Waiting For You
16 Capítulo Quinze
Notas iniciais
Espero que gostem do capítulo! Leiam a N/A, por favor, ok? (;
Edward POV.
Eu dirigi tranquilamente até a creche de Henry, meus pensamentos ainda em tudo aquilo que Emmett e eu havíamos conversado naquele dia. Procurei, porém, me forçar a voltar à realidade e não ficar pensando muito naquilo quando estacionei em frente à creche e vi meu filho, parado ao lado de sua tia Alice, já aparentemente ansioso, esperando por mim. Eu sorri imensamente quando o vi pular ao ver meu carro e saí do mesmo, caminhando até os dois.
Uma risada escapou da minha boca quando ele pulou nas minhas pernas.
- Papai! – gritou. – Tá na hola de sair com a vovó?
Eu assenti, e baguncei seus cabelos, sem conseguir parar de sorrir.
- Pelo visto, você está ansioso para sair com ela – eu brinquei.
Perto de nós, Alice riu e revirou os olhos. Eu a olhei, erguendo a sobrancelha e tentando entender o que aquele gesto significava, mas ela apenas deu de ombros.
- Certo – murmurei. – Vamos?
Henry foi, durante todo o caminho, me perguntando o que minha mãe e ele iriam fazer naquele dia. Eu apenas ria e falava que não sabia, que minha mãe que tinha planejado uma tarde só para os dois. E assim que chegamos, ele pulou do carro, correndo até ela e perguntando quando eles poderiam sair.
Eu percebi minha mãe sorrindo, animada por ele estar agindo daquela maneira, eu acredito. Poucos minutos depois, então, eu os observei sair – ele, minha mãe e Alice, que dera um jeito de ir também – e fiquei em casa, junto com o meu pai.
- As coisas parecem estar indo bem – ele comentou, e eu sorri. – Henry parece ter se adaptado bem.
- Eu sei. – Eu olhei ao redor da sala da casa dos meus pais, avaliando cada fotografia de Henry (com cada membro da família) espalhada por ali. Minha mãe não tinha perdido tempo. – Está sendo ótimo morar com ele...
Carlisle pegou o controle no sofá, ao seu lado, e desligou a televisão, me fitando com atenção. Eu o fitei de volta, confuso por ele ter desligado a TV na hora de um dos seus programas favoritos.
- O que foi? – eu indaguei.
Ele sorriu.
- Estou muito orgulhoso de você, Edward – respondeu. – Sei que você ainda sofre com o fato de Bella ter ido embora e que está magoado por ela ter escondido Henry por tanto tempo, mas você está se saindo muito bem.
Eu encolhi os ombros e olhei para o chão, minha mente voltando imediatamente no que tinha descoberto naquele dia.
- Há algum problema, Edward? – meu pai perguntou, alguns minutos depois.
Eu levantei a cabeça e olhei para ele, e abri a boca para contar o que eu vinha descobrindo, mas tornei a fechá-la, não querendo deixar ninguém preocupado, não querendo colocar nenhum deles em risco. Engoli em seco e neguei, apenas dando de ombros, não querendo dizer nada. Carlisle apenas suspirou e me fitou durante alguns segundos, antes de assentir. Algum tempo depois, ele apenas tornou a ligar a televisão novamente e nós dois ficamos em silêncio.
Até que Alice, minha mãe e Henry voltaram.
Henry chegou carregado de novos brinquedos, lápis de cor, giz de cera e tantas outras coisas que interessavam a uma criança. Eu procurei, novamente, esquecer do que Emmett e eu havíamos conversado naquele dia e me foquei no meu filho.
Ele merecia toda a minha atenção.
Por isso, deixei que ele me mostrasse cada item que tinha ganhado da avó e da tia – coisas que ficariam ali para ele brincar. Eu sabia que elas a estavam mimando e que deveria as estar repreendendo por isso, mas ao ver como ele estava feliz por estar ganhando tantas coisas… como eu poderia tirar aquele sorriso do rosto dele?
Nós fomos embora um pouco mais tarde do que eu tinha previsto, mas nem liguei muito para isso. Ficar ali, junto de todos, tinha me ajudado a distrair.
