Wake Me...

1 Capítulo Único


Notas iniciais
A ideia para esta pequena fanfic apareceu do nada e quando dei por mim escrevi esta one-shot. ^^
Espero que gostem!
Desculpem por qualquer erro ^^'

Boa leitura!!!

Todos os dias ia ali, era sempre a mesma rotina. Encontrava-me sentado ao balcão, num pequeno café no centro da cidade. Todas as manhãs eu passava ali e entrava para tomar um café, fazia-o sem pensar e tornara-se um hábito.

Mesmo sem querer admitir, eu sentia-me solitário. Era sempre o único sozinho no meio de tantas pessoas, que também vinham ali todos os dias. Parecia que aquele café era rotina de muitas pessoas.

Fui servido pela empregada e deliciei-me com o sabor amargo do café.

- Não te fartas de estar aqui?

Uma voz feminina surpreendeu-me e olhei para trás. Era estranho, nunca ninguém se tinha dirigido ou falado para mim. Fiquei ainda mais surpreso ao vê-la. Era jovem, os seus olhos eram verdes como esmeralda, eram lindos e expressivos, o seu cabelo que era rosa estava atado. No seu rosto estava um pequeno sorriso tornando-a ainda mais atraente. Tinha de admitir era muito bonita.

- Desculpe? – foi a única coisa que consegui dizer.

- Ah, nada, foi rude da minha parte, desculpe. O meu nome é Sakura e vejo-o todos os dias aqui sozinho… Pensei que gostaria de companhia. – a voz dela era graciosa, melodiosa e sorriu ao dizer a última parte.

Fiquei um pouco sem saber o que dizer e apenas acenei com a cabeça.

Ao ver que eu não recusaria ela sentou-se ao meu lado, observando-me fixamente. Pediu também um café para ela e o silêncio reinou entre nós dois.

- Não consigo perceber porque está sempre sozinho. – disse ela do nada. – Não terá uma família, amigos, uma namorada? – ela parecia curiosa, mas também um pouco triste.

- Toda a minha família está morta… E não gosto de fazer amizades… — murmurei sem pensar, nunca tinha dito algo assim a alguém, o que é normal uma vez que não tenho ninguém.

Ela ia para dizer algum coisa, mas um som estranho pairou sobre o café, como se não pertencesse dali.

- Oh! Tenho de ir! Adeus.

E do nada ela foi-se embora.

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Um dia se passou e eu encontrava-me novamente naquele café. Uma parte de mim desejava que aquela rosada estranha e diferente voltasse a aparecer. O nome dela era Sakura, não era?

Saboreava o meu café quando senti alguém a sentar-se ao meu lado. Olhei e vi a rosada ao meu lado a sorrir.

- Olá mais uma vez. – cumprimentou com a sua voz melodiosa.

- Olá… — murmurei, eu estava um pouco alegre por vê-la de novo, mas eu não era muito bom a mostrar os meus sentimentos e também não era bom a falar com outras pessoas.

- Está sempre tão solitário… Mas a partir de agora irei fazer-lhe companhia! É uma promessa, virei todos os dias, falar, desabafar, contar novidades… — dizia ela alegre sempre com um sorriso.

Eu olhava-a sem palavras, ela era mesmo estranha. Não tinha outra descrição para ela, mas eu gostava de ver aquele sorriso, parecia iluminar aquele café com uma luz radiante.

- Pode ser que assim acorde… Um dia quem sabe… — disse ela um pouco triste.

- Acorde? – perguntei confuso.

Ela olhou-me sem responder e foi-se simplesmente embora.

Observei-a sair pela porta e apenas desejei que amanhã ela voltasse.

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Ainda não tinha percebido as palavras de ontem, eu não conseguia perceber aquela rapariga. Era estranha, diferente e misteriosa, mas lá no fundo apenas queria que ela voltasse a aparecer. Era uma sensação estranha, mas ela tinha acabado com a minha rotina sem fim.

Como todos os outros dias encontrava-me no café e esperava ansiosamente por Sakura, queria ver o seu sorriso de novo.

E ela apareceu.

- Bom dia. Trouxe-lhe flores, não sei qual o tipo que prefere, mas espero que goste mesmo assim. – nas suas mãos ela trazia um jarro com túlipas brancas, e sorri mentalmente. Eu adorava túlipas.

- Oh, obrigado. – agradeci agarrando as flores.

A partir dali todos os dias eu a Sakura estávamos juntos. Ela sempre falava de coisas banais, sobre a sua vida fazendo-me companhia e mantendo assim a sua promessa. E com isto tudo fiquei a conhece-la melhor. Era enfermeira, tinha 24 anos, sendo um ano mais nova que eu, tinha passado por grandes dificuldades na sua infância e adolescência, mas conseguiu sempre ultrapassar isso. Aos 18 anos fugiu de casa e começou a trabalhar para conseguir pagar a faculdade e depois de muito sofrimento conseguiu o seu sonho de ser enfermeira e ajudar as pessoas. Ao ouvir aquilo tudo consegui identificar-me com ela, pois também sofrido bastante, mas eu não era tão forte como ela.

