Waiting For You

13 Capítulo Doze


Notas iniciais
Como prometido, aí está o capítulo 12!
Ah, e feliz dia das mães!
Espero que gostem ♥

Edward POV.

Eu deveria saber o que dizer.

Deveria ser capaz de olhar nos olhos do meu filho e finalmente dizer a ele que eu era seu papai, e que ele não precisava mais ficar triste por ver seus coleguinhas abraçando seus pais, porque caso ele quisesse isso, ele me teria.

Meu coração estufava de felicidade e algo mais só de pensar em me referir a ele como meu filho, em tê-lo me chamando de pai. Eu não sabia como ele reagiria, se ele faria perguntas que eu não poderia responder, mas naquele momento não me importei muito com aquilo.

Olhei para aquele menininho que tinha mudado, em tão pouco tempo, a minha vida por completo – e para muito melhor – e sorri, pronto para lhe dizer que ele tinha um papai, sim.

E que esse papai era eu.

Eu não me lembrava da última vez que ria com tanta facilidade, que vinha para casa ansioso, só por saber que eu o teria por perto quando chegasse. Não ligava para os brinquedos que eu via espalhados pela casa ocasionalmente, nem nada do tipo... Eu não via a minha vida mais sem Henry.

Simples assim.

- Oh, Henry – eu murmurei. – Eu vou te falar uma coisa que...

Entretanto, antes que eu pudesse terminar de falar que eu era o seu pai, o telefone tocou. E Henry deu um pulo do meu colo, correndo para atender.

- Tio Jazz! – eu o escutei dizer. – Tá tudo bem. Edwad e eu estamos no divetindo muito!

Eu sorri para ele, ainda sentado no sofá, e fiquei o olhando enquanto ele contava tudo para Jasper. Escutei-o falar sobre a creche, sobre seus brinquedos, meus pais, Alice… sem nunca mencionar a pergunta que ele tinha me feito há alguns minutos.

Será que ele tinha esquecido?

Preparei o jantar enquanto ele brincava, dando uma olhada nele às vezes. Jantamos juntos, ainda sem mencionar o que tinha acontecido, e depois de ver um pouco de televisão, eu o levei para a sua cama e o cobri, dando-lhe boa noite.

E como vinha acontecendo ultimamente, fiquei velando seu sono.

- Você tem um papai, campeão – eu murmurei, baixinho, mesmo sabendo que ele estava dormindo. – Você tem, ok?

Permaneci ali mais alguns minutos, observando seu peito subir e descer com a sua respiração suave, antes de depositar um beijo em sua testa e sair. Encostei a porta atrás de mim e suspirei, parando ali por um momento antes de me dirigir ao quarto.

_

Henry não voltou a mencionar um pai nos dias que se seguiram. Ele ainda voltava para casa um pouco calado às vezes, mas, confesso, eu estava com um pouco de medo de lhe dizer que eu era seu pai e ele não aceitar muito bem.

Ou fazer perguntas que eu não seria capaz de responder.

Continuamos a seguir com a nossa rotina normal. Ele ia para a creche de manhã e eu para a empresa. Às vezes eu o buscava, às vezes minha mãe ou meu pai, e eu o pegava na casa dos dois quando saía do trabalho. Mesmo ficando exausto às vezes e mesmo desejando poder ter um tempo para parar um pouco e descansar, eu estava amando conviver um pouco mais com o meu filho.

Estava sendo ótimo.

E era por isso que eu me via desejando que Jasper não voltasse da Alemanha.

Eu sabia que eventualmente ele voltaria e que, quando isso acontecesse, Henry voltaria a morar com ele… e, sinceramente, eu não queria. Queria meu filho comigo, como estava sendo, todos os dias se possível.

Eu já tinha perdido três anos dele.

E não queria perder mais.

Por isso, toda vez que Jasper ligava e dizia que não sabia quanto tempo ainda demoraria, eu agradecia. Porque isso me dava mais tempo com Henry.

Estava sendo ótimo passar um tempo com ele.

Nós íamos à casa dos meus pais nos finais de semana sempre. Henry adorava passar as tardes lá, nadando e aproveitando um tempo com todos unidos. Vez ou outra ele me perguntava quando a mãe voltaria, mas essa era uma resposta que eu não poderia dar a ele.

Nem mesmo eu tinha essa informação.

- Ei.

