Notas iniciais
Último capítulo mesmo, moças ): Espero que gostem! Leiam a N/A, por favor, ok?

Edward POV.

– É a minha vez!

Eu gemi ao escutar o grito e rolei na cama, enfiando a minha cabeça no travesseiro, em uma tentativa de abafar o barulho. Não sabia quantas horas eram, mas tinha certeza que era cedo demais. Cedo demais para apartar uma briga entre meus dois filhos. Fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes, antes de tentar voltar a dormir. Uma hora ou duas de sono talvez fosse o suficiente...

Meus dois filhos, no entanto, pareciam ter outros planos.

– Eu vou contar para o meu pai! — Henry gritou. — É a minha vez de jogar, Jack!

Soltei um segundo gemido e tornei a respirar fundo, sabendo que eu não poderia dormir. Rolei na cama e bocejei, passando as mãos no rosto algumas vezes, tentando acordar. Após ouvir o grito de Jack, dizendo que na verdade era a vez dele, eu me sentei, sabendo que não dava para enrolar mais. Soltei um grunhido quando olhei para relógio e vi que não eram nem oito da manhã ainda, mas sorri ao ouvir meus filhos na sala. Embora eu estivesse cansado — já que tinha trabalhado até tarde ontem, concluindo um projeto importante -, eu também estava animado.

Minhas férias começavam hoje, o que significava passar mais tempo ao lado da minha família.

Levantei-me da cama e corri até o banheiro. Depois de uma higiene matinal rápida, eu caminhei até a sala, pronto para acabar com a briga dos meus dois garotos.

Henry estava parado em frente à televisão, suas mãos nos quadris. Todos diziam que ele ficava mais parecido comigo a cada dia que passava, mas eu sempre sorria quando olhava em seus olhos e via sua mãe ali. Já Jack — nosso filho de cinco anos — estava em cima do sofá, em pé, seus olhos — tão verdes quanto os meus — fitando seu irmão mais velho com raiva. Ele estava crescendo muito rápido — eles estavam, na verdade, todas as minhas crianças -, mas se Henry era uma cópia minha, Jack era exatamente como a sua mamãe, embora tivesse alguns traços meus, assim como manias. Ele tinha meu nariz e meus olhos, mas o cabelo, a boca, o formato do rosto... era tudo Bella.

Eu saí de meus devaneios, porém, logo em seguida, quando vi seus lábios formarem um beicinho e começando a tremer um pouco, e eu sabia que não demoraria para ele começar a chorar.

– Hey! — Anunciei minha presença. — Posso saber o que está acontecendo aqui?

Os dois imediatamente se viraram em direção à minha voz. Jack pulou do sofá e correu até a mim, sua expressão de raiva se transformando em uma que eu conhecia muito bem. Ele sempre conseguia me fazer dizer ‘sim’ quando fazia aquela cara...

– É a minha vez de jogar, papai! — ele disse, cruzando os braços. — Henry é mau! Ele não deixa!

Eu escondi um sorriso e desviei os olhos, fitando meu filho mais velho — com seus dez anos. Ele revirou os olhos para o irmão e suspirou, antes de passar a mão em seus cabelos bagunçados, exatamente como eu fazia.

– É mentira, pai — ele resmungou. — Jack jogou três vezes seguidas e morreu menos de um minuto depois. Eu o deixei jogar até demais.

Eu suspirei pesadamente, e caminhei até o jogo. Não era a primeira vez que eu tinha que resolver aquele problema e eu sabia que não seria a última.

– Vocês podem jogar juntos, como eu já disse mil vezes — eu falei, por fim. — Tratem de fazer isso, ok? Senão vou tirar esse jogo de vocês e quero ver se vão brigar.

Eu evitei olhar para Jack quando voltei à minha posição inicial, porque eu sabia que ele estava fazendo beicinho novamente. Esperei que os dois pegassem os controles e se sentassem, sem dizer nada um ao outro, e sorri.

– Onde está a mãe de vocês? — eu indaguei, meus olhos disparando pela sala.

