Wake Me Up
40 Uma Estrada Para Dois
Notas iniciais
Rebecca não precisou se preocupar com o que faria para o jantar porque, depois do encontro na calçada, Margareth convidou a todos para jantar em seu apartamento e os três aceitaram o convite de bom grado, já que estavam famintos. Margareth ainda não parecia totalmente satisfeita com Aaron, para dizer o mínimo, mas, conforme o jantar foi prosseguindo e eles puderam conversar e se conhecer um pouco melhor, Rebecca começou a notar uma sutil mudança no comportamento da tutora que parecia estar começando a aceitá-lo como um bom pretendente.
Aquilo era um pouco engraçado para Rebecca, mas não era algo surpreendente, porque ela própria tinha uma péssima opinião sobre Aaron antes e, depois, passou a gostar dele, então, era normal que Margareth estivesse, aos poucos, sendo conquistada por ele também, já que ela tinha um grande coração e uma ótima percepção sobre as pessoas de um modo geral.
Diante disso, nem é muito difícil imaginar que Christopher caiu facilmente nas graças de Margareth, que rapidamente se encantou com o bom humor e com a educação do garoto, além de ter apreciado muito seu grande apetite. Ela estava sempre reclamando que Rebecca comia pouco e que tinha que se alimentar melhor, então, conhecer Christopher, que comia como se o mundo fosse acabar no dia seguinte, tinha deixado Margareth muito satisfeita.
Quando o jantar terminou e os meninos finalmente se colocaram de pé para voltar para o apartamento, Margareth e Aaron já pareciam estar bastante entrosados um com o outro e Christopher parecia ter comido o suficiente para uma semana inteira, mas, ainda assim, Margareth entregou a ele uma vasilha cheia de cookies, alegando que ele poderia sentir um pouco de fome antes de dormir. Rebecca achava aquilo meio impossível, mas ela tinha visto Christopher comer por vezes suficientes para saber que poderia estar enganada.
Margareth se despediu de todos com abraços apertados e sorrisos e, depois de depositar um grande beijo na bochecha dela, Rebecca acompanhou os garotos de volta ao prédio vizinho, com Aaron ainda carregando sua mochila, mas com a bolsa de seu notebook em mãos, já que Christopher parecia nenhum um pouco tentado a soltar sua vasilha de cookies.
– A sua tutora é o máximo! – Christopher exclamou, jogando-se no sofá da sala assim que eles chegaram ao apartamento e já abrindo a vasilha de cookies que Margareth havia lhe dado – Eu queria ter uma tutora também. Será que a gente pode voltar para visitá-la amanhã?
– Você não acha que já engordou o suficiente por um único dia? – Aaron questionou roubando um dos cookies dele e dando uma bela mordida na guloseima – E vê se tira esse tênis sujo de cima do meu sofá. – comentou dando um tapa nos pés do irmão – Ele custa mais caro que você.
Christopher mostrou-lhe a língua em resposta ao comentário, mas obedeceu e retirou os tênis enquanto Aaron ia até o quarto guardar a mochila e o notebook de Rebecca.
– Sabe, esses são os melhores cookies que eu já provei na vida. – Christopher disse a Rebecca, assim que ela se sentou ao seu lado no sofá e ligou a TV – Eu poderia passar o resto dos meus dias comendo isso e tenho certeza de que não enjoaria.
Rebecca sorriu.
– A Margareth vai adorar saber disso. Ela está sempre reclamando que eu e o Ty não ligamos muito para a comida dela, mas com você ela não terá mais esse problema.
– Quem é Ty? – Christopher perguntou de boca cheia.
– É o meu irmão.
– Você tem um irmão?
– Na verdade, eu tenho quatro. – Rebecca respondeu contente – Todos eles são mais velhos que eu, mas o Ty é o único com quem eu mantenho um contato direto, pois ele também estuda aqui em Oxford. Aliás, ele era colega de quarto do seu irmão.
– Ah, eu me lembro do Aaron falando isso para sua tutora. – Christopher sorriu para ela – Será que eu posso conhecer o seu irmão qualquer dia desses?
– Só se você quiser que ele te fure com um lápis ou coisa assim. – Aaron respondeu voltando para a sala – Tenho certeza de que o Ty não vai gostar de você.
– Porque não? – Christopher olhou para ele com uma expressão preocupada e Rebecca logo se apressou em intervir.
– O Aaron só está sendo malvado. – ela lançou um olhar severo para ele e, depois, sorriu para Christopher – Não ligue para o que ele diz. Seu irmão só está falando isso porque ele e o Ty não se dão muito bem, mas tenho certeza de que o meu irmão gostaria muito de te conhecer. Ele é uma pessoa muito legal e muito divertida também. Acho que vocês dois se dariam muito bem.
– Claro. Só tome cuidado para não gostar demais do Ty ou você vai acabar deixando o namorado dele com ciúmes. – Aaron comentou com um sorriso jocoso – Ele namora um cara russo assustador de mais ou menos cinco metros de altura, sabe? Você não iria querer mexer com ele.