Eu escutava-a sempre atentamente e raramente falava, pois gostava demasiado observá-la a falar, sorrir, corar, ela era linda…

Sem me aperceber a Sakura tornou-se a minha nova rotina.

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Mais um dia no café, esperando ansiosamente por Sakura. Eu não queria admitir, mas acho que estou apaixonado. Eu só conseguia pensar nela… No quanto ela alegrou as minhas manhãs amargas e solitárias. Eu que sempre pensei que não conseguiria amar… Realmente, a vida dava voltas. Estava submerso nos meus pensamentos quando a Sakura chegou.

- Olá mais uma vez. – cumprimentou da mesma maneira como fazia todos os dias.

- Olá. – disse sorrindo pela primeira vez.

Ela sentou-se pedindo o seu café e começou a falar de várias coisas do seu dia-a-dia, sempre me observando atentamente. Eu, ao contrário das outras vezes, não consegui prestar atenção, a minha mente só conseguia pensar no facto de estar apaixonado. Não conseguia acreditar naquilo, era demasiado impossível. A única coisa que conhecia na minha vida foi sofrimento e perda, não conhecia o sentimento amor… Até ela aparecer…

Não sei quanto tempo passou, mas quando dei por mim, a Sakura já não falava e olhava para mim.

Será que ela reparou que não lhe estava a prestar atenção?

Antes que conseguisse pedir desculpa ela aproximou-se ainda mais de mim e a sua mão acariciou a minha face.

- És tão lindo… — murmurou ela baixinho, olhando com aqueles olhos verdes brilhantes.

- Tu é que és linda… — aquelas palavras saíram da minha boca sem autorização, mas naquele momento não me importei, o toque daquela mão sobre a minha pele era demasiado bom.

Ela não disse mais nada, apenas se aproximou fechando os olhos. Os meus também se fecharam por instinto ao sentir aqueles lábios sobre os meus, tentando desfrutar melhor daquela sensação. Os seus lábios eram ternos, suaves, quentes e faziam-me sentir algo como nunca tinha sentido antes. Eu queria sentir mais do seu sabor, eu precisava, mas antes que eu pudesse fazer mais alguma coisa, a Sakura afastou-se de mim.

Olhei para ela confuso.

- Eu… Eu não devia ter feito isto…

E sem mais ou menos ela saiu dali a correr.

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Eu estava confuso… Mais uma vez… Aquela rosada só sabia deixar-me confuso. Eu estava com medo que depois daqueles acontecimentos ela não viesse hoje. Que nunca mais viesse! Não queria pensar naquilo, agora que finalmente tinha encontrado uma luz, uma esperança na minha rotina sem fim.

Ouvi a porta do café abrir-se e o meu olhar virou-se logo para ela.

Nem quis acreditar quando vi a Sakura, com o seu cabelo apanhado como habitual, adoraria vê-lo solto, espero um dia ter essa sorte. Sorri, esperando pelo seu cumprimento, mas este não veio e pela primeira vez ela também não sorriu.

Sentou-se silenciosamente ao meu lado e ficou a olhar para mim.

- Sakura? – perguntei, ela não parecia a mesma.

- Não está na hora de acordares? – a sua voz estava calma e segura.

De novo com essa história do acordar?

- Eu não percebo o que queres di-… — tentei dizer, mas ela não me deixou acabar.

- Às vezes isto não parece um sonho? – perguntou ela.

Para mim tu és um sonho pensei, mas claro que não disse isso em voz alta.

- Não… — murmurei sem perceber onde ela queria chegar.

- Alguma vez te lembras de ir para casa?

- Mas é claro, sempre que acabo de tomar o café, eu vou para casa. – disse certo de mim mesmo.

- Tens a certeza disso? – perguntou ela séria fixando os meus olhos.

- Sim… Eu…

- E lembras-te de entrar neste café?

- Sim… — aquelas perguntas estavam-me a deixar assustado e confuso, respirei fundo tentando pensar. Eu ia ali todos os dias, não era? Eu entrava… Eu chegava a entrar? Eu já estava sentado… Mas eu ia para casa! Eu saía… Eu chegava a sair do café? – Não, não me lembro… — admiti surpreendido.

- Já reparas-te em como todos os dias, estão sempre exactamente as mesmas pessoas? Não achas isso estranho? – ela parecia triste.

- Acho, mas…

- Sasuke, estás a viver numa ilusão, tens que acordar. – disse enquanto se aproximava de mim.

Quando lhe tinha dito o meu nome? Nunca o tinha dito?

- Eu estou acordado. – disse inseguro.

- Não queres viver? – perguntou a Sakura triste. Naquele momento o café desapareceu do nada e encontrava-me à beira de um penhasco. Fiquei assustado. A Sakura estava à minha frente com as mãos sobre os meus ombros.