Bella costumava ir à rua logo de manhã quando precisávamos de leite ou pão, mas eu sabia que hoje ela não tinha feito isso. Eu sempre acordava quando ela levantava da cama, porque ela sempre fazia questão de me acordar também.

– Ela está dando banho na Livie — respondeu Henry, sem olhar para mim, seus dedos se mexendo de forma tão rápida que eu era incapaz de vê-los. — Pediu que eu olhasse o pirralho aqui, enquanto isso.

Eu suspirei.

– Não sou pirralio! — Jack resmungou. — Papai, fala pro Henry não me chamar de pirralio!

Balançando a cabeça, virei-me para Henry e ergui a sobrancelha. Ele suspirou, mas pediu desculpas ao irmão, o que me fez sorrir.

– Comportem-se — eu disse. — Vou dar uma olhada nas garotas agora e não quero saber mais de brigas, entenderam?

Ambos responderam um ‘sim, papai’, e eu saí da sala, um sorriso enorme nascendo em meu rosto, caminhando em direção ao quarto da minha caçula. Ser pai ainda não era nada fácil, mas eu não mudaria nada. Nunca.

Empurrei a porta do quarto da minha menina e sorri ainda mais quando ouvi a vozinha dela, conversando algo com a mãe. Eu me aproximei sem fazer barulho no banheiro, me divertindo com a risada das duas, mesmo que eu não soubesse o tema da conversa. Minha garota sempre conseguia arrancar um sorriso bobo do meu rosto e ela ainda não tinha passado dos dois anos de idade. Seria difícil negar algo a ela — já era, na verdade — quando ela crescesse, eu tinha certeza disso.

– Ai, mamãe! — Escutei-a resmungar. — Machucó meu blaço.

Eu ri.

– Desculpa, amor. — Bella disse. — Mas você tem que ficar quietinha para a mamãe terminar de te lavar...

Eu parei na porta do banheiro e cruzei os braços, observando as duas. Os cabelos acobreados da minha filha estavam molhados, tornando-os um pouco mais escuros do que eles realmente eram. Seus olhos verdes fitavam a mãe com atenção, o que me fez sorrir. Ela era totalmente eu. Minha pequena Olivia, nosso terceiro milagre.

Quando Bella e eu voltamos a ficar juntos, nenhum de nós planejava ter filhos de imediato. Bella não se cuidava como antes e nós escapamos, por assim dizer, dos cuidados milhares de vezes, então não demorou muito para que ela engravidasse. Eu queria uma garota, como sempre tinha planejado — uma menina e um menino -, mas quando Jack nasceu, não lamentei nem por um minuto. Eu o amei desde o começo, desde que eu tinha descoberto que ela estava grávida.

Não desisti de tentar uma menina, entretanto. Bella quis esperar durante um tempo, já que tínhamos dois meninos para olhar agora, além do trabalho, e eu até esperei um pouquinho. Quando ela engravidou novamente — pela última vez, palavras dela -, eu torci desde o começo para que fosse uma garota, e quando eu soube que era o que eu queria... acho que nunca comemorei tanto. Decidimos reformar a nossa casa — já que não queríamos mudar dela — e a aumentamos, o que fez com que passássemos algum tempo na casa dos meus pais — porque eu não queria que Bella, grávida, e as crianças ficassem perto da bagunça e do cheiro de tinta.

E agora, nossa pequena família estava completa e eu não podia estar mais feliz.

– Pronto. — Bella disse, parando de lavar Olivia. — Deixe a mamãe pegar a sua toalha e nós poderemos sair...

Imediatamente, minha filha fez beicinho.

– Mas tá boa, mamãe — murmurou. — Deixa eu ficá só um poquinho?

Eu ri alto, não conseguindo resistir ao olhar dela, o que fez com que ambas olhassem para mim. Bella estreitou os olhos e tentou escondendo o sorriso, e Livie sorriu, mostrando seus pequenos dentes.

– Papai! — ela gritou.

Sorri para a minha garotinha e me aproximei, puxando Bella para um beijo de bom dia. Ela se derreteu em meus braços, como sempre fazia, e eu não resisti a dar um segundo beijo nela.

