Eu vou para o parque de uma cidade pequena. Vejo luzes coloridas nos brinquedos e reconheço Michael Jackson e Ivete Sangalo pintados em paredões. Uma música sai da caixa de som pendurada em um mastro no centro do parque, a relva é batida e molhada por conta do orvalho da noite.

Não há ninguém, uma folha de jornal passa voando como no desenho animado. A cidade é pequena, sabe. Eu ainda assim ando em volta, observo o carrossel, o meu favorito quando era criança, e que está com um cavalo quebrado. Paro em frente a roda gigante e lembro do meu antigo sonho em andar em uma. Levo um susto com um carrinho elétrico pegando fogo por conta de um curto circuito.

Todo verão ele vem para cá, assim como eu. Penso se ele roda o país inteiro e sorrio por invejar a vida de um parque. Mas fico feliz de ele não quebrar essa tradição e crescer junto a mim em janeiro até ele partir quando março chega com suas águas e põe fim ao verão.

Noto que o Ranger não foi instalado esse ano. Noto que tenho uma visão mais crítica àquilo que já foi um paraíso. Noto que ainda assim sinto magia, a nostalgia agora faz parte e o sentimento de vagar junto a ele também.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!