- É claro que quero! – exclamei.

- Então tens que acordar. – disse Sakura com um sorriso triste.

- Mas… Mas eu quero estar contigo… Fizeste-me uma promessa… — murmurei fixando o seu olhar verde esmeralda que ficou surpreendido.

Por momentos ficou calada sem saber o que dizer.

- Sasuke… Eu sou apenas um produto da tua imaginação. Nada mais… — murmurou baixo.

- Não é possível, não! – eu não queria aceitar aquilo!

- Agora tens apenas que acor-

- Não, eu não quero!

- Tens uma pessoa à tua espera… — ela disse sorrindo de forma triste.

- Eu não tenho ninguém. Apenas a ti… — e abracei-me a ela com força, não queria que ela desaparecesse.

- Tu ainda não a conheces, mas ela está à tua espera… Então Sasuke, hora de acordar, este sonho já durou muito tempo. – ela sorriu e do canto do olho pude ver uma pequena lágrima solitária a cair pela sua face.

E então caímos os dois pelo abismo.

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Acordei sobressaltado e aflito. Sentia algo na garganta e não conseguia respirar, tentei mexer-me para arrancar o que tinha boca e senti dor nos braços. Ao olhar para eles vi-os cheios de fios e tubos. Ouvia um som irritante que parecia descontrolado.

- Ele acordou!

Ouvi alguém a gritar, mas parecia estar longe. Eu apenas queria respirar.

Alguém me ajudou a tirar o que tinha na garganta e finalmente consegui respirar. Tossi á procura de ar.

- Acalme-se, Sasuke! O senhor acaba de acordar. Esteve em coma durante 1 ano!

Estive em coma? Tentei observar quem falava, mas tudo estava desfocado.

- O qu-? – tentei falar, mas tinha a garganta tão seca.

- Não fale, vamos dar-lhe algo para o acalmar e ajudar. – dizia o enfermeiro ou médico.

Eu estava confuso sem conseguir ver o que se passava e antes que me apercebesse mergulhei de novo na escuridão.

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Acordei, desta vez sem sobressaltos. Abri lentamente os olhos tentando me adequar à luz presente no quarto.

Estava deitado numa cama, ao lado de uma janela e o quarto era completamente branco. Lembrei-me dos últimos acontecimentos e percebi que devia estar num hospital. Eu estivera realmente em coma? Tentei lembrar-me dos últimos acontecimentos… Lembro-me de ir de carro para casa e depois… lembro-me de algo embater contra mim… e depois nada…

Eu estava demasiado chocado com tudo o que se tinha passado. Mas… Mas… Sakura… Aquilo tudo tinha sido um sonho? Ela realmente não existia? Tinha sido tudo uma projecção da minha consciência para eu acordar? Não… Ela era muito mais que isso… Sakura…

Olhei em redor do meu quarto e senti um aperto no coração ao ver na mesa ao lado da minha cama um vaso com flores. Túlipas brancas.

Ouvi uma porta a ser aberta e nem quis acreditar, era impossível, era ela…

Á minha frente estava a Sakura, com o seu cabelo apanhado, os seus olhos verdes brilhantes e felizes, a única coisa diferente era como estava vestida. Estava com um uniforme de enfermeira. O seu sorriso estava lá cintilante como me lembro.

- Bom dia senhor Sasuke, estou muito feliz em vê-lo acordado. Sou a Sakura, fui sua enfermeira durante um ano. É normal nestes dias estar confuso, mas irei ajuda-lo em tudo até ter alta. Tem alguém que possamos contactar? Pois não encontramos ninguém. – ela falava com a sua voz melodiosa e eu apenas a observava de boca aberta.

- Sakura… — foi a única coisa que consegui dizer-

- Sim, é esse o meu nome. – disse sorrindo.

- Eu… Eu não tenho ninguém. Estas flores – disse apontando para as túlipas. – foi você que as deixou? – perguntei com esperança.

Ela olhou-as e ficou um pouco corada.

- Sim, são. – disse um pouco constrangida. – Como sempre o via sozinho eu ficava lhe fazendo companhia e trazendo flores com esperança que acordasse um dia.

“Tens uma pessoa à tua espera. Tu ainda não a conheces, mas ela está à tua espera…”

Eu não queria acreditar, sorri olhando para ela.

- Fez uma promessa não fez? – perguntei.

Ela ficou surpreendida, perguntando-se como eu saberia, mas então sorriu dizendo:

- Sim, fiz.

Notas finais
E pronto =)
Espero que tenham gostado e logo voltarei com mais histórias.
Se tiverem ficado com algum dúvida perguntem, que tentarei explicar ^^
Gostei muito de escrever esta one-shot, uma vez que podemos imaginar à vontade o que acontece quando estamos em coma.

Até à próxima! =D

Kiss
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!