– Boa dia, amor — sussurrei. — Senti sua falta na cama...

Ela riu, puxando-me para mais um beijo.

– A sua filha– sussurrou — me acordou, porque ela molhou a cama mais uma vez... Então, tive que dar um banho nela...

Eu ri.

– Papai! — Livie resmungou. — Vem aqui comigo!

Depois de um último beijo em Bella, aproximei-me da banheira e me ajoelhei ali, sorrindo para Olivia. Eu peguei a toalha que Bella estava me estendendo a ofereci para ela, sem dizer nada. Ela resmungou um pouco, mas acabou vindo para o meu colo, deixando-me secá-la.

– Como a minha princesa dormiu? — eu indaguei, depois de vesti-la. — Bem?

Ela suspirou e balançou a cabeça de forma negativa.

– Fiz xixi na cama, papai — ela sussurrou. — É feio.

Eu mordi o lábio para esconder o sorriso que queria nascer em meu rosto. Recentemente, Bella e eu tínhamos decidido que era hora de tirar a nossa caçula das fraldas noturnas. Infelizmente, o treinamento não estava indo tão bem quanto eu desejava.

– Oh, verdade? — indaguei, passando a toalha em seus cabelos. — Está tudo bem, amor. Você só está começando a aprender. Mas se você acordar a noite com vontade, é só chamar a mamãe ou o papai, ok?

Ela assentiu.

Depois de terminar de secar e pentear seus cabelos, eu a levei até a sala, ouvindo-a contar animadamente sobre um sonho que tinha tido. Cheguei à sala de jantar e sorri ao ver que os meus filhos mais velhos já estavam ali, esperando por nós. Eu me sentei e coloquei Livie no colo, já começando a colocar um prato para nós dois. Sorri quando Bella surgiu, carregando uma jarra de suco, e servindo os meninos, antes de se sentar ao meu lado.

Era ótimo finalmente poder passar um tempo com a minha família, sem ter que me preocupar com o trabalho.

Nosso café da manhã era sempre mais demorado do que o de costume, mas eu achava que era algo normal, já que tínhamos que lidar com três crianças. Obviamente, com três crianças na mesa, sendo que duas ainda precisavam de ajuda na hora da alimentação — por mais que Jack insistisse que era grande demais para isso -, nosso café era sempre mais demorado do que o de costume, mas eu não ligava.

Na verdade, para ser sincero, isso era algo que eu amava.

– Mais suco, papai. — Livie virou-se para mim com um grande sorriso no rosto, fazendo-me sorrir de volta. — Põe pa mim?

– Claro, amor. — Eu me estiquei o máximo que pude, com ela ainda no meu colo, e peguei a jarra. — Você terminou seus ovos?

Ainda sorrindo, ela assentiu, fazendo algumas mechas dos seus cabelos caírem em seu rosto.

Bella e eu colocamos as crianças para assistirem a um desenho enquanto arrumávamos tudo na cozinha. Eu não conseguia parar de puxá-la para um ou dois beijos — que acabavam virando três e quatro -, fazendo-a rir.

– Edward… — ela murmurou contra os meus lábios. — As crianças…

Eu peguei o pano que estava na sua mão e o joguei na mesa, ignorando seus protestos. Enlacei a sua cintura e puxei-a para mim completamente, aproveitando para aprofundar o beijo.

– Os três estão na sala — sussurrei, quebrando o beijo para respirar. — Nós temos um tempinho, eu diria…

Bella riu.

– Você não tem jeito, Sr. Cullen…

Ela me puxou para outro beijo antes que eu pudesse dizer outra coisa, fazendo-me rir. Nós nos beijamos durante algum tempo, nós dois sabendo que logo as crianças exigiriam nossa atenção.

– Mamãe! — Eu escutei Olivia gritando, fazendo-me gemer. — Jack não me deixa deitá!

Bella riu novamente contra os meus lábios, antes de me dar um selinho demorado e se afastar.

– O dever nos chama — ela piscou, e eu apenas revirei os olhos, sorrindo de volta para ela. — Acha que já podemos contar a eles que iremos viajar dentro de dois dias?

