Notas iniciais
Gente linda! Olha eu aqui de novo! Aiaiai, nem sabem o quanto os reviews de vocês me fazem feliz! Tenho alguns recados importantes, então, peço que prestem ATENÇÃO!! A história vai dar um pulo de aproximadamente quatro meses no próximo capítulo, para que a gestação de Marianne evolua até o ponto em que julguei ser necessário para o desenrolar da fic (e para não ficar muito maçante para os leitores). Também pensei em criar pequenos núcleos e explora-los até o final, já que inclui vários personagens novos e terei de dar mais atenção a alguns. Enfim... Espero que dê tudo certo e que continuem a acompanhar a fic! Boa leitura! CAPA: Alagos e Almarvarnë na parte superior e Turelië, na inferior.

O homem custou a se acomodar na cadeira que Marianne lhe oferecera, acabando por fazer as asas desaparecerem, para que pudesse deixar as costas cansadas descansarem no encosto claro e macio. Os olhos brilhantes, que mudavam de cor a cada instante, perpassavam o rosto dos presentes com grande calma. Ele parecia detentor de sabedoria infinita e carregava eras de glória, dor e sofrimento nos ombros largos.

— Meu senhor, sei que não passo de um humilde servo, mas gostaria de saber se minhas suspeitas têm algum fundo de verdade – Haldir ajoelhava-se na frente do imponente ser, evitando erguer os olhos para seu rosto.

— Sim, filho das florestas de Lórien, sei das dúvidas que lhe cruzam a mente, neste exato momento – ele passou a fixar os olhos estranhos no rosto de Marianne. – Assim como nas mentes de cada um de vocês. Digo sim, novamente, para aqueles que creem que eu seja Manwë Súlimo, primeiro rei de Arda e escolhido de Ilúvatar.

Todos estavam prostrados de joelhos antes mesmo que o Senhor dos ventos pudesse protestar. Ele soltou uma risada cristalina, como a brisa morna de uma manhã de verão, pedindo que eles voltassem a se erguer.

— É uma honra recebe-lo – balbuciou Marianne, ainda sem acreditar. – O que podemos fazer pelo senhor?

— Essa não é a pergunta correta, Marianne filha da Chama Imperecível – era a primeira vez que a chamavam por aquele nome e a moça não pôde deixar de estranhar tais palavras. – Eu sou aquele a clamar o que poderia fazer por vós.

— Soubemos que entrou em contato com a irmã de minha esposa, Senhor de Todas as Aves. – começou Legolas abraçando a guardiã pela cintura. – Gostaríamos de saber qual será o destino de Alícia, daqui para frente?

— És verde como a pequena muda de uma planta, Legolas Verdefolha, mas posso notar que a angústia lhe aperta o coração a ponto de fazer-lhe envelhecer mais do que cinco mil anos. – Manwë sorriu e aquele gesto era capaz de criar a mais bela aura de luz que qualquer um jamais vira. – O destino de sua cunhada está nas mãos de Ilúvatar e ele não se cruzará com o vosso até o fim desta jornada. Não posso garantir que seu caminho será fácil e que por desventuras ela não passará, mas estarei sempre ao lado de Alícia, nos mais delicados momentos.

— Senhor, por favor, não deixe que nada aconteça a nossa filha – pediu-lhe Robert, com a voz mal saindo por entre os lábios crispados.

— Ela sobreviverá, isso é apenas o que posso lhes dizer – respondeu o deus com um aceno de cabeça. Os cabelos castanhos brilhavam com centelhas douradas e suas vestes ondulavam suavemente. – O que está em jogo neste conflito é algo muito maior do que qualquer um de nós e incluo a mim mesmo nesta balança. Acreditam que Alagos queira trazer Sauron de volta a estes prados, estou certo?

Todos concordaram. Rúmil desceu as escadas do segundo andar, parecendo mais sereno do que estivera antes. Manwë cuidara pessoalmente de Orophim e o irmão de Haldir repousava no quarto de Marianne.

— Como ele está? – sussurrou-lhe Katherina, tentando não atrapalhar a conversa dos outros.

— Falando coisas sem sentido – respondeu, tentando esconder um sorriso que lhe repuxava os lábios. – Repetindo o nome de sua filha mais nova um milhão de vezes... Desculpe atrapalha-lo, grande Súlimo, mas preciso agradecer os cuidados que dirigiu a meu irmão.

