Waiting for the love
5 Ao Shopping! De novo...
Notas iniciais
Duas semanas se passaram desde aquele dia no parque. Desde o dia maravilhoso em que Martin me pediu em namoro. E eu devo dizer que aquelas tinham sido as duas melhores semanas da minha vida.
Martin é um fofo. Sempre chegava em minha casa de manhã, antes de eu acordar , e fazia um café da manhã pra mim. Então ele me acordava enchendo o meu rosto de beijos e me arrastava até a sala para assistirmos algum seriado.
Nesse fim de tarde em especial fomos até o estúdio para ver se tinha alguma notícia do Sr.Smith quanto ao nosso demo. Mal chegamos e já ouvimos as piadinhas.
–Martin, seu traidor, a Lu é minha! – reclamou Jake
–Aquelas músicas todas eram pro Martin, né mesmo, Lu? Tô sabendo! – brincou Hayato
–E aí pombinhos! Tudo bem?- Pois é, Matt é o único que não brinca com isso
–E aí Matt! Novidades? Cadê o Rafe?- perguntei
–Ainda não chegou Lu. Tô começando a ficar preocupado.
–Com o que, cambada? Eu tô vivinho! – Rafe disse enquanto vinha em nossa direção — E aí? Alguma novidade do Smith?
–Nada mano.- respondeu o Jake
Ouvimos uma música chamada “Ranbu no Melody” soando baixinha de algum lugar e logo os olhares se viraram pra mim.
–Agora nós vamos ter!- disse me jogando no sofá enquanto atendia o celular e o botava no viva-voz.
~Chamada on~
–Alô, Luísa?
–Oi senhor Smith, tudo bem com o senhor?
–Sim, sim, tudo ótimo. Os meninos estão aí com você?
–Sim, estão.
–Ótimo! Bom, eu estou ligando para dar noticias sobre o CD...
–Por favor senhor, fale rápido, nós estamos morrendo de curiosidade! –disse Rafe já grudado em mim e puxando o celular pra perto de si.
–Acalmem-se jovens, vocês não precisam ter pressa, ainda tem muito pra viver! Bom, mas é uma boa noticia. O CD que vocês me mandaram é ótimo! Tudo combinou perfeitamente bem com vocês. O CD tem um ritmo jovial, dançante e sério quando necessário. É incrível! Parabéns!
–Muito obrigada, Sr. Smith!
–E não acaba por aí! Todos aqui da gravadora adoraram o CD, e, por isso, temos uma proposta. Nós gostaríamos de assinar um contrato com vocês!
–S-sério? –perguntou Matt
–Claro que é! E nós gostaríamos de firmar esse contrato o mais rápido o possível! Quando vocês podem vir aqui?
–Amanhã mesmo, Sr. Smith!- respondeu Martin alegre
–Ótimo! Então nos vemos amanhã!
–Sim, e muito obrigada por essa oportunidade senhor!
–De nada! Vocês merecem! E, por favor, me chamem de James. Até amanhã.
–Até amanhã! – dissemos juntos
~Chamada off~
–Nós conseguimos!!!!!!!!- gritou Hayato animado
–Nós somos demais!!- disse Jake pulando em cima de mim
Logo fomos todos puxados para um abraço do Rafe, que se mostrava o mais animado de todos. Me lembro que desde que erámos crianças Rafe sonhava em ser o baixista de uma banda de sucesso. Depois de um tempo surgiu a ideia da SLAM, concretizada pouco depois. Até um ano atrás tocávamos por diversão, só começamos a tocar sério quando o pai de Matt, o dono do estúdio que nós usamos, disse que nós éramos bons e que tínhamos futuro como banda.
–Isso merece uma comemoração! — eu disse-Vamos pro shopping cambada!
E lá fomos nós, como cinco crianças felizes em direção ao shopping. Já tínhamos parado em diversas lojas e estávamos no fliperama. Eu e Matt disputávamos uma partida de Guitar Hero quando Martin atende o celular:
–Alô? Sr. Smith? Sim. Sim. Estamos no Shopping, por quê? Comprar roupas novas? Pra uma festa? Dinheiro? Nos nossos cartões? Claro! Sim, eu falo pra eles! Muito obrigado, Sr.
–O que houve Martin? – Perguntei pulando em seu pescoço.
–O Sr. Smith acabou de ligar dizendo que amanhã temos uma festa pra ir. Uma festa de lançamento ou coisa do tipo. E que nós devemos comprar roupas adequadas. Ele também disse que a empresa depositou algum dinheiro em nossos cartões pra comprar as roupas.