Eu a olhei por um momento, ponderando se seríamos capazes de lidar com três crianças ansiosas. Por fim, suspirei e assenti, sorrindo.

– Vamos lá, então — ela disse, pegando a minha mão, enquanto Olivia tornava a chamar a mãe. — Vamos contar a eles.

Louco para ver o olhar de alegria dos meus filhos, eu a segui, sabendo que eles iriam adorar a novidade.

_

Dois dias depois, nós partimos para a casa de praia que compramos há alguns anos, após deixar o nosso cachorro, Teddy, na casa dos meus pais. Ele seria cuidado por eles.

Nós íamos à casa de praia quase todos os anos quando as crianças estavam de férias, mas eu estava mais animado dessa vez. Essa era a primeira vez que Livie veria o mar.

Ela já tinha ido lá uma vez, mas era muito novinha — tinha apenas meses de vida na época — e estava muito irritada com os dentes nascendo, o que significava que passou mais tempo chorando e com febre. Henry e Jack, por outro lado, se lembravam das últimas vezes que haviam vindo para cá, e estavam mais animados do que nunca.

Nós levamos as crianças para dentro assim que chegamos, embora elas tivessem protestado, querendo ir direto para o mar. Nós os trocamos rapidamente e passamos protetor solar, antes de colocarmos a bóia neles. Por fim, depois de cuidarmos de nós mesmos, caminhamos para a areia, meus olhos o tempo todo em Olivia, querendo saber como ela reagiria a tudo isso.

Nós nos divertimos por horas, tendo de brigar com as crianças para que elas parassem um pouco. Voltamos para casa, demos comida a elas e, graças ao fato de elas terem brincado a tarde toda, os três logo estavam deitados na sala, assistindo a televisão.

Eu sabia que eles dormiriam cedo nessa noite.

– É tão bom vê-los assim… — Bella murmurou, sentando-se ao meu lado e deitando a cabeça em meu ombro. — Quietos, sem brigas…

Eu sorri.

– Eles vão dormir em breve — eu disse. — E sabe o quê? Eu vou tê-la o resto da noite para mim.

Bella sorriu de volta.

Infelizmente, porém, eu não a tive toda para mim naquela noite. Não acostumada a estar na casa de praia, Livie acordou pouco depois de termos colocado-a na cama, chorando. Eu e Bella tínhamos acabado de tomar um banho juntos, e eu fui até o quarto ao lado, encontrando-a sentada na cama, seus olhos verdes cheios de lágrimas.

– Oh, amor… — Eu me sentei ao seu lado, puxando-a para os meus braços. — O que foi?

Ela soluçou.

Monstlo, papai — disse. — Monstlo.

Eu segurei um sorriso. Acariciei as suas costas levemente, esperando que seus soluços diminuissem um pouco.

– Shh, amor — eu murmurei. — O papai está aqui, ok? Ele não vai deixar o monstro machucar você.

Ela assentiu.

Quelo domi com você e a mamãe — sussurrou. — Posso, papai?

Livie se afastou um pouco, seus olhos verdes cheios de lágrimas e arregalados de medo. Como eu podia dizer não a ela?

– Tudo bem — sorri, colocando-me de pé e puxando-a para o meu colo. — Vamos lá, mocinha, vamos dormir.

Bella sorriu quando nos viu entrar no quarto, mas não disse nada. Não era a primeira vez que Livie pedia para dormir conosco, então ela provavelmente já sabia que a causa era um monstro.

Coloquei nossa garota no meio de nós dois e a cobri, depositando um beijo demorado em sua testa. Fui rapidamente até o quarto dos meninos e conferi se os dois estavam dormindo, antes de voltar ao quarto e me deitar.

Bella sorriu quando me viu e se esticou o máximo que pôde, sem atrapalhar Livie, antes de depositar um selinho demorado em meus lábios. Eu sorri contra os seus lábios e beijei-a mais uma vez, finalmente me deitando e puxando as duas para os meus braços.

Eu mal podia esperar pelos próximos dias. Havia tanto que eu queria fazer com as crianças, antes de termos que voltar para nossas vidas em Chicago.