Christopher olhou para Rebecca, boquiaberto.
– Seu irmão é gay? – ele perguntou visivelmente surpreso com aquela informação – E ele namora um cara da Rússia?
Rebecca lançou um olhar irritado para Aaron, cogitando seriamente a ideia de lhe atirar sua sapatilha, por causa do comentário maldoso que fizera, mas, ao invés disso, ela respirou fundo e se voltou novamente para Christopher, preferindo esclarecer a situação para ele. Como estudante de psicologia, ela já tinha lido muitas teses que comprovavam que as influências negativas que as crianças recebiam durante a infância contribuíam para que elas se tornassem adultos preconceituosos no futuro e não queria que Christopher seguisse por esse caminho, apesar de ele não ser mais uma criança. As pessoas disseminavam a intolerância e o ódio em vez de ensinar sobre amor e respeito à diversidade e esse era um dos grandes motivos pelo qual o mundo estava do jeito que estava.
– Sim. O meu irmão é gay. – Rebecca respondeu da maneira mais simplória possível – E o namorado dele se chama Mikhail. Ele é da Rússia mesmo, mas ele não é assustador e não tem cinco metros de altura. – ela encarou Aaron com uma expressão de advertência – Ele joga basquete e é uma cara super gentil e educado. Além disso, ele ama o meu irmão de verdade, então, estou muito feliz por eles.
Christopher a encarou por um instante, como se estivesse tentando absorver tudo o que Rebecca havia lhe dito e, depois, abriu um largo sorriso para ela.
– O meu melhor amigo também é gay, sabe? – ele contou – O nome dele é Liam e ele começou a namorar um carinha da nossa escola recentemente, mas os pais dele não sabem, porque eles são uns idiotas e não aceitam o Liam como ele é.
Rebecca olhou para ele, maravilhada e depois se voltou para Aaron com uma expressão que dizia claramente que ele devia ser um pouco mais como o irmão mais novo, mas Aaron apenas sorriu. Ele não tinha nada contra Ty ou Mikhail, na verdade, realmente achava que os dois eram legais e que combinavam muito um com o outro, mas ele tinha o péssimo hábito de fazer piada com tudo e com todos e ainda não tinha conseguido se desapegar disso.
– E você não se importa com o fato de o Liam ser gay? – Rebecca perguntou, dando total atenção a Christopher porque, a cada conversa que tinha com ele, mais achava que ele era um adolescente adorável.
Christopher deu de ombros.
– Porque eu me importaria? Gay ou não ele é um dos caras mais legais da escola e, provavelmente, é o único com quem as garotas se sentem a vontade para falar sobre outros caras, então, ele é um ótimo aliado para mim. Eu sempre sei quem está a fim de quem e quem terminou com quem e quem pode ou não estar a fim de mim e isso é ótimo. Liam é uma fonte de informações inestimável, além de ser um amigo muito fiel.
Rebecca não conseguiu conter a risada e Aaron também quase se dobrou de tanto rir. Ele nunca tinha pensado em Ty como um aliado de conquistas, mas ouvindo os comentários do irmão percebeu que podia ter perdido uma ótima oportunidade. Entretanto, achava que talvez aquilo não tivesse dado tão certo para ele e Ty como parecia dar certo para Christopher e Liam porque, antes, nenhuma das garotas da universidade sabia que Ty era gay.
– Você é pior que o seu irmão. – Rebecca disse ainda sorrindo – A mente de vocês parece ter sido projetada para só pensar em garotas.
– Eu não penso só em garotas. – Christopher pegou um cookie de dentro da vasilha e deu uma boa olhada nele – Também penso em comida.
– E em videogames. – Aaron complementou – Você também pensa muito em videogames.
– Exato. – Christopher deu uma mordida no cookie e apontou um dedo para Aaron – Quem só pensa em garotas é ele.
Aaron pegou uma das almofadas do sofá e a atirou sobre o irmão mais novo.
– Cala essa boca, moleque.
Christopher apenas sorriu e continuou devorando seus cookies, apesar de ter acabado de se empanturrar com a macarronada e o bife à parmegianna que Margareth fizera e Aaron se deitou no sofá, depositando a cabeça sobre o colo de Rebecca.
– Estou feliz que tenha vindo passar o fim de semana com a gente. – disse ele, brincando com uma linha solta que havia na barra da blusa dela – O fim de semana vai ser bem mais divertido com você aqui.
– Principalmente se você nos levar para visitar a sua tutora mais vezes. – Christopher acrescentou – Meu Deus, esses cookie são tão deliciosos! Eu fico imaginando como deve ser a ceia de Natal na sua casa.
– De fato, é muito boa. – Rebecca respondeu, achando graça de toda a admiração que o garoto tinha desenvolvido pela comida de Margareth – Sempre engordo alguns quilos no Natal.