Eu levantei a cabeça dos papéis que analisava e olhei para a minha irmã, que sorria para mim de forma gentil. Sorri para ela de volta e a cumprimentei, antes de voltar minha atenção para o contrato que eu estava relendo. Era um sábado, à tarde, e Henry estava na piscina com meu pai. Eu tinha aproveitado esse momento de folga para adiantar um pouco do trabalho, já que quando ele estava no apartamento comigo, eu não conseguia deixar de brincar com ele.

- Por que não está lá fora com Henry e papai? – ela indagou, se jogando na poltrona à minha frente.

Eu revirei os olhos, e sorri.

- Estou aproveitando que Henry está ocupado e adiantando um pouco do trabalho, só isso – dei de ombros. – Por quê?

Ela deu de ombros também.

- Por nada, só para saber – disse.

Alice ficou calada durante alguns minutos, me observando. Eu a fitei de volta, sem dizer nada. Eu a conhecia bem, sabia que ela queria me dizer algo – ou perguntar algo. Bastava apenas esperar e ela falaria.

- O que foi? – eu indaguei, porém, quando não suportei mais o silêncio.

Ela sorriu.

Sem dizer nada, Alice esticou o braço e pegou sua bolsa, trazendo-a até o seu colo. Eu franzi a testa, confuso com os seus movimentos, e a observei retirar um embrulho de dentro da bolsa. Fiquei ainda mais confuso quando ela o estendeu para mim.

- Hmmm… o que é isso? – eu perguntei.

Ela riu.

- É um presente, cabeção – disse. – O que mais seria?

Eu peguei o embrulho, ainda a encarando um pouco confuso.

- Não é meu aniversário – eu disse. – E nem é uma ocasião especial… então, por que está me dando um presente?

- Apenas abra, Edward – ela insistiu. – Anda logo.

Revirando os olhos, eu desfiz o embrulho, ainda sem entender por que ela estava me dando um presente. Entretanto, sorri imensamente quando eu vi o que tinha dentro do mesmo.

Uma fotografia minha e de Henry.

Tinha sido tirada recentemente, eu sabia disso. Nós tínhamos acabado de sair da piscina, então ambos estávamos enrolados na toalha. Eu abraçava Henry de lado e ria, assim como ele. Eu me lembrava de ele tirando sua arminha de água e disparando em mim enquanto eu tentava nos secar.

Aparentemente, Alice ou minha mãe tinha se incumbido de registrar tal momento.

- Mamãe disse que você iria gostar da foto. – Alice comentou quando eu voltei meu olhar para ela. – Imaginei que você gostaria de colocá-la na mesa de seu escritório ou algo assim...

Eu sorri.

- Obrigado por isso, anã – respondi. – De verdade. Não tinha pensado nisso...

Ela assentiu, já se colocando de pé, fazendo um gesto com a mão, como se dissesse ‘não foi nada’. Observei-a se afastando, indo em direção à porta que levava aos fundos – e consequentemente à área da piscina – e voltei meu olhar para a foto. Assim, próximos um ao outro, nós éramos ainda mais parecidos, e de repente me vi desejando que a segunda chegasse logo e eu pudesse deixar essa foto na minha sala, mostrando, com orgulho, que eu tinha um filho.

Um pouco bobo, provavelmente, mas o que eu podia fazer?

Ouvi o riso de Henry vindo do lado de fora e olhei para o contrato que esperava minha leitura. Não precisei pensar muito e logo estava guardando tudo, indo pelo mesmo caminho que minha irmã tinha seguido há pouco.

O trabalho podia esperar um pouco.

_

- Henry, vamos lá! – eu gritei, enquanto conferia sua pequena mochila pela quinta vez. – Nós vamos nos atrasar!

Peguei o casaco que estava ao lado dela e o dobrei com cuidado, colocando-o na mochila também. Fechei o zíper, por fim, e coloquei-a em meu ombro, enquanto esperava por meu filho.

- Plonto, Edwad! – ele apareceu na minha frente, parecendo muito satisfeito de si mesmo.

Ele tinha insistido que era capaz de amarrar seus tênis sozinho e eu o deixei tentar. Entretanto, tive que segurar uma risada quando os vi mais embolados do que amarrados. Impressionava-me muito o fato de ele ter conseguido andar até aqui sem tropeçar neles nem nada do tipo.

- Campeão... – eu comecei, sem saber como dizer aquilo. – Você tem certeza que amarrou o tênis direitinho?

Ele assentiu, sorrindo para mim.

- Fiz igual você ensinou, Edwad – ele respondeu. – Tá cetinho, não tá?

Rindo, fui até a ele e me ajoelhei na sua frente, puxando-o para perto de mim.

