Notas iniciais
Oi de novo, senhoras, senhores e senhoritas. Gostaria de dedicar esse capítulo a Marcela Medeiros que acabou de me mandar uma mensagem linda que iluminou o meu dia *-* Marcela, muito obrigada pelo carinho. Agora vamos ao capítulo, né?

Os olhos de Rebecca brilharam assim que ela e Vlad entraram nos limites do prédio da Brasenose College.

Seu enorme e bem cuidado gramado, que ficava em frente à entrada principal, estava iluminado por pequenas lamparinas de luzes amareladas, que em contraste com a entrada do prédio logo atrás, fazia Rebecca sentir como se estivesse em uma daquelas festas que os grandes reis da era medieval davam em seus castelos.

Havia algumas mesas redondas, cobertas por toalhas brancas espalhadas pelo gramado para acomodar a parte dos estudantes que não quisesse ficar no salão de festas e sobre elas também havia uma pequena lamparina e um arranjo de flores feito com Lírios Casablanca e Lírios Star Gazer. Do lado esquerdo do gramado havia uma grande mesa, também ornamentada com lamparinas e arranjos de flores, onde havia uma enorme variedade de alimentos que eram repostos por garçons de vestimenta elegante, à medida que as travessas eram esvaziadas.

– É assim todo semestre? – Rebecca perguntou encantada com a beleza da decoração.

– Geralmente sim, mas confesso que esse semestre eles capricharam. – Vlad olhou ao redor e depois se voltou novamente para ela – Acho que é porque você está aqui.

Rebecca abriu um sorriso tímido para ele, que retribuiu ao sorriso e acariciou a bochecha dela gentilmente, fazendo-a corar.

– Venha, vamos ver se encontramos seu irmão e meu primo por aí. – disse ele guiando-a para dentro do prédio – Eles disseram que nos esperariam aqui do lado de fora, mas acho que mentiram para mim.

– Eu também acho. – disse Rebecca olhando ao redor, sem encontrar nenhum sinal de Ty ou de Mikhail por ali.

Enquanto se dirigiam ao salão de festas, Rebecca e Vlad passaram por diversos estudantes em suas roupas finas, que subiam e desciam as escadas do Brasenose College ou se aglomeravam nos corredores conversando animados sobre os mais variados assuntos. Todos pareciam eufóricos naquela noite, querendo aproveitar ao máximo a festa depois da longa semana de estudos que tiveram.

Acima das duas grandes portas de entrada do salão de festas havia uma faixa com uma frase de boas vindas, desejando um ótimo semestre aos alunos de todas as faculdades de Oxford e, logo abaixo, estava estampado o brasão da universidade em suas cores azul e dourado.

Assim que adentraram no salão os olhos de Rebecca brilharam novamente ao verem a decoração que, incrivelmente, era ainda mais bonita que a decoração da área externa.

Uma grandiosa escada branca, cujo corrimão era de mogno com detalhes dourados, levava ao interior do salão de festas, onde haviam algumas mesas redondas decoradas da mesma forma que as do exterior do prédio, além de uma grande área reservada para a pista de dança e um pequeno palco montado no fundo.

A escada estava coberta por um belíssimo tapete vermelho e havia pequenas lamparinas, como as que estavam espalhadas pelo gramado, ao longo de toda sua extensão, terminando em dois grandes arranjos de flores.

As mesas também haviam sido montadas numa área coberta por tapetes vermelhos, enquanto que o local reservado para a pista de dança permaneceu descoberto, deixando à mostra o belíssimo piso de granito branco bem lustrado, sobre o qual pairavam dezenas de pequenas luzes azuis e brancas.

Sobre o palco, no fundo do salão, já havia uma banda de jovens tocando algumas baladas que Rebecca nunca tinha escutado, mas que ainda assim faziam os estudantes dançarem – sozinhos ou com seus pares – e, assim como na parte externa do prédio, havia uma mesa com comes e bebes, mas esta estava localizada no canto direito do salão, num local mais afastado das mesas.

Vlad avistou Ty e Mikhail sentados em uma das mesas ali e se dirigiu para lá com Rebecca, que ainda olhava de um lado para o outro, maravilhada com a beleza do salão de festas.

