Waiting For You

25 Capítulo Vinte e Quatro


Notas iniciais
Mais um capítulo, meninas ♥
Espero que gostem!

Edward POV.

Acordar no dia seguinte foi... estranho. Por já estar acostumado com a rotina que Henry e eu tínhamos criado juntos, eu acabei acordando um pouco mais cedo do que o necessário e fiquei deitado na cama, encarando o teto. Eu senti meu coração apertar ao pensar que meu filho não estava dormindo ao quarto ao lado, esperando que eu o acordasse e o arrumasse, antes de levá-lo à creche. Fiquei apenas ali, parado, sem saber ao certo como meu dia seria, agora que ele tinha ido embora.

Quando meu celular despertou pela terceira vez, no entanto, eu soube que não podia mais enrolar. Suspirando pesadamente, levantei-me da cama, pensando o tempo todo que agora eram só mais três dias. No dia trinta eu iria para Pittsburgh e ficaria lá até o dia dois de janeiro.

Corri um pouco na esteira — já que não fazia isso há um tempo — e fiz alguns exercícios de musculação, antes de seguir para o banheiro. Após um banho quente e longo, eu me vesti como vestia todos os dias, mas desta vez tendo mais tempo para os detalhes. Naquele dia, eu não precisaria arrumar a gravata correndo, no estacionamento da minha empresa, apenas porque não tinha tempo de fazer isso em casa mais, nem verificar se eu tinha colocado tudo o que precisava na pasta. Hoje, eu teria tempo de fazer tudo com calma.

Foi estranho me sentar à bancada da cozinha e tomar café da manhã sozinho. Não deveria ser, eu sabia disso. Afinal, eu tinha feito aquilo todos os dias, desde que ela tinha ido embora. Mas não ter que preparar panquecas para o meu garoto, assim como me certificar que ele estava usando seu babador, apenas para não sujar sua roupa... Soltei um suspiro e balancei a cabeça, não querendo pensar nisso. Puxei minha caneca e despejei café ali, e terminei de comer meus ovos. Quando terminei, limpei a bagunça de forma rápida e caminhei até o escritório. Verifiquei todos os documentos e os guardei na pasta, e só então saí do prédio, sem pressa alguma.

Ainda era muito cedo, eu sabia disso, assim como sabia que tinha tempo de sobra para chegar à empresa, agora que eu não tinha de desviar o caminho e levar Henry até a creche mais.

Como eu estava voltando definitivamente a ficar o dia todo na empresa a partir de hoje, minha manhã foi cheia de reuniões e planejamentos. Tínhamos vários projetos para analisar e começar a programação, então acabei não tendo muito tempo para pensar direito. Além de tudo isso para fazer, eu tinha de rever o projeto dos Baxter, que estava sendo feito em nossa filial, em Boston, comigo supervisionando de longe.

Quando eu parei para almoçar, já se passavam das duas da tarde e, mesmo assim, não tive muito tempo para aproveitar a comida. Eu tentei ligar para o número que Bella tinha me passado no dia anterior — quando ela me ligou para falar que eles já tinham chegado e que Henry queria falar comigo -, porque que eu realmente sentia falta do meu garoto e queria falar um pouco com ele, mas ninguém atendeu. Sabendo que eu não podia ficar esperando muito, eu voltei ao trabalho e só saí da empresa quando o relógio marcava quase nove da noite.

Eu estava esgotado enquanto me dirigia para o meu apartamento, só querendo comer alguma coisa, tomar um banho e me jogar na cama. Quando saí do banho, eu tentei, novamente, ligar para o número que Bella havia me passado.

E, desta vez, quem atendeu foi meu filho.

- Ei, campeão. — Eu me peguei sorrindo, imaginando-o agarrado ao telefone, seus olhos castanhos brilhando... — Como você está?

- Papai! — ele gritou de volta. — Eu tô com saudade! Vem me vê!

Eu tornei a rir. Sentei-me na cama e apoiei minhas costas na cabeceira, o tempo todo imaginando as expressões de Henry.

- Eu sinto sua falta também, filho — murmurei. — O papai estará aí em três dias, ok? Vai passar rápido, você vai ver...

Nós conversarmos durante alguns minutos, mas eu logo tive que desligar, já que Henry tinha que dormir. Estávamos em um fuso horário com apenas uma hora de diferença, mas, ainda assim, eu não quis atrapalhá-lo muito. Prometi ligar em breve e logo em seguida desliguei, um suspiro escapando de meus lábios.