E eu sentia que iria precisar de tal coisa nos próximos dias.
Dito e feito, procurei ficar com Henry tanto quanto possível, levando-o para passear, levando-o para a casa dos meus pais... Constantemente nós falávamos com Jasper, perguntávamos quando ele viria novamente para uma visita… mas ele estava ocupado com o trabalho e demoraria um pouco.
Levei Henry a diversas lojas e depois de muito custo, conseguimos enfim chegar a uma fantasia. Não era lá muito criativa, mas meu filho finalmente tinha escolhido se vestir de Batman. E agora, tudo o que tínhamos que fazer, era esperar pela noite de Halloween.
E, eu confesso, Henry não era o único ansioso para tal coisa.
Quando o dia enfim chegou, eu pensei que ficaria louco. Fui acordado por um Henry extremamente agitado muito antes do que estávamos acostumados a acordar. Ele teria que ir à creche naquele dia, embora tivesse mais uma festinha de Halloween do que qualquer outra coisa, e quando voltássemos, à noite, eu o levaria pela vizinhança, deixando que ele pegasse todos os doces que tinha direito.
Provavelmente, uma criança não deveria consumir tantos doces assim – que eu tinha certeza de que Henry iria querer –, mas era nosso primeiro Halloween juntos e ele estava muito animado… como eu poderia dizer não?
E além do mais, minha mãe, pai e irmã estavam preparando algumas coisinhas de Halloween, como eles gostavam de fazer todos os anos para as crianças da vizinhança. Henry e eu passaríamos por lá; eu tinha certeza de que minha mãe tinha deixado algo especial separado para ele.
- Vamos, vamos, papai! – ele gritou, já parado próximo à porta de entrada, quase pulando no chão de excitação. – Hoje tem um monte de coisas legais na cleche! Eu tenho que chegá cedo!
Eu ri, e pus minha gravata e terno de qualquer jeito, sabendo que eu não iria conseguir arrumá-los corretamente enquanto Henry estivesse daquele jeito. Eu teria que fazer tal coisa quando já estivesse na empresa.
Levei meu filho, que a cada minuto se mostrava mais animado, até a sua creche e o deixei nas mãos da sua tia, antes de me despedir.
- Você vai me levá pla comê doces hoje, papai? – ele perguntou, quando me abaixei para depositar um beijo em sua testa.
Eu sorri, e estendi a mão para bagunçar os seus cabelos.
- Estarei aqui na hora de sempre – eu disse. – Tenha calma, ok? E não coma muitos doces, por favor. Ainda temos que pedir mais à noite.
Ele sorriu, assentindo.
Acenei para ele e para Alice antes de seguir para o meu carro, dirigindo direto para a empresa. Eu tinha pedido à Jessica que não marcasse nada de importante para aquele dia, sabendo que, caso eu me atrasasse, Henry enlouqueceria.
Para a minha sorte, nada de importante surgiu, e pouco antes do horário dele sair da creche, eu fui até a mesma. Desci do carro e esperei na porta, assim como muitos pais faziam. Estava tão distraído, prestando atenção no movimento da rua e perdido em meus próprios pensamentos, que me assustei quando senti algo se jogando contra as minhas pernas. Eu tive que me segurar nas grades do local para não cair.
Mas não consegui segurar o riso quando vi que Henry agarrado em mim.
- Ei, garoto – sorri para ele. – Que animação é essa?
Ele riu.
- Eu comi um monte de doce, papai! – exclamou. – E eu tlouxe pla você.
Eu peguei sua mão e comecei a levá-lo em direção ao meu carro.
- Oh, você trouxe? – eu indaguei. – Então, o que me diz de irmos para casa e comermos um pouco, antes de deixá-lo pronto para o Halloween?
Ele apenas assentiu animado e imediatamente começou a dizer tudo o que ele faria naquela noite, nunca deixando espaço para eu dizer nada. Então, eu apenas assentia e sorria para ele, simplesmente feliz por ele estar tão animado.