–Então vamos lá, né?! Não temos opção. – disse Rafe
E nos encaminhamos a uma loja de roupas chiques. Nunca soube o nome exato que eles dão pra esse tipo de roupa.
–Com licença, gostaríamos de ver roupas de gala. – Disse Matt polidamente
–Para os cinco jovens e pra senhorita também?
–Sim – responde
–Um momento por favor, vou chamar outro funcionário para ajudar a senhorita.
–Por que “gala”? “Gala” tinha que ser a mulher do galo, oxe. – digo baixinho e Martin ri.
–Sabia que eu adoro essa sua ingenuidade? – ele diz abaixando o seu olhar até o meu.
–Não é ingenuidade, poxa. Eu só acho frescura demais. – nesse momento a funcionária chega com um garoto em seus 18 anos. Cabelos de um tom castanho claro, olhos cor de mel e um sorriso de tirar o folego de meninas por aí. Mas eu não era uma menina por aí. Martin me apertou possessivamente quando o garoto chegou perto de mim enquanto perguntava:
–A senhorita poderia me acompanhar?
Solto-me de Martin e o acompanho até onde estão os vestidos. Se esse menino soubesse o quanto é difícil me convencer de levar um vestido ele desistiria na hora. Mas como ele estava sendo super gentil eu tentei experimentar alguns. Um vermelho na altura dos joelhos, tomara que caia com uma saia rodada com babados e um cinto preto. Um vestido roxo longo tomara que caia com pedrinhas brancas. Um vestido branco com um cinto preto e uma estrela dourada. Mas nenhum me agradava.
–Meu deus! É impossível escolher um vestido.
–Pois é, você realmente é difícil de agradar. – disse o funcionário, que a essa altura do campeonato já sabia que se chamava Gustavo. – Mas vamos lá, dá mais uma olhada, sem duvidas vai ter um que você vai gostar!
E não é que o maldito estava certo? Passei meus olhos mais uma vez pelos vestidos, mas dessa vez eles pararam subitamente em um lindo vestido tomara que caia. A parte de cima tinha pequenas pedrinhas azuis claras. Já a parte de baixo, que marcava exatamente a cintura, era uma saia estilo “evasê” preta. Entendam, sempre fui doida por combinações com azul, e aquela era LINDA!
Gustavo percebeu que estava interessada naquele vestido e o pegou. Olhou-o atentamente e disse:
–Eu nunca tinha visto esse vestido por aqui. Não que eu passe muito por aqui. – se aproximou de mim e botou o vestido em minha frente. – Vai ficar lindo em você, sem duvidas.
Peguei o vestido de sua mão e fui ao provador. Botei o vestido e abri um sorriso enorme ao perceber que ele ficava perfeito em mim (modéstia a parte, eu sei). Olhei pra cima e vi um par de sapatos de salto altos azuis claro com pedrinhas sendo segurados pela grande mão de Gustavo.
–Pega esses. Vai ficar perfeito. – sussurrou ele por trás da porta.
Calcei os saltos que me deixaram alguns centímetros mais altos. Me sentia uma verdadeira princesa. Estava linda com aquele vestido e salto, mal podia esperar pra poder arrumar o cabelo e a maquiagem. Posso ser uma menina que gosta do básico, mas quando tenho que me arrumar bem, me arrumo bem até demais.
–Lu, vem aqui fora, você não quer perder esses 5 pinguins que nós ficamos. – Ouvi a voz de Jake me chamar. – Ah, e a gente também quer te ver!
–Já vou! – dei mais uma olhada no espelho e sorri. Abri a porta do provador e não pude conter uma risada ao ver os cinco meninos de costas pra mim e tentando se comportar. Ao ouvir minha risada Martin se virou e foi seguido. Logo os cinco meninos me olhavam boquiabertos.
–Quem é você e o que fez com a Lu? – perguntou Hayato
–Lu você tá... você tá... – Rafe disse enquanto me olhava.
–Linda! – completaram Jake e Matt juntos.
Martin se aproximou de mim, me segurou pela cintura e me tombou em seus braços.
–Perfeita. Linda. Maravilhosa. Minha. – disse olhando em meus olhos e me dando um beijo casto. – Acho que já escolhemos tudo, sim? Então vamos?
Trocamos de roupa e pagamos tudo o que tínhamos comprado. Saímos da loja e resolvemos ir embora. Martin pediu pra dormir em minha casa pois ele não queria ficar sozinho. De inicio eu disse que não, mas ele fez uma carinha tão fofa que eu não consegui recusar. Pegamos um táxi até minha casa (observação, que é apenas a duas casas de distância da casa de Martin) e fomos recebidos com uma chuva torrencial. Correndo cheguei até a porta e a abri rapidamente.