– Consigo imaginar o porquê. – Christopher assentiu, concordando, mas rapidamente se colocou de pé e se postou em frente à TV exigindo atenção – O Natal! – disse ele com uma animação desmedida – Falta pouco mais de um mês para o Natal, certo?
– Preste atenção. – Aaron sussurrou para Rebecca com um sorriso divertido nos lábios – Acho que é agora que ele vai se auto convidar para passar o natal na sua casa, Bee. Melhor dizer que não.
– Cale a boca. – Christopher atirou sobre ele uma das pequenas almofadas da poltrona que estava ao seu lado, mas Aaron a agarrou sem dificuldade e a depositou sobre o peito – Eu não estou falando sobre comida. Não tem nada a ver com isso. É que eu acabei de pensar em uma coisa e tenho uma proposta para te fazer.
– Você tem uma proposta para mim? – Aaron franziu a testa, confuso – Que tipo de proposta?
– Quero que você passe o natal lá em casa. – Christopher respondeu e, no mesmo instante, Rebecca sentiu o corpo de Aaron ficar tenso. – Por favor. – o garoto olhou para ele com uma expressão suplicante – Olha, eu sei que você não vai para casa há, tipo, muito tempo, mas seria muito legal se você passasse o natal com a gente esse ano e...
– Não. – Aaron respondeu antes mesmo que ele pudesse completar a frase.
– Porque não? – Christopher questionou, frustrado – Faz tempo que a gente não tem um natal de verdade naquela casa e a mamãe ia ficar tão feliz se você...
– Eu não vou.
– Mas, Aaron...
– Eu já disse que não.
– Mas porque?! – Christopher insistiu – É por causa do meu pai? Ele não vai estar lá, Aaron. Ele tem um congresso em Amsterdã e...
– Você ouviu o que eu disse? – Aaron se colocou de pé, interrompendo-o – Eu não vou voltar para casa, Christopher. Esquece.
– Mas a mamãe sente sua falta. – Christopher anunciou com tristeza – Ela não diz, mas eu vejo, Aaron.
– Eu não posso fazer nada a respeito.
– Você pode, sim. Você apenas não quer.
– Eu não vou discutir isso com você. – Aaron lhe deu as costas, mas Christopher arremessou a vasilha que segurava em sua direção fazendo-o se virar novamente para encará-lo.
– Até quando você vai ficar fugindo? – ele perguntou irritado – Já faz sete anos, Aaron! Você não pode se esconder aqui para sempre.
– Eu não estou me escondendo.
– Sim. Você está! E eu sinto muito, mas isso não vai mudar o passado, tá legal?! – Christopher se aproximou dele – Eu sei que o meu pai fez coisas horríveis para você, mas você precisa sup...
– Cala a boca, Christopher! – Aaron vociferou, perdendo a paciência e segurando-o pela gola da camiseta – Cala a droga da sua boca!
– Aaron! – Rebecca interveio, afastando-o de Christopher e, rapidamente, se colocando entre os dois – Fica calmo.
Aaron se afastou mais alguns passos e passou as mãos pelo cabelo, tentando se controlar enquanto Christopher o encarava assustado. Aquela era a segunda vez que Aaron gritava com ele e a primeira vez que quase o agredia e ver o quanto se tornava agressivo sempre que o assunto era Erick o deixava envergonhado.
Ele sabia que Christopher estava apenas tentando ajudar e não queria ter sido rude com o irmão, mas a simples menção a Erick e a todas as coisas ruins que este lhe fizera no passado o fazia perder a cabeça. Então, desapontado consigo mesmo e envergonhado de sua atitude, Aaron apenas murmurou um rápido pedido de desculpas para Christopher e saiu do apartamento. Ele conversaria direito com o irmão mais tarde, mas, naquele momento, precisava ficar sozinho e esfriar a cabeça.
– Eu sou um idiota. – Christopher proclamou fazendo Rebecca, que até então estava dividida entre ir atrás de Aaron ou ficar onde estava, se voltar para ele – Eu não devia ter dito nada, Bee. O Aaron deve me odiar agora.
– Ele não te odeia. – Rebecca o consolou – Ele só está... nervoso. O Aaron é um pouco complicado, mas ele te ama, Christopher. Apenas dê um tempo para ele se acalmar.
– Eu só queria que ele e a minha mãe se acertassem, sabe? Faz sete anos que o Aaron não fala com ela e eu vejo o quanto ela sofre por causa disso. As pessoas não deveriam brigar assim, não é? Não uma mãe e um filho, pelo menos.
– Eu sei. – Rebecca depositou a mão sobre o ombro dele – Eu odiaria ver algum dos meus irmãos brigar dessa forma com os meus pais, mas essa é uma decisão do Aaron, Christopher. Nenhum de nós pode fazer nada a respeito.
Christopher assentiu com tristeza e se desvencilhou dela.