– Boa noite, amor — eu sussurrei, sabendo que Bella ainda estava acordada.

– Hmmm… — Ela sorriu, os olhos fechados.- Boa noite, Edward.

E depois de depositar um beijo na testa das duas mulheres da minha vida, eu deixei que o sono tomasse conta de mim.

_

Os dias se passaram rapidamente e as crianças se divertiam e se apegavam àquele lugar a cada vez mais. Eventualmente, eles conheceram os vizinhos, grande parte deles com filhos, e, por isso, fomos convidados para as pequenas festas que eles davam.

Certo dia, fomos convidados para uma pequena festa na praia, por assim dizer. Nós, adultos, faríamos um churrasco, enquanto as crianças ficariam brincando de construir castelos na areia e coisas assim.

Ficamos ali por horas, todos os adultos tendo de parar o que estavam fazendo em algum momento para dar atenção aos nossos filhos. Eu, sinceramente, não conseguia tirar os olhos dos meus três filhos, sem conseguir, também, parar de sorrir. Eles brigavam, como qualquer criança, pelos motivos mais bobos, mas agora… vê-los assim…

Era muito bom.

Uma risada escapou de meus lábios quando vi Bella e Henry ajudando Olivia a construir seu castelo de plincesa, como ela havia chamado. Ela estava concentrada, suas pequenas mãos batendo em um balde. Jack estava mais concentrado em construir barreiras ou algo assim, e tinha insistido que podia fazer tudo sozinho.

Minha família.

Enquanto eu os observava, lembranças dos últimos anos da minha vida tomaram a minha mente, e a festa, que acontecia ao meu lado, foi praticamente esquecida.

Meus momentos com Bella passaram rapidamente pela minha cabeça, especialmente aqueles que ainda traziam certa dor. Eu entendia completamente o que ela tinha feito e não a culpava por isso, mas a época que eu vivi sem ela…

Foi difícil.

Ao invés de me concentrar neles, porém, eu me peguei pensando no dia que tudo mudou. Antes dele, eu só pensava em trabalho e praticamente vivia o dia todo na empresa, nunca planejando o que fazer futuramente, só vivendo um dia de cada vez. Entretanto, naquele dia… No dia que eu vi Henry pela primeira vez... tudo mudou.

Meus olhos encaravam o menino à minha frente, completamente parecido comigo, sem conseguir acreditar em tal coisa. Meu coração batia desesperado no meu peito e eu procurava olhar para todos os lugares, tentando entender, tentando encontrar uma resposta.

A primeira vez que ele disse Edwad

– Como você se chama? — perguntou.

Eu segurei um sorriso, erguendo a mão e a passando pelos meus cabelos.

– Edward — respondi, o olhando.

Ele assentiu, enrugando sua pequena testa, movendo os lábios lentamente.

Edwad? — indagou.

O dia que ele me perguntou se podia me chamar de papai

– Eu contei pla toooodo mundo que você é meu papai — ele disse. — Daí meu coleguinha disse que todos chamam os pais de papais… Eu posso te chamá assim também, Edwad?

O dia que eu vi Bella pela primeira vez em tantos anos…

Bella riu e se afastou um pouco, o fitando nos olhos. Nenhum nos dois ainda tinha me notado, por isso fiquei os observando interagir.

Eles eram tão perfeitos assim... juntos.

Para a minha infelicidade, porém, Bella logo se pôs de pé e se virou, dando de cara comigo no processo.

Eu me lembrei de quando nos beijamos, de cada detalhe daquela época, sem conseguir parar de sorrir e observar a minha família. Lembrei-me, por fim, do dia do meu aniversário, anos atrás, e de quando, no final da noite, quando só havia Bella e eu no quarto, Henry já adormecido no dele, eu me ajoelhei e a pedi em casamento.

– Eu sei que já fiz isso antes, mas não consigo me impedir de ficar nervoso — eu ri, segurando as suas mãos. Ela ergueu a sobrancelha e inclinou a cabeça, como se não entendesse o que eu queria dizer com aquilo. — Então, se eu falar besteira, apenas… ignore, ok?

