Vítima.

7 Branca: Vítima do Passado parte 3.


Branca ficou alguns poucos dias no hospital, mais pelo acompanhamento psicológico do que físico para ver se ela havia ficado com algum trauma devido ao acidente e então ela teve bastante tempo livre para pensar sobre tudo, com o tempo ela começou a questionar o porque tanto ódio de Guilhermina, será que ela se arrependeria um dia de ter feito aquilo e acima de tudo, de onde vinha tanto ódio, então ela começou a se lembrar daquele dia em que o ensaio deu errado, então ela teve um inside que não havia tido até hoje: como era estranha a situação que justo naquela noite ela havia passado mal? Ela sempre foi uma pessoa muito comprometida com a revista, não era estranho justo naquela noite que precedia a polêmica sessão de fotos ela ter passado mal? Só tinha uma explicação plausível, alguém tramou aquilo, porém ela não fazia ideia de quem, pois haviam as pessoas que se daria bem, porém uma delas em especial estava lá naquela noite e foi a que se deu melhor nessa situação toda, Ângela. Quase que instantaneamente todo o ódio que ela sentia de Guilhermina transferiu-se para Ângela, ela não tinha como provar, mas era claro que havia sido ela, pois Ângela foi a pessoa que mais saiu ganhando nessa situação e desde o início ela havia se mostrado ser contraria às fotos. Ela foi tomada por um ódio sem tamanho e ela jurou a si mesma que se vingaria de Ângela, nem que levasse o tempo que fosse preciso, ela iria vingar-se de Ângela. Branca era imparável, sempre que la tinha uma convicção, falta de provas não lhe importavam em nada, ela se julgava ser muito “intuitiva”.

Com o passar dos anos, Ângela também casou-se e teve Carolina, uma garota que foi mostrando-se ter uma personalidade forte assim com ao da mãe, e desde sempre Branca foi super protetora, afastando Fabrício de qualquer mulher, em especial as brasileiras que ela julgava serem “vulgares demais” para seu filho. Ela o fez estudar fora do país a vida toda, porém quando ele se formou na faculdade, ele voltou ao país e Branca o obrigou a morar em sua casa novamente e ele aceitou. Poucas pessoas tinham capacidade de enfrentar Branca e ir contra suas vontades.

Para o azar de Branca e uma jogada do destino Fabrício e Carolina se conheceram em uma festa e foi atração instantânea.

***

— vou trazer uma pessoa aqui pra conhecer todo mundo – anunciou Fabrício na hora do almoço – acho que está na hora de vocês se conhecerem. A gente está saindo a um tempo já e…

— como assim? — Branca parou de comer, largou o talher sobre o prato e olhou fixamente nos olhos de Fabrício – a um tempo e você não me fala nada?

— mas com a idade dele não precisa ficar anunciando namoricos né Branca? — respondeu Antenor.

— tem sim, pra mim tem sim – respondeu Branca, ríspida – eu sou a mãe dele, não tem porque esconder nada de mim, além disse…

— mas eu não estou escondendo nada mãe – Fabrício foi enérgico – justamente por isso que quero trazê-la aqui. Acho melhor essa conversa parar antes que vire uma briga – Fabrício estava cada vez mais decidido a contrariar a mãe. Ele a amava, mas se via numa posição complicada àquela altura da vida ainda acatando tudo o que a mãe dizia.

Chegou domingo e Fabrício levou Carolina para almoçar com sua família. Branca estava receosa porque tinha certeza que era alguma alpinista social que queria dar o golpe do baú em seu filho, porém quando ele viu Fabrício cruzando a porta com Carolina, a filha de Ângela ela ficou muito mais apavorada. Carolina ficou espantada “meus Deus, você não me disse que sua mãe era uma das mais importantes jornalistas do ramo da moda desse país, aliás, colega da minha mãe a anos!” e na maior inocência, Carolina abraçou Branca. Ela nem imaginava que se Branca tivesse uma faca, ela teria morrido ali mesmo.

— tive a impressão que sua mãe não gostou muito de mim – Carolina parecia estar intrigada – o que eu achei estranho porque ela e minha se conhecem de uma vida toda, eu também já a conhecia mas nunca notei um tratamento tão frio sabe.