– Vou tomar um banho e depois vou para cama. – ele informou – Obrigado por ter ido conhecer a universidade com a gente hoje e obrigado por ter nos apresentado a sua tutora, Bee. Foi bem divertido. – então, ele seguiu para o chuveiro e, Rebecca, por sua vez, observou-o fechar a porta atrás de si e, depois, cruzou a sala para recolher a vasilha que ele havia atirado em Aaron.
Era óbvio que Christopher amava a mãe e o irmão mais que qualquer outra coisa em sua vida e Rebecca se entristecia por ver o quanto a briga entre os dois o afetava. Ela também amava sua família mais que qualquer outra coisa e entendia, perfeitamente, como Christopher devia se sentir ao ver a mãe e o irmão brigados daquela forma. Brigas em família eram sempre algo terrível.
Rebecca levou a vasilha até a cozinha e, sem ter nada melhor para fazer, decidiu que seria uma boa hora para começar a redigir seu trabalho. Ela foi até o quarto e pegou seu notebook e os livros que trouxera e passou as horas seguintes dissertando sobre o fenômeno da invisibilidade pública e seus malefícios.
Às dez horas, já cansada de tanto ler artigos científicos e quase adormecida no sofá, Rebecca decidiu que já era hora de telefonar para Aaron e saber onde ele estava. As nuvens negras lá fora sugeriam que uma tempestade desabaria em breve e não seria nada seguro estar nas ruas quando isso acontecesse, por isso, ela salvou o progresso que havia feito em seu trabalho, desligou o notebook e foi até o quarto buscar o celular, mas não havia sequer digitado três números quando a porta da sala se abriu e Aaron passou por ela.
– Ah, graças a Deus! – Rebecca largou o celular e foi ao seu encontro – Você sabe que horas são? Eu estava ficando preocupada, Aaron. Faz mais de três horas que você saiu.
– Desculpe. – ele trancou a porta e se voltou para ela – Eu precisava passar um tempo sozinho para colocar a minha cabeça em ordem. Como está o Christopher?
– Triste, eu acho. Mas ele vai ficar bem.
– Ele está muito chateado comigo?
– Eu não diria que ele está chateado. – Rebecca se sentou no sofá e suspirou – O Christopher te ama, Aaron. Acho que ele só ficou triste por você se recusar a voltar para casa. Ele passou quase sete anos sem te ver, entende? Ninguém pode culpá-lo por querer que você volte agora.
– Eu sei. Eu não deveria ter brigado com ele. – Aaron assentiu – Eu me sinto um completo babaca por ter feito isso, sabe? Eu prometi a mim mesmo que nunca mais gritaria com o meu irmão e hoje eu quase o agredi, Bee. Foi idiotice minha e ele não merecia isso.
– O Christopher sabe que você não queria ter feito aquilo. Ele conhece você melhor que ninguém, então não fique se martirizando, ok? Converse com ele amanhã e peça desculpas. – Rebecca o aconselhou – Eu tenho certeza de que ele vai entender. O Christopher é um garoto muito legal.
– Sim. Ele é. – Aaron abriu um pequeno sorriso e, então, se aproximou para abraçá-la – Obrigada por ficar aqui e cuidar da gente, Bee. Eu costumo estragar os bons momentos, mas com você aqui eu faço menos burradas.
– Psicólogos são para isso. – Rebecca brincou dando uma piscadela para ele.
– Então, você está na profissão certa. – Aaron apertou a bochecha dela e depois se afastou, espreguiçando-se – Acho que é melhor eu ir tomar um banho agora. Eu andei até a Wellington Square e eu vou te contar: eu nunca tinha reparado como aquela praça era longe.
– Imagino. – Rebecca riu e Aaron seguiu para o banheiro.
Ela voltou para o quarto com a intenção de arrumar a cama para que pudessem dormir, mas enquanto retirava a colcha e organizava os travesseiros, sua mente foi completamente bombardeada pela conversa que tivera com Cadence e Rebecca se pegou olhando para aquela cama e corando mesmo sem ter ninguém por perto.
Ela era tão tímida que chegava a ser ridículo. A simples menção à palavra “sexo” já a fazia corar e ter vontade de se esconder dentro da própria mochila e ela não entendia como podia ter tomado uma decisão tão importante quanto a de perder sua virgindade com Aaron naquele fim de semana, se ainda agia como uma pré-adolescente boba e assustada. Não fazia o menor sentido agir assim se ela queria dar um passo tão importante em sua vida e, foi pensando nisso, que Rebecca tomou uma das decisões mais loucas que já tinha tomado até aquele momento. Simplesmente largou o travesseiro que segurava e saiu do quarto, decidida a perder toda a timidez que tinha de uma vez por todas.
Ela sabia que estava prestes a cometer a maior loucura que já havia cometido e aquele frio na barriga que a acompanhava enquanto seguia pelo corredor, apenas evidenciava isso, mas, ainda assim, Rebecca continuou andando e, quando chegou ao seu destino, ela nem se deu a oportunidade de pensar duas vezes sobre o que estava fazendo, para que não corresse o risco de desistir. Apenas girou a maçaneta da porta com cuidado e a abriu, entrando sorrateiramente no banheiro onde Aaron estava.
