sabendo que a vida do Heiwajima mais novo estava em risco... Parou por alguns instantes para pensar. O teatro era velho e abandonado, poderia muito bem ter sofrido uma queda de energia. Mas não. Aquilo havia sido proposital, certamente. Logo que tudo escureceu, pode ouvir passos, alguns socos e o estrondo de algo pesado caindo no chão – que Shizuo esperava que fosse a espada de Cora, ou ela própria. Gemidos de dor pareciam estar sendo abafados, embora tivessem cessado não muito tempo depois – como se alguém houvesse feito parar. Era um tanto aterrorizante, pois podia muito bem ser um aliado, mas também poderia ser alguém para encurralá-lo, se aproveitando da situação em que CN o colocara. Mas resolveu manter a calma – na medida do possível para alguém como ele, obviamente. Levantou-se de sua cadeira e ficou a postos, caso sentisse o sujeito se aproximar, estaria pronto para acertá-lo num golpe direto. Mas nada aconteceu. E depois de certo tempo, todos os ruídos foram interrompidos por um longo e cortante silêncio. Sem suspeita do que estava acontecendo, o loiro foi até o palco. Demorou algum tempo para chegar lá, embora estivesse relativamente perto, pois teve de tomar cuidado para não tropeçar em nenhum obstáculo – não que houvessem muitos, mas era sempre bom se prevenir, embora estivesse demasiado tenso para se concentrar nesse tipo de detalhe. Ao se aproximar, apalpou o chão de madeira, em busca de encontrar o corpo de alguém (fosse Kasuka, fosse Cora... Tanto faria. Só queria ter uma ideia do que estava se passando). Sem encontrar nada, resolveu procurar mais no centro. Pois, se bem lembrava, era onde CN e o irmão estavam. Subiu no palco com facilidade, e engatinhou, continuando sua busca. Não demorou muito para que as luzes se acendessem, indicando a volta da energia, machucando sua vista devido à claridade repentina, e também o fazendo ver o que ali havia.


Tanto Cora quanto Kasuka haviam sumido, não havia nem um rastro dos dois no chão, ou em qualquer outro lugar do teatro... Era como se nunca tivessem sequer estado ali. De certa forma, esperava por aquilo, pois havia parado de sentir a presença da mulher há não muito tempo. Sabia bem que ela tinha a habilidade de esconder e mostrar sua aura quando quisesse, mas naquela hora, ela havia sumido tão repentinamente que não parecia... Normal... O sujeito deveria ser alguém realmente incrível para conseguir atingir CN com a facilidade com que atingiu. Shizuo buscou por trás das cortinas, por dentro do palco, em todos os lugares que lhe foram permitidos, mas não havia nada. Haviam simplesmente evaporado dali. Não imaginava que horas deveriam ser, mas tinha certeza de que era tarde. Isso não era bom. Ikebukuro, como qualquer outra cidade grande, era potencialmente mais perigosa à noite. E movimentada. Quem quer que fosse que pegou Kasuka e CN, com certeza já teria tido uma vantagem de tempo bem grande, só no tempo do pique de luz, para estar longe dali. E ganhou ainda mais tempo no intervalo em que Heiwajima decidiu procurá-los dentro do teatro, só para averiguar se não estavam jogados em algum canto. O loiro resmungou, malcriado, chutou a parede e deixou uma rachadura que lá havia ainda mais evidente. Não se importou, pelo menos havia arranjado um jeito de amenizar toda a raiva que estava sentindo. Não queria mais ficar ali, e sentia-se, de certa forma, claustrofóbico. Não gostava de pensar no que poderia ter acontecido com o seu irmãozinho, ou mesmo com CN. Realmente havia alguém pior que ela naquela cidade? Precisava sair e começar a busca por Kasuka o mais rápido possível. Pulou desajeitadamente do palco e saiu correndo para fora daquele lugar que lhe dava calafrios. Só sossegou quando se viu fora daquele inferno. Mas não se sentia totalmente fora dele, estava vivendo um inferno graças àquela mulher. E estava preso lá. Sinceramente, não sabia se havia algo pior do que aquilo. E além de tudo, ele não conseguiu descobrir quando, como e onde haviam se conhecido. Realmente, frustrante.


