Vítimas

5 Capítulo 4


Notas iniciais
Oi! Sentiram minha falta? Na-não?... Ah. Agradeço muito pelos comentários de Lanna e Laura M. Continuem a acompanhar, por favor! ;) De agora em diante, postarei cerca de um ou até mesmo dois capítulos por semana, por causa da aula e tal. Chega de jogar conversa fora e vamos ler!

Levanto meu pulso no nível de meus olhos para que eu possa saber o horário. É difícil ver enquanto corro. Uma hora, os ponteiros antigos se focam. 6h28. Preciso correr mais rápido. Mais rápido. Não posso parar, não agora.

Eu não tinha outra decisão além de pegar o metrô, já que os motoristas de ônibus já foram para casa e a pé seria demorado demais. Os metrôs funcionam sem seguranças além das portas magnéticas e os trens funcionam sem nenhum motorista.

Saio da estação de metrô. Ao longe, vejo um carro correndo em alta velocidade. Ele vai parando ao se aproximar de mim. Quase corro, certa de que é um Controlador, mas ainda são 6h31. Eles só aparecem em meia hora. Quando o carro para ao meu lado, o motorista abaixa o vidro. É um homem na casa dos trinta. Ele está suando e seu rosto está corado. Parece desesperado.

– Senhorita, poderia me ajudar, por favor? – pergunta ele. Seu sotaque não é daqui. Não sei de onde é, mas não daqui.

– Ahn… sim, sim, claro, senhor… – gaguejo, tanto de cansaço quanto de medo. – Do que precisa?

Ouço um grito. Ele veio do carro, provavelmente do banco de trás. Inclino a cabeça e uma mulher, provavelmente com uns vinte anos, com a mão esquerda envolta da outra.

Há sangue para todos os lados.

– Minha mulher… – diz o motorista, desviando minha atenção da mulher para ele. – Ela estava preparando o nosso jantar quando se cortou gravemente. E só moramos aqui há cinco semanas, não sabemos como é a cidade direito ainda. Para que direção é o hospital?

Outro grito, agora mais agudo. Tenho pena dela. Tenho pena dele. Eles só moram aqui há cinco semanas, não sabem como são as coisas. Eu quero contar para eles, só que é tão difícil. Suspiro. É meu dever alertá-los.

– Você não pode ir ao hospital, senhor. Não há nenhuma exceção ao Horário. Eu sinto muito… Sugiro que voltem para casa e façam o melhor que puderem com o que tiverem lá. Boa… sorte. – Engasguei na última frase.

O motorista parecia chocado. Ficou parado até que a mulher gritou uma terceira vez e então acelerou o carro novamente.

A conversa me custou três minutos. Tenho que me apressar.

Corro mais do que acho que sou capaz. Uma hora, tropeço em uma parte do chão desnivelado e caio com força no chão. Acho que ralei parte de meu rosto, mãos e joelhos, mas a adrenalina me faz não sentir a dor. Levanto e continuo correndo.

Só depois de um quarteirão que percebo que estou na parte errada da cidade. Estou do lado oeste, não do leste, onde fica meu prédio. Entro em desespero. Mas não paro. Procuro por alguma estação de metrô próxima. Talvez eu não consiga voltar para casa, então a estação poderia me esconder. Bem, talvez.

Olho para o relógio novamente, o que causa mais outro tropeço. Quanto mais tento ser rápida, mais atrás fico. 6h53. Não tem jeito. Tenho que achar algum lugar para me esconder.

Começo a sentir o cansaço da corrida e meu ritmo desacelera. Tento ser mais rápida. Minhas pernas protestam e eu caio, de tão fracas. Desta vez, não tenho forças para me levantar. Desisto. Sento no chão. Ao meu lado, há um canteiro de flores. Pego uma. Fico mexendo nela, pensando no dia de hoje. Meu primeiro erro foi ter ido ao parque mais cedo. Foi o que gerou tudo isso.

Não. Não foi meu erro. Foi erro de Dylan. Ele me traiu, não como amante, como amiga. Ele deveria ter contado, principalmente se sabia dos meus sentimentos por ele. Mas que raiva.

Olho minhas mãos. Eu, sem querer, amassei a flor. Agora ela não passa de um monte de pedacinhos laranja em minha mão. Chacoalho-a para que os restos saiam.

Talvez ainda haja esperança. Tentar me esconder seria uma boa ideia. Mas onde?

Levanto-me e saio à procura, agora trotando. Meu relógio diz que são 6h58. Não tenho muito tempo. Preciso achar um refúgio agora. Dentro do bueiro? Eca, não. Entre os arbustos? Óbvio demais. Em algum prédio? Não, não posso passar a noite inteira dentro da casa de algum estranho.

Meu pânico fica dez vezes maior quando ouço as badaladas do alarme. Não tem mais jeito. É o meu fim.

Só se levam alguns segundos para que as primeiras sombras apareçam, a cerca de seis metros de distância. Não tenho nenhuma outra opção se não fugir pelo outro lado. E é o que faço. Entretanto, não dá nem dois metros que eu já me esbarro de encontro a um Controlador. Ele é tão duro que nem se mexe, enquanto tropeço para trás pelo impacto.

Está inteiro de preto. Não consigo ver seu rosto. Dou um passo para trás ao ver o que ele carrega consigo: um cassetete e um zip taser. Não há escapatória. O Controlador levanta o braço do cassetete. A única coisa que faço em defesa é levantar meus braços a fim de proteger meu rosto.

Ele bate com força. Em minha cabeça. Em minha barriga. Em meus braços e pernas. Tiro as mãos do rosto, sentindo as pancadas de dor se espalhar por meu corpo. Sinto uma dor aguda onde eu havia ralado meu joelho. Sinto uma dor aguda em meu queixo. Sinto uma dor aguda em meu corpo, que acaba de cair.

Sinto uma dor aguda antes de apagar, ao pensar em meu pai e seu estado de espírito.

Notas finais
É, esse capítulo está menor mesmo... Mas eu acho que o próximo será um pouco maior. E, sim, algumas partes não ficaram nem um pouco boas... Faço o melhor que consigo. Comentem o que acharam! Sua opinião é muito importante para mim. ^^
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.