Eu realmente sentia a falta dele.

Dormir foi um pouco difícil, mas eu consegui, eventualmente. Quando acordei no dia seguinte — um pouco mais tarde -, eu repeti o processo do dia anterior, pensando, agora, que seriam somente mais dois dias pela frente.

Tive mais reuniões e mais projetos para analisar durante a manhã, mas consegui almoçar em um horário mais normal naquele dia. Eu estava terminando de limpar a pequena bagunça que fiz em meu escritório quando fui informado, por Jessica, que minha mãe estava ali. Eu abri a porta e a puxei para um abraço, sorrindo um pouco, antes de levá-la até o sofá.

- Você veio almoçar comigo? — eu indaguei, dando uma olhada rápida no relógio. Eu tinha uma reunião dentro de meia hora; não poderia demorar muito tempo ali. — Porque eu acabei de almoçar... e tenho uma reunião daqui a pouco, mas posso acompanhá-la rapidamente até um restaurante, se você quiser.

Esme sorriu.

- Não, eu só queria te ver um pouco — ela disse. — Sei que você viaja amanhã e está um pouco ocupado, mas... você sabe, agora que Henry não está mais aqui, eu tenho muito mais tempo de sobra.

Eu sorri para ela e acariciei seu braço, puxando-a para um abraço rápido. Minha mãe tinha amado a companhia de Henry quando ele estava aqui, quando saíamos da creche e iríamos direto para a sua casa, passar um tempo com ela e o meu pai. Eu sabia que eles sentiam falta do meu garoto também. Afinal, ele não tinha trazido uma nova cor, por assim dizer, somente à minha vida.

- Eu sinto falta dele também, mãe — murmurei. — Eu vou tentar trazê-lo aqui todos os finais de semana, ok? Sei que não é muito, mas...

Ela assentiu e sorriu para mim, mostrando que tinha entendido.

- Eu, na verdade, vim falar sobre uma outra coisinha com você — ela murmurou. Eu ergui a sobrancelha, mas não disse nada, esperando que ela falasse. — Sobre Bella. E aquelas poucas vezes que ela foi à nossa casa.

Eu assenti. Eu não tinha falado com minha mãe ou meu pai — ou até mesmo Alice e Bella — sobre quão tenso foi presenciar aquelas duas vezes que ela esteve lá. Tinha achado que meus pais tinham se comportado até melhor do que eu esperava, mas achava que poderia ter sido melhor, no entanto.

- O que foi? — eu perguntei. — Eu sei que vocês estão ainda meio que desconfiados, por causa de tudo o que aconteceu, por terem perdido alguns anos da vida de Henry, mas, mãe... eu pensei que vocês tinham entendido... Bella fez o que ela achou melhor na época.

Esme sorriu.

- Eu sei, querido — ela acariciou meu braço. — Eu entendo o que ela fez e sei que no lugar dela, teria feito o mesmo. Sinto muito por ter a tratado daquela forma, é só que é... difícil. Ainda estou, sim, com um pouco de medo do que pode acontecer, não só com você, mas com Henry também, Edward. E é sobre isso que eu vim falar com você.

Eu olhei para o relógio novamente e vi que tinha apenas vinte minutos de sobra, mas não disse isso à minha mãe. Sabia que não teria tempo de passar na casa dos meus pais antes da viagem — talvez rapidamente, apenas para dar um abraço neles — e sabia que ela deveria estar querendo conversar comigo há algum tempo. Eu a conhecia, afinal.

- Eu sei que vocês se gostam — continuou. — Acho que qualquer um pode notar isso. Sei que ainda têm o que resolver e conversar, e que talvez precisem de um tempo para assimilar tudo, principalmente você, mas... pensem nele, ok? Henry ainda é muito pequeno e não entende muito as coisas... isso de ficar viajando de um lado para o outro, viver com a mãe e vir passar um tempo com o pai... Ele pode ficar um pouco confuso.

Eu sorri um pouco ao ouvir isso, sabendo que ela só estava se preocupando com Henry.

- Eu sei disso, mãe — respondi. — Você pode ficar tranquila, ok? Eu e Bella vamos sempre pensar em Henry em primeiro lugar.

- Não é isso, Edward. — Ela balançou a cabeça, suspirando. — Eu só... fico preocupada, sabe? Eu lembro como você ficou quando ela foi embora, durante todos esses anos, mas também imagino o que Bella tenha passado, já que ela estava sozinha e ainda tinha um filho para criar. Torço muito para que vocês se resolvam, de verdade, só fico... preocupada.