Encarou a rua vazia... Era um tanto abandonada, pois havia outras rodovias mais fáceis de transitar do que naquela. Não tinha muita iluminação fora a luz da lua, o que tornava ali um local de risco. Não se importava. Não era como se alguém fosse mexer com ele – e se o sujeito tivesse tal ousadia, capaz que o partisse no meio, de tão estressado que estava... Sua cabeça começava a doer, não sabia o porquê. Deveria ser porque estava extremamente sobrecarregado. Tantas coisas passavam-lhe pela cabeça que nem sabia mais conectar as ideias, ou talvez só estivesse muito exausto para fazê-lo. Sentou-se nas escadas da entrada do teatro e encostou a cabeça numa pilastra que lá havia, entregando-se ao cansaço. Permitiu-se respirar fundo por alguns segundos, para que pudesse ficar “mais leve”, e segurou-se para não cair no sono. Sentia suas forças se esvaírem cada vez mais. Sua cabeça latejava e a dor que lhe invadia era insuportável. A tensão que sentira durante o dia todo finalmente apareceu e pesou sobre todo o seu corpo. Sua visão ficava ligeiramente embaçada e seus olhos já começavam a se fechar. Dormir ali seria loucura, mas quem disse que ele tinha forças para se levantar? E, para ser honesto, nem mesmo sabia se queria se levantar. Desde o começo, soube que CN não era coisa boa. Mas terminou por se tornar algo pior do que ele pensava. Algo incontrolável. Queria que tudo aquilo acabasse logo... Queria resolver as coisas com a pulga maldita de uma vez por todas... Queria voltar à vida "pacata" de antes... Mas agora, tudo parecia um tanto distante. Um tanto impossível de ser alcançado. Talvez fosse melhor ficar ali e esperar tudo terminar de uma maneira mais fácil. Ah, e ele não era covarde, que fique bem claro. Esse era um adjetivo que, definitivamente, não existia no dicionário do homem mais forte de Ikebukuro. Mas mesmo ele, tão forte, tem de tornar-se vulnerável alguma hora. Uma hora ele teria de fraquejar. Estava cansado de se perguntar se as coisas ficariam bem no final, porque a resposta para aquela pergunta não parecia nem mesmo estar perto de ser descoberta. Estava cansado de tudo aquilo ali. Cansou-se tão rápido que se surpreendeu. Mas nem mesmo alguém como ele, o tão chamado “monstro”, conseguia suportar ver as pessoas que tanto estimava serem manipuladas como bonequinhos por Cora. Aquela psicopata maldita... Queria saber o que havia feito de tão ruim para que ela ficasse daquele jeito... Queria uma resposta para todas as suas perguntas...


Sentiu seu telefone vibrar em seu bolso. Encarou o visor com o restante de suas forças, viu que era uma mensagem de Izaya. Seus olhos se arregalaram a visão voltou ao normal, muito provavelmente por ter certa noção do que o conteúdo se tratava, mesmo sem tê-la lido, ainda. Abriu o celular e clicou para vê-la. Demorou um tempo para acreditar no que havia lido, e não pôde deixar rir depois. Era muito bizarro para ser verdade.


A mensagem dizia:


“Nee, Shizu-chan, minhas irmãs pegaram o Kasuka, e trouxeram para mim. Ele está meio machucado, eu até imagino o que seja... Estamos indo para a sua casa agora.”

