Waiting For You
19 Capítulo Dezoito
Notas iniciais
Espero que gostem (;
Por favor, leiam a N/A, ok? Tem um recadinho importante para vocês lá!
Bella POV.
Eu apertei Henry em meus braços o máximo que eu pude, tentando mantê-lo o mais perto de mim possível. Não pude evitar rir quando ele disse que eu estava o apertando. Foi então que eu me afastei.
E foi quando eu o vi.
E eu simplesmente perdi o fôlego. Edward estava diante de mim, depois de quatro anos. Tudo o que eu tinha feito nos últimos anos, toda vez que eu tinha achado que nunca mais o veria... Mas ele estava ali, próximo a mim. E eu não tinha ideia do que falar ou fazer.
E antes que eu pudesse pensar em algo, ele disse que nos deixaria sozinhos e saiu.
Eu estava certa. Edward me odiava.
- Mamãe! — Henry me gritou, me tirando de meus devaneios. — Você tem que conhecer o meu quato.
Eu sorri para ele, sentindo meu coração pular de felicidade por estar perto do meu filho novamente.
Deixei que ele me guiasse pela casa, meus olhos observando tudo de forma atenta. Tudo parecia muito no lugar, principalmente com Henry morando no local — já que ele adorava deixar seus brinquedos espalhados pela casa -, mas também muito bonito e elegante. Meu filho me puxou por um corredor e me empurrou para dentro de um lugar.
E, imediatamente, eu senti o sorriso nascer em meu rosto quando vi o quarto que Edward tinha preparado para ele.
- Eu tenho um monte de blinquedos legais, mamãe! — Henry disparou a falar, começando a correr pelo quarto. — E na casa da vovó eu tenho muito mais!
Eu sorri, e andei até a cama dele, me sentando na ponta da mesma, enquanto ele trazia diversos brinquedos e os espalhava pelo quarto. Eu fiquei ali, o observando brincar com eles, me mostrar o que cada um deles fazia, mas logo minha mente vagou para o homem que estava naquele mesmo apartamento que eu, embora eu não tivesse a mínima ideia de onde.
Fiquei com Henry tanto quanto possível, enrolando o tanto que eu podia, mas estava ficando tarde. Edward trabalhava amanhã, cedo, e Henry tinha que ir para creche. E eu precisava conversar um pouco com o pai do meu filho antes de ir para um hotel.
- Henry, querido... — Eu o chamei, quando ele se levantou do chão, dizendo que tinha mais alguns brinquedos para me mostrar. — Está ficando tarde e eu tenho que conversar com o seu pai um pouquinho... Por que você não vai guardando os brinquedos que já me mostrou e só então pega mais?
Ele me olhou durante um minuto e assentiu, sorrindo. Eu o puxei para mais um abraço e beijo, antes de me levantar e caminhar pelo corredor. Havia apenas duas portas fechadas, para a minha sorte. Eu bati à primeira, mas ninguém respondeu nada. Ponderei por um momento se devia tentar abri-la ou não, mas decidi que não; eu não estava na minha casa, afinal. Mesmo que Edward estivesse lá dentro e tivesse escolhido não responder... bem, era um direito dele, mesmo que me machucasse.
Caminhei até perto da outra porta e hesitei por um segundo antes de bater. Esperei durante algum tempo, mas quando notei que Edward não queria era me ver, comecei a me afastar, soltando um suspiro pesado e sentindo um aperto no coração. Entretanto, antes que eu sequer desse dois passos, a porta se abriu.
E lá estava ele.
Fiquei o encarando durante alguns segundos, incapaz de dizer alguma coisa ou fazer algo. Naquele momento, tudo o que eu queria dizer a ele sumiu da minha mente.
Ele estava... tão lindo.
Seus cabelos — tão idênticos ao do meu filho — estavam um pouco grandes, assim como os de Henry. Seus olhos me encaravam com atenção. E ele estava sério — muito sério.
- Algum problema? — ele indagou, tirando-me de meus devaneios.
Eu engoli em seco e escondi as minhas mãos nas minhas costas, não querendo que ele visse quão trêmulas elas estavam.
- Não, eu... — murmurei. — Eu... queria trocar uma palavra com você... já que está ficando tarde e...
Ele me cortou, dando espaço para que eu entrasse, e assentindo.
- Tudo bem — disse. — Entre.
Eu entrei, evitando esbarrar nele — tocá-lo seria demais para mim naquele momento -, e olhei ao redor, surpresa com a elegância do seu escritório. Eu não deveria. Edward era arquiteto. Ele tinha bom gosto para essas coisas.
