Waking The Demon
9 Capítulo 9
Notas iniciais
{Thomas POV}
Ultima aula. Jimmy realmente não havia aparecido então penso que deve estar muito mal mesmo. Após todos saírem correndo como animais da sala de aula, me levantei calmamente indo em direção a enfermaria do colégio – que descobri recentemente – que fica perto da parte desativada do mesmo.
Cheguei lá, me deparando com uma senhora de cabelos brancos e um pouco gordinha. Ela me olhou de cima a baixo, acredito que avaliando se eu aparentava ter algo errado ou se estava lá por outro motivo.
- Olá querido. – Sorriu de lado. – O que posso fazer por você?
- Oi. Eu vim ver se meu amigo James Way está bem.
- James? O Way não veio aqui hoje querido.
- Ah não? Que estanho, ele disse que passaria aqui... – falei meio sem jeito.
- Bom, ele não apareceu. Sinto muito.
- Ahn, obrigada mesmo assim. Tchau. – sai enquanto a moça acenava para mim.
Caminhei de volta para a saída, onde por coincidência, Jimmy, Arthur e Rolland estavam. Não estava propriamente bravo com Jimmy, mas adoro assustar as pessoas. Andei até eles expressando minha melhor careta de raiva, mas podre de rir por dentro.
- Thomasito. – Jimmy correu de encontro a mim, mas recuou quando viu minha expressão.
- NÃO FALE COMIGO JAMES! – Passei reto por ele, indo de encontro aos outros dois enquanto tentava segurar o riso. Arthur e Rolland olhavam de mim para Jimmy sem entender muita coisa. Apenas pisquei para eles e me virei para minha vitima.
- Thomasito, o que eu fiz? – olhou-me assustado.
- MENTIU! MENTIU PARA MIM! EU FUI TODO PREOCUPADO ATRÁS DE VOCÊ NA ENFERMARIA E VOCÊ NÃO TAVA LÁ! A TIA DISSE QUE VOCÊ NEM APARECEU! – Jimmy olhou em pânico para os outros dois que deveriam, das duas uma: estarem controlando o riso, ou estarem com expressões parecidas com a de Jimmy.
- M-mas Thomasito, eu... – Estava conseguindo segurar bem a risada, até Jimmy continuar a falar. – Thomasito, tu ta parecendo meu marido. – Disse com cara de choro e os olhos começando a ficar úmidos. E então nós três, já que os dois agora estavam do lado de Jimmy, nos atiramos no chão, por não aguentarmos rir de pé.
Jimmy nos olhou confuso, mas quando caiu á ficha, ficou extremamente puto. Parece que não só comigo, mas com Arthur e Rolland também, pois nos chutou e depois saiu andando pesando enquanto nos recuperávamos do ataque de riso.
- Thomas Iero! O... Que... Foi isso? – Rolland ria tanto que não conseguindo se controlar. – Gee você viu a cara do Mikes?
- Coitadinho Thomasito! – Arthur já estava conseguindo cessar seu ataque.
- Ele mereceu. – Ergui a cabeça fazendo uma pose superior, mas logo ri.
- Estávamos indo para minha casa, quer ir junto? – Me convidou e Rolland confirmou com a cabeça para que eu aceitasse.
- Pode ser, não tenho mais nada pra fazer... – sorri.
***************
- QUE MERDA ELE TA FAZENDO AQUI? – Jimmy gritou levantando do sofá assim que me viu entrando pela porta. – EU QUE NÃO QUERO MAIS FALAR COM VOCÊ THOMASITO!
- Ah, por favor, James! Ele só estava brincando! – Gee tentou controlar o irmão que agora avançava em minha direção.
- Eu não quero saber. – Falou um tanto irritado. – ME SOLTA GEE! EU VOU ACABAR COM ELE!
- Solta ele. Eu tenho tudo sobre controle. – Pisquei para Arthur, que na hora o soltou.
Jimmy veio correndo enfurecido em minha direção, provavelmente tentando me bater, porém assim que ele chegou perto o suficiente, eu que já o esperava de braços aJoeos, o abracei, mas com a força do impacto, fomos ao chão.
Ele começou a estapear meu braço, enquanto de todas as maneiras possíveis, eu tentava me defender. Jimmy era bem rápido e como se não bastasse estar me batendo, ainda conseguiu me imobilizar, segurando minhas pernas com seus joelhos. Cansado de tanto apanhar, e em um momento de descuido de Jimmy, inverti nossas posições, prendendo-o ao chão com meu quadril, colocando uma perna de cada lado e segurando suas mãos acima de sua cabeça.
- O que você ta fazendo, Thomasito? – Perguntou receoso. Percebi que os outros dois apenas nos observavam, tentando adivinhar qual seria nossa próxima reação.
- Lembra quando me disse que não era gay? – Assentiu hesitante. – Bem, eu não acreditei. Vamos confirmar minhas suspeitas.
Abaixei-me, ficando com o rosto quase colado no dele. Estávamos próximos o suficiente para sentirmos as respirações um do outro. Jimmy se debatia ansioso, porém antes que pudesse reclamar, colei nossos lábios, fazendo-o se aquietar. Tentei aprofundar o beijo, mas no começo foi difícil, já que ele não corespondia. Alguns segundos depois, ele foi se entregando. Pedi passagem com a língua que prontamente foi concedida. Ficamos assim por mais algum tempo, nossas línguas fazendo uma dança estranha, praticamente programada, até que tivemos que parar por falta de ar. Nossas respirações estavam descompassadas e Jimmy permanecia de olhos fechados, suas bochechas extremamente coradas. Apenas sorri quando os abriu.