A família Orihara era, indubitavelmente, uma família composta por membros excêntricos. Era um tanto cômico imaginar que as “salvadoras” de Kasuka eram justamente Mairu e Kururi – aquelas conseguiam ser duas pestes, assim como o irmão mais velho. Mas isso o alegrou um pouco, tinha de admitir. Embora não o bastante. Sabia que tudo aquilo estava longe de acabar, pois se seu irmãozinho estava com as irmãs de Izaya e CN havia desaparecido, só podia significar que ela havia conseguido fugir; talvez isso explicasse como a presença dela sumiu de uma hora para outra. Na adrenalina do momento, ela não deve ter conseguido fazê-la se dissipar lentamente, como o de costume. Bom, pelo menos o caçula dos Heiwajima estava a salvo, e isso era motivo para terminar o dia alegre. Não esperou mais nem um minuto. Foi logo correndo para a sua casa, e quando chegou, estavam todos – inclusive os seguranças de Kasuka – cuidando do garoto desacordado. Mairu e Kururi, em especial, cuidavam de seus ferimentos, que, embora não fossem muito profundos, também não eram superficiais. Era melhor que não o levassem para um hospital, pois alguém famoso como seu irmão mais novo, com certeza, causaria um tremendo alarde. O que importava era que ele estava vivo, e em condições relativamente boas, em vista ao que tinha passado. Ele sobreviveria, não havia com o que se preocupar. Mas ainda sim, Heiwajima ficou por um tempo ao seu lado, agradeceu as garotas, que, embora fossem bastante malucas, com certeza salvaram a sua pele. Elas disseram-lhe que Kasuka deveria acordar no dia seguinte, e que só estava desacordado porque provavelmente havia sido sufocado por CN. Shizuo esperaria. Esperava que assim que o garoto acordasse, fosse contar como tudo havia acontecido detalhadamente. Ao ver que a situação estava estabilizada – ou pelo menos, tudo parecia estar sob controle – o loiro foi procurar Izaya pela casa.


Orihara estava em seu quarto, observando a cidade pela janela, distraído, e quando finalmente notou a presença de Shizuo, virou-se para ele, mas não o encarou diretamente; ao invés, encarou o chão, um pouco sem jeito. Ele sabia que a hora de conversar iria chegar cedo ou tarde, mas estava tentando adiá-la o máximo possível, pois nunca soubera como lidar com essas situações. Nunca soubera o que dizer para compensar seus sumiços, até porque ninguém nunca perguntava (e duvidava que alguém se importasse, também), mas sabia que ele perguntaria. E agora? Como se explicaria? Não sabia se havia, de fato, algo para ser explicado. Ele só havia ficado enciumado, e achou que precisaria de um tempo para si mesmo. Não queria aborrecer o outro com as suas baboseiras, simplesmente por achar isso desnecessário. Ele era assim. Não conseguia evitar. O guarda-costas ficou a encará-lo por alguns minutos, sem dizer nenhuma palavra. Não sabia dizer se Izaya estava feliz em vê-lo, e também não sabia dizer se estava feliz com aquele reencontro. O clima estava um pouco tenso, provavelmente porque nenhum dos dois sabia como deveria agir, mas estava claro que não daria para fingir uma naturalidade que simplesmente não existia ali. Nem mesmo conseguiam sorrir, até porque aquilo criaria um clima ainda mais constrangedor. O silêncio os irritava, mas ninguém tinha coragem o bastante para iniciar uma conversa.


– Foi você que mandou as suas irmãs irem resgatar Kasuka? – Shizuo foi quem quebrou o silêncio, depois de um bom tempo. Orihara fez que “não” com a cabeça.

– Você disse que as coisas iriam ser do seu jeito, Shizu-chan. – Disse o informante, hesitando. Sua voz falhava um pouco, provavelmente por estar nervoso/ansioso com a presença do loiro. – Eu não interferiria.

– Obrigado, de qualquer forma. São as suas irmãs, no fim das contas. – Sorriu discretamente.


Izaya também sorriu de maneira imperceptível, e ficaram mais algum tempo em silêncio.