Rebecca podia ouvir o som da água do chuveiro despencando sobre o corpo dele, mas não podia vê-lo através do vidro fumê do box, que estava ainda mais embaçado devido ao vapor da água. Tudo o que ela conseguia visualizar era o tênue contorno de seu corpo através do vidro e, da mesma forma, Aaron também não havia notado sua invasão porque estava muito distraído, aproveitando o banho e cantarolando, em voz baixa, alguma música que Rebecca não conhecia, enquanto mantinha seus olhos fechados.
Sem parar muito para pensar se aquela era uma boa ideia ou não, Rebecca retirou a roupa que usava e se encaminhou para o box do chuveiro, praticamente tremendo por causa do nervosismo. Era agora ou nunca, pensou ela, antes de segurar o vidro fumê do box e o puxar para o lado, pegando Aaron completamente de surpresa.
Ele abriu os olhos sobressaltado e ao ver Rebecca parada diante si, completamente nua, quase não acreditou no que estava vendo.
– Bee? – perguntou, como se para ter certeza de que não estava apenas tendo algum tipo de alucinação maluca, causada por desejos reprimidos que, às vezes, gostavam de se libertar durante o banho.
As mãos de Rebeca estavam suando e sua voz parecia ter ficado presa no bolo de nervosismo que havia se formado em sua garganta, mas ela se forçou a respirar fundo e manter a calma o suficiente para perguntar:
– Tem lugar para mais um? – ela não se atreveu a desviar os olhos dos dele, com medo de perder a coragem e sair correndo do banheiro, de repente, caso olhasse apenas um milímetro mais para baixo e Aaron pareceu tão surpreso com aquela pergunta que apenas assentiu, sem conseguir pronunciar uma única palavra.
Rebecca, então, entrou no box e puxou a porta de vidro de volta para seu lugar, esgueirando-se para debaixo do chuveiro e ficando entre Aaron e a parede. Nenhum dos dois falou nada pelo que pareceu um longo minuto. Apenas ficaram ali, olhando um para o outro enquanto a água quente do chuveiro batia em seus corpos. Rebecca só conseguia pensar na grande loucura que tinha acabado de fazer ao invadir a privacidade de Aaron daquela forma, mas, ao mesmo tempo, ela também não podia dizer que estava arrependida. Ainda se sentia envergonhada demais para se atrever a encostar um só dedo no corpo dele, mas o simples fato de ter entrado ali já a deixava contente. Pelo menos um pouco de coragem ela sabia tinha. Agora, só precisava encontrar o restante dela.
– Está com frio? – Aaron quebrou o silêncio de repente e Rebecca passou a mão pelo braço, notando, apenas naquele instante, o quanto sua pele estava arrepiada. Apesar de poder sentir o frio dos azulejos às suas costas, ela não tinha dúvidas de que o verdadeiro motivo de estar assim não tinha nada a ver com a temperatura e, sim, com o fato de estar tão perto dele.
– Não. Não estou com frio. Eu só... – ela não tinha muita certeza do que ia dizer, mas aquilo não teve qualquer importância no final porque, antes que pudesse pensar a respeito, Aaron extinguiu o pouco espaço que havia entre eles e a beijou.
O corpo quente dele se chocou contra o dela, prendendo-a contra a parede e criando um perfeito contraste entre calor e frio, enquanto uma das mãos dele desceu até sua cintura, segurando-a com firmeza e a outra se perdeu em seus longos cabelos castanhos, puxando-a para ainda mais perto.
A água quente do chuveiro despencava sobre eles, quase fazendo Rebecca perder o fôlego algumas vezes, mas ela quase não percebeu isso enquanto Aaron a beijava daquela maneira tão intensa. Ela nunca tinha sido beijada daquela forma, nunca tinha sentido outro corpo tão próximo ao seu quanto naquele momento e a simples sensação de ter o corpo forte de Aaron prendendo-a contra a parede daquele jeito, foi o bastante para fazer um calor se espalhar em seu ventre.
Ninguém nunca tinha lhe prevenido quanto àquilo, quanto àquela sensação maluca de estar entrando em combustão espontânea apenas com um simples toque, mas Rebecca achava que talvez não fizesse mesmo sentido falar sobre aquilo. Nenhuma palavra conhecida pela humanidade seria capaz de descrever o que ela sentia e, talvez, essas coisas só pudessem ser aprendidas na prática.
Ela quase ofegou quando Aaron, sem aviso, segurou seus quadris e a ergueu até deixá-la na altura de sua cintura, mas isso foi rapidamente esquecido quando ela sentiu os lábios dele deslizarem de sua boca para a curva de seu pescoço e, de lá, para a parte superior de seu busto. Tudo aquilo era muito intenso e Rebecca mal conseguia respirar direito, mas quando ela sentiu a língua quente de Aaron roçar em um de seus mamilos, por algum motivo se assustou e segurou os ombros dele, afastando-o de seu corpo.