- Certinho não está – eu disse. – Mas você está indo no caminho certo. Vou arrumá-lo para você hoje, já que estamos quase atrasados, e depois eu te ensino novamente, ok?

Ele tornou a assentir, sem deixar de sorrir, e esperou enquanto eu desfazia o nó e tornava a fazê-lo.

A creche não ficava muito longe dali, por isso logo nós chegamos. Eu coloquei a mochila em Henry e o levei até a porta, sua mão firmemente agarrada na minha. Dei-lhe um abraço e um beijo, antes de bagunçar seus cabelos e empurrá-lo para dentro da creche. Vi Alice ali e acenei rapidamente, antes de voltar para o meu carro, dessa vez rumo à minha empresa.

A fotografia que minha irmã tinha me dado estava dentro do embrulho, na minha pasta, e eu não via a hora de exibi-la em meu escritório.

De fato foi a primeira coisa que eu fiz assim que coloquei meus pés lá dentro. Movi-me o mais rápido que pude até a mesa, já a puxando da minha pasta, e a coloquei ao lado do telefone. Observei-a durante alguns minutos, sentado em minha cadeira, sem conseguir parar de sorrir.

E eu duvidava que não iria sorrir toda vez que olhasse para ela ali.

- Senhor Cullen?

Eu tirei meus olhos dela e olhei para cima, vendo Jessica ali. Cumprimentei-a educadamente e sorri para ela, esperando que ela me dissesse tudo o que tínhamos planejado para aquele dia. Quando ela terminou, dispensei-a, mas ela continuou parada ali, me observando.

- O que foi? – eu indaguei. – Algum problema?

- Oh, não – ela sorriu. – O Sr. McCarty passou aqui há pouco, disse que está querendo falar com o senhor...

Eu assenti.

- Pode pedir que ele venha até a minha sala, por favor? – pedi. – É só bater. Eu saberei que é ele.

Jessica assentiu, pediu licença e saiu logo em seguida.

Comecei a minha leitura diária de contratos, papéis e análises de plantas, não sabendo quanto tempo Emmett demoraria para chegar até aqui. Interrompi minha leitura, porém, alguns minutos depois, quando escutei batidas à porta.

- Entre!

Eu sorri para o meu amigo assim que ele passou pela porta, trazendo seu costumeiro sorriso brincalhão no rosto. Emmett trabalhava para mim desde que eu tinha começado na empresa, ainda na faculdade, e esteve ao meu lado durante muitas coisas. Eu me levantei e o cumprimentei com alguns tapas nas costas, antes de tornar a sentar e apontar a cadeira de frente para a minha. Ele se largou nela, nunca deixando de sorrir.

- E as férias, como foram? – eu indaguei, colocando a caneta em cima do contrato; a leitura dele ficaria para depois. – Divertiu-se muito?

Ele assentiu.

- Você sabe como é... – deu de ombros. – Os primeiros dias são maravilhosos, mas a gente acaba sentindo falta do trabalho...

Eu ri.

- Não me lembro a última vez que tirei férias – comentei. – Nem sinto muita vontade de tirar, para falar a verdade.

Ele riu.

- Falando em você... – começou. – Fiquei sabendo de umas coisas, bem interessantes... Como anda a sua vida?

Eu encarei Emmett por um momento, sem saber como começar. Bati meus olhos na fotografia que agora ocupava minha mesa, então, e a peguei, um pequeno sorriso nos lábios. Sem dizer nada, estendi-a para Emmett, que a pegou.

Ele ficou calado durante alguns segundos, depois me olhou e sorriu.

Antes que ele pudesse se expressar ou dizer o quão aquele garotinho era parecido comigo, contei tudo desde que Jasper tinha surgido na minha porta até hoje. Ele ficou calado, fazendo apenas alguns comentários ocasionalmente, e assentindo em certos momentos.

- Ele está ficando com você, então? – indagou. – Isso é… ótimo, Edward! E como estão indo as coisas? Já contou para o menino que você é pai dele?

Eu neguei.

- Ainda não – eu disse. – Embora não ache que isso vai demorar muito... Quero contar a ele o quanto antes...

Emmett sorriu.

- E a Bella? – ele indagou. – Ela tem dado notícias?

Eu dei de ombros, meu sorriso morrendo.

- Não para mim – murmurei.

Ele assentiu.

- Você tentou investigar isso de desvio de dinheiro? – ele perguntou. – Quer dizer, se esse foi o motivo de ela ter ficado longe durante tanto tempo, o motivo de estar longe agora… talvez ajudasse se você pesquisa ou algo assim.