– ...Por que você não me contou que estava com ciúmes? – Shizuo perguntou, depois de não aguentar mais. Odiava o modo com o informante se segurava para não demonstrar o que sentia. Sempre que ele fazia isso, sentia que não poderia fazer nada para ajudá-lo. Orihara pareceu um pouco espantado com o que ele havia dito, provavelmente por não ter esperado que ele tivesse percebido.

– Eu? Com ciúmes? – Tentou contornar, embora fosse um tanto tarde para aquilo, devido à sua reação prévia, levou tempo demais para responder. Riu nervosamente. – Não seja bobo, Shizu-chan...

– Pulga, você não pode fugir dos seus sentimentos para sempre. – Respondeu, em tom sério. – Você deveria saber que eu gosto de você. E deveria ser mais honesto consigo mesmo.


Orihara encarou Shizuo, que o olhava no fundo de seus olhos. Era espantoso como ele conseguia pronunciar tais palavras, com a voz tão firme, de maneira tão sincera. Ele era muito mais forte do que Izaya jamais seria. E seus olhos se encheram de lágrimas ao pensar nisso. Às vezes, o amava tanto que nem mesmo sabia... E ainda sim, agia como um covarde. Fugia dos problemas, do que sentia, de tudo. Nem sequer conseguia falar que gostava dele, assim, tão abertamente. Tinha certeza de que havia feito o loiro sofrer com sua atitude, mas era tão egoísta que não pensou nisso antes de tomá-la. Odiava-se por isso também. Mas esse era o seu jeito... Inevitavelmente. Ele nunca fôra uma calmaria. Sempre fôra intenso como uma tempestade. E suas atitudes impulsivas o faziam se arrepender depois, mas ele sempre se deixava levar pelo momento, e velhos hábitos eram difíceis de largar. Era difícil para admitir para si mesmo que não gostava de ver Shizuo falando daquele jeito sobre Cora, e também não queria nem imaginá-los juntos. Mas, então, o loiro chegava lá e simplesmente entendia tudo. E falava aquelas coisas assim, fácil, fácil... Acalmando seu coração em questão de segundos. As lágrimas escorriam essencialmente mais amargas naquele dia. Não sabia porquê. Talvez porque fossem lágrimas de frustração, por nunca conseguir ser honesto consigo mesmo, e terminar por preocupar/machucar as pessoas à sua volta. Mesmo aquela que mais amava. Heiwajima o envolveu em seus braços, o fazendo chorar ainda mais. Ele não merecia que Shizuo o tratasse daquele jeito após ter feito o que fez, e sabia bem disso. Mas o loiro sabia que Izaya era frágil, embora não aparentasse. Sabia que não conseguia lidar com ele e que jamais poderia exigir demais, também. Mas, pelo menos, tentaria entendê-lo sempre que fosse necessário.


– Eu não gosto de você com ela. – Respondeu de um jeito um tanto inarticulado, como se não quisesse admitir, de fato. – Eu a odeio, quero matá-la. Odeio como você fala dela... E como ela te faz sentir...

– Eu não sinto nada por ela, pulga. – Acariciou os cabelos do moreno, tentando acalmá-lo, pois sua respiração estava descompassada e Shizuo podia mesmo sentir seu coração acelerado. – Não há motivo para você ficar assim...

– Eu sei. Mas eu não consigo evitar.

– Então, não te darei mais motivos para ficar assim. – Respondeu. Mas não me deixe sozinho de novo, tudo bem? – Shizuo pediu, depositando um beijo carinhoso na testa do informante e limpando as lágrimas que escorriam, teimosas, por seu rosto.

– Você não precisa fazer isso, Shizu-chan... – Pediu, entre soluços.

– O que estou fazendo? – O loiro perguntou, um tanto confuso.

