14/02/2016

Domingo

12:03

Marcelo

Convidei todos para irem até minha casa, até o Detetive falou que ia comparecer, não como uma figura da lei e sim como uma pessoa preocupada com um grupo de pessoas, todos estavam na sala, alguns nos sofás, Ingrid sentada no chão, ela não parava de checar o celular, tinha deixado os irmãos com uma babá e como foi de última hora ela não conhecia a moça muito bem, e outros estavam em pé, só de pensar que o assassino estava naquela sala, fingindo estar triste por mortes que ele cometeu me dava ânsia de vomito.

— Então — Comecei a falar. — Todos sabem o motivo de estarem aqui.

— Isso é uma perca de tempo. — Guilherme começou a falar. — Deveríamos estar procurando o Mateus e não ficar aqui debatendo teorias.

— Tem policiais procurando seu amigo. — Kauan respondeu.

— Deviam procurar melhor. — Guilherme respondeu.

— Vamos nos acalmar. — Voltei a falar — Achar o Mateus é importante, mas não adianta nada encontrar ele se o assassino estiver a solta.

— O que vamos fazer? — Ana perguntou — Perguntar para cada um quem é o assassino até que ele responda sob a pressão?

— Isso é muita raiva acumulada. — Guilherme entrou na conversa — Tirem as facas de perto dela.

— Isso é uma insinuação de que sou eu que está matando pessoas?

— Bem, seu irmão estava atrás da primeira máscara, vai que isso corre na família.

— Claro, eu ia ser quase morta em um lugar abandonado só para ter um álibi, se for para desconfiar vamos ver quem ainda não foi perseguido.

— Parem com isso! — Kauan gritou, apontar suspeitos não vai nos levar a lugar nenhum, vamos rever o que já sabemos.

— Desculpa. — Giovane começou a falar — Eu tenho assistido muitos filmes de assassino nos últimos dias e em quase todos o assassino cria um álibi sendo falsamente atacado, então ser atacado aqui não significa que você está fora da lista de suspeitos.

— Obrigado. — Guilherme falou.

— Calem a boca. — Ana respondeu.

— Voltando ao assunto. — Kauan se levantou. — Sabemos que ele conhece o Marcelo muito bem, mas hoje em dia com a internet qualquer um pode fazer isso, também sabemos que ele tinha vários arquivos e fotos na fazenda, mas a polícia procurou na fazenda hoje e não encontramos nada.

— E o celular da Rebeca? — Lucas perguntou — O meu foi invadido e todas as coisas apagadas.

— Também desaparecido, mas isso não foi divulgado para a população, eles acham que foi um acidente horrível, então isso não pode sair dessa sala.

— Então estamos com mais de trinta mortes, um desaparecido e nenhuma pista de quem é o doido da máscara? — Thainara falou.

— Sim, mas não devemos focar no lado negativo o fato do Lucas ter conseguido tirar as fotos mostra que ele foi descuidado, e se ele escorregou uma vez, vai escorregar outra, e dessa vez vamos estar um passo à frente.

— Nós vamos sair dessa. — Falei, mais como uma pequena oração para mim do que para encorajar os outros.

13:19

Ingrid

Parei a moto em frente à minha casa, não conseguia parar de pensar naquilo que foi falado sobre pessoas que estavam envolvidas e não foram atacadas, graças a Deus isso ainda não aconteceu comigo, só de pensar que se morrer meus irmãos vão ser mandados para orfanatos e separados me dá vontade de chorar, pensei em fugir, mas depois do que aconteceu com a Bia percebi que não é uma opção, preciso ficar aqui e sobreviver até o final.

