Wake Me Up
28 De Volta
Notas iniciais
Uma blusa folgada e uma calça jeans me foram oferecida por Scarlet que ficou o tempo em que eu me trocava ao lado de fora de onde eu estava, embora fosse um tanto constrangedor é melhor que correr o risco de alguém invadir o pequeno espaço que me é reservado na enfermaria.
Depois que eu me acalmei do susto do sonho mais cedo, James precisou sair, segundo ele para resolver seus problemas, eu não me apus me senti envergonhada depois de ter me agarrado a ele. As pessoas que estavam perto de mim quando acordei saíram só Scarlet apareceu momentos depois com mudas de roupa. Então não me lembro de quem mais presenciou o meu surto.
Na sala o barulho de pessoas falando começou a aumentar. É possível escutar conversas por mais baixo que tentem falar, é como se todos soubessem que existem pessoas ao seu lado na mesma situação e queiram passar despercebidos. Ao menos é o que eu quero.
– Para onde vamos? – perguntei a Scarlet enquanto calçava a bota que eu reconheci ter usado antes, as feições dela estão mais relaxadas e nos dez minutos que ela passou comigo não falou nenhuma frase cortante como de costume então me senti confortável em perguntar.
– Para o seu quarto, tem gente que sente a sua falta. – Jeremy.
– E a quanto essa coisa em mim?- me aproximei dela para perguntar. Ainda parece surreal demais se não irreal, como um sonho.
– Você vai já entender. – eu me calei, essa frase já é famosa para mim. É o que dizem quando não querem me dizer a verdade.
Então Scarlet abriu a cortina e saiu na frente me chamando junto a ela com um gesto com a mão. Eu fui logo atrás, mas realmente tinham pessoas, muitas pessoas. A minha maca era a ultima e todas as cortinas foram abertas com pessoas sentadas sobre elas.
Jovens como eu, tentei abaixar a cabeça e não encarar ninguém mas é inevitável. Enquanto eu andava em direção à porta encontrei o olhar de um jovem que deve ter a minha idade, com os braços cobertos de tatuagens expostas por uma camisa de manga curta, ao seu lado estava uma senhora baixinha que aplicava alguma coisa em seu braço tatuado direito.
Todos so olhares foram para mim quando tropecei o meu pé direito, nada estava no meu caminho, eu só fiquei nervosa com tantas pessoas. Scarlet se virou com graciosidade e me segurou pelo antebraço me levantando.
Continuei e me deparei com Lupina que estava na primeira maca da entrada. Ela me olhava fixamente quase enxergando além de mim, como na primeira vez que nos vimos na cozinha, o mesmo olhar cheio de peso e acusação. Perguntei-me se ela sabe o que eu sou, ou se é a mesma coisa. Ao seu lado um jovem moreno com as mesmas feições, mas bem relaxado, ele conversava com ela enquanto ela me encarava sem o menos pudor. Desviei o olhar sem poder encarar mais e me concentrei em olhar os saltos de Scarlet e não reparei em quem estava na porta, era o sorriso delicado e acolhedor da Lorenza.
Foi automático, pulei no seu abraço e ela me aconchegou. O seu cabelo tem um leve frescor de baunilha. E suas roupas tem o mesmo perfume da cozinha, ela é morena e a sua cor fica mais em evidencia em um vestido levemente branco que vai até o joelho.
– Se ela pode sair nós também podemos. – minha ligação com Lorenza foi cortada por um grito que veio de dentro da sala, me virei soltando o abraço e vi uma garota parada no meio da grande sala, seus cabelos são vermelhos e os seus olhos verdes em evidencia. Ela tem um porte pequeno mais a voz chamou a atenção que a sua baixa estatura não chamaria no meio de tantas pessoas – ah por favor, ela não é melhor que nós. Também queremos sair, não seremos prisioneiros.
Ela falava gesticulando e olhando ao seu redor, esperando o apoio de quem quer que fosse mas todos se calaram e viraram a atenção para mim, foi quando eu percebi de quem ela falava.
Eu levantei o olhar e rodei pela sala, os que não estavam me olhando abaixaram a cabeça, como se não soubesse que direção tomar, os passos de Scarlet passaram por mim e ela se posicionou bem na minha frente. Foi como se o peso dos olhares se voltassem para ela. Agradeci mentalmente por a atenção ser roubada.
– Sem drama, vocês não ficaram presos aqui. Cada um vai ser levado a um alojamento – ela continuou andando em passos lentos até a garota que mantinha os braços cruzados no peito. – inclusive você.
Voltou e percorreu o mesmo caminho sem olhar para os lados, fez um sinal com a mão para que eu a acompanhasse, Lorenza continuava ao meu lado e assim que segui Scarlet ela veio em meu encalço.
Não tive coragem de perguntar nada mas me senti bem sabendo que Lorenza estava por perto enquanto Scarlet murmurava palavras de baixo escalão acredito eu que foi pelo acontecido a pouco.
Logo reconheci meu corredor e os quadros que eu gosto, esfreguei as mãos na minha calça jeans afastando o incomodo do suor e do nervosismo. Ajustei o moletom azul escuro bem maior que o meu tamanho e respirei fundo, a porta está fechada então não sei o que esperar. Mas em vez de entrarmos no meu quarto Scarlet continua andando por onde eu logo reconheço.
Vamos parar na entrada do lugar onde fui anteriormente com Nick, olho para trás e vejo um sorriso confortante de Lorenza que continua conosco.
De repente senti saudades dos Lillows que estariam cantarolando e espantando a ansiedade que eu sinto pelo caminho, o escuro e a umidade se misturam com um leve aroma de orquídeas que invade o lugar pelas brechas das janelas fechadas no caminho da decida.
Quanto mais perto estávamos do final mais o barulho de conversas era audível, mas só uma pessoa falava. A voz do Nick invadia toda a sala. A porta estava aberta e eu fiquei bem atrás de Scarlet como proteção, logo reconheci James e Natalie, mas além deles uma mulher e um homem que aparenta ter seus cinquenta anos – deduzi pelos cabelos brancos – a mulher tem cabelos curtíssimos pretos que realçam sua pele extremamente branca.
Ela senta confortavelmente em uma das cadeiras perto da mesa e a sua jaqueta de couro foi deixada de lado, as tatuagens dela formam um colar em uma linha acima do peito como se interligando, é um desenho fascinante mas ela reparou a minha atenção a ela e eu precisei desviar o olhar, Nick não parou de falar com a minha chegada e ninguém tirou a atenção dele. Todos o olhavam como se suas palavras fossem muito importantes, tentei prestar atenção mas tudo o que conseguia reparar era em James com os braços cruzados perto da garota com tatuagem legal, ele não me olhou e parecia não notar a minha presença, afastei qualquer decepção aparente pela sua falta de atenção e me virei para James que gesticulava do seu jeito todo particular e me deu uma piscadela ao encontrar a minha visão, foi inevitável sorrir ao sacarmos de sempre que ele possui, por um estante me vi com saudade do jeito particular de se auto vangloriar dele.
– Como vamos cuidar dele? – eu me virei para o carinha de cabelos brancos, sua carranca demonstrava que sua frase em interrogação era seria demais para uma das respostas cheia de graça do Nick, que entendeu o recado e respondeu a altura.
– Vamos fazer do meu jeito.
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