Eu o encarei durante algum tempo, me perguntando como eu nunca tive coragem de pensar nisso antes.

- Eu não tinha pensado nisso – murmurei. – Você pode? Quer dizer, dar uma olhada, fazer uma pesquisa? Ela trabalhava no setor de finanças, então...

Meu amigo sorriu.

- Pode deixar, eu vou dar uma olhada para você – ele disse. – Agora, deixe-me ir que tenho trabalho para fazer.

- Apareça para almoçar lá em casa um dia desses – eu disse. – Eu gostaria de apresentar meu filho para você.

- É claro – ele riu. – Eu não perderia isso por nada!

Eu ainda estava rindo quando Emmett fechou a porta atrás de si, me sentindo bem por ter conversado com ele. Fitei a minha foto com Henry durante algum tempo e depois voltei minha atenção para o meu trabalho, sabendo que quanto mais rápido eu terminasse, mais rápido eu poderia ir pegá-lo na creche e mais tempo eu teria com ele.

_

Infelizmente, o tempo passou rápido demais e logo Jasper estava chegando. Ele tinha ligado há dois dias para avisar que tinha tudo resolvido e que poderia voltar para as suas férias, e agora Henry e eu estávamos esperando por ele no aeroporto.

Hoje eu voltaria para casa sozinho.

Sem mais brinquedos espalhados, sem mais ter que arrumar meu filho para ir para creche e levá-lo para lá. Ele voltaria a viver com seu tio em um hotel.

De repente, peguei-me desejando que a viagem de Jasper não tivesse passado tão depressa.

- Nós vamos sair, Edwad? – Henry me indagou, seus olhinhos castanhos me olhando com atenção.

- Nós vamos jantar – eu empurrei um sorriso para fora do rosto. – Depois, você e o seu tio vão para o hotel, dormir um pouco. Você tem creche amanhã cedo, lembra?

Ele assentiu, e então me olhou novamente, sua testa se franzindo.

- Eu não vou dormir com você, Edwad? – ele perguntou.

Eu engoli em seco. Abri a boca para dizer que era o que eu mais desejava, mas eles escolheram aquele momento para anunciar que o voo de Jasper tinha chegado.

- Bom, parece que o seu tio chegou – eu mudei de assunto. – Vamos esperar por ele ali?

Henry assentiu, sorrindo imensamente, e me deixou guiá-lo até o meio do aeroporto. Nós esperamos ali durante alguns minutos, não muito tempo, e logo Jasper surgia no meio das pessoas, parecendo um pouco cansado.

- Tio Jazz! – Henry gritou, e se soltou da minha mão, correndo até o tio.

Eu os vi se abraçarem e conversarem um com o outro, ainda de longe, não querendo interrompê-los. Desejei que Jasper me pedisse para olhar Henry mais aquela noite, apenas para ele descansar ou algo assim. Na verdade, desejei que ele me pedisse para que meu filho continuasse a viver comigo.

Mas ele não pediu.

Nós jantamos em um restaurante não muito longe do hotel que Jasper e Henry tinham ficado pela primeira vez. Ele tinha um parquinho, então meu filho comeu rapidamente, pedindo para ir brincar logo em seguida.

Nós ficamos o assistindo de longe, conversando brevemente sobre alguns assuntos relacionados a trabalho.

- Ele deu muito trabalho? – Jasper perguntou, tirando-me de meus devaneios. – Fora o fato de ter fugido de você no supermercado, eu quero dizer.

Eu sorri.

- Não, não deu – eu respondi. – Foi bom passar esse tempo com ele, na verdade. Eu não me importaria de ficar mais...

Jasper riu.

- É, eu imagino.

- Ele me perguntou, um dia desses, por que todo mundo tinha um pai e ele não. – Soltei, de repente, lembrando-me da noite em que Henry me indagara isso. – Eu ia falar que era eu, mas o telefone tocou... Ele não voltou a perguntar.

- É sério? – Jasper sorriu. – Você já deveria ter falado, Edward. Henry já se acostumou com você, com sua família... Eu tenho certeza de que ele vai adorar, na verdade.

Eu sorri.

- Provavelmente sim – dei de ombros. – Mas fiquei com medo de ele trazer o assunto à tona e me fazer perguntas que eu não poderia responder...

Ele assentiu.

- Dá próxima vez que ele perguntar, então, conte a ele – ele disse. – Henry não é criança de esquecer as coisas. Ele voltará a perguntar. E logo.

