Walkie-talkie

9 La La La It's Love


Notas iniciais
Amoures! Tardei, mas não falhei, viram? ;)
Não, vcs não estão vendo dobrado: hoje tem sim DOIS caps novinhos para vcs! Eu não sou demais? *apanha* Sobre o cap bônus eu falo depois...
Esse cap aqui eu escrevi todinho ouvindo a música do titulo, que é tema de um k-drama que eu amo muito chamado 1st Coffe Prince Shop. Quem quiser ouvir a música enquanto lê, descolei um link no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=NQYh0mRdZO4
Acho que o titulo já diz tudo sobre o clima do cap, né? ;D Espero que gostem! Boa leitura ^.^

Yutaka abriu os olhos preguiçosamente na cama macia. Ele esfregou os olhos e suspirou de forma cansada. Mais um dia monótono estava começando.

O dia se arrastou da mesma forma que os anteriores. Yutaka tentava arranjar diversas coisas para fazer, mas nada lhe ocupava a cabeça o suficiente. Ele começara a adiantar as coisas com a gravadora para a produção do próximo single inclusive, mas nem mesmo o trabalho conseguira colocar de novo o sorriso tão habitual em seu rosto.

Ele sentia uma falta imensa de Yoko-chan e não parava de pensar nela.

Yutaka carregava o walkie-talkie para praticamente todo o lugar que ia, mas a garota não entrou em contato novamente. Todos os dias ele a chamava, de manhã, de tarde e de noite, mas ela nunca mais respondera. Como uma coisa tão boba chegara àquele nível? O músico ainda não podia acreditar que a perdera por pura bobagem, um desentendimento tolo...

Yoko sequer dera ouvidos às suas explicações. No mínimo o julgou doido ou ainda mais manipulador por dizer que era o baterista do The Gazette. Como ela poderia acreditar naquelas circunstâncias? Ele deve ter parecido um mentiroso sem escrúpulos para a jovem... E no final, os medos dele se concretizaram: Yoko se afastou ao descobrir quem ele era.

Talvez aquela nunca tivesse sido uma boa ideia, desde o início. Yutaka só se enganara aquele tempo todo. Se ele tivesse parado com tudo aquilo quando houve tempo... Se ele tivesse simplesmente jogado fora o walkie-talkie aquela vez... Se ele não tivesse se envolvido com Yoko agora não estaria angustiado daquele jeito.

O telefone tocou, sobressaltando o moreno que atendeu prontamente.

- Alô – ele disse com certa animação.

- Olá, Yutaka, como está? – era apenas Akira do outro lado. A expressão de Yutaka desmanchou-se novamente em tristeza e desânimo. O que ele esperava, afinal, que fosse Yoko? Ela nem tinha seu número... De qualquer forma, nem por walkie-talkie seria possível uma conversa com ela, já que Yutaka perdera o seu na sua última tentativa de arrumar a casa. Ele devia encarar aquilo como um sinal para desistir de uma vez por todas daquela ideia...

- Ah, oi, Akira. Estou bem – seu tom de voz denunciava exatamente o contrário.

- Vamos nos reunir hoje à noite na casa de Yuu, você vai também, certo?

- Ah... Eu não sei... – Yutaka hesitou por um momento e então respirou fundo. Ele não estava desistindo daquela ideia? Aquilo era tudo o que ele precisava para recomeçar – Hum, certo. Eu irei sim!

- Ok, passarei na sua casa mais tarde. Até logo.

Yutaka apenas meneou a cabeça antes de desligar, esquecendo-se que o outro não podia vê-lo.

O moreno foi até seu quarto escolher algumas roupas aleatoriamente para mais tarde, antes de entrar no banho. Jogou as peças sobre a cama de forma descuidada e ao terminar a tarefa jogou-se sobre as roupas, deitando na cama de forma que o corpo ficasse atravessado, a cabeça pendendo em direção ao chão.

