Vítima.
9 Carolina: Vítima da Obsessão, parte 2.
A carreira de Carolina ia de vento em poupa, a capa da Vogue havia dado a ela visibilidade internacional e ela estava fazendo cada vez mais desfiles então chegou o dia em que nem em seu sonho mais otimista ela teria imaginado: o diretor criativo responsável pelos desfiles da Versace havia entrado em contato com ela para que ela assinasse um contrato para fazer alguns trabalhos com eles, ela ficou radiante! Havia encontrado um homem que a amava e sua carreira estava ótima, ela tinha tudo o que queria, porém Laura não deixaria que sua felicidade fosse plena.
Laura chegou no escritório da Fama cedo, ela havia marcado um horário para ver Branca pois ela sabia que Branca não aprovava o relacionamento de Fabrício com Carolina.
— eu sei que a senhora não gosta dela e sabe que ela não é mulher para o seu filho – afirmava Laura – se você me ajudar eu consigo afastar eles dois, e você sabe que eu sou muito mais qualificada para ficar com seu filho do que ela.
— é, eu fiquei sabendo daquele episódio lamentável em seu apartamento – Laura por um instante achou que Branca desaprovaria sua intenção, porém ela se enganou – aquela sem classe da Carolina se presta a um papel desses. Pode contar com meu apoio minha querida. O que você precisa que eu faça?
— primeiro de tudo, você precisa me manter na revista, isso é a coisa que mais vai irritar a Carolina, ela saber que não pode me tirar de perto, ela começará a se sentir ameaçada e então ela começa a fazer perder a cabeça. O nosso maior aliado é o temperamento dela. Temos que fazer as pessoas verem o quanto ela é desequilibrada.
— considere feito minha querida – disse Branca sorrindo em direção a Laura estendendo a mão para um aperto.
Como o desfile ainda levaria um mês para acontecer e Carolina ia passar mais duas semanas no Brasil antes de ir para Milão para o desfile da Versace, ela faria mais uma capa para a Fama. No dia da sessão de fotos, Carolina chegou no estúdio e foi logo até a sala de maquiagem, ela estava sentada de maquiando quando viu Laura entrando na sala, no mesmo instante ela levantou-se e o maquiador pediu o que estava acontecendo.
— o que essa piranha está fazendo aqui? — ela fuzilou Laura com os olhos.
— olá Carolina tudo bem? — O cinismo de Laura deixava Carolina com muito ódio.
— você ponha-se daqui pra fora ou eu vou chamar o segurança pra te jogar no meio da rua, dua infeliz!
— bom, para a minha sorte a Branca, que é uma profissional ao contrário de uns e outros por aqui, sabe do meu talento e me assegurou que eu tenho meu cargo garantido ainda. Ela sabe reconhecer o valor de uma grande modelo, afinal ela tem anos de carreira, sabe o que faz.
Carolina passou por Laura esbarrando nela, fazendo com que ela fosse alguns passos para trás com o tranco da batida, arrancou os guardanapos que estavam presos na gola de sua roupa para evitar que a maquiagem a sujasse e foi até a sala de Branca.
— só pode que é um ataque pessoal – disse Carolina ao entrar feito um furacão na sala de Branca, sem ser anunciada – eu te fiz alguma coisa você me diga agora e vamos nos resolver como duas adultas. Esses teus joguinhos de adolescente mimada pra mim não servem!
— mas eu posso saber ao menos sobre o que você está falando Carolina? — Branca realmente não havia entendido nada, por enquanto.
— desculpa dona Branca, mas a Carolina entrou tão rápido que eu não consegui detê-la e…
— com licença mocinha, minha conversa é com a Branca, você pode se retirar por favor? — disse Carolina, dirigindo-se à secretária.
— pode ir Leda, está tudo bem – disse Branca dispensando a secretária, então ela voltou-se para Carolina – posso saber do que você está falando minha querida?
— minha querida é o escambal Branca, o que foi que eu te fiz que você está me atacando dessa forma? Sabendo daquele episódio horrendo entre o seu filho, a Laura e eu, por que você insiste em manter essa garota aqui?
— a meu Deus, é disso que você está falando querida? — Branca sentou-se em sua cadeira novamente – ela é uma ótima modelo, nos trabalhamos com ela a anos.
— ótima modelo é uma piada né Branca? Ela nunca conseguiu nada por merecimento aqui dentro, eu quem sempre arrastei essa garota. Ela é péssima e você sabe disso! Eu quero, aliás, quero não eu exijo que essa garota seja substituída agora! Temos várias modelos a nossa disposição, pode chamar alguma outra. Eu sei que a responsável por esse job é você então dê um jeito nisso…
— espere aí minha querida – disse Branca interrompendo Carolina – eu não vou substituir umas das minhas modelos por puro capricho seu, além do mais é em cima da hora demais pra isso.
— capricho meu? Você sabe muito bem da índole nojenta dessa garota! Olha o circo que ela armou pra tentar me separar do seu filho e… — Carolina parou de falar ficou pensativa por alguns instantes – a, então é isso, você vai ajudar ela a me separar do Fabrício não é? Bem que eu percebi desde o início que você não tinha gostado de mim. Posso ao menos saber o porquê?