–Por que sempre parece que o céu vai cair por essas bandas? – perguntou Martin me fazendo rir.
–Não sei. Só sei que é melhor a gente tomar um banho antes que nós peguemos um resfriado!
–Opa, a gente? – perguntou ele com um sorriso safado.
–Idiota. Eu vou tomar banho na suíte e você no banheiro do meu quarto ok? Você já é de casa, sabe onde ficam as toalhas.
–Poxa, tirou minha esperança! – disse ele rindo
–Que bom!
Subi as escadas correndo e peguei um pijama quentinho em meu quarto. Tomei um banho rápido para esquentar e coloquei meu pijama. Cheguei em meu quarto e me deparei com um ruivo com cabelos displicentemente bagunçados e sem camisa, mostrando seu lindo tanquinho e músculos.
–Põe uma camisa cara, tá frio.
–Também acho. Mas eu tava aqui pensando.
–O quê?
–Sério que você ainda guarda todas as camisas que eu trouxe pra cá? – perguntou rindo
–Claro! Eu nunca sei quando que você vai resolver migrar pra cá! Como minha mãe sempre diz “Melhor prevenir do que remediar”
–Verdade. Falando nela – disse pegando uma camisa laranja com um átomo desenhado em branco – como ela está?
–Trabalhando muito, sabe como é. Desde que o pai morreu ela acha que deve trabalhar muito pra sempre sobrar dinheiro. Agora ela deve estar em plantão. Faz uns dois dias que eu não vejo ela.
Meu pai morreu ano passado, vitima de um câncer. Não gosto de falar sobre isso, por isso os únicos que sabem são os meninos, já que eles estiveram comigo naquele momento. Desde então minha mãe trabalha quase o dobro do que trabalhava normalmente. Mas estou com um plano com o namorado atual dela, um dos sócios do James Smith, de fazer ela diminuir sua carga horária. E, sinceramente, eu acho que vai dar certo.
–Então, vamos assistir TV? – perguntou Martin me tirando de meus pensamentos
–Vamos lá em baixo pegar algumas coisas pra comer e vamos pra sala interna.
A sala interna era um ambiente com uma TV enorme e milhares de jogos. Era quase o sótão da casa, mas devia ser um dos maiores cômodos. Ele tinha três paredes enormes e um lado de vidro que dava pra rua. Existia uma enorme cortina preta naquele lado. Um sofá, uma poltrona, três pufes coloridos e um tapete enorme que usualmente virava um colchão compunham a decoração com algumas estantes e mesinhas.
Eu e Martin sentamos no sofá e eu me aninhei em seu peito. Ele me abraçou puxando um edredom que tínhamos pego. Assistimos algumas séries enquanto atirávamos pipoca um no outro até que as séries interessantes acabaram. Então Martin se pronunciou.
–Acho que amanhã eu terei que ficar de olho em você, não é?!
–Por quê, oras? – perguntei confusa.
–Você vai estar estonteante naquela festa amanhã, minha ursinha. Todo e qualquer safado e até caras normais vão querer se aproximar de você.
–E qual é o problema nisso? – pergunto levantando uma sobrancelha. Estava me divertindo com o assunto.
–E eu vou ter que protege-la antes que você se encante com algum cara qualquer lá.
–Sabe... Eu vou ter que dispensar todos os caras gentilmente dizendo que apenas um cara me interessa naquela festa. Então eu vou ter que caminhar até esse cara e tira-lo dos braços da puta que vai estar se esfregando nele, porque ninguém resiste ao meu ruivinho. E talvez ela ache graça em um pinguim com cabelos vermelhos. – digo dando lhe um beijo.
–Mesmo assim minha linda...
–Mesmo assim nada Martin! – digo caminhando até a janela – Sem ciúmes desnecessários. Eu gosto de você, e só de você. É difícil entender ou... – Paro no momento em que olho pela janela e olho para uma figura com um sorriso sinistro me encarando.
–Lu, tá tudo bem?
–Martin... ele tá aqui... – digo me afastando da janela e fechando as cortinas.
–Ele Lu? Ele quem? – Ele pergunta se aproximando e ao notar meu olhar assustado me puxa pra um abraço. – Aquele filho da puta! Por que ele não te deixa em paz?
E dito isso me puxou até o sofá se deitou e me puxou pela cintura.
–Durma um pouco minha linda. Ele não vai conseguir entrar aqui. E se entrar, eu vou te proteger. Sempre. – E adormeci com seus braços em minha cintura e sua boca dando leves beijos em meu pescoço.
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