Assim que se aproximaram da mesa, Ty e Mikhail se colocaram de pé. Ambos usavam ternos e sapatos sociais pretos com camisas brancas por baixo, mas Ty tinha um lenço vermelho no bolso externo de seu terno e havia penteado seu cabelo castanho escuro para trás, como os homens costumavam fazer nos anos 70.

– Você está maravilhosa, Rebecca. – disse ele abraçando a irmã.

– Você também. – Rebecca respondeu contente.

Mikhail aproximou-se dela e fez uma pequena reverência.

– Milady. – disse ele, beijando sua mão – Está radiante.

– Igualmente, Milord. – Rebecca retribuiu a reverência e abriu um largo sorriso, que logo foi substituído por uma expressão confusa quando Ty deu uma cotovelada em Mikhail, fazendo Vlad dar risada e fazendo Mikhail voltar-se para ele com um olhar questionador.

– Já basta o seu primo para dar em cima da minha irmã. Não precisamos de outro Dom Juan aqui. – Ty explicou e Mikhail revirou os olhos.

– Eu apenas a elogiei. – ele corrigiu – Você sabe que há apenas uma pessoa no mundo por quem me interesso dessa forma, Ty. – Mikhail lançou a ele um olhar penetrante e Ty, por sua vez, retribuiu lançando-lhe um rápido olhar de advertência que passou despercebido por Rebecca.

– E porque você não a convidou para a festa, Mikhail? – ela perguntou, alheia ao verdadeiro significado das palavras dele.

Mikhail abriu um pequeno sorriso.

– Eu convidei, mas parece que a família dessa pessoa não gosta de nos ver juntos. – ele respondeu apenas.

Diante do comentário, Ty deu um pisão em seu pé, o que o fez gritar e olhar para ele com cara de bravo.

– Qual é o seu problema? – Mikhail perguntou segurando o pé que Ty havia pisoteado.

– Era uma formiga. – disse Ty sem graça – Mas eu já matei.

– Pela força que você usou eu achei que era um elefante. – disse Vlad rindo dos dois.

Rebecca abriu um pequeno sorriso também, apenas para não ficar sobrando no meio de toda aquela confusão. Não havia entendido porque Ty fizera aquilo, mas não se preocupou em perguntar. Margareth sempre dizia a ela que garotos costumavam ter hábitos estranhos, principalmente com os amigos e agora ela estava percebendo que sua tutora tinha razão.

– Vocês querem beber alguma coisa? – Vlad perguntou para quebrar o clima estranho que havia se instalado ali.

– Já pegamos as bebidas. – Ty apontou para sua mesa, sobre a qual já havia quatro copos.

– Ótimo. – disse Vlad, seguindo até a mesa e puxando uma cadeira para Rebecca, que o agradeceu com um sorriso antes de se sentar.

Vlad se sentou ao seu lado, sendo acompanhado por Ty e Mikhail, que se sentaram diante deles e logo pegaram seus copos e tomaram um gole do refrigerante de laranja que havia ali.

– Vlad, não acredito que você assaltou o jardim da Brookes College antes de vir para cá. – disse Mikhail, brincando ao ver a pulseira de rosas que Rebecca exibia em seu pulso.

Ela olhou para a pulseira, envergonhada, e Vlad fechou a cara para o primo.

– Você é tão engraçado, Mikhail. Já pensou em trabalhar num circo? – perguntou com sarcasmo.

Mikhail tomou outro gole do refrigerante e riu.

– Pensei nisso no mesmo dia em que ligaram do zoológico para avisar que você tinha nascido. – ele respondeu, encarando o primo com um sorriso jocoso.

Ty começou a rir feito louco e Vlad mostrou-lhe o dedo do meio, olhando envergonhado para Rebecca um segundo depois.

– Desculpe. – disse ele – É que esse dois são PhD em me irritar.

– Tudo bem. – disse Rebecca rindo também.

Ela pegou o copo que os meninos haviam separado para ela e tomou um gole, fazendo uma careta logo depois.