Tentei evitar que ele comesse tantos doces enquanto as horas passavam e até consegui distraí-lo. Uma hora antes de sairmos, dei um banho nele e coloquei sua fantasia. Foi engraçado vê-lo ficar excessivamente quieto, com medo de algo acontecer com a sua roupa.
Saímos à noite, nos juntando a várias crianças, parando em algumas casas. Henry parecia a cada minuto mais animado, feliz pela quantidade de doces que ele já tinha ganhado. Quando achei que já tínhamos o suficiente, sugeri que fôssemos para a casa dos meus pais, mas ele não quis.
- Vamos passá só em mais uma, papai – pediu, juntando as mãozinhas e me olhando com atenção. – Vamos?
Eu sorri.
- Tudo bem – disse, por fim. – Só mais uma.
Levei-o até uma casa que estava cheia de crianças e seus pais, e esperei pacientemente na fila, até que chegou a nossa vez. Passei a cesta de Henry e deixei que ele a erguesse, pedindo doces para a senhora que estava na porta, junto com uma garotinha que deveria ter quase a mesma idade do meu filho.
A senhora sorriu para ele e lhe estendeu alguns doces, enchendo a sua cesta um pouquinho mais. A garotinha sorriu e deu um passo para perto dele, depositando um beijo rápido em sua bochecha.
Eu segurei um riso quando o vi corar.
- Feliz Halloween! – ela gritou, parecendo tão animada quanto ele estava, cinco minutos atrás.
Agora, ele estava vermelho e um pouco envergonhado, e eu sabia que logo ele iria querer se esconder entre as minhas pernas.
- Como se diz, Henry? – eu falei, ainda segurando o riso.
Ele me olhou, seus olhos castanhos muito arregalados, e voltou seu olhar para a menina à sua frente, que tinha um sorriso enorme no rosto.
- Obligado – ele murmurou.
Eu acenei e agradeci também, antes de levá-lo para fora dali, já que havia outras crianças esperando. Levei-o até o carro, ainda sorrindo para mim mesmo por ele estar envergonhado...
E eu simplesmente não consegui parar a lembrança do meu primeiro beijo com ela.
Flashback.
Eu soltei um suspiro pesado e me encarei no espelho, tentando ver se havia algo errado comigo. Passei a mão em meus cabelos pela milésima vez e bufei quando não consegui o resultado que eu queria. Não tinha jeito, eles nunca ficavam do jeito que deveriam ficar.
Respirei fundo, tentando dizer a mim mesmo que eu estava sendo irracional e que eu não deveria estar me sentindo assim, tão nervoso. Eu estava agindo como um adolescente tolo, nervoso diante do primeiro encontro.
Entretanto, eu dava desculpas a mim mesmo a cada minuto. Era, de certa forma, o meu primeiro encontro com ela… com Bella.
Eu senti um sorriso nascer em meu rosto – um sorriso idiota –, ainda me fitando no espelho. Nós tínhamos saído algumas vezes, mas nada muito oficial. Nós estávamos indo com calma desde que eu tinha descoberto que ela trabalhava na minha empresa, por assim dizer. Eu tinha ficado sem saber o que fazer, já que ela trabalhava para mim, mas Bella e eu estávamos sabendo separar tudo. Nós quase não nos encontrávamos – apenas quando era inevitável – e quando nos víamos, agíamos como se fôssemos apenas empregada e chefe, e nada mais. Eu não podia negar, entretanto, que não sentia vontade de puxá-la para uma sala e beijá-la quase sempre, mas conseguia me controlar, já que não queria estragar o estágio de Bella. Estava gostando, também, do fato de ela não estar me usando para chegar ao topo ou algo assim.
Ela ficava tímida quando me via pela empresa e me cumprimentava com formalidade, mostrando-se mais profissional do que eu, até. Quando tínhamos algum assunto para tratar, ela nunca demonstrava que me conhecia, e eu não podia negar… simplesmente amava isso. Já tinha perdido a conta de quantas vezes tinha me perdido naquele mar de chocolate que eram seus olhos… naquela boca incrivelmente rosada, já imaginando como seria o sabor de seus lábios, se eles seriam tão suaves como eu imaginava...