Ele precisava se distrair... Ele precisava dos amigos naquele momento, mesmo que eles não soubessem do que tinha acontecido. Talvez conversando sobre outras coisas e fazendo piadas Yutaka conseguisse deixar de ser idiota e tirar aquela voz doce de sua cabeça. Yutaka estava decidido a deixar aquilo para trás, se era o que o destino estava lhe impondo.

Yutaka abriu os olhos que ele nem percebera ter fechado, focando-os no chão embaixo de sua poltrona próxima à janela. Havia algo embaixo da poltrona... A visão de cabeça para baixo não o ajudava a compreender o que era, mas ele reconhecia aquela imagem. Era... Era um... Era o seu...

- Yuk, está me ouvindo? Estou lhe dando uma última chance... Se quiser falar, me responda.

O músico piscou várias vezes, ainda tentando entender o que via embaixo da poltrona. Por que aquela coisa falava? Não que falasse exatamente, mas emitia som, definitivamente...

- Yuk, eu... Eu quero ouvir uma explicação. Eu exijo uma explicação! Eu exijo que me responda, aliás!

Yutaka se virou, sentando-se de forma convencional. Aquilo era o seu walkie-talkie perdido. E ele parecia bastante bravo.

O moreno se lançou no chão, tateando embaixo da poltrona até alcançar o pequeno aparelho frio. Yutaka encarou o objeto por alguns segundos sem conseguir conter um sorriso. Aquilo não podia ser verdade...

- Certo, estou desligando então!

- O quê? Não! – aquela declaração despertou Yutaka, fazendo-o retrucar em seguida – Não, não, não, Yoko-chan, por favor! Eu estou ouvindo, eu estou lhe ouvindo perfeitamente e nem acredito nos meus ouvidos...

Yutaka sorria abertamente e sequer conseguiu se xingar por uma declaração tão descarada.

- Hum – Yoko disse simplesmente, mas o músico podia ouvir as nuances de sua voz denunciando que ela estava se segurando para não rir. Yutaka suspirou de alívio ao ouvi-la de novo.

- Yoko, por que não me respondeu antes?

- Não tão rápido, senhor Yuk, ainda estou esperando uma explicação razoável para o que aconteceu no outro dia!

Yutaka teria rido se o tom dela não estivesse tão sério daquela vez.

- Você ainda está brava? Ah, você não acreditou no que eu disse, aposto que foi isso... Mas tudo o que eu lhe disse era verdade, Yoko.

- Tudo o que você disse quando? Você está querendo dizer que é um pervertido mesmo, seu cafajeste?! – o tom de Yoko estava exasperado e a conversa começa a tomar rumos perigosos. Yutaka precisava se livrar daqueles aspectos dúbios o quanto antes.

- Eu nunca disse que era um pervertido, Yoko, quem falou isso foi você. Eu estava me referindo a tudo o que eu disse depois, eu não menti uma única palavra sobre aquilo. É a mais pura verdade... mesmo que você não acredite.

Os segundos foram se alongando e Yutaka começou a se desesperar pensando que Yoko tinha deixado-o falando sozinho de novo. Mas a réplica veio após um tempo, em um tom completamente diferente.

- Você está querendo dizer que deu uma explicação lógica e inocente sobre o que aconteceu aquele dia? – Yoko parecia desconcertada e aquilo pegou o músico de surpresa.

- Sim, eu lhe expliquei com todas as letras o que houve... Você não ouviu?

- É que... Bem – Yoko pigarreou sem jeito – Meu walkie-talkie estava sem as pilhas desde aquele momento... constrangedor.

Yutaka arregalou os olhos sem acreditar no que ouvia.

- Você tirou as pilhas do walkie-talkie, Yoko??? E me deixou falando sozinho esse tempo todo?

- Como assim “esse tempo todo”? Você... Você estava tentando falar comigo depois de eu te xingar e te ignorar?

- Todos os dias.

- Oh, Yuk-chan, me desculpe por isso... – Yoko parou ao perceber que não era ela quem devia estar pedindo desculpas segundo o plano original – Mas eu realmente fiquei ofendida, se você quer saber!