Desde criança ela nunca havia gostado de refrigerante, principalmente dos de laranja. Sentia-se incomodada com a quantidade de gás contida naquele tipo de bebida que, muitas vezes, era tão alta que fazia seus olhos lacrimejarem, por isso preferia as bebidas naturais, como sucos, ou simplesmente água.

– Desculpe, maninha. – Ty disse, assim que Rebecca recolocou o copo sobre a mesa – Esqueci que você não gosta de refrigerante.

– Tudo bem. Não se preocupe. – respondeu Rebecca, pigarreando para tentar tirar o gosto de refrigerante de sua boca.

– Quer que eu pegue outra bebida para você? – Vlad perguntou já se levantando da cadeira.

– Não precisa. – Rebecca segurou a barra do terno dele, gentilmente, impedindo-o de sair da mesa – Eu mesma pego. Não se incomode.

Rebecca se colocou de pé para evitar que Vlad recusasse sua proposta. Achava linda a forma como Vlad era um perfeito cavalheiro com ela, mas sentia que já estaria abusando se o fizesse ir buscar outra bebida só porque ela não gostava de refrigerante como qualquer adolescente normal no mundo.

– Pode deixar que eu pego, Vlad. – ela reforçou, acariciando o braço dele levemente – É até melhor porque assim posso apreciar um pouco mais da decoração.

Vlad assentiu e, meio a contra gosto, sentou-se novamente. Achava muito mais correto que ele próprio fosse até a mesa pegar uma bebida para Rebecca, mas não queria ser inconveniente insistindo nesse assunto.

Assim que Rebecca se dirigiu a mesa de comes e bebes no fim do salão, Ty virou-se para Mikhail, encarando-o com seriedade.

– Porque ficou jogando aquelas indiretas sobre nós para a minha irmã? – ele questionou.

Vlad tomou um pouco de seu refrigerante e revirou os olhos, desejando que tivesse pelo menos pedido a Rebecca para deixar que ele a acompanhasse, pois a ultima coisa que queria naquela noite era servir de expectador em uma discussão de relacionamento entre Ty e Mikhail.

– Um dia sua irmã vai ter que saber sobre nós. – Mikhail respondeu dando de ombros, o que só serviu para deixar Ty mais irritado.

– Ela não precisa saber hoje. – ele retrucou fuzilando o namorado com o olhar.

– Porque não? – Mikhail questionou, encarando-o com igual seriedade – Porque você acha que a Rebecca não vai entender ou, simplesmente, porque tem vergonha de nós?

– Tudo bem, tudo bem. – disse Vlad levantando-se – Eu vou procurar a Rebecca e deixar vocês discutirem em paz, ok?

Ele olhou para Ty e Mikhail esperando que eles dissessem alguma coisa, mas como os dois apenas continuaram se encarando, Vlad deu de ombros e seguiu em direção à mesa de comes e bebes.

– Não acredito que me disse isso. – disse Ty indignado.

– O que você quer que eu diga, Ty? Entendo que não possa contar sobre nós para os seus pais, mas a Rebecca não é como eles. Não entendo porque não se abre pelo menos com ela.

– Porque a Rebecca não está pronta para saber disso. – respondeu ele.

– Ela não é uma criança, Ty. E dentre todas as pessoas na sua família, acho que ela é quem mais conseguiria te entender. – Mikhail retrucou.

– Você não conhece a minha irmã.

– Sinceramente acho é você quem não a conhece. – disse Mikhail.

Ty olhou para ele com raiva e se levantou, mas Mikhail segurou o braço dele, impedindo-o de se afastar.

– Não saia assim, por favor. – pediu – Você sempre faz isso e eu não quero brigar hoje, Ty.

– Você prometeu que não iria me pressionar. – Ty o encarou – Porque agora quer tanto que eu fale sobre nós para a Rebecca?

Mikhail soltou um suspiro pesado.

– Me desculpe. – ele disse tristemente – Eu... Só não acho justo. Estou cansado de ter que te namorar escondido, como se estivéssemos cometendo algum crime. Não aguento mais ficar escondendo de todo mundo o que eu sinto por você. Queria que houvesse ao menos uma pessoa da sua família para quem não tivéssemos que mentir.

