Wakeru
12 Capítulo 11 - Zantou hada hakanaki namida ka ?*
Notas iniciais
Mas... Boa leitura mesmo assim!
“O Espírito do Inferno imediatamente despertou em mim e rugiu. Arrebatado pela alegria, comecei a espancar o corpo indefeso, saboreando o deleite de cada golpe e foi só quando o cansaço começou a se impor, no ponto máximo de meu delírio, que meu coração foi atravessado por um gélido estremecimento de terror.”
O Médico e o Monstro Pág. 103
Kyo POV
Olhei para o céu estrelado parecia tão perto de mim...
O efeito das drogas davam essa impressão...
Misturando cada vez mais, eu poderia tocar o céu com meus dedos...
Eu já devia estar sozinho ali há algum tempo, mas isso nem me incomodava...
Estar sozinho era meu destino mesmo...
Estou filosofando.... Tenho que rir disso, quando estou praticamente dopado, as palavras saem mais rápido da minha boca...
Dei a ultima tragada no cigarro que estava praticamente se desfazendo em minha mão.
Senti uma pontada no peito, algo incomum... Mas nem liguei muito pra isso.
Enfiei as mãos no bolso, procurando algum trocado, para comprar pelo menos um lanche, eu tava morrendo de fome...
Achei alguns ienes e procurei alguma lanchonete... Ainda conseguiria andar até lá, sem cair na calçada...
Quando eu entrei no primeiro lugar que encontrei, ou que alcancei... Um bando de imbecis acharam que eu ia assaltar lá, ri, bem que podia, mas estava com preguiça... Pedi o lanche e sai cambaleando.
Me sentei num lugar qualquer e fiquei lá, comendo o lanche, e pensando no que eu faria para arranjar mais dinheiro para mais drogas... O Kaoru não ia me chamar tão cedo...
E logo eu precisaria de mais, e ultimamente ficar sóbrio me incomodava...
Novamente uma pontada no meu peito... E isso me incomodou...
- Que merda está acontecendo agora?
Voltei para o beco, onde eu costumava dormir, e me deitei no canto... Para observar o céu que estava começando a nublar...
Estiquei minha mão, um costume que não perco desde minha infância, como se eu estivesse pedindo para ser levado dali.
Quando reparei na minha mão...
Caralho, ou tô muito louco ou minhas tatuagens sumiram?!
Logo eu as revi... Tô muito louco mesmo...
Ri por algum tempo do meu estado... Quando veio a minha mente uma lembrança, que não era minha e sim do “Tooru”...
Ele contou pro Kaoru.... Ele contou o que aconteceu comigo.... Desgraçado... O que mais ele deve ter feito?
Forcei a mente mais um pouco, mas não consegui pensar em mais nada...
Me bloqueou...
Mas tenho certeza que ele não fará isso por muito tempo...
Mas antes ele terá um castigo....
Procurei meu canivete no meu bolso, e assim que peguei olhei para ele fascinado, aquele sim era meu melhor amigo... – ri, passei a lamina no meu pulso, onde as tatuagens ainda não alcançavam, e senti o sangue quente correndo pela extensão do meu braço erguido...
Sangue correndo me excita.....
Fiquei observando a cena até que o sangue parasse.
Não cortei tão fundo quanto imaginei.
Ouvi vozes perto de onde estavam, e pelo que ainda tenho de percepção, pareciam policiais, me levantei num salto, com um equilíbrio que não sei de onde veio, e me sentei atrás da lixeira, aonde eles não iriam me ver se não chegassem perto o bastante.
Era um bom esconderijo, já que deixava minha mochila ali, e nunca alguém além de mim encontrava.
Espiei por trás do lixo, e era aquele policial ruivo, que sempre dizia que estava de olho em mim...
Um dia dou uma lição nesse infeliz...
O outro, não tinha visto ainda... Mas nem me importei.
Fiquei esperando eles se afastarem de lá, para que eu pudesse ir para um lugar mais confortável.
E eles demoraram pra porra.... Que merda....
Assim que eles sumiram, voltei para o meu canto e continuei olhando para o céu, como fazia antes. Mas logo os pingos de chuva começaram a cair, me deixando furioso.