- Confirmado. – Dei-lhe mais um selinho e me levantei, fitando os dois garotos que observavam nossa cena, chocados demais para esboçarem reação. – Que foi gente? – Ri deles. Nos encaravam, principalmente a mim, como se fossemos aberrações em uma exposição de circo clandestino.
- Jimmy, você ta bem? – Rolland se aproximou dele, que ainda estava com a expressão de espanto de alguns segundos atrás, no rosto ainda vermelho. – Ei, acho que ele parou de respirar.
- Way, levanta daí cara... – Arthur chegou perto do irmão. – Thomas, tu matou ele!
-Matei nada. Levanta Jimmy, é serio. – chutei sua perna esquerda, mas o garoto nem se mexeu. – Tenho uma ideia. Rolland você pega um balde, e Gee, você pega água gelada, se tiver gelo, melhor ainda.
- QUE? Não, pera, nada de gelo, eu to bem. – Jimmy levantou de súbito, arrumando suas roupas que estavam um tanto amassadas. Após ajeitar-se, me puxou para um canto, longe dos outros dois. – Thomasito, que porra foi essa de me beijar, garoto? Ta ficando doido?
- Não, eu só queria ver se você correspondia. – Sorri. – E eu sei que você gostou. Mas relaxa, continuamos amigos, e se não quiser, por minha parte não sai daqui.
- Ei, como pode ter certeza de que eu gostei? – Falou um pouco alto demais, ficando emburrado.
- Na verdade, não tinha, mas esse pitizinho acabou de confirmar. Assim como você ter correspondido. – Debochei dele, que ainda estava emburrado. – Você tava tão fofo corado, dava vontade de morder.
- Bom, não importa, saiba que eu não sou mordível. E eu não sou gay, Thomas. Que isso fique bem claro. – Ajeitou os óculos no rosto. – Eu nunca beijei um garoto, isso faz de mim totalmente hetero.
- No mínimo bi. – Falei indo em direção aos outros. Jimmy veio logo atrás.
Os dois estavam sentados em um canto conversando algo sobre sair mais tarde, parece que o choque de momentos atrás havia passado. Talvez para eles não devesse ter sido muito inusitado, somente foram pegos de surpresa, mas provavelmente isso ficará marcado na cabeça de Jimmy pela eternidade. Seu primeiro beijo gay. Com nossa aproximação, Rolland e Gee se entreolharam, trocando sorrisos maliciosos. Continuei sorrindo como se nada tivesse acontecido, porém Jimmy estava bem irritadinho.
- Ei, dois. Vamos sair mais a noite. O casal daria a honra de nos acompanhar? – Gee falou divertindo-se com a expressão de Jimmy, que cada vez estava pior.
- Arthur, eu vou te mostrar onde enfiar esse casal, seu... – Jimmy avançou para o irmão, e então começaram novamente com a crise de tapas. Fui-me sentar ao lado de Rolland, no sofá, que observava atento os dois rolando no chão.
- Eles nunca vão mudar. – Comentou sorrindo.
- Não mesmo. – Concordei.
Então a porta atrás de nós abriu novamente, revelando um casal de meia idade bem vestidos, que assim que viram a cena, oscilavam suas expressões entre bravos e confusos. A mulher, que julguei ser a mãe dos dois, pela aparência, colocou a bolsa em cima da mesa de centro e veio até nós enquanto o homem repetia o mesmo ato com sua pasta, porém indo em direção aos irmãos que agora rolavam em direção á escada.
- MAS QUE PORRA ACONTECE NESSA CASA? – Gritou o homem, poucos passos dos outros dois, que a essa altura já haviam notado a presença dos adultos.
- Arthur é um idiota! – Jimmy disse.
- Idiota é você! – Arthur falou e quando os dois iam voltar a discutir, o homem interferiu.
- Por que estão brigando... De novo? – Perguntou um pouco mais calmo.
- Arthur chamou Thomas e eu de “casal”. É um imbecil mesmo. – revirou os olhos.
- E isso é motivo de brigas, desde quando? Por que falou isso, Arthur?
- Thomas e Jimmy se beijaram. E tipo, não foi um beijinho, foi um super beijo, com língua e tudo. Acha que eu perderia essa oportunidade?
- Eu não perderia. – Rolland sibilou ao meu lado, me fazendo rir.
- Filhos... Onde estava com a cabeça... – A mulher bateu na própria testa. – Enfim, não vão nos apresentar ao amiguinho de vocês?
- Ahn, mãe, pai, esse é Thomas, meu amigo e colega de sala. – Jimmy levantou, vindo para meu lado, enquanto Gee seguiu na outra direção, provavelmente ia ao banheiro limpar o filete de sangue que escorria de seus lábios. – Thomas, esses são meus pais, Donna e Donald.
- Prazer. – Levantei-me, apertando a mão do casal a nossa frente.
- O prazer é todo nosso, querido. – Donna sorriu simpática.
- Bom, a gente estava de saída, antes de o Jimmy dar esse chilique. Estamos indo. – Gee saiu de algum lugar que não vi, nos puxando para a porta.
- Tchau, queridos. Volte sempre Thomas. – Donna acenou, sendo acompanhada de Donald. Arthur fechou a porta logo em seguida.
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