Eu senti um aperto no peito ao ouvi-la falar essa última parte, mas não disse nada, simplesmente porque eu não sabia o que dizer. Ficar com Bella novamente não dependia só de mim, infelizmente. E ainda tínhamos que conversar sobre isso.

- Enfim, é coisa boba, de mãe — ela concluiu. — Sei que você está atarefado e que talvez não tenha tempo de passar lá em casa, por isso que vim falar isso. Estava querendo falar há alguns dias, na verdade.

Eu assenti.

- Obrigado por vir, mãe. — Coloquei-me de pé. — Eu vou me cuidar, pode ter certeza. E vou cuidar do meu filho também.

Ela sorriu.

- Dê um abraço nele por mim — ela disse, abraçando-me forte. — E dê um em Bella também, diga que eu sinto muito por ter agido daquela maneira. Vou tentar tirar esse medo de vê-lo sofrer novamente, ok?

Eu tornei a assentir. Abracei-a novamente e depositei um beijo em sua testa, antes de acompanhá-la até a porta. Permaneci no meu escritório durante mais alguns minutos, apenas pensando em tudo o que ela tinha falado, mas por fim decidi afastar os pensamentos da minha mente. Suspirando, eu segui para a minha reunião, desejando que as horas passassem logo.

No dia seguinte, eu acordei com um sorriso enorme no rosto. Enquanto colocava a minha gravata e dava o nó nela, eu sorri para o meu reflexo no espelho, pensando que agora faltava só mais um dia. Só mais um dia e eu veria meu Henry novamente. Eu a veria novamente.

Será que conversaríamos? Será que eu teria coragem de dizer a ela tudo o que eu estava sentindo — embora ainda me sentisse um pouco confuso -, mesmo depois de todo esse tempo?

Mas não foi só mais um dia.

Assim que cheguei à empresa e vi o semblante preocupado de Jessica, eu tive um pressentimento de que aquele não seria um bom dia. Eu me aproximei dela, desejando, na verdade, poder voltar ao meu apartamento, com aquela falsa esperança de que seria um dia bom, mas não fiz.

- Aconteceu algo? — eu indaguei, parando em frente à mesa dela.

Ela suspirou.

- Problemas com o projeto dos Baxter — ela respondeu. — E acho que é um dos grandes.

Xingando um palavrão mentalmente, eu segui para a minha sala junto de Jessica, imediatamente entrando em contato com o responsável pelo projeto em Boston. Menos de dez minutos de conversa foram o suficiente para eu saber de algo, de uma notícia não muito boa.

Eu não conseguiria viajar para Pittsburgh amanhã.

Devido àquele problema, eu fiquei a maior parte do dia preso no escritório, em conversar por vídeo, por telefone, por mensagem, com todos os responsáveis, tentando resolver o quanto antes. À noite, quando eu seguia para casa, o sorriso já não estava em meu rosto mais. Eu poderia tentar ir para Pittsburgh em alguns dias, mas o mais provável é que eu teria de viajar para Boston, caso não conseguisse resolver o problema por aqui mesmo.

Tomei um banho rápido assim que cheguei e preparei um espaguete, comendo sem nem sentir o gosto direito. Depois que terminei, limpei a minha bagunça e andei de um lado para o outro na cozinha, o telefone nas mãos. Quando percebi que não dava para adiar muito mais, eu disquei os números que já havia gravado e a cada toque, fui ficando mais ansioso.

- Alô? — Bella atendeu.

Eu engoli em seco, sentindo meu coração acelerar somente ao ouvir a voz dela.

- Oi — murmurei. — Sou eu, Edward...

Ela ficou em silêncio durante alguns instantes do outro lado da linha.

- Ah, oi, Edward — murmurou. — Você quer falar com Henry, não é? Espere só um minutinho que eu vou chamá-lo p...

- Não — interrompi-a, antes que ela pudesse se afastar do telefone. — Na verdade, antes, eu gostaria de falar com você sobre uma coisa...

Expliquei para ela tudo o que tinha acontecido naquele dia e ela ouviu em silêncio, nunca me interrompendo, apenas fazendo algumas perguntas quando eu parava para tomar um fôlego.

- Eu entendo — ela disse, após eu terminar de falar. — Henry provavelmente vai ficar um pouco triste, mas eu sei que ele vai acabar entendendo também. Você sabe quando vai dar para vir?