- Não tô a fim de chuva hoje, caralho.
Me levantei e procurei abrigo em outro lugar.
Peraí.... Eu tenho casa ainda... Me levantei e segui o mais rápido que pude para aquele covil.
Espiei pela janela, e vi um monte de caixas...
- Eles estão indo embora... Interessante....
Com minha chave, abri a porta, vagarosamente.
Assim que eu entrei, dei de cara com aquele velho maldito
- Veio se despedir, Tooru?
- Não fala comigo.
Ele riu, e isso fez meu sangue ferver, e dei um soco certeiro na cara dele.
- Tooru! – ouvi a voz da velha, e a encarei psicopatamente.
-Porra! Não me chama de Tooru...
- O que estava fazendo aqui? Você não mora mais aqui! Eu não tenho filhos.
- Ah! O Jun não é teu filho mais? Que bom pra ele. Agora sai da minha frente, por que até onde eu sei, meu pai deu essa casa pra mim. Eu posso entrar e sair dela quando eu bem entender...
Passei por ela e fui até onde ainda havia as coisas do meu quarto, do mesmo jeito que eu deixei antes.
- Essa casa não é sua.... E vai ser vendida! – gritou aquele velho medíocre. Sai do quarto quase correndo, e o encarei.
O nariz dele sangrava por causa do soco. Levei a mão ao bolso mais fundo da minha calça, seria ali e agora, meu momento de plena vingança, algo que eu aguardava desde meus nove anos.
Meu bolso era onde eu guardava um presente de um amigo Yakuza.
Ri com meus pensamentos, e saquei a arma e apontei para fuça dele.
- Tooru! – ouvi a velha gritando.
- Eu não sou o Tooru há muito tempo.... Você não percebeu isso? Você não notou que eu mudei?! – gritei para ela.
- Abaixa essa arma seja lá qual for teu nome agora.... – disse o velho, eu vi ele tremendo e isso me satisfazia tanto, por que agora quem tinha medo era ele, não eu...
Flashback On
“- Me solta, me solta... – senti nojo de mim naquele momento… Ele se retirou de mim, se vestiu e me largou lá, mais uma vez.
Mais uma vez eu me senti imundo, mais uma vez o Jun teve que ver isso...
Jun me olhou com os olhos cheios de lagrimas, e eu nem conseguia me levantar para me vestir...
- Jun... Pega minhas roupas... – foi a única coisa que consegui dizer naquele momento.
Com muito esforço me levantei da cama, e escorando nas paredes para não cair, segui até o banheiro. O Jun me seguiu, ele com os olhos vermelhos de tanto chorar silenciosamente no canto do quarto.
Liguei o chuveiro e me sentei no chão do Box, dolorosamente.
Não agüentaria ficar de pé, meu corpo doía muito...
Fiquei alguns minutos sentindo a água quente caindo sobre mim.
Senti as mãozinhas do Jun nas minhas costas, e pude sorrir por um momento.
- Eu ‘judo’ você nii-san... – ele falou do seu jeitinho meigo, que fazia eu me sentir tão bem, ele era meu refugio, meu irmãozinho era a única pessoa que merecia meu amor e consideração.
- Arigatou, Aniki...”
Flashback off
- Eu não faço mais as suas vontades... Não pode me obrigar...
- Para com isso, seu demônio... – gritou novamente a velha.
Apontei a arma para cima, e atirei no teto. E os dois se encolheram com o barulho.
- Se você gritar mais uma vez, eu vou atirar em você primeiro...
Apontei a arma novamente para o velho, que aposto que se borrou de medo.
- Agora é sua vez de ver o inferno, de camarote... Depois volta e me conta como é...
Preparei a arma para mais um tiro, e meu sangue parecia correr mais rápido agora.
Respirei fundo, era realmente o que eu queria... Por todo esse tempo eu só desejei a morte dele.
Engatilhei... E atirei, no meio da cabeça dele.
O sangue veio todo no meu rosto, e a única coisa que eu ouvia eram os gritos da velha.
Olhei para ela, e sorri, sorri como o Tooru sorriria.