Ty olhou para Mikhail de forma triste. Também estava cansado de esconder seus sentimentos de todo mundo, principalmente de sua família, mas sua família não era como a de Mikhail, que o havia aceitado sendo como era. Por isso, apenas reprimiu a vontade de beijá-lo naquele momento e acariciou seu rosto levemente.

– Prometo que eu vou resolver isso. – disse Ty – Apenas tenha paciência.

Mikhail assentiu devagar e Ty retirou a mão de seu rosto, porque da forma como estavam não seria difícil para ninguém perceber o que havia entre eles e voltou a se sentar, pegando para si o refrigerante que Rebecca havia deixado sobre a mesa.

Enquanto isso, Rebecca atravessou a multidão que se aglomerava na pista de dança e seguiu para a mesa de comes e bebes. Ao chegar, pegou um copo e procurou por um suco na parte destinada às bebidas. Encontrou apenas dois sabores – Abacaxi e pêssego – e, enquanto tentava decidir qual dos dois pegar, Aaron surgiu atrás dela.

– Se eu soubesse que essa festa estava tão bem frequentada eu teria chegado dez minutos mais cedo. – disse ele.

Rebecca fechou a cara no mesmo instante.

– Se eu soubesse que te encontraria aqui nem teria vindo. – ela retrucou sem se virar.

– Você fala assim, mas aposto que sonha comigo toda noite. – Aaron sussurrou em seu ouvindo, envolvendo sua cintura com uma das mãos.

Sua atitude pegou Rebecca de surpresa e ela sobressaltou-se a tal ponto, que o copo que segurava escorregou de sua mão, estilhaçando-se assim que tocou o chão.

Aaron a puxou alguns centímetros para trás juntando seus corpos.

– Cuidado, minha gatinha. Não quero que se machuque.

Rebecca soltou-se rapidamente dele e virou-se para encará-lo com raiva.

– Eu não sou sua gatinha! – exclamou.

Aaron abriu um sorriso satisfeito, mas assim que notou a pulseira de rosas que Rebecca tinha em seu pulso o sorriso desapareceu de seu rosto, sendo substituído por uma expressão séria.

– Essa é uma pulseira muito bonita. – ele comentou – Posso saber onde a conseguiu?

– O Vlad me deu. – Rebecca respondeu de forma seca.

– O Vlad? – perguntou Aaron olhando em volta – Ele está por aqui? Eu e ele temos alguns assuntos para resolver.

– Não ouse se aproximar dele. – Rebecca sentenciou.

– Falando assim, até parece que está apaixonada por ele.

Rebecca não respondeu nada e Aaron aproximou-se dela, olhando-a de forma penetrante.

– E você realmente acha que está, não é? – perguntou ele.

– Isso não é da sua conta! – Rebecca retrucou e Aaron abriu um sorriso diabólico, antes de puxar a pulseira do braço dela, fazendo o fecho se romper e fazendo Rebecca avançar sobre ele, instintivamente.

– Me devolva, Aaron! – ela gritou, praticamente pulando para tentar recuperá-la.

– Você a quer? – Aaron a provocou, mantendo a pulseira suspensa a uma altura que ela não conseguisse pegar.

Rebecca o encarou com raiva e Aaron olhou para ela por um instante antes de jogar a pulseira no chão e pisotea-la, amassando todas as pétalas delicadas das rosas brancas que a ornamentavam.

– Ops! Caiu. – disse ele com um sorriso cínico.

– Seu cretino!

Rebecca avançou sobre ele, disposta a dar-lhe um bom tapa, mas Aaron a segurou com força e a puxou para perto de si.

– Eu já te disse que você fica linda quando está brava? – perguntou ele.

– Eu vou matar você! – Rebecca respondeu furiosa.

– É mesmo? – ele ergueu as sobrancelhas para ela – Que pena, porque eu vou beijar você.