– Eu pretendia sumir por muito tempo, eu menti quando disse que iria aparecer hoje, eu queria me afastar de você... – Izaya respondeu entre soluços. Estava com um nó tão grande na garganta que mal conseguia achar as palavras que queria dizer. E o fato de Heiwajima estar sendo bastante compreensivo só o fazia se sentir mais desconcertado e triste. – Fiz algo extremamente egoísta... E só percebi isso quando te vi na porta, parecendo tão triste...

– Eu estou bem, pulga. – Respondeu. E, embora fosse mentira, ele estava aliviado de ver Orihara agindo como tal novamente. – Sempre estive. Só não quero te ver longe de mim.

– Me desculpe. – Afundou sua cabeça na blusa do loiro, o apertando com força.

– Está tudo bem. Só me prometa que se, por algum acaso, você ficar aborrecido com qualquer coisa, irá me contar.


Izaya assentiu com a cabeça. Gostava de Shizuo por ele ser desse jeito; cauteloso e compreensivo. Bem sabia que havia uma ótima pessoa dentro daquele monstro. Que não era tão monstro assim, para ser honesto... Afinal, ele sabia lidar com essas situações muito melhor do que o informante, embora fosse mais “novo” nesse tipo de assunto. Orihara não conseguia ser completamente sincero quanto ao que sentia, ainda. Tentaria melhorar esse aspecto. Não fugiria mais. Sabia que não merecia o que Heiwajima sentia pela sua pessoa, mas, se sentia, ele faria valer a pena. Mas se importaria com isso depois, pois a única coisa na qual conseguia pensar no momento era em como os braços do loiro o envolviam de maneira tão terna e confortante. Poderia ficar ali para sempre, se quisesse.


É. Talvez quem estivesse precisando abrir o coração fosse Izaya, e não Shizuo.

Notas finais
RÁÁÁÁ, PEGADINHA DO MALANDRO, NO FIM DAS CONTAS A CN NÃO FALOU NADA *apanha* Q
Gente, sério, eu ia fazer ela falar, mas aí eu tive mais ideias, e eu espero que vocês tenham paciência, logo logo tudo vai ser desvendado e aí, sei lá, mil tretas mano -QN
Enfim, foda-se a CN (aquelas EUHUEHUHE), vamos ao que importa:
AI, EU NÃO AGUENTO ESSA CENA DO FINAL E ;____; QQQQ
Não tem SUPER beijo romântico, nem nada, mas só de ver eles se reencontrando e ver o Shizuo sendo um amor de pessoa é tão aw :3 ♥ *morre*
Bom, como eu disse, ficou OOC, e eu achei meio necessário, porque sei lá, eles tem que se reencontrar/se resolver de um jeito romântico. Mas será que eles se resolveram mesmo? ~clima de tensão no ar~ q /apanha
Eu não tenho muito o que falar, eu coloquei minha *~ALMA~* pra escrever esse capítulo e compensar o tanto que eu demorei.
Se quiserem ouvir as músicas que me inspiraram para escrevê-lo (eu juro que tentei enfiá-las em algum lugar, mas era tantas que eu não consegui agrupar de um jeito que me agradasse e ;____;):
Paramore - The Only Exception ( http://letras.mus.br/paramore/1554957/ )~clichezona essa, mas eu amo, e acho que tem tudo a ver :3
Arctic Monkeys - 505 ( http://letras.mus.br/arctic-monkeys/961296/ ) ~pras partes de draminha básico
Fleetwood Mac - Storms ( http://letras.mus.br/fleetwood-mac/391637/ ): A que me inspirou para o título do capítulo, e a letra também me lembra o Izaya. E essa é bem sad i_i 3
Fiquei bem satisfeita com o resultado, e espero que vocês tenham gostado também ;n; Foi simples e direto, assim como o relacionamento deles ♥
Desculpem a demora de novo T3T Vou compensar vocês de agora em diante, então, sei lá... Desculpem. *chora*
É isso. O novo capítulo sai em breve (dessa vez é certeza, galere -q). Espero que estejam gostando ♥ Obrigada por estarem lendo!
Um beijo :*