O moreno riu mais uma vez do tom bravo dela.

- Mas eu continuo sem saber de nada! Acho que você vai ter que repetir tudo. Isto é, se quiser continuar conversando comigo, é uma escolha sua...

Yutaka gargalhou. Ela estava jogando com ele... Ele nem podia acreditar, era como as outras conversas que eles já tinham tido: agradáveis e despretensiosas.

- Ok, aqui vou eu – foi a vez de ele pigarrear, usando um tom mais sério – Aquele dia, Yoko-chan, você me pegou no meio de um ensaio... Eu sou baterista, acho que já devia ter lhe contado isso, não é? Sou profissional, tenho uma banda e tudo o mais... É isso o que eu faço para viver, na verdade: eu toco bateria. Aquele dia eu estava exausto porque tinha passado horas praticando.

Yutaka soltou o botão lateral para esperar a resposta de Yoko. Seu pulso acelerava só de pensar que ela podia não acreditar naquilo. Ele estava se sentindo tão feliz ouvindo a voz dela depois de todos aqueles dias que não suportaria perder o contato outra vez. Yoko precisava acreditar, era a mais pura verdade!

- Oh – foi tudo o que Yoko respondeu por um tempo, o que só aumentou a aflição do moreninho – Então você é músico? Acho que jamais te imaginaria tocando uma bateria, Yuk-chan. Parece tão... violento!

Yutaka, ainda sentado no chão, recostou a cabeça na cama, rindo de alívio. Ela tinha ouvido e acreditado! E tinha chamado-o de “Yuk-chan”! As coisas estavam voltando ao normal, Yutaka ainda não conseguia acreditar.

- A bateria não tem que ser violenta, Yoko-chan, ela tem que ser forte. Quando estou tocando é como se fosse a batida do meu coração... Uma extensão do meu próprio corpo, da minha própria alma... – Yutaka subitamente teve uma ideia – Gostaria de ouvir, Yoko? Não é tão romântico quanto um violão, eu sei, mas... – ele não soube como terminar a frase, sentindo-se corar, coisa que não ocorria com frequência.

- Eu gostaria de ouvir sim, Yuk-chan!

Yutaka sorriu abertamente e se levantou de imediato.

- Espere só um momento, ok?

O músico foi até a cozinha, onde pegou um rolo de fita crepe, e foi correndo para a sala da bateria. Ele enrolou a fita várias vezes no walkie-talkie, de forma que o botão lateral ficasse constantemente pressionado.

- Bom, espero que esteja me ouvindo assim... Ok, aqui vamos nós!

Yutaka posicionou o aparelho no chão, um pouco afastado da bateria para evitar que o som ficasse alto demais para Yoko. E então ele se sentou e começou a tocar, sentindo toda a adrenalina percorrer seu corpo, desde as mãos que seguravam as baquetas até o pé no pedal que batia no bumbo. Yutaka não procurou nenhuma música para tocar, ele simplesmente deixou que tudo o que sentia naquele momento fluísse através das batidas. Tocava com tanta intensidade que em pouco tempo já estava completamente ofegante e elétrico. E assim o músico perdeu vários minutos onde, pensando em Yoko, ele quase esqueceu que a própria esperava no outro walkie-talkie.

- Acho que isso é o que posso lhe oferecer no momento... – Yutaka riu ao pegar o pequeno aparelho preto de volta, retirando a fita para que Yoko pudesse responder. Ele ainda tinha a respiração descompassada.

- Isso foi incrível, Yuk-chan! Foi realmente bonito...

Yutaka alargou seu sorriso enquanto se sentava no chão, escorando-se na bateria.

- Então toda aquela história ficou pra trás?

- Hai! Acho que não tem jeito de eu duvidar de você agora – Yoko riu seu riso infantil, e Yutaka fechou os olhos ao perceber como sentira falta daquilo – Amigos de novo?

- Hai! – foi a vez de ele dizer – Eu senti tanto a sua falta, Yoko-chan... Tanto...