Eu suspirei pesadamente, desejando poder falar que eu não me importava com o projeto e que iria amanhã mesmo, mas sabia que não podia fazer aquilo.

- Infelizmente, não — respondi. — Vou tentar o mais rápido possível, mas tudo depende de como as coisas vão prosseguir nos próximos dias.

- Certo — murmurou. — Vou chamar Henry para você, ok? Só um minuto.

Desta vez, deixei que ela fosse e fiquei parado, encostado na bancada da cozinha, ansioso para ouvir a voz do meu garoto. Eu não queria dar a ele a notícia de que ele não me veria amanhã, mas sabia que não era justo pedir a Bella que fizesse isso.

- Papai! — Eu sorri ao escutar sua voz animada. — É amanhã, né? Amanhã eu vou te mostlar minha casa!

Eu engoli em seco ao ver quão animado ele estava para isso, e abri e fechei a boca diversas vezes, sem saber como dar a notícia.

- Na verdade, campeão — comecei, apertando o telefone contra a minha orelha, ainda não querendo falar aquilo -, surgiu um pequeno problema... Acho que o papai não vai conseguir ir aí amanhã...

Ele ficou calado durante alguns minutos, o que só me deixou mais tenso.

- Você não gosta de mim mais, papai? — ele indagou. — Eu fiz algo elado?

Eu suspirei.

- Não, amigo, claro que eu gosto de você — murmurei. — Papai te ama, lembra? E ele prometeu não te abandonar, certo? Eu só estou com um problema no trabalho e vou ter que resolver, mas vou assim que resolver tudo, que tal?

- Você plomete? — perguntou. — Plomete que vem?

Eu sorri.

- Claro que sim, Henry — eu disse. — Papai promete, ok? E você pode me ligar quando quiser, assim como eu vou ligar sempre, ok? Basta pedir a mamãe para ligar para o meu celular.

Eu percebi que ele ficou triste e ele, de fato, reclamou um pouco, mas aceitou. Eu me sentia mal quando finalizei a ligação, prometendo a mim mesmo que faria o possível e o impossível para resolver aquela situação do trabalho logo, para que eu pudesse fazer uma visita ao meu garoto.

- Logo, Henry — eu murmurei para mim mesmo. — Eu prometo.

_

Infelizmente, esse logo se transformou em uma semana e essa semana se transformou em quase um mês. Como prometido, eu falava com o meu garoto todos os dias, as vezes mais do que uma vez ao dia, mas eu sabia que ele estava ficando um pouco impaciente e sentindo a minha falta. Eu viajei para Boston por cerca de duas vezes e somente na quarta semana, consegui organizar tudo.

Mas nem por isso fiquei livre. Com os problemas resolvidos, começamos a organizar um novo projeto, desde o início, correndo contra o tempo, para conseguirmos entregá-lo no dia certo, desta vez, sem erros. Eu mal tinha tempo para outros projetos na empresa e estava trabalhando até nos finais de semana.

Sentia muita a falta de Henry e estava louco para vê-lo, mas, infelizmente, naquele momento, não havia nada que eu podia fazer.

Ele começou a frequentar uma nova creche, mas me ligava todos os dias, para dizer que não gostava dela, que os coleguinhas eram diferentes e que ele não tinha a tia Alice. Eu tentei conversar com ele, dizer que ele logo se acostumaria, mas quanto mais dias passavam comigo longe dele, mais vezes eu desligava o telefone com ele chorando do outro lado da linha.

Ele achava que eu o estava esquecendo.

Era de partir o coração.

- Pronto, já chega.

Eu levantei a cabeça, me sentindo um pouco confuso ao fitar Emmett à minha frente. Era uma sexta, por volta das duas da tarde, e eu estava quase concluindo a minha parte no projeto. Dizer que eu estava animado era pouco; não via a hora de terminar tudo.

- Já chega o quê? — indaguei ao meu amigo, sem entender do que ele estava falando. — Eu estou trabalhando, Emmett, e, infelizmente, não tenho muito tempo.

Ele sorriu, e caminhou até a minha mesa, puxando uma cadeira e se sentando ao meu lado.

- É por isso que vim ajudar — piscou. — Sei que sente falta do seu garoto e, Edward, seu humor está horrível. Como sei que está terminando, vim ajudá-lo, porque você tem um voo às seis para pegar.

Eu senti um sorriso nascer em meu rosto.

- Mas... eu tenho que verificar tudo até terminar aqui — eu comentei. — Provavelmente consigo terminar amanhã, mas...

