WSU: Azathoth

4 Capítulo 4 - Assim Falou Zaratustra


Azathoth e a chuva.

Eternos companheiros.

Aliados.

Amantes um do outro.

As partículas deslizam eroticamente por ele, como a melhor atriz pornô da atualidade.
A chuva é a lascividade iconoclasta.

Desbravando os caminhos da epiderme.
Gloriosa.

Ele senta num meio fio.

Sua amada se choca contra o chão antes de escorrer-se para os bueiros.

(Seria a chuva uma suicida?)

A voz grossa de Azathoth ecoa por sua mente.

Azathoth: Você. Você deve se achar o centro de tudo, olha ao redor e pensa ''Quanta tragédia... Espere! Eu posso mudar isso? Posso! Não quero! Meu ego é mais importante'' Óbvio. Tudo que nos cerca pode ser mudado, por bem ou por mal, para o bem ou para o mal.

Você. Quer que vivam beijando seus pés.

Você. Tem tudo, quer mais ainda.

Você. Dá valor aos que te amam?

Ah, é?

Tem certeza?

Pode se questionar? Questione-se, desprezível!

Tento mudar o mundo. Tento e fracasso. Tento e fracasso. Tento. Morro. Tentei. Consegui dar paz para a moça que andava por aí com medo de ser assaltada. Trouxe tranquilidade ao senhor que pensou que seu cachorro estava latindo para um bandido, quando, na verdade, estava latindo pelo simples fato de ser um cachorro. Impedi lojas de serem roubadas. Carros também. Não impedi Ellen de ser morta, não tinha como. Tento amenizar meu fracasso e me afundo mais ainda... fazemos isso todos os dias... Aprendemos. Obrigado senhor Hide por ter me ensinado. Obrigado pai e mãe por terem me abandonado. Você vai me ouvir todos os dias. Você tem que me ouvir. É o mínimo á ser feito.

Quem é o 'Você'? Você ou 'Ele'?

Hideyoshi jantou sozinho naquela noite.

Erik não sabia o que fazer (Novidade?).

Azathoth foi atrás de Bria, não confiava em Erik.

Nada mais importava para ele. Nada, a não ser o caso de Ellen.

Por que 'o apocalipse'?

Ele chega.

Ele toca o interfone.

Guarda: O horário de visitas já acabou, senhor.

E daí? Azathtoh já está dentro do manicômio.

Mas como? Só ele sabe.

Azathoth passa.

Passa.

E passa.

Inúmeras fileiras com caixas e papéis.

No final da última.

Ao fundo, bem ao fundo.

Os papéis de Bria estão jogados em uma mesa e as caixas todas reviradas.

Senhora Rosa.

A mais velha enfermeira daquele lugar.

Ali estava revirando os papéis de Bria.

Já tinha visto tanta coisa, que um homem com uma máscara não intimidava.

Sra. Rosa: Pensei que fosse uma lenda...

Azathoth: Serei, um dia...

Azathoth pega os documentos e folheia página por página.

Desta vez, os detalhes são tão explícitos que não vale a pena citá-los.

Azathoth: É a enfermeira mais velha... eu sei reconhecer uma. Como sabia de mim?

Sra. Rosa: Sempre esperei alguém para resolver isto, algo me dizia que seria hoje... e aí está você.

Azathoth: Porque esperava?

Sra. Rosa: ... Nenhum chegou até o ponto de vir atrás de Bria, nunca quiseram investigar este assunto á fundo... queriam encobri-lo e fazer com que fosse escondido com o tempo, assim essa história acabaria...

Azathoth: Já desconfio... e olha que descartaram isso no começo.

Sra. Rosa: Como chegou até aqui? Não tentaram te impedir?

Azathoth: Não imaginaram...

Sra. Rosa: Teve a ajuda de alguém?

Azathoth: ... Tive, um amigo me ajudou...

Sra. Rosa: Quem seria?

Azathoth percebe seu crachá.

Azathoth: Ele é um coadjuvante, Sra. Rosa, mas por vezes somos coadjuvantes um do outro... Esses desenhos marcados em Bria, o que significam?

Sra. Rosa: Ela mesma fez, antes do quadro se agravar... disseram que uns parentes eram ligados a outros tipos de religião...