Ele deixou a porta aberta depois que eu passei e andou até atrás da sua mesa, se sentando na cadeira. Eu fiquei ali, de pé, inquieta demais para me sentar.
- Pode falar — ele murmurou.
Tornei a engolir em seco e assenti, soltando um suspiro pesado.
- Eu sei que temos assuntos a tratar — comecei -, principalmente em relação à sua empresa, mas eu gostaria que conversássemos sobre isso quando Henry não estivesse presente... Você provavelmente deve ter perguntas para mim, e... acho melhor conversarmos sobre tais coisas enquanto ele estiver na creche. Claro, se você quiser.
Ele me fitou durante alguns segundos, antes de assentir.
- Concordo — disse. — Amanhã cedo, então? Trata-se de um desvio de dinheiro, afinal. Eu quero resolver isso o quanto antes.
Foi a minha vez de assentir.
- Certo — suspirei. — Eu vou me despedir de Henry, então, e ir para um hotel. Desculpe chegar à noite, mas...
Edward se colocou de pé de repente, e eu simplesmente não consegui concluir minha fala.
- Henry não vai querer deixar você ir — ele disse. — Por que você não fica aqui esta noite? Amanhã decidimos o que faremos quanto a isso.
Eu o encarei, sem saber o que responder.
- E-eu não sei — consegui gaguejar.
Edward encolheu os ombros, ainda parado atrás da sua mesa.
- Você pode dizer isso a Henry, então — ele murmurou. — Ele sentiu sua falta. Ele vai pedir para você dormir com ele.
Eu assenti, sabendo que ele estava certo. Dei alguns passos para trás, querendo me manter tão distante quanto possível — porque eu sabia que, se ficasse muito perto, seria capaz de atacá-lo.
- Infelizmente, eu tinha somente um quarto de hóspedes e eu o trasformei em um quarto para Henry. — Edward continuou, quando viu que eu não falaria nada. — Eu posso dormir no quarto dele, e você e Henry podem dividir o meu.
Eu? Dormir no quarto dele?
- Eu não quero incomodar — sussurrei.
Edward deu de ombros.
- Não está incomodando — disse. Ele estava tão sério, tão... distante. — Eu estou oferecendo...
E então, antes mesmo que eu pudesse falar algo, ou até mesmo agradecer, Edward se moveu, começando a andar em direção à porta — e em direção a mim, que estava no seu caminho.
- Eu vou avisar a Henry — ele murmurou. — Tenho certeza de que ele vai adorar.
E ele adorou.
Henry concordou a largar os brinquedos e a ir dormir assim que Edward falou que eu iria dormir com ele. Eu fiquei com o meu filho no quarto enquanto Edward ajeitava o seu, mas saí assim que ele avisou que estava tudo pronto.
- Você pode usar o meu banheiro, se quiser — ele murmurou, sem me olhar, já andando em direção ao closet do quarto. — Vou preparar Henry para dormir.
Eu assenti.
- Obrigada — sussurrei.
Mas eu não tenho certeza se ele ouviu, porque ele não respondeu nada.
_
Quando eu saí do banheiro, quinze minutos mais tarde, Henry já estava deitado na enorme cama de casal. Edward estava parado na porta, encostado na mesma, mas ele se endireitou assim que me viu.
- Eu deixei algumas cobertas extras, caso vocês precisem — ele sussurrou. — Qualquer coisa, estou no quarto de Henry... É só me chamar.
Edward murmurou um boa noite e acenou, antes de se virar.
- Papai! — Henry gritou, antes que Edward pudesse se afastar. Ele parou, ainda de costas. — Você não vai me dá boa noite?
Eu reprimi um sorriso, enquanto observava meu filho se sentar na cama, aparentemente ansioso por seu pai lhe desejar boa noite. Senti meu coração apertar quando Edward se virou e caminhou até a cama, sentando-se na ponta da mesma e puxando Henry para um abraço.
Era óbvio o amor que um sentia pelo outro.
- Boa noite, campeão — ele murmurou, depositando um beijo na testa dele. — Nós nos veremos amanhã cedo.
Henry sorriu.
- Duma com meu peixinho, papai — ele disse. — Assim você não dome sozinho.
Edward soltou uma risada, e, confesso, nem eu mesma consegui me segurar.
- Pode deixar — ele sorriu, dando mais um beijo nele. — Até amanhã.
E então ele saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.