- Sem ‘mas’ — ele me interrompeu. — Vamos logo. Você está adiantado que eu sei. Parar um final de semana vai ser ótimo. Vá lá, curta o seu garoto; isso vai te fazer bem.

Eu abri a boca para discutir, mas acabei assentindo e sorrindo, sabendo que ele estava certo. Passei a próxima hora terminando tudo o que dava naquele dia, mas logo saí da empresa, um enorme sorriso em meu rosto.

Eu veria o meu garoto. Hoje. Era bom demais para ser verdade.

_

Corri para um táxi assim que saí do aeroporto, o endereço que Bella tinha me dado em mãos. Eu havia ligado para ela pouco antes de embarcar — direto em seu celular, já que não queria correr o risco de Henry atender e estragar a surpresa — e havia falado que eu estava a caminho, já que não queria aparecer na sua casa assim, do nada. Tinha pedido a ela para não contar nada ao meu filho e, agora, estava mais ansioso do que nunca, louco para vê-lo.

Fazia mais de um mês que eu não o via.

Eu soltei um nota de vinte dólares no colo do motorista assim que ele parou em frente a um prédio, e saí, sem esperar pelo troco. Pedi ao porteiro que informasse que eu estava ali e aguardei, ansioso demais, até que ele dissesse que eu podia subir.

Eu senti um sorriso ainda maior nascer em meu rosto quando ouvi o grito animado de Henry e corri até a porta, recebendo-o em meus braços. Eu o beijei repetidas vezes, apertando-o em um abraço quanto eu podia.

- Papai! — ele gritou. — Você veio.

Eu ri.

- Claro que eu vim, campeão — eu sorri. — Eu disse que viria, não disse?

Foi a vez dele rir.

Henry me arrastou para o seu quarto, mostrando-o para mim, sem nem me dar a chance de cumprimentar Bella. Durante todo o final de semana foi assim, na verdade. Ele me pediu que o levasse até os seus lugares favoritos, nunca desgrudando de mim. E, embora eu quisesse ter tido a chance de conversar um pouco com Bella, eu adorei passar um tempo com o meu garoto.

Nós saímos, rimos, nos divertimos, matamos as saudades — um pouco, pelo menos. Infelizmente, o domingo à noite chegou rápido demais. Bella e Henry me acompanharam até o aeroporto, exatamente como eu fiz quando eles estavam indo embora de Chicago. Sem me importar com roupas nem nada do tipo, eu me ajoelhei no meio de várias pessoas, puxando meu garoto para os meus braços, desejando que o tempo não tivesse passado tão rápido como passou.

- A gente vai se ver logo, pequeno — eu murmurei, beijando o seu templo, antes de começar a me afastar. — Eu prometo, ok?

- Não quelia que você fosse, papai — ele fez beicinho. — Você plomete voltá logo? Não vai demolá muito mais, né?

Eu sorri.

- Prometo que a gente vai se ver logo, ok? — Beijei sua testa. — Prometo.

Coloquei-me de pé e puxei minha mala, acenando rapidamente para Bella antes de começar a me afastar.

E, novamente, com o coração na mão, eu vi as lágrimas escorrendo pelo rostinho do meu filho enquanto partia para Chicago.

Bella POV.

Foi estranho voltar a Pittsburgh com Henry, sabendo que as coisas agora estavam diferentes. Embora eu novamente estivesse longe de Edward, era tudo tão diferente agora. Ele sabia onde estávamos, sabia como chegar até aqui... e eu o veria novamente dentro de quatro dias.

Jasper esperava por nós no meu apartamento e eu sorri ao vê-lo trocar um grande abraço com Henry. Ele pegou as nossas malas do táxi, após me dar um abraço, e as levou para o andar de cima, enquanto eu levava Henry. Ligamos para Edward quando chegamos e eu dei a ele o número do meu telefone — tanto o fixo quanto o meu celular -, antes de deixá-lo falar com o nosso filho. Preparei algo para comermos enquanto ele passava um tempo com meu filho e nós três ficamos todo o dia juntos.

Depois que Henry dormiu, voltei para a sala e encontrei Jasper sentado no sofá, esperando por mim. Sentei-me ao seu lado e apoiei a cabeça em seu ombro, sentindo-me completamente exausta.

- E aí, como foi tudo por lá? — ele indagou, ajeitando-se para que eu ficasse em uma posição melhor. — Sei que conversamos pelo telefone e tudo o mais, mas você sabe que não é o mesmo.