E então eu me repreendia, sabendo que eu não deveria ter esses tipos de pensamentos enquanto estivesse trabalhando. Só que parecia impossível; Bella era tentadora demais.
E eu, sinceramente, não via a hora de prová-los e comprovar se eu estava certo ou errado.
Conversávamos às vezes, fora do trabalho, em uma lanchonete ou algo assim, mas finalmente eu tive coragem e a convidei para algo mais oficial. E hoje seria o dia.
O dia que eu tentaria beijá-la. Finalmente.
Sabendo que eu me atrasaria caso continuasse a me olhar no espelho feito um adolescente inseguro, eu conferi minha roupa mais uma vez – jeans, uma blusa de frio de malha preta e sapatênis –, antes de pegar meu celular, carteira e chaves, e me dirigir para a garagem do meu apartamento. Eu tinha insistido em levar Bella a um restaurante, mas ela queria algo mais simples, então tínhamos concordado com um cinema e pensaríamos em algo para depois disso.
Dirigi o mais rápido que pude até chegar ao apartamento dela, meu coração batendo de forma veloz contra o meu peito. Eu saí do carro o quanto antes e já puxei meu celular, pronto para ligar para ela e avisar que eu já a estava esperando aqui embaixo. Entretanto, antes mesmo que pudesse começar a discar os números, eu ouvi o barulho de um portão se abrindo e fechando, e quando levantei a cabeça, a vi descendo as escadas, sorrindo para mim.
Fiquei um momento ali, parado, observando-a caminhar para mim. Bella estava… linda. Ela usava um vestido que ia até os joelhos, apertado até a cintura e descendo um pouco rodado. Um casaco cobria seus ombros e ela usava sapatilhas, e seus cabelos estavam soltos, apenas a franja presa por uma delicada presilha. Ela estava de tirar o fôlego.
Eu corri até ela e abri o outro portão, esperando que ela saísse. Ela estava sorrindo e um pouco corada, e eu não consegui resistir; tive que levantar a mão e acariciar sua bochecha, sentindo sua pele quente contra meus dedos.
- Oi – eu murmurei, sorrindo de forma gentil.
Ela riu baixo, e o som foi direto para o meu coração.
- Oi – murmurou de volta.
Eu afastei uma mecha de seu cabelo e coloquei atrás da sua orelha, e dei um passo para trás, sabendo que, caso eu continuasse a acariciá-la daquele jeito, não iria conseguir ir assistir a filme algum.
- Você está linda – eu sorri, enquanto começava a acompanhá-la até o meu carro.
Ela riu novamente.
- Obrigada – mordeu o lábio inferior. – Você também está.
Eu tornei sorri.
Abri a porta do carro para ela e dei a volta, já o colocando em movimento e partindo para o cinema. Nós não ligamos para o filme, apenas escolhemos uma comédia qualquer, e compramos uns doces, pipoca e refrigerante, antes de escolhermos um lugar para sentar.
Confesso que não prestei muita atenção nele, meus olhos voltados para Bella, que ria e dizia algumas coisas, pegando algumas pipocas às vezes e jogando na boca. Ela parecia estar se divertindo e gostando do filme, então me forcei a prestar atenção, sem conseguir entender muito, já que tinha perdido boa parte dele.
Mas, mesmo assim, não liguei muito.
Quando saímos – Bella ainda rindo –, nós resolvemos caminhar um pouco, antes de voltarmos para casa. Ainda estava cedo e nenhum de nós dois estava preparado para dizer tchau.
Conversamos sobre todo o tipo de assunto enquanto andávamos pelas ruas de Chicago. Em algum momento, nos vi de mãos dadas, mas não fiz nenhum movimento para retirar sua mão da minha; parecia que ela tinha sido feita para se encaixar ali. Era bom, reconfortante, e eu me perguntei se teria a chance de fazer isso mais vezes. Parecíamos dois namorados e eu estava amando isso.