Eu respirei fundo e deitei-me na cama ao lado do meu filho, puxando-o para perto de mim. Embalei-o no peito até que ele dormisse, já que eu sentia falta de tê-lo assim, tão perto de mim. Entretanto, eu não conseguia dormir.
Eu podia sentir o cheiro de Edward naqueles lençóis, um cheiro que traziam muitas lembranças; lembranças com as quais eu não podia lidar. Rolei na cama durante grande parte da noite, me perguntando como seria a conversa de amanhã.
Ele me odiava. Ele definitivamente me odiava.
Com o passar das horas, eu fui finalmente me acalmando, o sono e o cansaço falando mais alto do que qualquer outra coisa. Verifiquei se Henry estava bem coberto e ajeitei mais um cobertor ao redor de nós dois, antes de me entregar ao sono.
E cinco minutos depois, eu estava dormindo.
Edward POV.
Eu rolei durante horas na cama de Henry, não conseguindo dormir. A cada vez que eu fechava os olhos, eu me lembrava que ela no quarto ao lado. E bastava isso para que toda a vontade de dormir fosse embora do meu corpo.
Tentei pensar em outra coisa, tentei me lembrar que amanhã eu acordava cedo, mas nada funcionava. Minha mente insistia em se lembrar dela.
Linda.
Completamente linda, mesmo parecendo tão nervosa quando fora conversar comigo no escritório. Manter-me imparcial, agindo como se nada daquilo estava me afetando, mentir que ela poderia ficar ali porque Henry não permitiria que ela partisse... eu, sinceramente, não sabia como tinha conseguido dizer tal coisa. Eu era um patético; mesmo depois de tudo o que tinha acontecido, aqui estava eu, dando desculpas para mantê-la por perto. Eu merecia um prêmio por isso. Tudo o que eu queria era puxá-la para os meus braços, e matar a vontade e a saudade que eu sentia.
Entretanto, eu não podia. Ainda tínhamos muito o que resolver, muito o que conversar. Sinceramente, eu nem mesmo sabia se iríamos voltar a ficar juntos algum dia. Eu não conseguia pensar nisso agora.
Era demais para mim.
Grunhi, me levantando da cama, desistindo de dormir. Fui até a cozinha e esquentei um pouco de leite; talvez isso me desse um pouco de sono.
Depois que terminei, comecei a caminhar de volta para o quarto do meu filho. Porém, antes que eu me desse conta, eu estava entrando no meu quarto. E, graças a luz que vinha do corredor, eu podia vê-la perfeitamente na cama.
Seus cabelos estavam espalhados pelo meu travesseiro, e ela ressonava tranquilamente, seu peito subindo e descendo devido a sua respiração. O cobertor estava a cobrindo somente até a sua barriga, e após vê-la tremer pela segunda vez, eu me aproximei, prometendo a mim mesmo que só estava fazendo isso porque ela estava com frio.
Ajeitei o cobertor ao redor dela, mas me vi incapaz de me afastar. Só mais um segundo, prometi a mim mesmo. Só mais um pouquinho.... Mas eu não conseguia ir embora. Sua boca estava entreaberta, seus olhos fechadas, suas bochechas — tão macias — logo ali na minha frente... Como eu poderia resistir?
Sem conseguir me conter, me vi erguendo a mão e passando os dedos pelo rosto dela, o que trouxe um alívio e uma dor tão grandes que eu me afastei, querendo tirar aquilo de mim. Peguei-me respirando rapidamente, em um misto de emoções tão grandes e confusos. Bella tinha voltado, depois de longos quatro anos longe de mim. Ela tinha me dado um filho.
Assim como ela tinha me privado três anos da vida dele.
Sentindo as lágrimas — que eu estava segurando há tanto tempo, prometendo ser forte por mim e por Henry — chegarem aos meus olhos, eu caí de joelhos, ainda a observando. Apertei minha mão na boca, não querendo que os soluços escapassem, não querendo acordá-la. Eu sabia que tinha que sair dali, sabia que deveria me manter distante.
Mas eu não consegui encontrar força o suficiente para isso.
Durante algum tempo, apenas fiquei ali, parado, a observando dormir. Em algum momento, ela se mexeu um pouco, virando-se completamente para mim, e eu não pude aguentar mais. Sem conseguir conter os soluços, corri para fora do quarto, e fechei a porta atrás de mim.
Ela ainda mexia demais comigo. Mesmo tendo se passado quatro anos.