Eu sorri.

Contei a ele tudo o que tinha acontecido desde que cheguei, deixando que meus medos e inseguranças escapassem, já que eu não tinha permitido isso enquanto eu estava em Chicago.

- Vocês não conversaram sobre vocês, então? — ele perguntou, quando terminei de falar. — Não falaram sobre como vai ser o futuro?

Eu encolhi os ombros, meio incerta do que deveria dizer.

- Não — murmurei. — Acho melhor dar um tempo a ele, porque, querendo ou não, precisando ou não, eu o deixei, não é? Mesmo que ele tenha entendido, eu acho que vai demorar um pouco para ele conseguir confiar... E não quero ficar perguntando, pressionando...

Ele suspirou.

- Eu sei que você o ama ainda, Bella — ele disse. — Você não diz, mas, desculpe, está meio que óbvio para qualquer pessoa que preste atenção. E eu tenho certeza de que ele te ama também. Para vocês ficarem juntos, basta quererem.

- É complicado — eu sussurrei, não afirmando nem negando o que ele tinha acabado de dizer. — Moramos em lugares diferentes agora, temos Henry para pensar... Como eu disse, vou dar um tempo. Vamos ver o que acontece.

Eu pude ver que Jazz não concordava com o meu ponto de vista, mas ele não disse nada, apenas suspirou novamente. Nós conversarmos sobre outras coisas mais no decorrer dos minutos, mas ele foi embora, já que ambos tínhamos que trabalhar amanhã.

Os dias até foram se passando mais rápido e logo faltava só um dia para Edward chegar. Eu estava ansiosa e nervosa, sem saber como agir, embora o tenha visto menos de uma semana atrás. Quando ele ligou, naquela noite, e disse que não poderia ir, eu não pude deixar de me sentir um pouco... triste, por isso. E nem Henry. Ele demorou um pouco para dormir naquela noite e, conforme os dias foram passando, as perguntas sobre quando o papai poderia visitá-lo iam aumentando.

Quando Edward enfim veio, o meu Henry de sempre voltou. Ele estava animado, feliz, louco para mostrar tudo para o pai. Eles dormiram juntos, eles saíram juntos, e eu me senti um pouco culpado por estar mantendo-os longe, mas... aqui era o meu trabalho, aqui era o meu lar agora.

Presenciei Henry chorar — e muito — no dia que Edward voltou para Chicago, com a promessa de vê-lo em breve. Meu garoto ficou triste pelo resto da noite e foi até dormir um pouco mais cedo, sem eu ter que fazê-lo parar de brincar para isso.

Ele continuou a ficar mais quieto com o passar dos dias, pedindo sempre para ir ver o papai dele. Eu prometi levá-lo no próximo final de semana, partindo na sexta logo após o almoço — que era quando eu tinha conseguido uma folga — e voltando no domingo à noite. Ele se animou um pouco, mas não muito.

Um dia, enquanto eu revia as finanças da empresa, eu escutei o seu grito e corri até o seu quarto, somente para encontrá-lo chorando na cama. Ele tinha ido dormir tinha pouco tempo, uma hora talvez, e fazia alguns dias desde o seu último pesadelo. Eles tinham aumentado também.

- Shhh... — Puxei-o para um abraço. — A mamãe está aqui, amor. Shhh... Foi só um sonho ruim.

Ele se agarrou à minha blusa e chorou ainda mais, chamando pelo seu papai.

- Quelo vê meu pai, mamãe — ele soluçou. — Eu quelo meu pai.

Eu repeti as palavras que tinha dito mais cedo — que em breve ele veria — e fiquei o embalando até que ele se acalmasse um pouco e voltasse a dormir. Deitei-o de volta na cama e depositei um beijo em sua testa, antes de me afastar e arrumar as suas cobertas.

Limpei as lágrimas que tinham escorrido por seu rosto e suspirei pesadamente, sentindo o meu coração apertado contra o meu peito. Algo me dizia que aquilo — o jeito que Henry vinha agindo nos últimos dias — era apenas o começo.

Notas finais
N/A: Henry não aceitando muito bem viver longe do pai :/. É de cortar o coração vê-lo assim, não é? E algo me diz que não vai acabar tão cedo...
Bella e Edward sofrendo também, mas ~algo me diz que vocês vão amar algo no próximo capítulo hihihihi.
Enfim, por hoje é só.
Espero que tenham gostado.
Até semana que vem (;