Wake Me Up
23 Bêbados Em Aguas De Rosas
Notas iniciais
Mesmo não vendo as feridas de James, senti a dor da crueldade do que devem ter feito com ele. Dormindo parecia tão vulnerável quanto Jeremy. Senti os passos de Nick em direção à porta e me sentei em uma cadeira ao lado da maca, o único som do lugar vinha de um equipamento que estava ligado ao pulso dele.
Coloquei minha cabeça entre as mãos apoiadas na perna, e tentei esvaziar a minha mente. Quanto mais eu pensava mais confusa ficava.
–Oi – levantei a cabeça, depois de uns dez minutos no quarto ele abriu os olhos. James estava lutando contra a luz de uma luminária. – a cortina, fecha a cortina – levantei e fui apaga-la. Tudo que restou foi à luz que atravessava os vidros da janela, nas luminárias de fora. – obrigado, bem melhor agora. – ele suspirou alto e sentiu uma dor quando fez isso.
– Quer que eu te aju..
– Não! – ele interrompeu a minha frase antes que eu pudesse termina-la. E fechou a cara depois de eu tentar oferecer ajuda.
– É melhor você sair. – dessa vez seu tom de voz foi mais grave e nada agradável quanto “oi” que eu recebi quando cheguei. – fico melhor sozinho.
– Eu não vou sair. – agora nem eu sei por que quero ficar, mas o estado dele não me deu raiva, pior, e sim pena.
– Primeiro me explica, o que é desolação. — Com toda certeza essa não foi a melhor pergunta, mas dane-se. Fiquei cansada de não saber das coisas. Ele voltou a fechar os olhos e eu acendi a luminária.
– Pode, por favor, pode deixa-la apagada. — ele falou entre os dentes.
– Não, você não vai precisar já que fechou os olhos. – falei tentando soar desinteressada e cruzando os braços na altura dos peitos.
– O que você quer saber? De ontem?
– Só o que houve com você. Quer dizer, isso aconteceu quando você tentou salvar o Jeremy? – voltei a sentar e busquei um tom de voz sereno — eu mereço saber não acha. Já que vou ser como você.
Nossa só agora vim me dar conta que se tudo que Nick falou fizer sentido eu não tenho certeza se posso dar conta.
– Uau, você já sabe de muita coisa. – ele riu sem graça e tornou a abrir os olhos, fiquei com dó e desliguei a luminária, nos deixando entre as sombras das luzes de fora. – mas na verdade não aconteceu nada que eu não soubesse que aconteceria ou não esperasse.
– Sabe, assim como os anjos que a gente vê nos filmes, com asas gigantes? Eu tenho uma daquelas, não é branca e límpida como as deles e sim preta como a de um gavião. E às vezes fica um vermelho cor de vinho como a de uma Fênix em processo de renascimento. Mas nem todas são satisfeitos com a minha – nossa no caso – existência. Seria mais fácil que não existíssemos, vamos contra a lei da natureza. Pese bem uma anjo de asas pretas não é muito irônico? Então eles dizem : “Pensei em anjos se asfixiando em suas auréolas ,bêbados de água de rosas. Veja o quão sujo eu posso deixá-los arrancando seus dentes frágeis e cortando suas asinhas.” – ele riu novamente, mais alto agora, como se alguém contasse uma piada. – então eles o fizeram.
Engoli em seco, no final só lembrei dos quadros.
– Eles arrancaram minhas asas Angelina, despois de me embebedarem em aguas de rosas ou “sangue humano” – a ultima parte soou como sussurro – uma a uma.
Meus olhos ficaram cheios antes que eu pudesse evitar, aminha sorte são os bipes que ainda funcionam no lugar, e de estarmos sendo iluminados apenas pelas sobras. Ele não me veria chorando.
– Foi depois que eu trouxe Jeremy, Nick o pegou ante que ele pudesse ver alguma coisa.
Ficamos em silencio e eu tive tempo de limpar a minha garganta para agradecer.
– Obrigada por Jeremy.
– Não há de que.
Eu queria perguntar mais, mas apesar da minha curiosidade fazer minha garganta coçar eu não queria força-lo a relembrar a dor. Depois a culpa não me deixaria dormir. Mas sem que eu pedisse ele voltou a contar.
– Eles se acham superiores. — ele riu com o nariz – mas esqueceram de que eu não sou um nefilim. O fogo só me torna mais forte.
– Fogo? – soou mais alto do que deveria.
Eu limpei as lagrimas, limpei a voz também que voltou a ficar embragada e engoli em seco as palavras dele. Parecer uma medrosa é a ultima coisa que eu preciso, não sei se em meia hora vou estar viva. Seu eu morrer que seja com dignidade. No mínimo!
– As suas asas elas..- não completei a frase quando vi que a pergunta seria idiota demais.
– Elas vão renascer – respirei aliviada – eles devem ter acreditado que eu tinha morrido por isso me chutaram em uma vala depois de quase me matarem. Eu fui um alvo fácil demais.
Sua voz já estava oscilante.
Depois da ultima frase ele parou. E fechou os olhos de vez. Um liquido transparente que descarregava em seu pulso deve ter feito efeito e ele parecia ter voltado a dormir. Eu andava de um lado para o outro só me dei conta quando bati em um móvel e cheguei a existência dele, tive medo de acordar James, mas olhei para maca e ele dormia tranquilo.
– Angelina? – agora eu me assustei e gritei alto. Só espero que James tenha tomado um mata leão ou vai acordar com meu próximo grito da pessoa que eu vou matar, que me assustou no caso.
Mas desisti quando vi que eram os Lillows.
Os res com o mesmo sorrio na cara, como e estivessem no céu. Incrível.
– Viemos busca-la.
– Não vou deixar ele sozinho.
– Não há problema, Malicie logo vai voltar e cuidar dele.
– Quem é Malicie? – esse nome não é muito convidativo.
– A enfermeira daqui. Venha vamos. – eles continuavam sorrindo, chegou a dar pena da boa vontade deles.
– Onde nós vamos?
– Vamos leva-la de volta para descansar um pouco, ideia de Scarlet. –isso me fez olha melhor a situação.
Dei uma olhada em James e sai de fininho, tentando não tropeçar em nada –nem em mim – eles vieram logo atrás. Eles sussurravam alguma coisa. Olhei para trás e os três cantavam. Ri da cena.
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