Apoei minha cabeça na parede e deixei-me chorar tudo o que eu podia, sabendo que eu tinha direito. Isso não demonstrava que eu era fraco. E eu tinha até amanhã para me recompôr.
Eventualmente, consegui cochilar um pouco naquela noite, não muito, mas o suficiente para eu passar o dia. Acabei acordando um pouco mais tarde do que deveria, mas ainda cedo demais. Levantei-me da cama de Henry e a arrumei rapidamente, antes de me lembrar que eu tinha deixado minha roupa no meu quarto... o que significava que eu teria de voltar para lá.
Engolindo em seco, eu corri até o quarto. Abri a porta com cuidado, soltando um suspiro de alívio quando vi que os dois ainda estavam dormindo, e fui até o closet. Separei minha roupa o mais rápido que pude e já estava a caminho da saída, quando escutei Bella me chamando.
Eu me virei e a encontrei sentada na cama, seus cabelos um pouco mais bagunçados. Ela coçou os olhos e bocejou, me fitando ainda meio sonolenta. Sua blusa subiu um pouco quando ela espreguiçou, mostrando um pedaço da sua barriga.
- Desculpe — eu murmurei, desviando os olhos rapidamente. — Eu só vim pegar uma roupa...
Ela assentiu.
- Eu vou acordar Henry — ela murmurou.
E eu apenas assenti, antes de sair do quarto. Corri para o banheiro social e me enfiei debaixo do chuveiro, fechando também meus olhos, com força, não querendo pensar que ela estava ali, tão próxima de mim, depois de tanto tempo...
Ela estava mesmo aqui.
Lembrei-me da cena que eu tinha presenciado há pouco. Seus cabelos um pouco bagunçados, seus olhos extremamente sonolentos... Eu me lembrava de como sorria ao vê-la se espreguiçar feito uma gatinha, e chegava a ser meio irônico como a mesma coisa me machucava agora.
Um dia eu superaria? Um dia eu, de fato, seguiria em frente, sem sentir esse aperto no peito e essa vontade incontrolável de chorar?
Balancei a cabeça imediatamente, sabendo que eu choraria se seguisse essa linha de pensamento, e fechei a torneira, dando meu banho por encerrado. Enxuguei-me e me vesti, e tomei uma longa respiração quando terminei, sabendo que eu teria que permanecer imparcial.
Eu não podia mostrar como tudo o que estava sentindo estava me deixando confuso.
Senti um sorriso nascer em meu rosto quando escutei a voz do meu filho, vindo do quarto dele, e segui para lá, muito embora tivesse vontade, naquele momento, de correr para algum lugar e me esconder. Eu fiquei parado na porta, vendo Bella vestir Henry para a creche, sem anunciar a minha presença.
Até que meu garoto me viu.
- Papai! — ele sorriu, saindo de perto da mãe e correndo até a mim. — Eu domi na sua cama!
Eu ri, e passei a mão em seus cabelos, enquanto fazia uma nota mental de levá-lo até o local que eu cortava os meus. Henry e eu estávamos precisando disso.
- Eu sei, campeão — eu disse. — Você já tinha dormido lá antes, comigo, lembra?
Ele assentiu, sorrindo ainda mais.
- Agora — continuei, antes que ele dissesse algo, ainda sem olhar para ela, mesmo sabendo que provavelmente ela estava nos observando -, que tal irmos tomar o café da manhã, hein? Você tem creche...
Henry pulou, batendo suas mãozinhas, me encarando com tanta felicidade, que eu senti vontade de apertá-lo em um abraço e não soltá-lo nunca mais. Se eu pudesse, o protegeria de todo o mal do mundo, porque nunca queria que ele perdesse aquele brilho nos olhos e aquele sorriso.
Ele deveria manter aquilo.
Sempre.
- Eu quelo panqueca, papai — ele disse. — A mamãe faz uma panqueca deliciosa! Ela pode fazê pla gente?
Eu continuei sorrindo, mesmo que isso estivesse exigindo muito de mim.
- Claro que pode — murmurei. — Se ela não se importar, é claro.
Pela primeira vez desde que tinha chegado ali, ergui meus olhos e olhei para ela, que nos encarava — como eu tinha suspeitado. Ela sorriu um pouco, mas eu sabia, de alguma forma, que não tinha sido um sorriso verdadeiro.
- Tudo bem, eu acho — encolheu os ombros, desviando os olhos do meu e encarando o pequeno menino que ainda pulava, animado. — Se Henry faz questão...
