Waiting For You

2 Capítulo 1: Loucura


Notas iniciais
Oi, amores! Trago o primeiro capítulo pra vocês. Não é tão grande porque não costumo escrever capítulos longos. Espero que gostem. Leiam ouvindo a música que coloquei de tema. Boa leitura!

Music

Abri meus olhos com a luz fraca da manhã que tinha acabado de começar. Ultimamente tenho dormido muito pouco, meus pensamentos não se calam. Abri meus olhos e suspirei. Faltavam 4 dias para a viagem. Já estava quase tudo pronto: malas, visto pra entrar em outro país, e melancolia. Eu estava deixando uma vida pra trás, uma vida pronta, pra começar outra do zero, cuja nem sei se pode dar certo. No auge dos meus 20 anos nunca pensei em ter que fazer uma decisão tão importante. Mas era meu sonho. Eu não podia abrir mão dele. Quantas coisas você deixa de fazer por algumas pessoas? Eu já deixei muitas.

Mas o John não era qualquer pessoa. Não pra mim. Ele era o único que me entendia. E agora, ter que partir e deixa-lo aqui por 3 anos é doloroso demais. Quando penso nisso meu peito arde, dói. Eu o amo. Estou com ele há 2 anos, tenho certeza que não posso encontrar alguém melhor que ele no mundo.

Olhei pro lado e ele estava lá. Respirando lenta e suavemente. Cheguei mais perto pra poder sentir sua respiração, a qual eu não sabia quando ia sentir de novo. Fiquei por um bom tempo ali, sentindo sua respiração em minha pele e mexendo em seu cabelo. Lembrei do que ele me disse ontem. “Eu não vou desistir de você.”. E isso me dá algum conforto. Mesmo assim o medo é enorme. Eu confio nele, mas ninguém sabe o que a distância e o destino reservam pra nós.

Quando faltavam 20 minutos pras oito da manhã, resolvi me levantar. John ainda não acordara. Levantei-me com cuidado e dei um beijo em sua testa. Entrei no banheiro e resolvi tomar um banho pra revigorar. Devo ter ficado um bom tempo debaixo d’água, pois quando me dei conta, John estava recostado na porta, me observando. Estava tão perdida em meus pensamentos que nem percebi sua presença. Olhei pra ele e uma lágrima escorreu de meus olhos. A ideia da distância machuca, mas a distância em si, pode ser dez vezes pior que isso. Ele se aproximou do box do banheiro e colocou a mão no vidro. Coloquei minha mão por cima da sua, com o vidro nos separando. Olhei bem pra nossas mãos e imaginei que seria assim pelos próximos 3 anos. Recostei minha testa no vidro e suspirei. Eu vou ter que encarar.

Terminei meu banho e coloquei roupas largas e confortáveis. John e eu ultimamente estávamos nos falando muito pouco. Conversávamos com o olhar. Entrei na cozinha e ele tinha acabado de passar meu café. Ah, como eu ia sentir falta daquele café!

–Bom dia! – ele disse quando me sentei.

–Bom dia, meu bem! – eu disse, ele se abaixou e me deu um selinho.

–Como está? Dormiu bem?

–Quase não dormi. – respondi apenas.

–Verônica, escuta. Eu sei que vai ser doloroso pra nós dois, mas vai dar tudo certo. Eu te amo, e não vou desistir de você.

Olhei no fundo dos olhos dele e constatei que podia confiar naquilo. Mas não respondi, apenas peguei minha caneca de café de todas as manhãs e tomei meu café com amor quente.

–Vamos dar uma volta. – ele disse, sorrindo, quando terminei meu café.

–Vamos. – sorri.

Não troquei de roupa pra sair, apenas fiz um coque frouxo no cabelo, porque íamos a um parque que gastava 5 minutos até lá. Quando estava descendo a escada do prédio, meu celular tocou. Era meu pai.

–Alô?

–Filha? Bom dia, como vai? – ele respondeu.

–Estou bem, pai, e por aí, como andam as coisas?

–Andam bem. E sobre a Inglaterra?

–Está quase tudo pronto. Viajo na sexta. – respondi.

–Ah sim. Filha, eu sei que está fazendo a escolha certa. Vamos todos sentir a sua falta. Você e John se amam, vão ser capazes de superar isso.

Fiquei pensando no que responder. Meu pai era sempre tão prestativo e amoroso. Mas não o vejo com frequência desde que ele e mamãe se mudaram pra Nova York. Eles viriam pra cá na quarta, e depois que eu partisse iriam embora de novo.

–Tá bom, pai. Obrigada por tudo.

–Tudo bem, vou desligar. Tchau, filha.

–Tchau, pai.

Ele desligou e eu guardei o celular no bolso. Saímos do prédio e andamos de mãos dadas pela rua. Um vendedor de flores ambulante vinha em nossa direção. John o chamou.

–Senhor! Uma rosa branca por favor.

–Aqui está. – John pegou e o entregou o dinheiro. – Tenham um bom dia!

–Bom dia! – respondi.

John pegou minha mão e continuou andando, com a rosa na outra mão. Fomos até a esquina e esperamos o sinal de pedestres abrir. Quando abriu nós andamos. Mas no meio da pista ele me puxou e nós paramos, um de frente pro outro.

–John, o que foi? O sinal vai abrir e a gente vai morrer. – eu disse, rindo.

–Se fosse com você, eu não me importaria de morrer aqui e agora. – ele respondeu, sorrindo.

Fiquei surpresa com a resposta. Não consegui dizer nada. As pessoas que atravessavam a faixa apressadamente começavam a nos olhar. E o sinal dos carros abriu. Os carros começaram a buzinar e a gritar.

–Vamos! – tentei puxá-lo, em vão.

–Uma flor para uma flor. – ele disse, se curvando, fazendo reverência.

Peguei a rosa branca, minha preferida, e cheirei.

–Obrigada, seu bobo! Agora vamos antes que resolvam nos matar mesmo. – ele riu e dessa vez se deixou ser puxado.

Enquanto caminhávamos pra fora da pista as pessoas nos olhavam com caras fofas, sorrindo. Gostei dessa sensação, de fazer alguém sorrir, pode ser o único sorriso que a pessoa deu no dia.

–Você é louco! – eu disse.

–Louco por você! – ele gritou, me pegou pela cintura e me beijou.

Passei os dedos por seu cabelo e segurei a rosa com a outra mão. Somos realmente loucos. Mas quem, em sã consciência, iria deixar isso aqui em busca de uma vida nova em outro país?

Notas finais
Espero que tenham gostado. E gostaria de pedir que comentassem, ficaria feliz em saber a opinião de vocês. Posto o próximo o mais breve possível. Obrigada, amores, bye!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.