Pego de surpresa, Aaron parou e olhou para ela sem entender o que tinha acontecido, mas tudo o que Rebecca conseguiu fazer foi encará-lo de volta, corando de vergonha e sem conseguir pronunciar uma única palavra sequer. Ela não queria tê-lo afastado daquele jeito, mas não sabia como explicar a ele agora que apenas tinha ficado nervosa com aquele último toque, porque havia sido algo inesperado e, interpretando seu silêncio e sua postura rígida como um sinal claro de que havia ultrapassado algum limite, Aaron preferiu se retirar do chuveiro.
– Desculpe. – ele disse simplesmente e, então, saiu do box e pegou sua toalha, deixando Rebecca sozinha ali dentro.
Ela só conseguiu respirar novamente quando ouviu a porta do banheiro se fechar, mas no mesmo instante começou a se sentir a pessoa mais idiota do mundo, porque não era assim que queria que as coisas tivessem acontecido. Ela o desejava muito, tanto que seu corpo ainda estava ardendo pelo calor que o corpo dele lhe infringira, mas ela era simplesmente tímida demais.
– Burra. – Rebecca resmungou levando as mãos ao rosto e praticamente cravando as unhas em sua própria pele para se impedir de começar a gritar de desgosto. Estava tão decepcionada consigo mesma que poderia bater sua cabeça na parede de azulejos, mas, em vez disso, decidiu terminar de tomar seu banho e tentar conversar com Aaron depois.
Quando ela voltou para o quarto, já de banho tomado e enrolada em um roupão de cor creme que havia encontrado pendurado em um gancho na parede, Aaron estava deitado de costas sobre a cama, usando apenas uma bermuda preta e mantendo um dos braços sobre o rosto como se estivesse tentando proteger os olhos da luz. Rebecca teve absoluta certeza de que, dessa vez, ele havia notado sua chegada, porque ela fez questão de trancar a porta ao passar, mas ele não se mexeu um milímetro sequer, nem mesmo para mostrar que estava ciente de sua presença.
– Podemos conversar. – ela pediu, aproximando-se da cama e parando ao lado dele.
Aaron não respondeu, nem mesmo acenou com a cabeça para dizer que sim ou que não e aquilo fez Rebecca suspirar e se inclinar sobre ele para retirar seu braço de cima de seus olhos.
– Pode, pelo menos, olhar para mim, por favor. – ela pediu novamente e, dessa vez, Aaron pelo menos atendeu seu pedido e abriu os olhos, apesar de continuar calado – Olha, eu sinto muito, está bem? Eu não queria ter te empurrado. Não sei o que deu em mim. Eu só fiquei nervosa com... com... – ela não conseguia descrever fato, então, respirou fundo – Só fiquei nervosa com o que você fez. – disse por fim – Porque eu não estava esperando aquilo. Você me pegou meio de surpresa, Aaron. Não é que eu não queira você, entende? Eu quero. Quero muito. Não teria entrado debaixo daquele chuveiro se eu não quisesse. Eu só...
– Tem medo de mim. – Aaron a cortou e Rebecca sacudiu a cabeça, discordando daquela afirmação.
– Eu não tenho medo de você. Acha mesmo que eu estaria aqui, no seu apartamento, dentro do seu quarto, se eu tivesse medo de você?
Aaron não respondeu, mas também não pareceu muito convencido com aquilo e chateada com sua atitude, Rebecca subiu na cama e se postou sobre ele, mantendo uma perna de cada lado de seu corpo.
– Olhe bem para mim e escute cada uma das palavras que eu vou te dizer agora. – ela o encarou com seriedade – Eu não tenho medo de você, Aaron. Não tenho medo dos seus beijos, nem dos seus toques. Eu realmente quero estar com você e realmente quero que você esteja comigo. Quero que seja o primeiro e, quem sabe, o último cara com quem eu terei esse tipo de experiência e, se eu te afastei agora a pouco, não foi por mal. Não foi porque eu não quero que você me toque ou porque não tenho certeza dos meus sentimentos. Eu só te afastei porque você me pegou de surpresa, mas eu não vou me afastar de novo, entendeu?. Não quero me afastar de novo.
Aaron a encarou em silêncio por um instante, apenas fitando seus olhos castanhos claros e absorvendo cada uma de suas palavras. Ele não podia acreditar que ela realmente tinha dito que queria que ele fosse o primeiro e, provavelmente, o último homem com quem ela iria para cama, mas, naquele momento, ele também queria ser o primeiro e último homem que conheceria todos os segredos de seu corpo.
– Acho que eu te amo. – ele disse antes de puxar a boca de Rebecca para a sua e rolar na cama para prendê-la embaixo de si.