Chegamos em uma praça e resolvemos parar um pouco. Sorri ao ver crianças correndo de um lado para o outro, casais trocando beijos, ou apenas passeando... Puxei Bella para um banco e fiz com que ela se sentasse ao meu lado. E sentindo-me mais ousado do que nunca, passei um braço em seus ombros, puxando-a para mim. E ela apenas soltou um suspiro e apoiou a cabeça em meu ombro, o que me fez sorrir.
Nenhum de nós disse nada pelos próximos minutos, mas não era desconfortável, pelo contrário. Bella e eu ríamos às vezes quando víamos as crianças fazerem algo engraçado e trocávamos olhares, mas não dizíamos nada. Eventualmente, começamos a conversar e logo a caminhar novamente.
Até que eu não agüentei mais.
- Sinto muito – eu murmurei, me virando para ela. – Eu tentei esperar até que a noite terminasse e eu estivesse levando você para casa, mas...
Ela me olhou, aparentemente confusa.
Aproximei-me dela, levando uma de minhas mãos até a sua cintura e a outra até a sua nuca. Ela pareceu entender imediatamente o que eu iria fazer e arregalou os olhos um pouco, mas não fez nenhum movimento para me parar.
E eu tomei isso como um ‘sim’.
Sorri quando a vi fechar os olhos, nossos lábios quase se encostando. Soltei um suspiro de prazer quando ela embolou seus braços ao meu redor, me puxando para mais perto dela, e finalmente toquei nossos lábios.
E não. Seus lábios não eram tão suaves como eu imaginava.
Eram ainda mais. Ainda melhor do que eu tinha imaginado.
Durante alguns minutos nós ficamos apenas ali, trocando selinhos e pequenos beijos. Quando enfim pedi passagem com a língua e ela cedeu, eu soltei outro suspiro.
E me perguntei o que eu tinha perdido durante todos esses anos da minha vida. Nenhum beijo tinha sido tão bom como aquele, nenhum beijo poderia ser comparado com aquele.
Era… mais.
Muito mais.
Eu a puxei para mais perto, aprofundando o beijo. Segurei seus cabelos entre os meus dedos, puxando sua cabeça mais para trás, ganhando, assim, mais acesso a ela. Perguntei-me se ela podia sentir o meu coração batendo, se ela podia sentir o formigamento que corria pelas minhas veias.
Eu parecia uma garotinha diante do primeiro amor, mas… não ligava. Bella estava mexendo comigo de uma maneira que eu nunca tinha pensado que seria possível.
E era bom. Era mais do que bom.
Eu simplesmente não tinha palavras para descrever como era.
Quando o ar foi ficando escasso e a necessidade de oxigênio falou mais alto, eu quebrei nosso beijo, sem, porém, me afastar dela. Fui depositando pequenos beijos na sua boca, ao redor do seu rosto, e só então afastei o rosto do dela, e encontrei aqueles lindos olhos castanhos me encarando e um sorriso nascendo em seu rosto.
E não pude evitar o sorriso que nasceu em meu próprio rosto.
- Uau – ela sussurrou, fazendo-me sorrir ainda mais.
- É – concordei. – Uau.
E então, antes que qualquer um de nós pudesse dizer algo, eu trouxe seu rosto para perto de mim novamente, me perguntando como eu seria capaz de parar de beijá-la. Se antes eu tinha dificuldades de prestar atenção no que ela falava, na empresa, como eu conseguiria agora, que já tinha provado seus lábios e sabia que beijá-la era ainda melhor do que eu pensava?
Provavelmente, eu não conseguiria.
Mas naquele momento, não consegui me importar com mais nada. Apenas me rendi aos beijos daquela garota à minha frente, sabendo que eu nunca me arrependeria de tal coisa.
Fim do Flashback.
- Papai?
Eu pisquei diversas vezes e balancei a cabeça, saindo de meus devaneios. Encontrei um Henry me encarando com atenção e sorri para ele, não querendo que ele percebesse que a lembrança que eu tinha acabado de ter tinha mexido um pouco comigo – mais do que um pouco, na verdade.
- Sim, Henry? – eu indaguei, enquanto abria a porta do carro e o colocava em sua cadeirinha, antes de pôr sua cesta de doces em seu colo.