— minha querida, você está vendo coisas onde não tem – o tom de voz de Branca era o mais cínico possível – eu não tenho nada contra você minha cara.
— fala a verdade sua vaca velha! — gritou Carolina espalmando a mão sobre a mesa de Branca emitindo um estrondo – fala logo, que ao menos eu saberei o motivo desse ataque contra mim!
— são por atitudes como essa que você nunca será uma mulher ao nível do meu filho. Você pode ser rica e o que for, mas dinheiro não compra classe minha querida. Você é uma pessoa que resolve tudo no grito. Quem é que vai querer alguém desse baixo nível como nora?
— então é isso, ódio gratuito da mãe super controladora. Pois bem, ao menos agora as cartas estão na mesa, pois saiba que se você quer guerra, ataque com toda a sua força porquê você viu que a minha artilharia é pesada, sua vaca velha.
— ponha-se daqui pra fora sua criança mimada e mau educada — Branca olhou fixamente nos olhos de Carolina – te aconselho a aproveitar os últimos segundos que você passa com o meu filho, pois eles estão chegando ao fim.
Carolina saiu e bateu a porta com tanta força que o barulho ecoou pelo escritório. Ela foi até o estúdio de fotos e ligou para sua mãe que estava fora e disse tudo o que estava acontecendo e Ângela disse para Carolina que ela aguardasse que logo ela chegaria ali.
Em questão de 20 minutos, Ângela chegou na revista e dirigiu-se ao estúdio onde as fotos estavam acontecendo.
— Laura, você faça o favor de sair daqui, você não faz essa sessão de fotos nem que eu tenha que fechar essa revista. Aliás, como diabos você entrou aqui?
— foi a Branca quem me chamou para esse ensaio, mas por favor dona Ângela, você não pode destruir a minha carreira por um erro cometido. Eu e o Fabrício não queríamos nos apaixonar, aconteceu sabe…
— cala essa boca sua cadela, ninguém compra essa sua história ridícula! — Carolina interrompeu Laura aos gritos – o Fabrício nem sabe quem você é sua louca! Cala essa tua boca porquê você sabe o peso que a minha mão tem!
— acalme-se minha filha, essa “zinha” aí ou ela sai daqui ou eu vou chamar a segurança pra jogá-la na rua, que aliás é o lugar de gentinha feito você. Eu vou deixar o pessoal da segurança que em questão de 15 minutos se ela não juntar tudo o que tem e sair, eles a tiram, mas agora eu vou falar com quem está fazendo esse desaforo contra a minha filha.
Branca foi surpreendida com Ângela invadindo a sua sala, porém dessa vez a secretária não se opôs, Leda não era louca de se colocar na frente de Ângela.
— posso saber qual é a razão do ataque à minha filha?
— mas o que é isso, é o dia da invasão à minha sala e eu não fui informada? — Branca já esperava por esse embate, ela sabia que Ângela defendia a filha com unhas e dentes.
— aquela sem vergonha da Laura está proibida de entrar nessa empresa, coisa que eu imaginava que estava subentendida desde o episódio com o Fabrício, mas pelo jeito você não captou a mensagem.
— mas Ângela, não podemos misturar problemas pessoais com questões profissionais. Laura trabalha conosco a anos. A questão que envolve nossos filhos resolvemos fora da empresa.
— ela já foi dispensada e a segurança já foi avisada que essa garota está proibida de entrar nessa empresa até segunda ordem. Segunda ordem minha, claro.
— quem fez o casting desse ensaio fui eu Ângela! Com que direito você dispensa ela? Eu nunca intervi nos seus trabalhos eu exijo um mínimo de respeito com os meus.
— essa é uma guerra que você não vai querer comprar Branca, muito menos por causa dessa garota. Quer um conselho? Não…
— não quero conselho nenhum Ângela, obrigada. Pode se retirar daqui por favor, porque eu tenho um casting pra recuperar de última hora, porque aparentemente tudo resolveu dar errado hoje.
Branca levantou e foi em direção a porta, ela ia sair e deixar Ângela falando sozinha, porém Ângela segurou ela pelo braço.
— fazem mais de vinte anos que eu estou por cima, e todas as vezes que eu caí, eu caí de pé, então eu aconselho você a não se meter comigo.
— então, minha querida – Branca puxou seu braço se soltando – acho que está na hora de você começar a cair deitada. Aliás, deitada não, de quatro, combina mais com gente como você.
Ângela deu uma bofetada tão forte no rosto de Branca que por alguns segundos ela ficou sem entender o que estava acontecendo, então quando ela recobrou a consciência, ela tentou revidar, porém Ângela segurou seu braço antes que ela pudesse reagir.
— não se meta comigo muito menos com a minha filha. Você é e sempre foi inferior – Ângela empurrou Branca para trás pelo braço e ela escorou-se em sua mesa.
Ângela saiu da sala de Branca.
Branca foi tomada pelo ódio. Ela ia fazer Ângela pagar por cada uma daquelas ofensas e em especial por aquele tapa.
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