Eu assenti, de repente desejando que ele me perguntasse o mais rápido possível. Eu queria que ele soubesse que eu era o seu pai, queria que ele me chamasse assim.

Eu abri a boca para dizer a Jasper que provavelmente deveríamos ir, que Henry já tinha brincado muito e que tinha creche amanhã, mas meu pequeno garoto me impediu de fazer tal coisa, escolhendo aquele momento para correr até a nós, lágrimas tomando conta de seus olhos castanhos.

- Ei, o que foi? – Eu imediatamente o puxei para o meu colo, levando minhas mãos até seu rostinho e limpando suas lágrimas. – Você se machucou?

Henry soluçou.

- Aquele menino disse que meu papai não me quer, Edwad – ele sussurrou, lágrimas escorrendo pelo seu rosto. – Ele disse que eu não tenho papai porque ele não me quelia...

Incerto do que fazer, olhei para Jasper, meus olhos um pouco arregalados. Ele apenas fez um gesto com a mão, como se me incentivasse a continuar, mas não disse nada. Olhei para o parquinho e encontrei um menino olhando em nossa direção, um menino que eu já tinha visto na creche de Henry antes, conversando com ele. Provavelmente o que tinha colocado essas dúvidas sobre pais em sua cabeça, em primeiro lugar. Voltei meu olhar para o meu filho por fim, sentindo meu coração apertar.

- Eu vou deixar vocês dois sozinhos...

Eu não olhei para Jasper para comprovar tal coisa, apenas continuei a olhar para Henry.

- Isso não é verdade, Henry – eu disse. – Você tem um papai, sim, é claro que tem, e ele quer você...

Eu sentia meu coração bater contra o meu peito a toda velocidade enquanto o encarava, ainda meio sem saber o que dizer.

- Eu tenho? – ele indagou. – E você conhece ele, Edwad? Pode pedir pala ele vir blincar comigo?

Ele me olhava com atenção, as lágrimas já não escorrendo por seu rosto mais.

- Por que você não pergunta a isso para ele pessoalmente? – eu murmurei, minha voz não passando de um sussurro.

Mas ele me escutou. Seus olhos começaram a percorrer o restaurante, provavelmente procurando por seu pai ou algo assim. Eu segurei seu queixo e o fiz olhar para mim, e sorri, meio hesitante.

- Eu sou seu papai, Henry – murmurei. – Eu sou.

Ele me observou durante alguns minutos, sua expressão de repente se alterando completamente. Um sorriso imenso nasceu em se rosto e as lágrimas pararam por completo. E então, antes que eu me desse conta, Henry estava pulando no meu pescoço, parecendo completamente alegre.

Eu o abracei de volta, rindo junto com ele, não entendendo nada do que ele dizia direito, ainda agarrado ao meu pescoço.

- Você é meu papai, Edwad? – ele disse por fim. – É por isso que você blinca comigo e me leva pala a cleche?

Eu assenti, incerto de como explicar a ele as coisas.

- Eu sou papai, campeão – murmurei. – E eu não te deixei, ok? Eu quero você, assim como todo papai quer seu filho. Você não tem que se preocupar com isso mais.

Ele sorriu.

- Tá bom! – disse. – Eu posso contar pala o Douglas que você é meu papai?

Eu ri.

- Claro que pode, Henry – eu disse. – Mas depois nós vamos embora, porque você tem que acordar amanhã cedo, ok?

Ele assentiu.

Coloquei-o no chão e o observei se afastar correndo, indo até o seu coleguinha. Vi quando ele gesticulou para mim e gritou a palavra ‘papai’ e não consegui conter mais as lágrimas que encheram os meus olhos. Ele ainda não tinha me chamado de pai abertamente e provavelmente demoraria um pouco para me chamar assim, mas ele sabia.

Ele sabia que ele tinha um pai.

Nós fomos embora alguns minutos depois, eu não conseguindo parar de sorrir. Deixei um Henry exausto, junto de um Jasper mais exausto ainda, no hotel, antes de seguir para o meu apartamento, meu sorriso de repente morrendo.

Henry não estaria lá quando eu chegasse.

Soltei um suspiro pesado quando entrei no meu apartamento, extremamente silencioso. Olhei ao redor, meus olhos observando toda a sala extremamente arrumada. Coloquei minha pasta no lugar que sempre fora reservado a ela e retirei meu terno, antes de desfazer o nó apertado da minha gravata. Coçando os olhos e bocejando, caminhei até o quarto ao lado do meu.