- Acabou... Acabou tudo agora, não é mesmo?... – permiti que as lágrimas caíssem de meus olhos, mas eram lagrimas de felicidade.
Guardei a arma no meu bolso novamente.
A velha ainda estava tremula, encostada na parede olhando o maridinho dela com os miolos para fora.
Fui para o banheiro e lavei meu rosto, sai como se nada tivesse acontecido, e fui andando pela cidade, tinha desistido de não se molhar, a chuva parecia limpar minha mente.
Eu estava satisfeito com a morte dele, mas as lembranças não saíam de minha mente.... Eu precisava de drogas...
Precisava me desligar mais uma vez.
- Kyo.. Kyo.. Tão te procurando... – um dos caras que sempre estavam atrás de mim, me chamou.
- O que foi Matsuda?
- O Kamata-sama tá louco te procurando...
- O Kamata-sama? Mas ele não estava fora do país?
- Voltou ontem, acho melhor ir logo.
- Você não manda em mim, Matsuda... – dei um tapa nele, e segui em frente, até onde o Kamata-sama morava.
[...]
- Kamata-sama, o Kyo está aqui... – um dos capangas dele anunciou a minha entrada.
- Kyo-san... Onde esteve?... Fui até o beco e você não estava lá. – sorriu Kamata-sama, ele que me deu a arma, ele me tratava bem, por que eu fazia favores para ele.
- Tive que fazer uma ‘queima’... Uma coisa que eu planejava há muito tempo.
Quando eu falei isso, todos menos o Kamata-sama, arregalaram os olhos.
- Queima? Usou a arma que eu te dei?
- Sim Senhor...
- Como foi? – ele riu psicopatamente. – Quem foi? Teve Testemunhas?
- Me senti vingado... – sorri. – E foi meu padrasto, bem no meio da cabeça.... E minha mãe viu...
- Você devia ter matado ela....
- Ah.. Faço isso depois, deixa ela surtar um pouquinho... Mas o que o senhor queria?
- Ia pedir para você entregar isso para o filho de um amigo meu, que participou da gangue.... – ele me entregou um envelope, que deveria ter dinheiro dentro. – Niikura-san, há um tempo eu estava devendo isso a ele, e como ele já faleceu, devo pagar ao filho.
Eu já tinha visto ou escutado esse sobrenome em algum lugar...
- Onde devo ir?
Quando ele me falou o endereço, simplesmente fiquei boquiaberto, eu sabia que conhecia aquele sobrenome de algum lugar...
Kaoru.
O pai dele era Yakuza. Interessante.
Sai bem rápido, por que a qualquer momento, a policia viria atrás de mim, cheguei lá o mais rápido que pude, e quem me atendeu foi o Jun.
- Kyo-nii-san.... – vi os olhos dele brilhando.
Kaoru se levantou e veio até próximo a porta.
- Kyo-san... O que te traz aqui?
- Kamata-sama, devia ao teu pai, e agora pediu que eu trouxesse a grana. – entreguei o envelope para ele, que estava com uma feição de raiva no rosto.
- Meu pai morreu à muito tempo por causa desse cara. Não quero esse dinheiro.
- Devolve você pra ele, por que agora eu tenho que sumir o quanto antes daqui.
- Kyo-nii-san, por que você está com a roupa com sangue? Você está machucado?
Ri. O Jun sempre preocupado comigo.
- Não é meu, é do velho...
- O que você fez? – perguntou ele com a voz falhando.
- Matei ele. Mandei ele pro inferno mais rápido.
- Nii-san, você vai ser preso de novo! E agora por muito tempo... – os olhos dele encheram de lágrimas.
- Não se eu fugir antes...
Olhei para o Kaoru, e ele parecia espantado com o que eu disse, e isso me fez rir mais...
- Que foi Kaoru achou que eu não seria capaz?
- Achei. Sabe que você destruiu muitas oportunidades, com esse ato.
- Eu me vinguei... Você sabe por que... Aquele velho merecia toda a dor do mundo.
- Entre aqui. – ele me chamou para entrar, e aceitei.
O que ele queria? Sei lá...
Notas finais
É um trecho da música Red Soil do DeG.Me corrijam se eu estiver errada.
Uau... as coisas começam a mudar novamente...
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