Rebecca sentiu-se aquecer no mesmo instante, enquanto a boca de Aaron explorava a sua e as mãos dele passeavam por sua cintura, descendo até suas coxas e quadris e refazendo todo o caminho de volta. Mesmo contra o tecido do roupão os toques dele ainda eram como uma chama percorrendo sua pele, mas isso não impediu que Aaron desamarrasse a faixa que o prendia e que explorasse sem corpo sem barreiras.
Ele separou seus lábios dos de Rebecca e, assim como havia feito sob o chuveiro, traçou uma linha de beijos até a curva de seu pescoço e, de lá, para seus seios. Dessa vez, porém, Rebecca estava preparada para os toques dele e quando sua língua tocou um de seus mamilos rijos, ela não o afastou, apenas arqueou o corpo um pouco mais em sua direção porque aquilo era exatamente o que queria. Mais de seu corpo, mais de seus beijos, mais de seus toques. Ela realmente o que queria mais que qualquer outra coisa naquele momento e quando Aaron sugou um de seus mamilos, ela não pode evitar que um gemido baixo escapasse de seus lábios enquanto uma de suas mão se agarrava ao cabelo dele com força.
Aaron não a deixou pedindo por mais. Ele aplicou o mesmo tratamento ao outro seio de Rebecca, fazendo-a soltar pequenos suspiros toda vez que sua língua entrava em contato com seu mamilo ou que seus dentes roçavam na carne sensível. Então, ele continuou traçando sua linha de beijos, descendo pela cintura dela e parando para dar um leve mordida em seu umbigo que fez seus músculos se contraírem por causa da sensação de calor líquido que se espalhou por seu ventre.
Ela imaginou que ele fosse parar por ali e voltar a beijá-la, mas se surpreendeu, de uma maneira gostosa, quando sentiu os lábios dele pousarem sobre sua virilha. Por uma fração de segundo seu coração se acelerou com aquele toque, mas ela logo se esqueceu em que estava pensando e toda a sua mente se tornou nada mais que uma bagunça enevoada quando a língua de Aaron encontrou o ponto sensível e quente em seu sexo e a fez gemer de prazer.
Rebecca agarrou o lençol embaixo de si com tanta força que suas mãos até protestaram um pouco pelo esforço, mas ela não conseguia evitar. Cada vez que a língua a tocava, uma grande onda de prazer se espalhava por seu corpo e mesmo tendo plena consciência de que Christopher talvez pudesse ouvi-la de seu quarto, ela não conseguia se calar. O peso da vergonha desceu sobre ela por um momento, mas logo foi novamente esquecido quando o dentes de Aaron roçaram levemente em seu sexo, fazendo-a arquear as costas e suspirar de maneira audível.
Rebecca podia sentir as mãos dele pressionando suas coxas enquanto ele a chupava, mas fora isso e todas as sensações que Aaron despertava em corpo, ela não conseguia registrar nada mais. Era como se o mundo tivesse sido apagado e, de repente, Rebecca sentiu como se seu corpo realmente tivesse entrado em combustão quando uma onda de prazer desnorteante se avantajou sobre ela, quase fazendo-a se esquecer do próprio nome.
Seu corpo foi tomado por uma sensação de completa liberdade, quase como se a própria gravidade tivesse deixado de existir e ela só se deu conta de que havia tido seu primeiro orgasmo, quando sentiu o corpo de Aaron deslizar novamente sobre o seu, beijando-a por todo o caminho de volta.
– Você é muito gostosa. – ele sussurrou, dando uma leve mordida no lóbulo de sua orelha que, mais uma vez, a fez se arrepiar dos pés a cabeça – Você vai ser toda minha, Bee. Eu vou fazer você gritar o meu nome porque eu quero saber como ele fica nessa sua boquinha linda enquanto eu te faço gozar. – ele continuou enquanto terminava de retirar o roupão do corpo dela e o jogava para longe.
Rebecca nem conseguia raciocinar direito enquanto ele a tocava como estava tocando, mas não importava. Naquele momento ela tinha certeza de que faria o que ele quisesse, seria o que ele quisesse apenas se ele pedisse.
Aaron retirou sua bermuda e a boxer preta que usava e estendeu a mão, abrindo uma das gavetas de seu criado mudo para pegar um preservativo. Rebecca sentiu o familiar friozinho na barriga causado pelo nervosismo que já lhe era tão comum, mas tentou se manter o mais calma possível enquanto observava Aaron rasgar a embalagem plástica da camisinha e a colocar.
Ela respirou fundo quando ele segurou suas mãos acima de sua cabeça e afastou suas pernas colocando-se entre ela. Rebecca se concentrou no rosto dele, nos olhos verdes esmeralda, nos cílios grossos e nos lábios bem feitos, mas quando finalmente o sentiu em seu sexo, o nervosismo falou mais alto e ela fechou os olhos a espera da tão famosa dor da primeira vez.