Nós seguimos pela cozinha e eu me sentei à mesa com Henry, esperando o café da manhã ficar pronto. Eu a observei se mover pela cozinha quando ela não estava olhando, sabendo que eu deveria oferecer ajuda, mas não encontrando forças para tal coisa. Esperei que ela terminasse e então servi a Henry e a mim.
E sim. Ela continuava a cozinhar bem, mesmo que fossem apenas algumas panquecas, ovos mexidos e bacon.
Eu levei Henry até o banheiro quando terminamos e escovei seus dentes, antes de pegar sua mochila e levá-lo para a porta. Eu parei, olhando para Bella, sem saber o que falar. Ela iria conosco ou ela iria esperar por mim aqui?
- Eu, hmmm, vou levar Henry à creche — peguei-me murmurando. — Você quer ir ou esperar aqui?
Antes, entretanto, que ela pudesse responder, Henry se soltou da minha mão e começou a pular de felicidade, falando tão rápido e tudo ao mesmo tempo, que eu não conseguia identificar uma palavra sequer que saía da sua boca. E mesmo assim, eu não consegui não rir daquilo; ele estava tão alegre, tão sereno...
Eu caminhei até a ele e o puxei para os meus braços, querendo que ele parasse um pouco quieto. Escutei a risada dela, mas não olhei, focando-me no meu filho.
- Respire, campeão — eu sorri. — Não consigo entender nada que você fala...
Ele riu, enquanto jogava seus bracinhos nos meus ombros.
- A mamãe pode me levá pla cleche com você, papai — disse. — Daí eu vou podê mostlar plo Douglas que ela não abandonou eu. Ela pode, papai? Ela pode ir com a gente?
Eu engoli em seco, enquanto sentia meu coração apertar. Era algo que parecia tão bobo e simples, mas vê-lo estar reagindo daquela maneira por aquilo...
Henry era especial, era único. E às vezes eu não conseguia acreditar que ele era o meu filho.
- Me abandonou — eu, automaticamente, o corrigi. — E é claro, Henry. Nós podemos mostrar ao seu coleguinha que ela não o abandonou.
Ele tornou a rir e começou a se mexer no meu colo, e eu o coloquei no chão, sabendo que ele queria isso. Observei-o correr até a sua mãe e agarrar-se às suas pernas.
- Você vem, não vem, mamãe? — ele perguntou. — Eu quelo mostlar pla todo mundo que eu tenho um papai e uma mamãe também!
Eu senti meu coração acelerar quando ouvi sua risada e imediatamente fiquei de costas, fechando os olhos com força e respirando fundo. Procurei me controlar, antes de tornar a me virar; novamente, eu não queria que ela percebesse o quão confuso eu me sentia e como tudo aquilo me afetava.
- Vamos? — eu chamei, já pegando a minha pasta, chaves e celular, e andando em direção à saída. — Se não formos logo, Henry chegará atrasado.
Eu abri a porta e saí, dando espaço para que Henry e Bella saíssem também. Tranquei-a e fui até o elevador. Meu coração batia cada vez mais rápido e eu sentia as minhas mãos suarem. Tanto tempo sem respostas, tanto tempo sofrendo e me perguntando o porquê... e, em breve, eu as teria.
Ou grande parte delas, pelo menos.
Henry foi falando, animado, sobre todos os coleguinhas que deveríamos conhecer naquela manhã, mas fora isso, ninguém disse nada. Andei até a minha vaga assim que chegamos à garagem e desliguei o alarme do carro, já abrindo a porta da frente e entrando.
- Mamãe! — Henry gritou. — Vem atlás comigo.
Esperei que eles entrassem, minhas mãos fechadas com força ao redor do volante, e dei partida assim que Bella fechou a porta e prendeu Henry na cadeirinha. Liguei o som do carro, colocando um dos CDs que eu tinha comprado para o meu filho em uma de nossas idas ao shopping, e me concentrei na direção, evitando pensar no que aconteceria depois que eu deixasse Henry na creche.
Eu a levaria para a empresa? De volta para o meu apartamento? Para a casa dos meus pais?
- Chegamos — eu murmurei, parando em uma vaga próxima à creche.
Eu senti um sorriso nascer em meu rosto quando escutei o grito e a risada de Henry. Pelo menos um de nós estava animado.
Desci do carro e o puxei do banco de trás, o colocando ao meu lado e segurando a sua mão. Senti Bella nos seguindo, então andei até a creche, onde vários pais estavam deixando seus filhos e várias crianças já brincavam.