Yoko parece um pouco encabulada ao responder.

- Eu também senti sua falta, Yuk-chan...

- Yoko, eu...

Yutaka foi bruscamente interrompido pela campainha. Akira já tinha chegado? O moreno já imaginava a cara de impaciência do loiro ao vê-lo naquele estado...

- Hum, está com visitas?

- Na verdade, eu vou visitar um amigo – Yutaka coçou a cabeça – Vai ser um encontro da nossa banda – a campainha soou mais duas vezes de forma irritante. Yutaka praguejou baixinho.

- Acho que seu amigo está com pressa... – a garota ria da situação.

- Ele gosta de importunar as pessoas – Yutaka respondeu mal-humorado.

- Ah, é o mesmo do outro dia? Como era o nome dele? Akita?

- Akira – o moreno sorriu – E sim, é ele mesmo. Vejo que até você já está a par da má reputação dele.

- Bom, então não o deixe esperando ou ele vai ficar ainda mais impaciente. Tenha uma boa noite!

- Espera, Yoko-chan... Nos falamos amanhã de novo? – Yutaka franziu o cenho enquanto esperava a resposta com certa apreensão. Tudo aquilo ainda parecia perfeito demais para ser verdade.

- Claro que sim! Eu te chamo no meu horário de almoço, tá?

Yutaka abriu um sorriso enorme, evidenciando suas covinhas.

- Acho que vou almoçar ansioso... – ele riu e fez uma careta para o que acabara de falar – Boa noite, Yoko-chan.

- Tchauzinho!

A jovem mal tinha terminado de falar e a campainha tocou outra vez. Akira já devia estar bufando do lado de fora e Yutaka se apressou para atendê-lo.

- Mas que demora, você estava...? – Akira olhou estupefato o estado lastimável do amigo ao entrar no apartamento – Você nem tomou banho ainda, Yuk! E eu pensando que o enrolão era o Yuu...

- Gomenasai, né, eu estava tocando bateria e me distraí – Yutaka coçou a cabeça sem jeito, o sorriso ainda reinando em seu rosto.

- Hum, estou vendo o que lhe distraiu... – Akira pegou o walkie-talkie da mão do moreno, analisando o objeto rapidamente – Estava conversando com ela, não é?

Yutaka deu de ombros sentindo-se ainda mais sem jeito. Ele tentava esconder o sorriso, mas não conseguia; ainda estava elétrico demais por ter esclarecido as coisas com Yoko e sequer ficava parado no mesmo lugar.

- Yutaka... – o loiro olhou o amigo com um misto de seriedade e incredulidade – Você está apaixonado por essa menina.

O baterista riu, ainda se embalando pra lá e pra cá nos próprios pés. Ele se sentia como um menino de tão feliz e envergonhado que estava.

- Acho que sim – ele respondeu por fim.

- Olha esse sorriso na cara, está todo bobo! – Akira brincou, batendo levemente no braço do outro – Vocês já se encontraram?

- Não...

- E você pretende ficar assim pra sempre, namorando pelo walkie-talkie, Yutaka? Não é nem um celular, é um walkie-talkie! Quando vocês vão se ver pessoalmente?

- Eu não sei... Ainda não falamos em encontro nem nada disso – Yutaka respondeu, sentindo-se um pouco mais à vontade.

- Então trate de marcar um logo – o loiro segurou o mais novo pelos ombros, conduzindo-o até seu quarto – E traga a menina para conhecermos também, precisamos aprová-la ou não...

- Hey, que história é essa? – Yutaka riu fingindo indignação.

- Sabe como é, precisamos avaliar se ela é boa o bastante para o nosso líder – Akira também riu.

- Ela é a melhor garota do mundo, Aki. Pode ter certeza disso.

- Eu me enganei: você está completamente apaixonado por ela – o baixista revirou os olhos – Agora vá se arrumar logo! Eu vou esperar na sala...

Yutaka assentiu com a cabeça ainda sorrindo largamente. O moreninho pegou sua roupa em cima da cama e rumou para o banho.