Aaron juntou seus lábios ao de Rebecca antes que ela pudesse se esquivar e a beijou profundamente. Tamanho foi choque que sua atitude causou em Rebecca que ela nem conseguiu se recuperar o suficiente para afastá-lo de si, mas todo o contato pareceu durar apenas dois segundos antes que o corpo de Aaron fosse bruscamente afastado do seu.

Um milésimo de segundo depois, Aaron estava jogado no meio das pessoas na pista de dança por causa do soco que Vlad lhe dera e elas se afastaram, olhando confusas ao redor e tentando entender o que se passava, enquanto Rebecca levava as mãos à boca assustada com toda a confusão.

Aaron se colocou de pé, rapidamente e avançou sobre Vlad, derrubando-o sobre a mesa de comes e bebes, que desabou, quebrando todas as louças que havia ali, fazendo Rebecca gritar em desespero. Logo em seguida Aaron o segurou pelo colarinho da blusa, atingindo-o com dois socos antes que Vlad o empurrasse para longe, ganhando um tempo para se recuperar.

Logo depois, Vlad partiu para cima de Aaron, acertando-o com um soco no estômago, que o fez se curvar tentando recuperar o fôlego e Vlad aproveitou esse instante para segurá-lo e atingi-lo com uma joelhada no rosto, que o fez tombar para trás, completamente desnorteado.

Antes que Vlad pudesse investir contra Aaron novamente, Ty e Mikhail o seguraram, retirando-o a força do salão de festas, sendo seguidos por Rebecca, que ainda tremia assustada com toda a briga.

– Me larguem! – Vlad exigiu, tentando soltar-se deles enquanto era arrastado pelo corredor.

– Não. Você vai acabar sendo expulso! – disse Mikhail segurando-o com mais força.

– Eu não me importo! – Vlad gritou furioso.

– Mas eu me importo. – disse Mikhail para ele.

Vlad começou a resmungar e logo ele e Mikhail começaram a discutir em russo, deixando Rebecca e Ty totalmente confusos e ainda mais apreensivos, pois ouvi-los discutindo em seu idioma de origem parecia deixar toda a situação ainda mais carregada de agressividade que quando eles estava discutindo em inglês.

– Parem com isso, droga! – Ty exclamou irritado por não entender uma só palavra do que eles diziam.

– Por favor, se acalmem. – pediu Rebecca assustada e já a ponto de romper em lágrimas.

Vlad olhou para ela e respirou fundo, tentando se acalmar para não deixá-la ainda mais assustada do que já estava. Não era sua intenção deixar Rebecca tão nervosa daquele jeito, mas só de pensar no que Aaron havia feito, a raiva voltava a atacá-lo.

Quando percebeu que Vlad finalmente estava mais calmo, Mikhail o soltou, encarando-o com preocupação.

– Vocês destruíram tudo lá dentro. O que foi que aconteceu para vocês brigarem dois brigarem daquele jeito?

Vlad olhou para Rebecca, que corou ligeiramente.

– Aaron me beijou a força. – ela respondeu, envergonhada.

– O Aaron fez o que?! – Ty exclamou indignado – Mas que filho da puta! Espera aí que ele vai aprender a não mexer com a minha irmã.

Ty começou a andar de volta para o salão do baile, mas antes que ele pudesse dar três passo, Mikhail o segurou e o puxou de volta para onde estavam.

– Acho que já tivemos confusão demais por uma noite e a questão agora não é essa, Ty. – Mikhail o interrompeu e olhou novamente para Vlad – Você e o Aaron aprontaram uma grande bagunça lá dentro e nem pense que isso vai ficar assim. Toda essa briga, com certeza, vai trazer muitos problemas e vocês podem até ser expulsos por causa do que fizeram hoje, Vlad.

Todos permaneceram em silêncio por um instante absorvendo as consequências que a briga poderia gerar e Rebecca sentiu o coração se apertar com a ideia de Vlad ser expulso.

– Agora é tarde para mudar isso. – disse Vlad depois de um tempo – O que está feito está feito.

Mikhail respirou fundo algumas vezes e era possível ver em seu olhar que ele já estava esperando pelo pior.

– É melhor você voltar para o quarto. – disse ele para Vlad – Amanhã nós vemos o que podemos fazer sobre isso.