– Olha para mim. – Aaron pediu, beijando-a levemente – Eu quero ver os seus olhos, Bee. Quero me lembrar do sentimento que vi neles depois, porque eu nunca me lembro de nada. Eu nunca olho nos olhos de ninguém durante o sexo, mas eu quero olhar nos seus e eu quero que você olhe nos meus agora. Quero que você saiba exatamente como eu me sinto quando estou com você. Quero que saiba o que você provoca em mim e não quero que se esqueça disso. Não quero que se esqueça desse momento entre nós.
Então, Rebecca abriu os olhos e fitou os dele. Observou-os como se fossem eles que a prendessem à terra naquele momento e quando o corpo de Aaron finalmente se fundiu com o dela, ela sentiu a dor de que todos falavam, mas Aaron sufocou o grito que escapou por seus lábios com um beijo.
Por um longo instante ele não se moveu um só centímetro dentro dela e Rebecca teve certeza de aquilo seria muito mais desconfortável se ele tivesse se movido. Seus músculos internos pareciam lutar para se adaptarem ao corpo estranho que havia invadido o seu, mas depois de um breve momento a dor diminuiu até se tornar apenas um leve latejar e Rebecca moveu seu corpo contra o de Aaron incentivando-o a continuar.
O primeiro movimento dele fez a dor voltar por um instante, mas ela voltou a retroceder conforme Rebecca sentia Aaron se movimentando dentro dela e, depois de algumas investidas, a dor se tornou quase imperceptível.
Naquele momento Rebecca pode realmente senti-lo, sentir como ele estava grande e duro dentro dela e como alcançava pontos dentro de seu corpo que ela nem sabia que existiam. Logo foi praticamente impossível evitar que um ou outro gemido escapasse por seus lábios e Rebecca percebeu que suas unhas estavam cravadas na pele dos ombros de Aaron enquanto ela se movimentava com ele, ansiando por cada vez mais contato.
Aaron beijava sua boca, seu pescoço e seu queixo enquanto suas mãos passeavam pelo corpo dela, pressionando sua cintura com força e, muitas vezes, acariciando seus seios e Rebecca já estava a ponto de começar a ver estrelas de novo, quando ele ergueu uma de suas pernas e a colocou sobre o ombro dele, inclinando-se ainda mais sobre ela e apoiando as mãos nos travesseiro atrás dela. Aquela mudança o fez atingir lugares ainda mas profundos no corpo de Rebecca e ela soltou um pequeno gemido de dor por seu corpo não estar acostumado àquilo, mas ele logo foi substituído por gemidos de prazer e cada vez que Aaron se retirava completamente para fora dela e voltava a penetrá-la com força ela precisava cravar as unhas nas costas dele em uma tentativa frustrada de controlar os suspiros e gemidos provocados pelas sensações intensas que lhe dominavam.
E, dessa vez, quando a explosão do orgasmo se avantajou sobre Rebecca ela soube exatamente pelo que esperar, mas aquilo não influenciou em nada o calor que tomou conta de seu corpo e aquela sensação louca de estar sendo arremessada pelos ares como fogos de artifício, subindo até os céus e voltando à terra em questão de segundos. Ela nem percebeu que estava gritando o nome de Aaron, assim como ele havia dito que a faria gritar, até que mais uma vez ele cobriu os lábios dela com os dele, sufocando suas palavras.
Aaron chegou ao seu clímax logo depois dela, respirando de maneira entrecortada enquanto a língua de Rebecca passeava por sua boca e ele percebeu que nunca, em toda a sua vida, o sexo tinha sido algo tão proveitoso assim. Ele nunca tinha sentido algo como aquilo antes, algo mais que a união carnal de dois corpos, algo mais que o prazer passageiro de satisfazer suas vontades.
Com Rebecca, além de todo o desejo que quase o fazia queimar de dentro para fora, havia também todo aquele sentimento que ele nunca tinha conhecido antes, o sentimento de se entregar para alguém com quem você realmente deseja acordar na manhã seguinte e em todas as outras manhãs de sua vida. Aquela pode não ter sido sua primeira vez, como foi para Rebecca, mas Aaron sentiu como se fosse, pois aquela era a primeira vez que o sexo realmente fazia sentido para ele. Era a primeira vez que ele estava com alguém que amava e, naquele momento, não havia mais brigas com sua família, não havia mais ameaças estúpidas vindas de seu padrasto, não havia mais perdas dolorosas, só havia seu corpo e o de Rebecca, unidos em um só, assim como ele sentia que seus corações estavam naquele instante.
Era exatamente aquilo, aquele sentimento de plenitude e de satisfação completa que as pessoas tanto procuravam em suas vidas e pelo qual tanto se esforçavam. Aaron soube disso, tão facilmente quanto sabia que a chuva tinha começado a cair lá fora, pois, mesmo tendo feito sexo com mais garotas do que podia contar, aquela foi a primeira vez em sua vida em que ele realmente fez amor alguém.
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