- Pronto para ir, campeão? — eu perguntei ao meu filho. — Estarei aqui no mesmo horário de sempre, ok? Comporte-se. E não brigue com ninguém.
Ele sorriu para mim, assentindo.
- Espelem aqui — ele disse. — Eu vou mostlar pla todo mundo meu papai e mamãe!
Eu fiquei ali, parado, e ri quando o vi apontar para nós dois, gritando algo que eu não podia escutar. Acenei quando todas aquelas crianças olharam para nós e fiquei ali durante algum tempo, até que vi diversos funcionários levando todo mundo para dentro. E então, suspirando pesadamente, me virei para ela, sem saber o que fazer agora.
- Podemos conversar agora? — eu indaguei, escondendo minhas mãos nos bolsos dianteiros da minha calça.
Ela me olhou durante algum tempo, antes de assentir.
- Eu vou ligar para Emmett, se você não se importar — disse. — Ele está investigando algumas coisas e eu gostaria de que ele estivesse por perto. Afinal, é da minha empresa que estamos falando. Gostaria de resolver o quanto antes e prender o culpado, antes de falarmos sobre outras coisas...
Bella suspirou.
- Tudo bem — ela sussurrou, seus olhos encarando o chão. — Podemos fazer isso fora da sua empresa? Eu não quero que me vejam... Não querem que saibam que eu voltei ainda...
Franzi o cenho ao ouvir tal coisa, sentindo uma necessidade enorme de puxá-la para os meus braços e confortá-la quando vi que suas mãos tremiam. Entretanto, eu não podia. Tínhamos muito o que fazer. E eu nem mesmo sabia se algum dia voltaríamos a ficar juntos.
Provavelmente, não.
E, talvez, fosse o melhor assim, mesmo que doesse muito pensar em tal coisa.
- Tudo bem — suspirei. — Eu vou ligar para Emmett e pedir que ele nos encontre em meu apartamento.
Tínhamos que conversar a sós, eu também sabia disso. Mas não naquele momento. Primeiro, resolveríamos o problema de desvio na empresa e prenderíamos a pessoa que estava por trás de tudo isso, principalmente pela segurança do meu filho. Depois, conversaríamos. Teríamos tempo para tal coisa, afinal.
Voltamos para o meu apartamento não muito depois e dessa vez ela estava no banco da frente. Eu evitei olhá-la enquanto dirigia, meus sentimentos a todo vapor. Emmett já nos esperava quando chegamos e, após ele e Bella trocarem um rápido abraço, nós subimos até o último andar.
Cansado de toda aquela enrolação e louco para conseguir todas as respostas para minhas perguntas, levei os dois até o sofá. Voltei meu olhar para Bella assim que nos sentamos e tomei uma respiração profunda.
Eu ainda não conseguia acreditar que aquilo estava acontecendo. Não conseguia acreditar que ela estava ali, depois de todos esses anos. Era muito. Era mais do que eu esperava. Eu tinha passado tanto tempo achando que eu nunca mais a veria novamente...
E agora, ela estava aqui.
Sabendo que eu choraria, caso não parasse de pensar em tudo aquilo, eu tornei a respirar fundo. Minhas respostas primeiro. Depois, eu veria o que aconteceria. Olhei-a, apertando minhas mãos uma na outra, e, sabendo que tanto ela quanto Emmett me olhavam, sussurrei:
- Pode começar.
Notas finais
Não estou enrolando ninguém aqui, ok? Quero muito postar essa conversa, mas, em primeiro lugar, Edward e Bella têm, sim, que pensar na segurança do filho deles, por isso, eles vão conversar sobre a empresa primeiro. No próximo, vocês vão descobrir quem roubou a empresa e tudo o mais. Fiquei muito chateada com um review que eu li, falando que pararia de ler a fanfic caso eu não postasse o capítulo da conversa logo. Sinto muito mesmo se alguém acha que estou enrolando aqui, mas não vou mudar o rumo da fanfic. Tenho tudo planejado, já algumas coisas adiantadas, e peço apenas que tenham paciência.
Enfim, acho que é isso. Gosto muito desse capítulo, tenho muita vontade de pegar Edward e abraçá-lo para sempre, hihi. E esse Henry? Como não amá-lo? ♥ :'')
Bom, vou tentar muito postar um duplo na semana que vem, ok? Rezem para o meu pulso melhorar, porque digitar só com uma mão ou forçar a outra, está meio difícil. Caso eu consiga, nos vemos na sexta ou sábado, senão, até domingo que vem!
xx
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