– Tenho que levar a Rebecca ao dormitório antes.

– Faça isso. – Ty concordou – Tudo bem para você, Rebecca?

Rebecca assentiu com um leve aceno de cabeça e, depois de despedir-se dele e de Mikhail, se dirigiu com Vlad ao dormitório, percorrendo todo o caminho até lá em silêncio.

Apenas quando chegaram aos limites do dormitório do St. Hilda’s, Rebecca se atreveu a falar:

– Desculpe. – ela disse triste – Não queria ter criado problemas para você essa noite.

Vlad negou com a cabeça e a abraçou.

– A culpa não foi sua, Becca. Foi o Aaron quem criou problemas e eu ter brigado com ele foi culpa minha.

– Não. – disse ela com os olhos marejados de lágrimas – Você tentou me ajudar e agora corre o risco de ser expulso.

Vlad abriu um pequeno sorriso.

– Não foi exatamente assim. Eu briguei com o Aaron porque queria te defender, mas também briguei com ele porque fiquei com ciúmes.

Rebecca levantou os olhos para ele.

– Ficou... Com ciúmes? – ela perguntou envergonhada.

– Morrendo de ciúmes. – Vlad confessou – Quando vi ele te beijar eu não consegui me conter. Era eu quem deveria te dar o seu primeiro beijo, sabe? Não ele.

Rebecca olhou para ele emocionada, sentindo o coração se acelerar com o olhar que Vlad lhe lançava e ele secou algumas lágrimas que escorriam pelo rosto dela.

– Vlad, eu... – Rebecca começou, mas Vlad pousou o dedo indicador, delicadamente, sobre os lábios dela.

– Não diga nada. – disse ele e depois se inclinou, juntando seus lábios ao dela.

O beijo foi lento e carinhoso, diferente do que havia acontecido quando Aaron a havia beijado a força e Rebecca pode sentir o calor brotar dentro de seu corpo, enquanto saboreava cada segundo daquele beijo cálido.

Quando Vlad finalmente se afastou, Rebecca ainda permaneceu mais alguns segundos de olhos fechados, porque não queria se desfazer daquela sensação tão rapidamente. Aquele beijo era como um sonho do qual ela não queria acordar.

– É melhor eu ir agora. – disse Vlad – Aposto que o Mikhail vai estar no dormitório daqui há cinco minutos e, depois do que aconteceu hoje, ele vai estar um porre. As vezes ele é pior que o meu pai.

– Acho que ele apenas se preocupa com você. – disse Rebecca abrindo os olhos e encontrando o rosto radiante dele ainda próximo de si.

– Sim, nós crescemos juntos e, como o Mikhail é o mais velho, era sempre ele que me protegia dos garotos idiotas da escola. – Vlad explicou – Minha confia muito nele e acho que ele sente que é um dever dele cuidar de mim enquanto estou aqui em Oxford. Ele é um ótimo primo, mas as vezes é um chato.

Vlad sorriu e Rebecca percebeu que alguns hematomas causados pelos socos de Aaron e pelas coisas que caíram sobre eles ao quebrarem a mesa, começavam a ficar visíveis por ali, mas ainda assim ele parecia tão lindo quanto um anjo aos olhos dela.

– Acho melhor eu ir andando. Boa noite, Becca. – disse ele e depositou um breve selinho nos lábios dela antes de se afastar.

– Boa noite. – disse Rebecca baixinho, tocando os próprios lábios.

Ela subiu a escadaria do dormitório vagarosamente, ainda extasiada com o beijo. A festa havia sido um completo desastre, mesmo que ela sequer tivesse permanecido lá por mais que trinta minutos, mas aquele beijo tinha valido por qualquer coisa. Agora tudo o que não queria era que Vlad fosse expulso por causa da briga que tivera com Aaron.

Notas finais
Festa, beijos e brigas. Quem estava com saudade desse trio de maluquinhos, hein? Daqui a pouco eu volto com o próximo capítulo, então, aproveitem o momento para me deixar um comentário falando sobre os seus sentimentos XD Beijinhos e até o próximo.