— mas amor, ela é assim, mamãe é bem intempestiva mesmo – Fabrício não queria falar nada para que Carolina não ficasse ainda mais desconfiada da situação, porém ele havia notado sim que Branca não tinha gostado de Carolina.

Branca estava em casa e recebeu uma mensagem em seu celular dizendo para era ir para o portão de sua casa imediatamente ou algo aconteceria, ela ficou assustada, afinal aquela mensagem tinha um tom assustador e o número não lhe era conhecido. Quando ela chegou ao portão, ela viu que o porteiro argumentava com alguém, porém ela não reconheceu esse alguém até que ela chegou perto e pediu.

— mas o que é que está acontecendo aqui? — ela dirigiu-se ao porteiro.

— então Branca, eu já me apresentei para esse senhor, porém ele não me deixou entrar ainda, você acredita? Eu já disse pra ele que meu nome é Letícia Almeida e ele ainda não me anunciou. Olha Branca, sinceramente, eu se fosse você ia rever o emprego desse cidadão – ela tirou os óculos de sol e olhou diretamente para Branca. Branca gelou por dentro, ela sabia que o retorno de Letícia não seria uma coisa boa.

— o que você quer aqui? — pediu Branca. Já dentro da mansão ela sabia que Letícia iria querer alguma coisa.

— preciso de grana e só tenho você pra me ajudar minha querida amiga – Letícia sorriu cínica para Branca.

— mas eu não posso te ajudar agora Letícia, você sabe que está velha demais pro ramo da moda e não tenho como te colocar em alguma vaga burocrática dentro da empresa agora porquê…

— mas e quem tá falando em emprego Branca? — Letícia a interrompeu abruptamente – eu falei grana, preciso de dinheiro. Quero dinheiro pra alugar um apart-hotel até me estabelecer na cidade e depois a gente vê como faz.

Branca de uma gargalhada que ecoou pela sala.

— e eu com isso? Você precisa de um lugar para ficar, então se mexa minha querida, eu imagino que em algum restaurantezinho de rodoviária você consegue um emprego.

— você lembra com quem está falando Branca? — Letícia mudou completamente o semblante olhando fixamente para Branca, deixando visível sua raiva – você mais do que ninguém sabe que temos um passado minha amiga. Isso não é uma proposta, é uma ordem. Ou você me dá dinheiro ou eu vou acabar com esse lindo castelinho de cartas que você construiu em cima de uma mentira!

— não precisa alterar o tom Letícia – Branca ficou apavorada – vamos até o meu escritório.

No escritório, Branca sentou-se atrás da mesa e Letícia ficou em pé olhando os livros na estante.

— seja generosa, você sabe como as coisas são caras nesse país né minha amiga. Embora você nunca tenha tido noção do valor das coisas, mas o preço você sabe não é? — Letícia era sarcástica com Branca. Sarcasmo era a coisa que mais irritava Branca no mundo.

Branca abriu o cofre, haviam estojos com joias que valiam milhões, um monte de dinheiro e um revólver. Branca olhou fixamente para aquele revólver e depois voltou os olhos para Letícia “de costas, essa vadia nem vai saber o que a atingiu” ela pensou. Ela colocou as mãos sobre o revólver e olhou para Letícia novamente, então quase que prevendo o que estava por vir, Letícia disse:

— a, e se acontecer alguma coisa comigo, pessoas da minha confiança vão jogar na internet tudo! Será um escândalo que você não conseguirá sair ilesa.

Branca largou o revólver e pegou um monte de dinheiro. “isso vai acontecer, mas não agora, primeiro eu vou pensar exatamente como fazer” pensou Branca. Letícia era uma mulher perigosa que estava se envolvendo com uma mulher tão perigosa quando ela.

***

Quando Letícia saiu da casa de Branca, Marcela estava do lado de fora. A jornalista, como sempre era “a pessoa certa na hora certa”. Ela havia saído de casa apenas para tirar algumas fotos de Branca, quem sabe em alguma situação constrangedora, mas ao invés disso ela viu uma ex modelo decadente e viciada em drogas e álcool saindo da casa de Branca. Ela começou a seguir Letícia para ver até onde ela ia.

O que Marcela não sabia é que ela estava indo atrás do maior furo de sua carreira.