E senti um aperto no coração quando o vi extremamente arrumado também, como se nenhuma criança tivesse dormido ali algum dia.

Provavelmente eu estava sendo irracional por agir daquela forma, mas eu não me importava. Henry tinha morado comigo por quase um mês – um pouco mais que um, na verdade – e eu tinha me acostumado com sua presença aqui, com os brinquedos espalhados, seus gritinhos animados... Até as vezes em que ele me acordava no meio da noite, devido a um pesadelo.

Caminhei até a sua cama e me sentei na mesma, puxando um peixinho de pelúcia que ficava enfeitando a mesma e o trazendo para o meu colo. Lembrei-me de sua reação há pouco mais de uma hora, quando contei-lhe que eu era o seu pai, e ri, sozinho. Senti o peixe de pelúcia ficar molhado e só então me dei conta de que chorava.

Henry sabia que eu era o seu pai.

Ainda sorrindo feito um idiota – e chorando também – eu saí do quarto dele e caminhei até o meu, querendo só um banho e cama. Enquanto me banhava, pensei em todos os dias que Henry tinha passado aqui e fiz uma nota mental para ligar para Jasper amanhã e combinar de Henry passar uns dias comigo.

Eu não iria conseguir ficar naquele apartamento vazio o tempo todo sem meu filho por perto.

Suspirando, saí do banheiro apenas com uma cueca, e me joguei na cama, sentindo-me muito preguiçoso para fazer alguma coisa além de dormir. Eu poderia dormir mais um pouco no dia seguinte, já que não tinha que arrumar Henry nem levá-lo para a creche, então podia ficar acordado mais um pouco, mas eu estava realmente com sono...

Senti meus olhos começaram a pesar algum tempo depois e me ajeitei no travesseiro. Eu tinha certeza de que estava dormindo há algum tempo quando escutei meu celular tocar.

Resmunguei um pouco e mudei de posição, não querendo atendê-lo. Quem quisesse falar comigo poderia tentar mais tarde...

Abri meus olhos quando o celular tornou a tocar novamente e gemi, bocejando de leve. Olhei o relógio, assustado por se passarem da uma da manhã, e enfim peguei o aparelho móvel situado ao lado da minha cama.

Senti meu coração acelerar quando vi o nome da pessoa no visor.

Era Jasper.

Jasper POV.

Eu senti algo me cutucando no braço, mas ignorei, aproveitando o calor da cama... Estava exausto depois de ter que trabalhar nas minhas férias e ter tido um longo voo, e tudo o que eu queria era dormir o tanto quanto eu podia, antes de ter que levantar e levar Henry para a creche... Comecei a cochilar de novo, mas logo senti algo puxando minha mão, que não estava coberta. Resmungando, abri os olhos, e fui os piscando lentamente, vendo um Henry aparentemente aborrecido me olhando.

Imediatamente sentei-me na cama quando vi lágrimas escorrendo por suas bochechas.

- Ei, garoto... – Eu o puxei para se sentar ao meu lado, imaginando que talvez ele tivesse tido mais algum de seus pesadelos. – Está tudo bem? Outro pesadelo?

Ele assentiu e fungou, levando uma de suas mãozinhas até o seu olho e o esfregando, ainda me fitando com o outro que ficara aberto.

- Está tudo bem, Henry – eu sorri para ele. – Você quer que eu deite com você até o sono voltar? Ou quer me contar o sonho para ver se melhora?

Ele negou imediatamente, e o que eu ouvi da sua pequena boca a seguir, fez com que um sorriso nascesse em meu rosto.

- Eu não quelo dormir aqui, sem o meu Edwad – ele murmurou. – Eu quelo o meu papai, tio Jazz.

Notas finais
N/A: Como prometido, aqui estou eu! Vocês chegaram ao número de reviews que eu pedi e aqui está o capítulo 12 :33
Edward um pouco nervoso por contar sobre ser pai do Henry, com medo de ele fazer algumas perguntas, mas... ele contou! E menino Henry finalmente sabe que tem um papai ♥
E esse final? Pelo amor, não sei lidar com esse menino, ele é muuuito fofo :''''''''''''')
Ah, uma coisinha... Muitas de vocês têm me perguntado quando a Bella volta... Está chegando hihi. Não vou falar em qual capítulo, mas eu já escrevi a parte que ela conta que está voltando... Aguardem mais um pouquinho, ok? Está chegando!
Um feliz dia das mãe!
E até domingo que vem :3
xx