Wake Me Up
10 House
De repente foi como se o meu mundinho construído em uma bolha vidro fosse estilhaçado . E toda a neve que aparecia sempre que alguém agitasse a bolha se despedaçassem restando só milhões de cacos de vidro.
– Me leva em casa. Agora! – aminha voz quase travada com os soluços de choro.
– Não é seguro. E pelo que eu soube a casa não esta em um estado “habitável”
– Eu não confio em você.
– Não precisa. – espalmou as mão apontando para fora — Tudo o que você precisa e pode saber no momento é, primeiro que nada do que aconteceu na sua vido foi um acaso, nem a Dora, nem seus sonhos, nem o maldito reformatório no qual você foi criada, segundo que não queríamos ter te deixado mas foi necessário. Você não pode ir sozinha, além de não ser seguro você não esta completamente recuperada. Uma bala pegou de raspão na sua costela você vai depender de mim e acredite que no momento eu e o James somos os únicos que podemos te manter segura.
James entrou e novamente me imobilizou travando seus braços em mim me deixando impotente. Nick abriu a porta, enquanto saiamos o hospital que funcionava a todo vapor, pessoas em macas e em cadeiras de rodas.
Quando me dei conta paramos em frente a uma BMW preta com a capota conversível – deve valer mais que a minha casa – James abriu aporta e me deu passagem sentando ao meu lado. a proximidade dele me deixa ainda mais angustiada. Sendo que eu odeio quem invade meu espaço pessoal. O cheiro de menta que ele tem só me lembrava os sonhos, penas , terra molhada. Penas caindo...
O carro corria leve, não demoramos dez minutos estávamos em um lugar que parecia a periferia da cidade. Vários bares, boates fechadas ,as únicas pessoas na rua eram duas moças com botas do tamanho da minha – me fazendo ficar constrangida – a diferença que eu usava calça comprida e elas saias que mais apreciam um cinto.
O carro parou. James saiu e me deu passagem, foi andando em direção a um bar e meu primeiro pensamento foi tentar fugir mas logo atrás veio o Nick, as moças passaram e Nick fez uma reverencia.
Sem pensar em disfarçar o James olhos para a bunda de cada uma. Meu sangue subiu.
– Agora podemos ir. – James entrou em um beco úmido, e Nick me fez segui-lo.
Eu pensei em todas as possibilidades de uma possível fuga mas não encontrei nenhuma.
Chegamos no fim do corredor e paramos em frente de uma porta de ferro, parecia dar acesso ao prédio do lado. James e Nick se entreolharam compartilhando alguma coisa.
– Não precisamos ceda-la de novo? – James perguntou ao Nick.
– Não, acho que não, é bom ela ir se acostumando com isso?
– Vocês me sedaram?
– Sim, no dia do explosão lembra? Mas foi o James.
Do nada eu fui empurrada em direção a porta que foi aberta e novamente estávamos em um beco, molhado e úmido como o anterior mas o movimento era maior.
– Sabe anjinho, quando uma pessoa como nós perdem as asas tudo o que nos resta é a criatividade.
Embora exista um turbilhão de perguntas n a minha cabeça preferi não perguntar e dar esse gostinho ao Nick, ele gosta de audiência.
Saímos do beco que pelos meus cálculos fica a dois quarteirões da minha casa.
James voltou a se instalar do meu lado e segurou a minha mão entrelaçando os nossos dedos, antes que eu protestasse ele começou a falar:
– Se eu te segurar pelos braços vão pensar que você esta comigo a força e se você gritar ou tentar fugir eu vou ter que correr atrás de você e vamos chamar atenção e acredite é a ultima coisa que precisamos.
– Não confio em você e ainda te acho um merda.
– Um merda com o dobro da tua força.
Me ignorou e continuamos andando. Estávamos a uma rua de casa quando paramos com as reclamações do Nick.
– Minha raiva por Nashville só cresceu depois que tive que deixar meu bebe por lá. Bom vocês ficam por e disfarcem a DR enquanto eu vou dar uma olhada no local.
– Mas só falta uma rua.
– Eles sabem que você pode querer voltar e devem estar por perto então é melhor averiguar.
– Eles os filhos da...
– Sombra! É isso meu anjinho tá pegando rápido.
– Angelina.
– Derivado.
Entramos em uma lanchonete que quase me fez conversar com o meu estomago com o cheiro de comida. Sentamos e uma moça peituda com um cabelo cor de abobora veio trazer o cardápio e flertar com o meu namorado fingido.
Botei para dentro dois sanduiches e mais algumas coisas que eu não lembro porque comi muito rápido. Passaram uma, duas, três horas e nada do Nick aparecer.
Não puxei assunto e o James menos ainda. Só pensava no que eu iria encontrar quando voltasse para casa. Se é que voltaria para casa.
Me interrompendo os pensamentos o Nick voltou, entrou com uma cara seria e jogando algumas palavras para a mesma garota que me atendeu antes que piscou e lhe passou um papel.
– Acho melhor não irmos até lá. – falou sentando na minha frente. a
njinho você não tem mais casa.
Levantei da mesa interrompendo as próximas palavras do Nick. Logo vi que ele e James me seguiram, eu fui em frente. O céu estava escurecendo e as luzas da cidade aparecendo. Dobrei a ultima esquina e primeiro vi uma viatura, depois um caminhão dos bombeiros deixava o lugar que devia se a minha casa mas agora parecia um amontoado de cinzas.
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