Azathoth: Sra. Rosa, me diga, qual é a história que as autoridades tentavam esconder?

Sra. Rosa: ... A alta sociedade e suas bizarrices, detetive. Os fetiches permanecem até hoje...

Azathoth: Uma seita elitista?

Sra. Rosa: Sim, uma seita elitista... Lana precisa alimentar o vício, Lana ofereceu sua filha á eles por dinheiro... Lana se matou e sua filha sumiu... muito tempo depois foi encontrada, dopada, violentada e assassinada. As mortes aconteceram por culpa sua e de seu amigo desconhecido.

Azathoth: Bria também era vítima...

Sra. Rosa: Ela sabia que era... por isso enlouqueceu. Não foi difícil para a seita achar Ellen... uma garota de programa é alvo fácil.

Azathoth: Como sabiam? Como Bria não foi pega?

Sra. Rosa: Eles apenas sabem, não existe explicação. O propósito é acertar as pessoas ao redor... o alvo em si é um prêmio de condecoração. O assassino da seita, os organizadores, os participantes... não sei se podem ser encontrados... a não ser que saiba quem são as próximas vítimas.

Azathoth: Pessoas ao redor... Acho que sei senhora! Posso ver Bria antes de ir?

Sra. Rosa: Ela não fala mais, vigilante.

Azathoth: Eu disse ver, não falar.

Sra. Rosa: Oh, pode sim!

Azathoth é levado para o quarto de Bria Matsui.

Uma mulher perturbada.

Seus olhos esbugalhados.

Sua boca fechada.

Suas sobrancelhas levantadas.

Sra. Rosa: Raramente diz alguma coisa...

Ele se aproxima.

Azathoth: Sra. Bria, eu...

Bria Matsui: As... cintas. Três... irmãs... serpentes...

Azathoth: É o suficiente.

Azathoth caminha pela beira da estrada.

Sem desespero. Erik passará por ele logo.

Os dois irão até a casa de Adrian Reznik, a próxima vítima.


Erik dirige até o sanatório.

Azathoth está logo à frente, parado no meio da pista.

A chuva atrapalha a visão.

Erik.

Azathoth.

Erik vê um homem e tenta frear.

(Onomatopeia das rodas de um carro freando na estrada molhada).

Ele consegue.

Azathoth dá a volta e entra no carro.

Erik: QUAL A PORRA DO SEU PROBLEMA!?

Azathoth: Vários. Dirija até a casa do ex-namorado de Ellen.

Erik: Tenho que ir até o lugar onde Bria está internada!

Azathoth: Já fiz isso.

Erik: Foi até lá???

Azathoth: Sim, agradeça por não termos morrido até agora.

Erik: M-mas... o que descobriu?

Azathoth: Os assassinatos são frutos de um pacto de Ellen com a alta sociedade.

Erik: Pacto???

Azathoth: É necessário repetir a história de novo?

Erik: Eu sou o detetive, caralho. Eu quero saber!

Azathoth: Lana ofereceu Ellen para uma seita em troca de dinheiro... ela costumava frequentar grupos desse tipo, problemas psíquicos são comuns na família...

Erik: Não é lá uma história muito original... tratar os poderosos como vilões...

Azathoth: Tanto que não queria isso no começo. Lana deixou Ellen com sua irmã e se matou. Então, vieram até Ellen, ou ela foi até eles...

Erik: Isso não me convence, fomos burros o suficiente para não resolver isso em 2 dias...

Azathoth: Não queriam que soubéssemos, Erik. Queriam acobertar, essa doutrina de troca é antiga, pelo menos aqui. Me dê algo que satisfaça meus anseios e eu te dou o mesmo...

Erik: Igraine, Adrian... Não podem estar envolvidos nisso apenas para morrer! Tem que ter um motivo!

Azathoth: Não tem. Se não morressem, não iríamos descobrir.

Erik: Tem certeza que Adrian é o próximo?

Azathoth: Tenho, eles eliminam todos à volta da vítima antes...

Erik: Quem contou essa história?

Azathoth: Uma mulher caída de paraquedas nessa narrativa, e provavelmente morta agora.