— Meu dever é zelar por todas as criaturas que nesta terra habitam. – concordou ele, assentindo. – Pois bem, suas desconfianças quanto ao propósito de Alagos são pequenas, se comparadas a sua verdadeira força motora.

— Ele deseja algo ainda pior do que trazer o Senhor do Escuro para a Terra Média? – Marianne deixou o queixo cair alguns centímetros, sem saber o que pensar sobre o que o deus acabara de dizer.

— Refere-se a Sauron como se ele tivesse sido o único Senhor do Escuro a nos atormentar. Antes desta insignificante marionete, existiu alguém muito mais poderoso, pertencente a minha raça. Um ser movido pelo desejo de dominar cada espaço de Ëa, cada pedra e animal, capaz de cometer as mais ferozes atrocidades para alcançar o título de senhor supremo de Arda.

— Está falando de seu irmão, Melkor? – Haldir empalidecera e cambaleou dois passos para trás, sendo amparado por Legolas.

— Sim, meu caro, estou. – Manwë passou a mão pelos cabelos ondulados, tentando esconder a lágrima dourada que lhe descia pelas faces. – Estão cientes do que acontecerá a todos, caso Alagos obtenha sucesso?

— Manwë... – Marianne não sabia se o estaria ofendendo, chamando-o pelo nome. – O que faremos para impedir que isso se torne realidade?

— Lutem, minha pequena princesa da luz! Ponham todas as suas forças nessa jornada, sem esquecer de que as trevas são necessárias, desde que haja um equilíbrio. Marianne, você mesma enfrentou o gosto da escuridão, quando foi consumida pelas chamas da fênix e esteve a ponto de matar o homem que amava. – o choque passou pelo rosto da jovem e ela mal conseguia encarar os olhos azuis do filho de Thranduil. – No entanto, a luz que existe dentro de você foi capaz de achar o equilíbrio, muito antes que a tragédia acontecesse. Para derrotar seu inimigo vocês precisaram de um poder maior do que está nas posses do traidor.

— Elenna... – sussurrou Legolas, com a expressão de espanto preenchida por um sorriso. – Por isso nossa filha é tão importante, por este motivo ele a queria! Se conseguisse matá-la antes que ela nascesse, teria terminado com o ciclo de poder que rege sua família, Mary! Essa é a chave!

— Agora tudo está claro como água – Rúmil olhava para a jovem guerreira com admiração.

— Esta criança precisa nascer, sem conhecer a maldade do mundo em seus três primeiros sopros de vida. Se ela for tocada pelas sombras, antes que o ar entre em seus pulmões por três vezes ininterruptas, todos estaremos perdidos. Elenna se curvará a escuridão, tornando-se a mais perigosa das criaturas que já pisou nesta terra, pois em seu corpo viverá a alma de Melkor e ele cuidará para que nenhuma ameaça permaneça viva.

Marianne titubeou, passando os braços ao redor do pescoço de Legolas, temendo que o bebê que mal se desenvolvera em seu ventre, fosse acometido por tamanha desgraça. Beijou os lábios do marido com força, selando a promessa silenciosa de que fariam tudo para proteger sua filha.

— Peço, mais uma vez, que não percam as esperanças! Meus irmãos e amigos estarão convosco, desde que por eles orem. Yavanna desceu a estes prados na companhia de uma de minhas águias e deve estar espalhando suas palavras de sabedoria a todos os que quiserem ouvir, assim como o fez Nienna, responsável pela vinda de lady Arwen.

— Obrigada pelo aviso, grande Senhor dos Ventos! – Marianne agarrou as mãos gigantescas do deus, beijando-as milhares de vezes. – Não sei o que seria de nós sem sua ajuda.

— Que a paz esteja convosco e que a luz de Varda ilumine seu caminho! Navaer! (Adeus!)

Manwë curvou-se na direção de Mary, depositando um beijo cálido na testa da moça antes de sumir numa explosão de luz. A guardiã deixou-se escorrer no piso gelado, sendo abraçada pelos pais e marido. Ela passou as mãos pelo ventre, ciente de que nada seria fácil, mas sentindo a paz dos deuses dominar seus sentidos. Sorrindo ela voltou a beijos os lábios macios de Legolas, que retribuiu o gesto com um abraço recheado de amor.

***

— Dois cogumelos, Gandalf! Eu disse dois! Apenas isso!

