Vítimas

2 Capítulo 1


Notas iniciais
Eu fiquei meio sem vontade de postar, já que postei o prólogo há meses e ninguém veio comentar. Mas daí apareceu a CJWayhart e fiquei com vontade de tentar de novo. Obrigada.

São 3h28. Ainda faltam dois minutos para ele chegar. Ele é sempre tão pontual, mas não posso deixar de ficar preocupada. Ele traz uma notícia importante, que pode mudar as coisas. Não consigo evitar e fico ansiosa.

Decido deitar no banco. Coloco os braços em minha barriga e olho para o céu. Como sempre, me deparo apenas com o cinza claro. Antigamente, o céu costumava ser de um azul límpido, mas, desde que o Governo atual ficou no poder, decidiram colocar uma tela no lugar do céu. Ainda não entendo o motivo.

Eu sempre gostei de olhar para o alto, imaginando como teria sido antes. Eu nunca pude ver, mas meus pais já viram. E foi daí que surgiu meu nome: Sky. Porque meus olhos são tão azuis quanto o céu costumava ser.

Sento-me novamente. Ouvi passos ao longe. Meu relógio diz que são 3h30. “Bem na hora, como sempre”, penso.

– Dylan – cumprimento-o.

– Sky – ele retribui.

Um minuto de silêncio, tensão no ar. Dylan não demonstra qualquer tipo de emoção na face, impossibilitando-me de adivinhar as notícias. Uma hora, canso de esperar.

– E então? Como você foi classificado?

Dylan é dois anos mais velho que eu – tem dezoito anos de existência, enquanto eu ainda tenho dezesseis. As pessoas, ao completarem dezoito anos, realizam uma série de testes para saber em qual cargo você será empregado. No caso de Dylan, os Funcionários estavam entre três: Funcionário do Governo, Professor de História ou um Controlador.

Eu esperava que ele fosse Professor.

Dylan suspirou e sentou-se ao meu lado, colocando a mão sob meu joelho.

– Eles ainda não sabem – disse, sem olhar em minha direção. – Querem que eu faça mais alguns testes e dentro de uma semana eles terão uma conclusão mais exata.

Suspiro. Eu realmente pensava que era esse o dia. Mas, aparentemente, não é.

Passo a mão em seus ombros, tentando confortá-lo.

– Sinto muito – digo. – Mas eles acharão um cargo para você. É só esperar mais uma semana, não é? Tenha paciência e tudo ficará bem.

Dylan assentiu. Ele geralmente é muito ansioso e fica nervoso. Eu e sua mãe somos as únicas que podemos acalmá-lo. Acho que ele deve ter puxado isso do pai, que tem um temperamento meio nervoso.

O pai dele é um Controlador.

Ficamos assim por um longo período de tempo. Olho para o meu pulso direito, onde se encontra um relógio simples, de prata, igual ao de todo mundo. 4h18. O tempo passou extremamente rápido. Se quero chegar em casa antes das 6h, devo ir embora agora.

Me despeço de Dylan e saio andando, tranquila, para a estação de metrô. Quinze minutos depois, já chego à rua de casa. Ando por dois quarteirões e então avisto o prédio Sunrise – minha casa. Cumprimento o porteiro como de costume e vou para o elevador. Aperto o botão do 37º andar, a cobertura, onde eu vivo, graças a uma herança deixada por um parente distante.

– Cheguei, pai! – anuncio assim que piso os pés no fofo carpete da sala.

– Olá, querida – ele fala de volta, saindo da cozinha. – Como foi o seu dia?

Ele está sorrindo. Adoro o sorriso dele. É daqueles que mostram todos os dentes. O bigode é só um extra do pacote.

– Foi bem. Mas ainda não acharam um cargo para Dylan.

– Ah, sinto muito, querida. – Ele ainda sorri, embora eu sei que ele está tão desapontado quanto eu. – Mais tarde ligo para a Sra. Cho.

Assinto. Meu pai e a família de Dylan são grandes amigos. Quando aconteceu o incidente com minha mãe, seis anos atrás, eles nos apoiaram como nunca. Os Cho são uma boa família.

– E então – mudo de assunto. –, o que você está preparando hoje?

Meu pai fica animado repentinamente. Ele adora quando pergunto o que ele está cozinhando. Ele adora cozinhar, e é muito bem pago por isso.

– Pato ao molho de laranja – ele responde. – Uma receita simples, de família. Aposto que vai adorar. Minha própria avó me ensinou.

Fico animada já na hora. Toda vez que é uma receita da Vovó Kiera, pode-se ter certeza que é uma verdadeira delícia, por mais simples que os pratos possam parecer. Na época da Vovó K, o país estava em crise em decorrência da Terceira Guerra, e ela e a família tiveram que viver em um porão sujo por muito tempo. Mas depois eles retornaram ao solo e viveram em paz por muitos anos.

– Estou louca para provar – eu falei, já com água na boca.

Eu vivia feliz, mas meu coração ainda doía com a perda de minha mãe. Sempre que janto, encaro a terceira cadeira na mesa, com a esperança de que ela ainda esteja viva, com a esperança que essa cadeira seja preenchida novamente. E eu ainda espero pelo dia em que ela voltará.

Notas finais
Comentem se gostaram ou não, por favor. ^^ Obrigada, de qualquer forma, se você chegou até aqui. P.S. Eu sei que pode ser meio mal-escrito e confuso... mas eu tento.