Walkie-talkie
14 Epílogo
Notas iniciais
Epílogo
- Yoko! Você não vai se atrasar?
- Ah, eu sei, Mai-chan! – choramingou a mais nova – Mas eu não consigo decidir o que fazer no meu cabelo!
Mai foi até o quarto que dividia com Yoko para visualizar a cena: a moça estava sentada em frente à penteadeira, mirando-se no espelho com a expressão angustiada. Uma das mãos segurava desajeitadamente uma mecha de cabelo na tentativa de imitar um penteado, fazendo Yoko parecer uma criança. Mai riu diante daquela imagem.
- Não ria, onee-san – Yoko fez beicinho – E eu já estou atrasada...
A mais velha caminhou até a penteadeira, colocando-se atrás de Yoko, segurando-a pelos ombros desnudos. A moça usava um vestido vermelho sem mangas que descia solto até um pouco acima dos joelhos. A maquiagem era praticamente inexistente, à exceção de gloss e delineador.
- Deixe-me dar um jeito nisso – disse Mai, arrumando os cabelos longos da irmã com os dedos. Ela se esticou para pegar uma tiara preta simples sobre a penteadeira e a colocou em Yoko sem desfazer sua franja – Aqui. Assim esse rostinho lindo vai ficar livre para ser admirado.
Yoko sorriu, encarando a irmã pelo espelho, que correspondeu ao gesto.
- Agora vá logo antes que perca o ônibus. Não é polido deixar os outros esperando.
Yoko se levantou e beijou a bochecha de Mai antes de disparar em direção à saída do apartamento.
- Yoko – a mais velha chamou de forma musical – Não está esquecendo nada?
A jovem apressada voltou a atenção para Mai, vendo-a balançar sua bolsa pequena nos dedos. Yoko voltou correndo, pegou a bolsa, beijou a irmã novamente, calçou as sapatilhas pretas e saiu sob o riso de Mai.
- Não volte tarde! – Mai gritou da porta de forma autoritária, mas ainda rindo de toda a cena.
- Pode deixar! – ela ouviu a resposta de algum lugar nas escadas e alargou o sorriso, voltando para o apartamento.
Yoko chegou ao cinema dez minutos antes do horário combinado. Suas passadas rápidas tinham acelerado ainda mais seus batimentos e corado seu rosto. Ela sorriu abertamente ao avistar Yutaka em um canto mais reservado, usando um boné e óculos escuros. E uma camiseta vermelha.
- Oi – Yoko disse timidamente, a respiração ainda um pouco falha.
- Yoko-chan – o moreno abriu um lindo sorriso de covinhas ao se aproximar mais, tomando o queixo de Yoko para lhe roubar um selinho – Você parece apressada – Yutaka riu.
- Eu não queria deixá-lo esperando – Yoko respondeu mais vermelha do que antes – Você veio mesmo com a camiseta!
- Claro. Não era esse o combinado? – Yutaka sorriu ao tirar os óculos e passar o braço pelos ombros da garota, conduzindo-a para a sala de cinema.
- Que filme é, Yuk-chan? – Yoko perguntou com a curiosidade habitual assim que eles se acomodaram em uma poltrona de casal na última fileira. Yutaka mantinha o braço em torno da jovem de forma acolhedora.
- Ahn... Eu não faço a mínima ideia – ele riu sem jeito – Foi a moça da bilheteria quem me recomendou... Ela parecia bastante emocionada falando do filme.
Yoko riu e Yutaka não pôde deixar de corresponder. As luzes se apagaram, mas o moreno não desviou os olhos de Yoko. Ela também não se moveu, sentindo-se presa àquele olhar tão profundo e carinhoso. Aos poucos os sorrisos foram desvanecendo e Yoko sentiu seu coração acelerar sem que ela ordenasse. Yutaka deslizou a mão pelo rosto da jovem com gentileza, descendo para o pescoço e então parou na nuca, puxando-a suavemente para um novo beijo.
Dessa vez, Yutaka não teve pressa alguma. Ele prolongou o contato suave por tempo suficiente até sentir Yoko relaxar e respirar outra vez. Ela passou os braços pelo seu pescoço e retirou seu boné, acariciando seus cabelos com delicadeza. Yutaka aproveitou a deixa para aprofundar o beijo, sentindo Yoko consentir em meio a um suspiro.
O tempo parecia não passar enquanto eles estavam daquele jeito. Eles poderiam permanecer assim por horas e não notariam nada além da presença do outro, do toque do outro, do carinho que os conectava de forma tão única e especial. Quando Yoko finalmente encerrou o beijo de forma terna, eles já tinham perdido um bom pedaço do filme.
Yutaka puxou Yoko para se acomodar em seu abraço, repousando a cabeça em seu ombro. Ele então sussurrou em seu ouvido:
- Eu gosto muito de você, minha pequena.
Yoko sorriu como uma menina faria. Num movimento rápido, ela deixou um selinho nos lábios de Yutaka; uma resposta muda, mas clara àquela declaração. A moça voltou a se aninhar em seu peito em seguida.
- Mas – disse Yutaka ainda em voz baixa – agora eu quero o número do seu telefone. Walkie-talkies dão muita confusão...
Yoko assentiu em meio a uma risada abafada. Ela repetiu o movimento anterior para beijar Yutaka rapidamente, mas dessa vez ele segurou seu rosto, prolongando a carícia por alguns segundos. E eles podiam permanecer assim para sempre...
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