Radagast saltitava ao redor da fogueira, rindo e erguendo a túnica marrom, revelando ceroulas novas e muito bem lavadas. Suas botas também haviam sido trocadas recentemente e ele girava o puído chapéu marrom nos rostos de Alatar e Pallando.

— Está certo de que foram dois? Julga-se, por sua felicidade, que deve ter comido bem mais do que cinco. – grunhiu Pallando, contendo a vontade de transformar o outro mago em um arbusto.

— Ora, vamos! Pare de ser tão cético e sirva-se – o castanho abriu a bolsa de folhas, revelando grandes porções de cogumelos extremamente coloridos. – Deixe-me ver... Hum, não consigo encontrar aquele que... Achei! – ele enfiou um naco laranja na boca do mago azul, fazendo-o tossir e engasgar-se.

— Isso é um ultraje, retire já o que... – Pallando interrompeu-se, franzindo o cenho e começando a rir. – Mas isso não é cogumelo, são pedaços de... Como se chama mesmo, Gandalf?

— Marshmallow – respondeu o velho mago branco, concentrando-se em colocar um pouco de erva em seu cachimbo. – E Radagast parece ter sido acometido por um pico de glicose.

— Glicose? Não! Já disse que são co-gu-me-los!

— Amigos, acordarão os animais que descansam se continuarem com esta balbúrdia!

A mulher ergueu o vestido, feito inteiramente de folhas verdes e flores de todas as cores, deixando os delicados pés a mostra enquanto entrava na clareira. Em sua cabeça repousava uma coroa de rosas vermelhas e seus cabelos longos caíam até abaixo da cintura com reflexos dourados. Seus olhos se assemelhavam a duas esmeraldas de valor inestimável e os lábios pareciam pétalas de orquídeas perfumadas.

Gandalf deixou cair o cachimbo, levantando-se num salto e reverenciando a deusa o máximo que conseguia. Radagast saiu de seu transe momentâneo, sentindo os pássaros que mantinham residência em seus cabelos alçarem voo e irem pousar nos braços delgados da bela dama.

— Achei apenas alguns pedaços de madeira, mas ainda estão úmidos e acredito que... – Bard deixou cair os gravetos, com a boca escancarada e os olhos esbugalhados.

Yavanna riu, erguendo as mãos de dedos longos e fazendo as toras rodopiarem diante do arqueiro, paralisado demais para se mexer.

— Não precisam interromper o que faziam por conta de minha presença! Sou uma simples visitante, caros amigos!

— Senhora Yavanna! Sentimo-nos honrados por tê-la em nosso humilde acampamento – disse Alatar, amassando tanto o chapéu azul, que Gandalf temeu que o reduzisse a pó.

— Por todos os ouriços que em minha cabana habitam! Mãe dos animais, senhora das florestas, a mais bela entre todas, mal posso acreditar que esteja bem em minha frente! – Radagast beijava as mãos da esposa de Aulë.

— Acredite, mago castanho, vim lhes fazer companhia e consola-los nessas horas escuras. – ela sentou-se num tronco e esticou as longas pernas. – Embora esse seja um trabalho de Estë. – Yavanna ergueu os grandes olhos para o rosto de Bard, ainda sorridente. – Ande, arqueiro, sente-se e não tema! Nada de mal lhes farei.

Os magos deleitaram-se com a presença da bela criatura até o nascer do sol, momento no qual ela partiu, embalada com os raios dourados que dançavam nas colinas. Gandalf meditava sobre as palavras que a deusa da natureza lhe dissera, alertando sobre a presença de alguns seres indesejados nos arredores de Dol Guldur e a necessidade de extermina-los. Ele relanceou os olhos para o sul, vendo fumaça erguer-se do pico mais distante, na terra de Mordor. Era certo que Alagos tramava algo grandioso e que o tornaria um espetáculo público de horrores.

***

— Não precisava ter vindo, querida – Frodo tornou a beijar o rosto de Iris, lhe causando cócegas e fazendo-a rir.

— A saudade falou mais alto – confessou a prima de Pippin entregando-o uma cesta de pães frescos. – Trouxe para você, são os seus preferidos.

— Você foi o melhor presente que ganhei, em todos os anos de minha vida – ele beijou os lábios da pequena, girando-a no ar.