Soltei uma risada nervosa, antes de puxar o estojo de veludo e me ajoelhar, um grande sorriso nascendo em meu rosto quando eu vi que Bella percebeu o que eu faria.

– Eu sei que você nós voltamos há alguns meses apenas, mas não quero esperar — murmurei. — Quero passar o resto da minha vida com você, quero ter mais filhos com você… e tudo o que eu prometi na primeira vez que a pedi em casamento ainda vale. Mil vezes mais. Eu juro que vou passar o resto dos meus dias fazendo-a feliz, por isso… Bella Swan, você aceita se casar comigo?

O dia do nosso casamento…

Eu aceito — ela sussurrou, seus olhos castanhos, brilhando de felicidade, nunca desviando dos meus, enquanto ela deslizava a aliança pelo meu dedo.

Eu aceito — eu murmurei, sem, também, conseguir deixar de fitá-la, colocando uma aliança praticamente igual a minha, salvo pelo tamanho, no seu dedo.

O dia que ela me contou que estava grávida de Jack…

Eu deixei um suspiro escapar de meus lábios quando cheguei em casa, já tarde da noite, mais cansado do que nunca. Coloquei a minha pasta na mesa e retirei meu terno, um bocejo escapando dos meus lábios. Como já era tarde, dirigi-me para a cozinha, não querendo acordar Henry ou Bella… Eram raros os dias que eu me atrasava assim, mas a última semana tinha sido uma loucura.

Eu mal podia esperar pelo final de semana…

Depois de fazer um sanduíche rápido e comê-lo, eu me dirigi para o quarto, um sorriso imediatamente escapando dos meus lábios quando eu vi que Bella estava sentada na cama, esperando por mim.

O sorriso morreu, porém, quando eu vi que seus olhos estavam vermelhos, como se ela tivesse chorado muito, embora agora estivesse sorrindo.

– O que foi?– eu indaguei, correndo até a ela. — Você está se sentindo mal?

Ela negou imediatamente, sorrindo ainda mais. Antes que eu pudesse perguntar o que tinha acontecido, ela pegou a minha mão e a guiou até a sua barriga, seus olhos nunca deixando os meus.

– Eu estou grávida, Edward — ela murmurou, depois de um minuto. Eu só conseguia encarar a sua barriga, sem conseguir acreditar no que ela tinha acabado de dizer. — Eu estou esperando um filho seu…

O dia que Jack nasceu…

Um choro alto ecoou pelo quarto, enquanto eu apertava a mão de Bella, sem conseguir parar de sorrir, chorar e rir ao mesmo tempo.

– Você gostaria de cortar o cordão, papai? – A médica de Bella virou-se para mim com um sorriso no rosto.

Com as mãos trêmulas e ainda chorando, eu caminhei até a ela e segui as suas instruções, antes de embrulharem o meu filho e o colocarem em meus braços pela primeira vez.

– Oi, campeão — eu sussurrei, já caminhando até perto de Bella. — Aqui é o papai. Eu te amo muito, viu? E vou sempre estar aqui com você.

Imagens de Jack aprendendo a sustentar o seu peso sozinho, aprendendo a andar, a falar e outras coisas mais, passaram pela minha cabeça, antes de eu me lembrar de quando Bella me contou, novamente, algum tempo depois, que ela estava grávida e, meses mais tarde, quando eu descobri que era uma menina.

– Hmmm, o bebê está cooperando hoje. — A médica sorriu. — Vocês gostariam de saber o que estão tendo?

Eu respondi um “sim” rápido e alto demais, antes que Bella pudesse dizer qualquer coisa. As duas riram de mim, antes de voltarem seus olhos para o monitor.

– Bem, mamãe e papai, parece que vocês vão ter… — ela parou por um momento, e eu quase implorei para que ela falasse logo, já que aquele suspense estava me matando. — Uma menina!

E, obviamente, o dia que Livie nasceu e foi colocada em meus braços, tomou conta da minha mente também. Eu me lembrava dela, pequena e embrulhada, chorando, sendo colocada em meus braços, após eu cortar o cordão umbilical, exatamente como eu tinha feito com Jack. Eu chorava mais do que ela, talvez, feliz por ela estar aqui, feliz por nossa família estar completa.