Eu sorri quando ele a agarrou com força, como se tivesse medo de perdê-la ou algo assim.
- Por que aquela galota me beijou? – ele indagou, parecendo envergonhado.
Eu ri.
- Ela só estava te desejando um feliz Halloween, carinha – eu disse, fechando a porta e indo até o banco da frente. – Não foi nada demais, ok?
Ele assentiu, suas bochechas ainda um pouco vermelhas, não muito certo disso. Mas, graças a Deus, ele não comentou mais nada e eu também não, não querendo começar a explicar como namoros, beijos e outras coisas mais funcionavam para meu filho de três anos.
Eu não estava preparado para tal coisa.
Como eu tinha imaginado, a casa dos meus pais estava cheia de pessoas quando chegamos. Um Henry muito animado mal esperou que eu o descesse do carro para correr até os avós, querendo mostrar todos os doces que ele tinha ganhado e pedir mais ao mesmo tempo, e eu o segui alguns minutos depois, sem conseguir deixar de sorrir.
Eu fiquei dentro da sala, observando meus pais dando doces às crianças, Henry parado ao lado deles, pegando alguns para si e dando outros. Observei-o durante algum tempo, minhas mãos dentro do bolso da calça, e suspirei, cansado, enquanto pensava no que tinha me lembrado hoje.
As lembranças que eu tinha dela vinham cada vez com mais força e eu me perguntava se, algum dia, eu seria capaz de esquecê-la completamente.
Provavelmente não.
E eu não sabia se isso era uma coisa boa ou ruim.
Puxei meu celular do bolso, de repente me lembrando da conversa que Emmett e eu tínhamos tido um dia desses, querendo saber se ele tinha tido alguma novidade.
Alguma coisa nova? E.
Permaneci com meu telefone na mão, rodando-o entre os dedos, mais uma vez voltando meus olhos para Henry. Sua fantasia já estava um pouco suja e bagunçada, mas ele não parecia nem notar tal coisa. Já estava ficando tarde e daqui a pouco teríamos que ir embora. Algo me dizia que ele apagaria essa noite.
Dei um pulo, assustando um pouco, quando meu celular vibrou, mas logo o peguei e o desbloqueei para ler a mensagem, rezando para serem boas notícias.
Ainda nada. Mas não se preocupe, eu vou descobrir em breve, você vai ver. Em.
Eu soltei um suspiro pesado, mas respondi, agradecendo ao meu amigo e pedindo que ele me mantivesse informado. Sentei-me no braço do sofá e fiquei ali, esperando. Em breve os doces dos meus pais começariam a acabar e eles fechariam a casa, não querendo desapontar as crianças, e eu e Henry poderíamos ir embora para casa. Ele tinha me acordado mais cedo naquele dia e eu, sinceramente, não via a hora para me jogar em uma cama e dormir.
- Algum problema, Edward?
Eu me virei, novamente me assustando e quase caindo no chão, e vi minha irmã parada ao meu lado, sorrindo um pouco. Dei de ombros, sem saber o que responder, e ela me fitou durante alguns minutos, sem saber o que dizer. Por fim, suspirou e me abraçou pelos ombros, dando-me um sorriso triste.
Mas nenhum de nós disse nada.
Soltei um suspiro de alívio quando Henry começou a ficar cansado e – mesmo eu notando que ele estava relutando um pouco – veio até a mim, coçando seus olhinhos e dizendo que ele estava pronto para ir para casa. Ainda havia muitos doces na sua cesta e eu sabia que demoraria alguns dias para ele comer todos eles, mas pelo menos, ele tinha acalmado por hora.
Despedi-me dos meus pais e irmã, e levei-o para casa. Tirei sua fantasia e lhe dei um banho rápido, colocando-o em um pijama antes de levá-lo para cama.
- Boa noite, papai – ele sussurrou, mal conseguindo manter seus olhos abertos. – Obligado por me levá plo Hawooeen hoje.
Eu sorri.
Abaixei-me e depositei um beijo em sua testa, demorando um pouco mais. Por fim, me afastei e passei a mão em seus cabelos.
- Sempre que precisar, campeão – sussurrei. – Sempre.