Arwen observava a cena de longe, enquanto forçava seu cavalo a saltar os obstáculos que Mark e Joe montaram. A filha de Elrond fizera uma pista inteira de saltos e adicionara alvos e alguns manequins para treino com espadas. Colocaria todos os habitantes da fazenda para trabalhar na manhã seguinte, afinal, os preparativos para a guerra não podiam esperar.

Aragorn girava Andúril de um lado para outro, descrevendo círculos longos no ar. Estava prestes a desferir um golpe no manequim mais próximo quando sua espada foi amparada por outra lâmina. Ele reconheceria aquelas adagas em qualquer lugar do mundo.

— Legolas – disse, cumprimentando o elfo com um aceno. – Chegou cedo.

— Precisamos de um pouco de ação, filho de Arathorn – rebateu ele, sorrindo.

Mary voltava dos estábulos, puxando Trovão pelas rédeas e subindo na cela antes de se aproximar do rei de Gondor.

— Ora, vejam só! Senhorita Marianne! – comemorou Sam ao saltos, correndo para junto da velha amiga.

— Meus queridos! Fico feliz em vê-los – a guardiã incitou o cavalo a trotar na direção dos hobbits. – Como vai, Iris?

— Muito melhor agora, Mary – sorria ela, abraçando-se a Frodo com ternura.

— Tem certeza de que é correto treinar conosco? – o pequeno de cabelos negros perguntou, visivelmente preocupado.

— Foram recomendações de Galadriel, não posso nem pensar em ignora-las – esclareceu ela alongando os braços. – E, tenho de admitir, estava sentindo falta de cavalgar pelos campos, sentir o vento em meu rosto.

— Vento? Isso está mais para um tornado e daqueles que congelam a face dos viajantes! – Kili arrastava os equipamentos de batalha atrás do corpo robusto, lutando contra a neve que lhe batia na altura da cintura.

— Perguntei se ele precisava de ajuda, mas se recusou a dividir a carga – Tauriel vinha logo atrás, acompanhada pela companhia de Thorin.

— Não permitiria que estragasse suas mãos carregando esse monte de tralha que Dwalin insiste em trazer. – rebateu ele fazendo cara feia.

— Cale a boca e não ouse me repreender, garoto – grunhiu o anão, rindo.

— Minha nossa, aquela não é sua... – Merry não teve tempo de terminar a frase, sendo interrompido pelo relinchar de um belo alazão alvo como a neve.

Margareth cavalgava com a postura de uma amazona, com os pés fixados nos estribos, vestida com colete de couro e roupas de treino. Lindir a acompanhava, montando um castrado malhado e sorrindo ao ver a filha de Tolkien desfrutar daqueles momentos de liberdade plena.

— Bom dia! – saudou ela, com as bochechas coradas. – Como estão todos?

— Muitíssimo bem, Meg. – respondia Marianne, ainda estranhando ver a avó com aquela aparência. – Como vai Lindir?

— Com frio – os dois riram. A moça nunca o vira de tão bom-humor. – Bem, como não me sentia a muitos anos.

Thranduil e Kendhra andavam de mãos dadas, trocando beijos e sorrisos, com Wilwarin em seus calcanhares. A mãe de Legolas vestia armadura completa, com os longos cabelos presos em minúsculas tranças e uma aljava cheia de flechas nas costas delicadas. Por fora, seu sorriso parecia sincero, mas por dentro ela queimava em raiva, fuzilando as costas de Kendhra com os olhos azuis.O grupo de magos chegou em seguida, na companhia de Bard e Beorn.

Estavam todos reunidos, juntos pela causa que os levaria para a guerra. Marianne corria os olhos pelos rostos ali dispostos, alguns muito jovens, outros marcados por um passado sombrio e cheio de mágoas. A partir daquele momento o destino da Terra Média fora colocado em pauta, e os peões começavam a se movimentar – como acontece num jogo de xadrez. As peças brancas dispunham toda a coragem que possuíam ao pousar no tabuleiro, tentando forçar as linhas escritas por Ilúvatar a se curvarem em seu bel-prazer. Já as negras, arrastavam-se pelas beiradas, engolindo qualquer pontada de esperança que julgavam existir, pensando no momento certo de quebrar as defesas do oponente e chegar até o rei. O momento decisivo estava próximo e algum dos lados teria de anunciar o xeque mate.

Notas finais
Dúvidas? Comentários? Apontamentos? Opiniões? Haaha Beijocas e até o próximo!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.