E o fato de a primeira palavra dela ter sido papai. Nada nunca apagaria tais lembranças de minha mente.

Cada uma delas tinha seu significado, cada uma era especial.

E cada uma delas ficaria guardada para sempre comigo.

Obviamente, havia outras também. Memórias de nossa família. O casamento de Jasper e Alice, o nascimento do meu sobrinho, Willian. E nossa família, completa, no Natal, na casa dos meus pais…

Tudo ficaria sempre guardado.

– Posso saber em que o senhor está pensando para sorrir tanto assim?

Eu saí de meus devaneios imediatamente e olhei para o lado, vendo Bella parada ali. Ela usava um vestido leve, branco, que a deixava ainda mais linda. Seus cabelos, longos, como sempre, estavam soltos e balançavam levemente com o vento batendo neles. Eu olhei para os nossos filhos, ainda brincando na areia, rapidamente, antes de puxá-la para o meu lado e depositar um beijo em sua testa.

– Só estou me lembrando de quando as crianças eram mais novas — eu murmurei. — Eu não quero que eles cresçam… Será que podemos mantê-los assim para sempre?

Ela riu.

– Eu queria, oh, como eu queria — respondeu. — Não estou preparada para que eles se tornem adolescentes… e que comecem a namorar. Oh, Deus, não, por favor…

Eu ri.

– Livie não vai namorar — eu disse. — Esqueceu? Ela vai ser a minha garotinha para sempre…

Bella riu e revirou os olhos, mas não disse nada. Nós ficamos calados durante algum tempo, observando nossos três filhos, sabendo que teríamos de levá-los para casa daqui a pouco, já que estava começando a ficar tarde.

– Eu já disse que te amo hoje, senhora Cullen? — eu indaguei, rodeando sua cintura com os dois braços e puxando-a para mim. — Hmm?

Ela sorriu.

– Não, acho que não — murmurou, beijando-me rapidamente.

– Oh, grande erro… — sussurrei, beijando-a de volta. — Eu te amo, Bella. Muito. E não acredito que esses anos se passaram tão rápido…

Ela enlaçou o meu pescoço com os braços.

– Eu também te amo — disse, fazendo-me sorrir. — E mal posso esperar pelos próximos anos. Eu sei que o tempo só nos trará, agora, coisas boas…

Nós nos beijamos, antes de voltarmos a prestar atenção nas crianças. Tantos anos haviam se passado desde que ela havia me deixado, tanta coisa havia acontecido… E embora eu tivesse sofrido, eu não faria nada diferente. Na verdade, eu sei que se estivesse na mesma posição de Bella, eu faria a mesma coisa.

E agora, aqui estávamos nós, casados e com três filhos. Henry, Jack e Olivia.

Eu definitivamente não mudaria nada do que tinha acontecido. Absolutamente nada.

Porque tudo o que aconteceu no passado nos trouxe até aqui, até o dia de hoje.

E eu não poderia estar mais feliz.

Notas finais
N/A: Oi, meninas! Depois de alguns meses, finalmente estamos aqui :D. Eu espero que vocês tenham gostado do epílogo, porque foi muito bom escrevê-lo. Principalmente as lembranças do Edward. Foi realmente muito bom escrevê-las. Enfim, obrigada por tudo, moças. Pelos reviews, pelas recomendações, pelo carinho... Pela paciência com a demora, com os erros. Mesmo. Peço desculpas por qualquer inconveniente e espero vê-las em outras fics. Como já disse na semana passada, postei a Unwritten (http://fanfiction.com.br/historia/437164/Unwritten/). Que tal darem uma passadinha lá e me falarem o que vocês acharam, huh? No sábado que vem pretendo postar um capítulo da Da e, no domingo, o primeiro da Un. Então... vejo vocês por lá. Um grande obrigada a todas vocês! Novamente: espero que tenham gostado. PS: Epílogo dedicado a Lu, por toda a ajuda e pelos comentários que sempre me fazem rir ao longo dos capítulos. Valeu, moça!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!