Esperei que ele adormecesse antes de sair do seu quarto e caminhar para o meu. Tomei um banho rápido e me joguei na cama, tão cansado que não devo ter demorado nem cinco minutos para adormecer.
Tinha sido um longo dia.
_
Os dias novamente começaram a se passar de forma rápida, o que eu agradeci. Outubro foi embora e novembro chegou, e começou a esfriar – e muito – em Chicago. Levei Henry, junto de minha mãe e Alice, para fazer algumas compras em um sábado. Ele não estava com quase nenhum agasalho e eu não queria que ele adoecesse novamente.
Depois que terminamos, eu coloquei um dos novos nele – assim como um cachecol, uma touca e luvas – e o levei para o aeroporto. Jasper tinha ficado enrolado no dia anterior, no trabalho, mas tinha conseguido viajar hoje cedo e estaria chegando em breve.
Henry estava ansioso para vê-lo.
Eu deixei que meu filho corresse até seu tio assim que ele entrou em nosso campo de visão, sorrindo um pouco. Mas meu sorriso morreu e eu franzi a testa assim que percebi que Jasper estava um pouco… diferente. Talvez fosse impressão minha, mas eu pude notar que ele estava apreensivo. Não triste nem nada do tipo, ele até sorria – e muito –, mas… eu não sabia dizer, só que havia algo diferente.
Nós almoçamos hambúrguer assim que saímos do aeroporto, como Henry tinha pedido. Eu tentava fazê-lo comer comida saudável, mas liberei naquele dia, sabendo que tinha muito tempo que não fazíamos aquilo.
Eu não perguntei a Jasper o que havia de errado, não querendo que Henry ouvisse nossa conversa, e esperei até que estivéssemos no meu apartamento. Jasper estava querendo ir para um hotel, mas eu ofereci o meu sofá para ele – já que era apenas uma noite; ele tinha que voltar para Pittsburgh amanhã – e ele acabou aceitando. Coloquei sua mala ao lado do sofá e me voltei para Henry, que parecia animado por seu tio estar ali.
- Por que você não busca algum brinquedo para brincar conosco? – eu indaguei.
Ele sorriu, gritando animado, e antes mesmo que eu pudesse dizer mais alguma coisa, correu até seu quarto, o que fez com eu e Jasper ríssemos.
- Então... – eu comecei, casualmente, me jogando no sofá. – Aconteceu alguma coisa?
Eu notei que, sim, algo havia acontecido assim que ele suspirou e se sentou na poltrona à minha frente, me encarando com… receio?
- O que foi, Jasper? – perguntei, começando a ficar preocupado. – Aconteceu algo?
Ele engoliu em seco.
- Eu recebi uma notícia há alguns dias – murmurou. – Esperei um pouco para te contar porque achei que deveria fazer isso pessoalmente e...
- Só fale logo – interrompi-o. – O que foi?
Será que Henry teria que ir embora com ele? Não. Eu não suportaria ter de viver longe dele.
Jasper me encarou durante alguns segundos, parecendo ponderar sobre alguma coisa. Ele deve ter visto o desespero em meu olhar – eu já estava quase saltando nele e exigindo que me contasse antes que eu ficasse louco e Henry voltasse –, porque tornou a suspirar e se recostou na poltrona, fitando-me com certa apreensão.
- Bella está voltando – ele soltou, indo direto ao assunto.
Eu levei alguns segundos para compreender o que aquilo significava e arregalei os olhos, sentindo meu coração ir parar na boca.
- V-voltando? – eu indaguei.
Ele suspirou, e por fim assentiu.
- Sim – disse. – Ela chega na semana que vem.
Notas finais
Não deveria estar postando hoje, mas tenho alguns capítulos prontos, então... aqui estou eu. E eu postarei no domingo novamente, se até o sábado à noite tiverem 260 reviews (;
E algo me diz que vocês irão querê-lo. Ele é todinho todinho POV da Bella. E sim, é nele que ela volta.
Espero que vocês tenham gostado!
E espero voltar no domingo. Caso não volte, até o outro domingo, dia 9 de junho!
xx
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