14:26

Lucas

Marcelo estava dormindo na sala, o médico recomendou repouso, então estou fazendo o mínimo de barulho possível, com ele machucado tenho que fazer todas as tarefas da casa, ser perseguido por um doido em uma máscara não faz a louça ser lavada magicamente, como já tinha feito todos os serviços de limpeza resolvi arrumar o quarto dele, quando estava limpando o guarda roupa notei uma mala preta em cima dela, pensei em deixar ali e continuar minha limpeza, mas minha curiosidade foi mais forte, tirei ela de lá de cima e coloquei na cama, quando abri, por alguns segundos achei que estava tendo algum tipo de alucinação, dentro da mata tinha quatro mascaras e roupas pretas iguais às que vi na fazenda, a mala não parecia arrumada, claramente alguém só colocou aquilo ali na pressa, debaixo das capas tinham duas facas, uma suja de sangue, nos bolsos do lado de fora encontrei dinheiro e duas passagens, com a data em branco, mas o nome do Marcelo e da Thainara estavam nela, levantei assustado, comecei a andar em direção do portão, quando passei na sala, Marcelo não estava mais ali, corri até sair da casa e continuei correndo.

14:47

Kauan

Estava parado observando a parede com a foto de todos os envolvidos, o fato de ter retirado quatro fotos dali em tão pouco tempo me deixava frustrado, o culpado estava na minha cara, eu só não conseguia vê-lo ainda, meu celular tocou. Era o Lucas.

— Alô.

— Detetive! — Já soube que tinha algo de errado, ele nunca me chamou de Detetive.

— Fale devagar, o que está acontecendo?

— É o Marcelo!

— O que tem ele?

— É ele, o assassino, ou um dos, são três.

— Você não está fazendo o menor sentido, precisa respirar e me falar tudo.

— Estava limpando o quarto dele então encontrei uma mala com máscaras e as roupas que o assassino usa.

— Alguém pode ter armado isso. — Já estava indo em direção ao meu carro.

— Foi o que pensei, mas encontrei muito dinheiro e duas passagens sem data, uma com o nome dele e uma com o da Thainara, acho que eles pretendem fugir caso a gente chegasse muito perto de desmascara-los.

Não queria admitir, mas fazia sentido, Marcelo tinha acesso fácil à padaria, na casa do Neto ele estava sozinho, conhecia o barracão que Ana foi atacada, era o único que sabia que Bia estava saindo da cidade, ele pode ter mentido para nós durante todo esse tempo.

— Estou indo até a casa dele, vá para um local seguro. — Desliguei.

14:40

Marcelo

Acordei com o barulho do Lucas arrumando alguma coisa, fui até o quintal para respirar um pouco de ar puro, os cortes ainda ardiam como se tivesse pequenos pedaços de vidro ali ainda, depois de um tempo sentado lá, resolvi comer alguma coisa, como Lucas estava encarregado das coisas, não tinha nada na geladeira.

— Lucas, vamos pedir alguma coisa para comer? — Sem resposta.

Procurei na casa inteira e não achei ele, quando entrei no meu quarto vi a mala aberta em cima da cama, corri até meu celular e liguei para Thainara.

— Tudo bem?

— O Lucas sabe! — Falei.

— Droga, estou indo até aí, onde ele está agora?

— Não sei.

— Merda!

13:10

Kauan

Parei o carro na esquina e vi Thainara entrando na casa, peguei minha arma e foi na direção da casa, o portão estava apenas encostado, abri lentamente e fui na direção da sala, antes de chegar muito perto escutei os dois discutindo.

— Mãos para o alto! — Gritei.

— Detetive — Marcelo começou a falar.

— Se vocês não calarem a boca e fizer o que mandei, eu juro por Deus que atiro nos dois!

— Tudo bem, vamos cooperar. — Eles levantaram as mãos.

— Marcelo e Thainara vocês estão presos por assassinato.

Depois que algemei os dois, no pequeno caminho até a viatura, várias pessoas tinham se aglomerado, tirando fotos, fazendo vídeos e outras coisas com o celular, quando liguei o carro vi Ana tentando passar pela pequena multidão.

Notas finais
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